Tortura nos Comandos?


comandos

Uma investigação do programa Sexta às 9, da RTP, que cita testemunhas e familiares de Hugo Abreu, um dos militares recentemente falecido durante o curso dos Comandos, refere que o jovem terá sido forçado a comer terra quando se encontrava já em convulsões.

Honestamente, não quero acreditar que isto possa ser verdade. Não quero mesmo. Porque se for, é preciso encarcerar, imediatamente, o troglodita responsável. Uma brutalidade destas não é treino, não prepara ninguém para melhor defender a pátria nem honra o exército ou a nação. É apenas cruel e perverso. É tortura. Estamos em Portugal, não em Abu Ghraib. E estamos a treinar Homens, não carrascos.

Foto@DN

Comments

  1. José Peralta says:

    “O Exécito aguarda as conclusões das investigações “…

    Na reportagem, diversos soldados do mesmo curso, ouvidos sob anonimato (claro !) sem saberem uns dos outros, são unânimes em dizer que o falecido, “foi obrigado, antes de ficar inconsciente, a respirar e a comer terra . E a mãe do militar, corrobora esse testemunho, citando o alegado autor da “façanha”, um tal sargento rodrigues !

    Entretanto parece ter caído um pesado manto de silêncio sobre as tais investigações !

    Será que o espírito de corpo, tem algo a ver com o silêncio, e a morte de dois jovens e o internamento de seis vão ser considerados “danos colaterais” imprevisíveis e impossíveis de evitar? E a desidratação, porque só podiam beber água com autorização superior? E o alegado “respirar e comer terra”, será considerado “ração de combate” ? E porque é que a seguir ao “incidente”, 17 militares abandonaram o curso ? Será que a opinião pública vai ficar sem resposta ?

    E a propósito da extinção dos Comandos, sugerida por alguns, e que gerou tanta controvérsia, é algo que já não tenha acontecido, justamente na sequência de outros “danos colaterais” como estes ?.

    Da Wilipédia : – Em 1988, duas mortes por exaustão no 89.º curso de Comandos e uma outra por explicar em 1990, com os consequentes inquéritos, levaram à extinção, em 1993, do então Regimento de Comandos.

    O regresso deu-se em 2002. As bases do curso mantiveram-se, mas foram feitas as necessárias alterações para fazer face às novas ameaças.

    Em setembro de 2016 no 127ª Curso de Comandos ministrado a 3 oficiais, 7 sargentos e 57 soldados, dois recrutas sofreram um golpe de calor que os levaria à morte e outros quatro militares precisaram de receber assistência médica. Os cursos de Comandos foram suspensos.[1]

  2. ZE LOPES says:

    Bom: eu já publiquei aqui alguns comentários a propósito de um post de Bruno Santos em 11/9 onde, penso – mas leiam, se quiserem – confundia a necessidade da existência de defesa, ou de exército, com a existência desta força chamada Comandos.

    Aí disse que fiz o Serviço Militar Obrigatório em 1981/82. Fui graduado como Segundo Furriel na Escola Prática de Infantaria, em Mafra e, depois transferido para outro quartel, onde cumpri o resto do serviço (no total, 16 meses).

    Ora bem: José Peralta, o comentador anterior, reproduz os “acidentes” (as aspas são propositadas…) que aconteceram desde 1988. É o limite a que chegou a imprensa. Pergunto: e antes? O “antes” é muito importante! Pergunto: por que razão os Comandos, na prática, foram extintos (houve aquela saída airosa dos Pára-comandos, eu seem 1993?

    Em 1982 conheci muitos militares, oficiais, sargentos e praças de todas as idades e proveniências. Particularmente vários que vinham dos cursos de Comandos (e outros que, pela sua experiência, com eles tinham lidado em variadas circunstâncias). Segundo me recordo, em 1981 terá existido “um acidente” num exercício de tiro de um cur. Sou capaz de descrever o que aconteceu, mas será fastidioso. O que me surpreendeu não foi isso: foi o facto de esses militares verbalizarem frequentemente que os instrutores lhes diziam que “curso de Comandos onde não haja uma ou duas mortes, não é curso nenhum!”. Lembro-me de outro “acidente” em Santa Margarida com indivíduos já “Comandos” e uma arma pesada mal manuseada.

    Ouvi muitos relatos de maus tratos que, graduados que me comandaram e fizeram as guerras coloniais, me disseram ser absurdos e nada contribuir para a sua eficiência. Entre outros militares, mesmo os de outras forças especiais, corria sempre a versão de se tratar de uma “seita militar”.

    Não vi nenhum destes “acidentes” relatados na imprena. Não haverá registos?

    Relembra-se que os cursos de Comandos foram retomados em 2002 por obra e graça de Paulo Portas que, que me conste, nunca foi à tropa. Aliás como mutos de uma classe social “bem” que, nessa altura, passavam à reserva porque…tinham sorte…

    Foi pena: assim que Paulo Portas aparecesse em casa, no intervalo de uma instrução mais “acalorada”, com uma bota cravada nas costas (não era preciso ir para os Comandos para que tal acontecesse) talvez alguma coisa tivesse mudado.

    A terminar: há mais tropas especiais em Portugal. E o treino é duro em todas (Rangers de Lamego, Para-quedistas, Fuzileiros…). E parece que os acidentes, por lá acontecem muito menos…

    • José Peralta says:

      ZÉ LOPES

      Fui reler o seu anterior post de 11.09, que comentei a 13.09, onde lhe disse que estava de acordo consigo, porque da maneira como argumentou, eu intuí que sabia do que falava !
      E acrescentei que a sua opinião não era despicienda, sobre instrutores/comando que não passavam de sádicos sem controle ! A tal “seita militar” que pelos vistos, tendo o escândalo, o drama, saltado para a opinião pública, e não o podendo esconder como o fizera antes, agora parece acobardar-se, fechando-se num pacto de silêncio para se auto-proteger e a hierarquia com “vistosos” galões sobre os ombros, a “afirmar” sem convicção que não há violência na instrução, ou “eu não sei ! Não vi ! Não estava lá !”

      E outra coisa que me faz pensar que tudo vai, mais uma vez, dar em nada, é o facto de ser uma PJ Militar, a “investigar” em causa própria…

      Sobre o relato de “acidentes” desde 1981, eu nada sabia, e depois de ver o “Sexta às 9” e “às 11”, recorri à Wikipédia, que parece ter sido a mesma fonte da RTP, incluindo a notícia da extinção dos Comandos em 1993 na sequência de “acidentes” mortais e ao seu “regresso” em 2002 ! O que não sabia, é que esse regresso, foi feito pela mão desse grandessíssimo “cabo de guerra” o “marechalito” paulinho portas !

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