Os nossos carrascos e os tipos que levam o país a brincar


Os mercenários da Standard & Poor’s anunciaram ontem a manutenção do rating da República Portuguesa no nível BB+, also known as “lixo”, atribuindo-lhe uma perspectiva “estável“. São más notícias para o país, que continua enfiado no buraco dos terroristas financeiros, piores ainda para os partidos à direita, que continuam a apostar as suas fichas na hecatombe das finanças públicas, muitos deles a rezar sucessivos terços para que o caos se instale e o assalto ao poder se torne mais fácil. Para sua desilusão, o problema não se agravou. Ainda.

Entre os principais riscos apontados, a situação da banca portuguesa surge no topo da lista. O país continua sob chantagem do directório financeiro internacional, pagando um preço elevado por estas avaliações sectárias, preço que recai sobre os ombros calejados dos portugueses, e a banca, maioritariamente privada, continua a ser a grande ameaça. A banca dos salários chorudos, dos prémios fabulosos e dos investimentos ruinosos. A banca que clama por menos Estado, até que a bolha rebenta, para imediatamente sugar mais uns quantos milhares de milhões de euros aos cofres da nação. A banca dos biliões de imparidades e do crédito malparado, o tal que um certo ex-primeiro-ministro disse um dia não constituir grande problema.

Depois existe um partido chamado PSD, que gosta de encher chouriços com o seu hashtag predilecto, o tal que afirma tratar-se de um partido que leva o país a sério, o que se pode ser brincadeira. E o líder desse partido, numa declaração insólita, fez ontem saber que o seu governo não discutiu a banca por não ser essa a sua função. Isto depois de termos ficado a saber que Assunção Cristas, coitada, lá teve que interromper as suas merecidas férias para assinar de cruz um decreto-lei que não conhecia, e que deu origem ao ruinoso processo de resolução do BES. Entregues aos bichos não estaríamos pior.

Isto não é levar o país a sério. Isto é pura negligência e uma absoluta irresponsabilidade da parte de uma coligação que massacrou os portugueses com austeridade cega, falhou toda as metas a que se propôs e deixou o país em pantanas. Marques Mendes afirmou, algures em 2013, que os banqueiros são os principais responsáveis pela situação do país. E em parte tem razão. Mas esses banqueiros não actuariam tão impunemente se a regulação funcionasse e se a justiça e os sucessivos governos tivessem mão pesada sobre as suas aventuras. Com a regulação nas mãos de cavalheiros como Vítor Constâncio ou Carlos Costa, a justiça sem instrumentos e governos negligentes que se demitem das suas responsabilidades os banqueiros bem podem fazer o que lhes der na real gana. A factura acaba sempre nas mãos dos mesmos. E não se passa nada.

Imagem via Global Witness

Comments

  1. JgMenos says:

    Os ‘ombros calejados dos portugueses’ vão carregar com muitos mil milhões para o banco integralmente público, mas o BES é que aflige o Mendes…
    O Mendes sofre!

    • E o que seria de mim sem o Menos para me amparar neste momento tão difícil!

      • António Pedro Pereira says:

        Caro João Mendes:
        Cuidado com este Menos, afinal, ele é muito mais do que parece.
        É um avençado do Passos e da Direita, destacado para controlar blogues de Esquerda (como o extinto Arrastão, agora o Ladrões de Bicicletas).
        E, de vez em quando, o Aventar, mas como este se define como não sendo nem de Direita nem de Esquerda, só vigia os posts de Esquerda.
        No Arrastão usava 2 «nicknames»: era JgMenos e Tonibler.
        No Ladrões de Bicicletas.é, simplesmente, José.
        Aqui volta a ser JgMenos.
        Mas não passa de um destrambelhado neoliberal direitista, de seu verdadeiro nome João Pires da Cruz, suposto consultor Financeiro, doutorado em Física.
        Um verdadeiro provocador.
        No Arrastão, como JgMenos, dizia-se ex-emigrante e ex-operário em França, simpatizante da Front National.
        Ficava-se pela provocação constante, mantendo alguma compostura, como foi o caso deste comentário.
        Quando se apresentava como Tonibler não se identificava, sendo aí verdadeiramente bronco, ofendendo todos (e as respectivas mães) com os palavrões mais escabrosos.
        Actualmente, de vez em quando escreve no Observador e comenta no restrito grupo de cromos do PPD do blogue Quarta República.
        Só de olhar para a cara da criatura ficamos com vontade de rir ou de fugir dali.
        Mas é um provocador nato.
        Não lhe dê demasiada importância, senão acha-se, verdadeiramente, uma figura importante.
        Por mim, quando fui ligando as pontas e percebendo de quem se tratava, nunca dei corda ao troll.

        • José Peralta says:

          António Pedro Pereira

          Bela identificação do “cavalheiro”…

          Eu também o conheço do Arrastão, mas não o sabia tão…polifacético” !

      • José Peralta says:

        Caro João Mendes

        Tem, no “menos”, um “amigo” que se “preocupa” consigo !

        E olhe que o “menos”, é… um”putriota” !

  2. Beautiful post!!! I loved it!!!

  3. Paulo Só says:

    Basta uma pequena pesquisa para ver quem são os acionários da S&P. Os mesmos bancos que detêm a dívida portuguesa, ou seja, que vivem ela. Isso é tudo um jogo de cartas marcadas. A questão hoje em dia é passar entre os pingos da chuva, e é perfeitamente possível viver longe de todas essas instituições. É só dispensar carrões novos, casas secundárias, férias dispendiosas. Adotar as sopas populares, e todos os subsídios possíveis. Não trabalhar nem pagar impostos. Estou quase a chegar lá. Quando chegar a guerra estarei preparado.

  4. Paulo Só says:

    Basta uma pequena pesquisa para ver quem são os acionários da S&P. Os mesmos bancos que detêm a dívida portuguesa, ou seja, que vivem dela. Isso é tudo um jogo de cartas marcadas. A questão hoje em dia é passar entre os pingos da chuva, e é perfeitamente possível viver longe de todas essas instituições. É só dispensar carrões novos, casas secundárias, férias dispendiosas. Adotar as sopas populares, e todos os subsídios possíveis. Não trabalhar nem pagar impostos. Estou quase a chegar lá. Quando chegar a guerra estarei preparado.

  5. Tanta m… contra os detentores da dívida, mas afinal quem a fez? estão esquecidos? selectivos, não é? Ó idiotas, vocês não tem a honradez intelectual de afirmarem que gastamos MAIS do que aquilo que produzimos? Todos os santos dias…fds.

    • Paulo Só says:

      Eu absolutamente não gasto mais. Nunca tive um crédito ou uma dívida. Portanto não me inclua nesse “nós”, isso é para quem tem casões, carrões essas coisas todas. Idem toda a minha família. Portanto pouco a pouco vão sobrar só alguns, não é mesmo? Então se começássemos por exemplo pelos donos do Pingo Doce, que pagam salários de miséria, não pagam os impostos aqui e depois ainda lhes dão o Aquário Vasco da Gama para eles serem generosos e cuidarem da imagem? Já era um bom começo: expropriados e banidos do país. Deve ser possível. Sem mexer na constituição. Há tantos assim. Honradez intelectual é bom, mas honradez mesmo ainda é melhor.

    • António Pedro Pereira says:

      Zé:
      Sabe quem contraiu a estratosférica divida alemã nos inícios dos anos 20?
      Que daria origem ao nazismo e à II Grande Guerra?
      Pelo seu raciocínio simplista (ou simplório), apenas os alemães.
      Para si, as exigências pouco razoáveis do Tratado de Versailles não tiveram responsabilidade nenhuma.
      E sabe quem perdoou quase a totalidade da dívida aos alemães?
      Os vencedores da II Grande Guerra.
      Pelo seu raciocínio simplista (ou simplório), que grandes tolos foram os vencedores da II Grande Guerra.

      • simplório António, simplório. Tem razão, alguém nos obrigou a assinar e cumprir um tratado de Versailles em 2009 e arredores…

  6. Rui Mateus says:

    Estas chantagens continuarão enquanto este país estiver debaixo de um tratado orçamental terrorista e a sua moeda, o euro, que nos impõe uma dívida incontrolável, impagável.

Trackbacks

  1. […] comum da fraude financeira em Portugal, já tive oportunidade de dar os meus cinco tostões. Sobre a seriedade com que o anterior governo lidou com a banca também. Mas se vamos falar de generosidade com a banca, e com os poderosos em geral, não […]

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