O trabalho infantil do Miguel Abrantes

O funcionário governamental que se esconde sob o nome de guerra de Miguel Abrantes conseguiu, num simplex muito aflito onde tenta amortecer os textos do Paulo Guinote desmontando a recente manipulação estatística sobre sucesso escolar, escrever uma frase que subscrevo integralmente:

Manter os alunos na escola com aproveitamento em formações mais longas é muito mais útil e importante para eles e para a sociedade do que deixá-los sair precocemente para o mercado de trabalho.

Deve ter sido pela mesma causa que o Partido Socratista fez aprovar na AR o regime jurídico que regula o trabalho no domícilio que permite a menores de 16 anos executarem “trabalho doméstico“, desde que tenham completado a escolaridade obrigatória, o que na versão governamental está cada vez mais fácil, e é mesmo uma grande vitória da socióloga Rodrigues.

É que não estão bem no mercado de trabalho, estão em casa, embora talvez precisassem de uma formação mais longa. Não sei se entendem: cosem botas para a Zara, mas é em casa, não é no mercado. Não entenderam? Eu também não.

Modesta proposta para melhorar a correcção dos exames nacionais

O Público de hoje destaca haver “cada vez mais alunos a contestar as notas dos exames nacionais e a ter razão“.

Problema clássico nas áreas mais “subjectivas” como Português ou História, que os ilustres do GAVE tentam resolver espartilhando os critérios e inventando grelhas que não fosse o assunto sério dariam vontade de rir, atinge também as ciências exactas, onde uma subida de vários valores só se explica por incompetência do corrector, ou sua má vontade.

É aqui que entra a minha propostas: acabem com essa vergonha que consiste em colocar professores do ensino privado a corrigir provas exames oficiais.

Comecem por comparar estatisticamente as provas corrigidas por estes, versus as corrigidas por funcionários públicos. Tenho uns palpites sobre os resultados, e explico-me.

Em 2007 fui chamado como professor corrector, o que não me sucedia há vários anos. Na véspera da primeira reunião para aferição de critérios dois colegas, experientes, avisaram-me para o problema dos “colegas” empregados de colégios que iria encontrar. Fiquei espantado, primeiro por tal ser possível, mas mesmo assim não estando muito bem a ver o problema.

Explicaram-me. E no dia seguinte confirmei. Nestas reuniões corrige-se um exame feito da colagem de vários, para em seguida se confrontarem os resultados. Sistemático: a senhora empregada de um Colégio conhecido na zona pela péssima qualidade do seu ensino, avaliava sempre por baixo. Digamos que no total de um exame isto podia atingir 2, 3 ou mesmo mais valores.

Sabendo que nunca estaria a corrigir exames de alunos da empresa para quem trabalha, era óbvia a intenção: baixar as notas da concorrência, pública ou privada. As leis do mercado no seu melhor. Capitalismo selvagem. Chamem-lhe o que quiserem. Nos últimos anos confrontei vários colegas correctores de exame com a dúvida: é sempre assim? continua a ser assim?

Todos sorriem e respondem: claro, estavas à espera de quê?

A vida nem sempre é simples

O sr. Porfírio Silva manda umas piadas ao Paulo Guinote, porque este sugeriu ao PSD

Revisão do estatuto da carreira docente no sentido de eliminar a divisão da carreira entre professores e professores titulares, ou seja, o restabelecimento da carreira única do professor.

Não deve ter lido no último Expresso o que escrveu Marcos Perestrello:

Mas essa imaginação transformou-se em rigidez quando foi necessário ultrapassar as dificuldades encontradas no sistema de avaliação dos professores, corrigir as incongruências do sistema de gestão ou contornar as barreiras à mobilidade anual dos colocados a centenas de quilómetros das suas residências. E a determinação transformou-se em obstinação quando foi precisa coragem para voltar atrás na divisão da carreira em titulares e não titulares ou resolver os problemas decorrentes da falta de pessoal não docente.

Marcos Perestrello parece-me que ocupa uns cargos no PS, é candidato a uma câmara e de certeza absoluta um perigoso infiltrado, um espião, ou pior que tudo: um professoreco disfarçado. A vida às vezes é uma chatice, e nem sempre é simples, muito menos simplex.

Uribe adere ao Chavismo

Aquando do golpe de estado nas Honduras vieram os anti-chavistas mais primários vociferar que o presidente Zelaya queria era permanecer no poder, à imagem de Chavez, e que o golpe não passaria da reposição da legalidade, democrática e tudo. Uma perfeita patetice já que essa recandidatura seria de todo impossível.

O Senado colombiano aprovou por maioria um projecto-lei para que se realize um referendo a perguntar ao eleitorado se deseja modificar a Constituição e permitir assim que o Presidente Álvaro Uribe Vélez, de 57 anos, se candidate em 2010 a um terceiro mandato.

Agora que a moda, contrária aos mais elementares princípios do republicanismo, pegou para os lados da Colômbia, onde muita gente só vê as FARC e não olha para o terrorismo do próprio estado e suas milícias, espera-se a mesma veemência contra o grande aliado do vizinho do norte. E já agora um golpe de estado para evitar a revisão constitucional.

Novas Hilariedades

Uma opinião que não é partilhada por Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra e especialista em abandono escolar, para quem a formação dos professores do ensino básico e a aposta em formação profissional foram as principais “alavancas do sucesso“. “Não há facilitismo, há uma forma nova de trabalhar que mudou práticas”, explica Lucília Salgado.
Por outro lado, a professora destaca a importância para as famílias do programa Novas Oportunidades. “Muitos pais voltaram a estudar e sentem-se mais capazes de acompanhar e motivar os filhos”, exemplifica Lucília Salgado, que está a conduzir um estudo sobre este tema.

Público

Vamos por partes: nos processos de RVCC os pais até podem voltar a estudar (por conta própria) mas os conteúdos não têm qualquer relação com os do ensino regular. É assim por definição. Se o filho pedir auxílio ao pai numa questão de português, por exemplo, o pai responder-lhe-á que está a fazer um trabalho sobre a importância económica da lingua portuguesa no mundo, e ninguém o mandou pensar em verbos.

Já a inversa é verdadeira: trabalhos de RVCC  feitos com o auxílio dos filhos (o que até acho muito bem) ou pelos filhos (a alternativa familiar e económica à fraude corrrente) são situações banais.

Finalmente o que Lucília Salgado tenta é vender a formação nas ESE de professores treinados para o sucesso escolar, o que se compreende já que é de verdadeiros analfabetos habilitados para o ensino que estamos a falar, razão pela qual defendo uma prova pública de acesso à carreira docente: não só nivela as médias de curso a nível nacional (com disparidades imensas), como talvez nos salve das gentes provenientes dos estabelecimentos como o da Sra. Salgado, que está a conduzir um estudo mas pela amostra duvido imenso que tenha carta de condução.

O ponto e a minha exclamação de protesto

Dois anos e qualquer coisa na adolescência a ler, distribuir e mesmo escrever panfletos onde no mínimo a oração final berrava 3 ou 4 patetices revolucionárias destacadas com o pontinho de exclamação (tipo: Estudantes! ao Lado do Povo! e sob a Direcção da Classe Operária!) tiveram como efeito um ódio ao dito que ainda não me passou, nem passará!

Nas dezenas de teclados que já destruí garanto que o 1 foi a única utilização da tecla segunda da primeira linha das teclas a sério onde meti o dedo.

Vivia eu muito bem com esta opção de género, pontual, quando algumas almas refrescaram a estação insurgindo-se contra o uso do dito ponto, que pode ser tão inútil, e chato, como os emoticons, eroticons, ou lá como se chama aos bonecos.

Se por via do tal trauma não podia estar mais de acordo, há contudo uma utilização do ! que me parece indispensável, inultrapassável e insubstituível, levando a que o apelo à sua abolição me leve a exclamar, com um simples final parágrafo: censura não, meus senhores.

Citando por exemplo Apollinaire:

“- Agora… agora… agora… vou vir-me… Ah! Oh! Oh!…”

e podendo ir por aí fora, desbragadamente, a literatura erótica precisa, aliás depende, do ! e das reticências, sendo um facto que baixando a qualidade literária o seu uso passa a abuso, ou seja a mesma frase ficaria assim:

“- Agora… agora… agora… vou vir-me… Ah!!!!!!!! Oh!!!!!!! Oh!!!!…”

numa versão mais pindérica. Convém lembrar que a net democratizou a produção deste tipo de textos, hoje ao alcance de qualquer um que se proponha narrar as suas proezas, em particular as que não cometeu mas tem pena.

Como não alinho em teorias de conspiração não diviso aqui a mão invisível das campanhas anti-masturbação que por aí andam mas, e usando uma frase batida, relembro que “os adultos necessitam de livros eróticos como as crianças de contos de fadas”. Além disso, o dito ! é o sinal ortográfico mais fálico que temos, e isto anda tudo ligado, pois anda.

Os símbolos a quem os trabalha

http://www.cm-santarem.pt/santarem

O especialista em Estudos Orientais Paulo Pinto anda às avessas com a simbologia escalabitana:

Ai o convento de Santa Clara é que é o “símbolo” de Santarém? Terá patente ou alvará? Muito me conta, nunca vi isso escrito em lado nenhum, a não ser naquele blogue de iluminados e figuras de culto

Bastava-lhe abrir a página da C. M de Santarém, e nem precisava de ler: é o Convento de S. Clara que a encabeça.

Devo dizer que se fosse de Santarém seleccionava outra igreja, maneirista e não gótica, mas reconheço aos povos o legítimo direito à escolha do símbolo que lhes dá na gana. E como é evidente no simbólico raras vezes conta a qualidade e real importância do monumento: Coimbra e Porto ostentam as suas torres que comparadas com outras arquitecturas que possuem não valem uma nota de rodapé.

Eu se escrevesse sobre Malaca, ou Montaigne, no mínimo lia umas coisas sobre o assunto, e antes. Mas cada um é como cada qual, e numa coisa estamos de acordo: tudo está bem quando acaba bem.

Santarém

Convento de Santa Clara (Santarém)

Convento de Santa Clara (Santarém)

“Primeiro, Santarém não tem “por símbolo um templo da arquitectura mendicante”. Que eu saiba, os candidatos ao título são as Portas do Sol, a Torre do Relógio ou a rosácea da Igreja da Graça (que é dos agostinhos). Não é o Convento  de S. Francisco.”

Pois não. É o Convento de Santa Clara. E as clarissas são uma ordem mendicante. A arrogância do jugular Paulo Pinto é directamente proporcional à sua ignorância em História da Arte. Já o tinha demonstrado, escusava de se repetir, sobretudo para rebater um texto que não percebeu.

Borradinho de medo

Tem algum sentido que não haja um ciclo de debates entre, no mínimo, os dirigentes dos partidos parlamentares?  Que numa campanha eleitoral Sócrates se confronte uma única vez com os seus principais adversários, num debate a cinco que todos já sabemos ser mais ruído que debate?

Tem:

José Sócrates aceita participar em três debates televisivos: dois frente-a-frente com a líder do PSD, Manuel Ferreira Leite, e um debate alargado com os presidentes dos cinco partidos com representação parlamentar, anunciou hoje fonte socialista.

Quando se está borradinho de medo pela ameaça de ter de enfrentar os adversários em debates a dois. Quando se tenta fazer passar a mensagem de que em Portugal só dois partidos é que contam. Quando se sabe que debates com Manuela Ferreira Leite até podiam ser à dúzia porque nesses joga em casa.

É o rotativismo no seu pior.

Sobremesa: Carolina Patrocínio

Os anseios de Carolina Patrocínio

Prato do dia: hoje há comunas, ontem havia parceiros

Como é possível que alguém, que manifesta uma tal alergia ao comunismo e a alguns dos seus supostos continuadores, seja capaz de ter participado numa coligação com comunistas “a sério”.
Assim, ou Tomás Vasques participava, debaixo da capa de um anti-comunismo militante, na “sovietização” da cidade de Lisboa ou de forma encapotava contribuía para a ruptura daquela aliança, tudo fazendo para que João Soares perdesse as eleições para Santana Lopes, como de facto aconteceu ou, a hipótese mais verosímil, andava a fazer pela vida, ele e a sua mulher, vereadora do urbanismo de João Soares, como alguns zunzuns que na altura foram publicados na imprensa deixavam antever (ver aqui, aqui e aqui).

Jorge Nascimento Fernandes no Trix-Nitrix, sublinhados da casa.

Sopa do Dia: conceptualizar algo

Quanto aos abusos da Casterman, não sei, não são do “Alerta Laranja” e o SIMpleX é um “medley” de muitas mentes.
Sei, que como art-director, pago os direitos de imagem(e paguei pela laranja) para a poder utilizar.
Tenho o cuidado de não ser vulgar, não pretendo ter graça, apenas conceptualizar algo.
E por mais que ache estranho, não sou, nem vou votar PS…
Abraços

Comentário de João Coisas, pelos vistos art director do Alerta Laranja e mente participante nesse medley que é o Simplex,  no Cinco Dias

Mapa Mundi Imperial, Agosto 2009

Se o império americano levantasse um dedo nas Honduras havia um desgolpe de estado.

terra

Se o império chinês mexesse um  dedo, Aung San Suu Kyi era despresa.

Recordações da Casa Amarela

Por falar em privacidade, janelas, encarnado, verde, ética, princípios, fins, meios, termino com a abertura. Ainda é o melhor filme português de sempre, e se-lo-á até que A Ministra (novela) seja transposta para cinema.

Woodstock, o meu

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

O Woodstock só cá chegou em 1976/77, não me falhando a memória, ao defunto cine-teatro Avenida, sem chuva, sem lama, foi a primeira vez que vi um filme com projecção de odores: cheirava maningue a erva, coisa permitida pelo sistema de camarotes e frisas e pelo espírito da época (sim, pá, fumava-se no cinema nos anos pós 74).

Gosto da música de abertura, mas sou suspeito porque Canned Heat é muito cá de casa:

Canned Heat – Going Up The Country

“Some attendees to the festival even reported that yelling FUCK was the highlight of the festival for them. This of course is mind boggling to me as I always wanted to be known as a sensitive poet not a person who taught a generation to yell an obscene word.”

Country Joe McDonald, 2004

Country Joe McDonald’s “F-U-C-K Cheer” / “I Feel Like I’m Fixing To Die”

Lamento Joe, mas era um dos momentos mais aguardados do filme, e em disco o único exemplar que durante muito tempo conheci de um fuck gravado, foda-se o atraso mental mas ninguém reparava na tua sensibilidade poética.

Jimi Hendrix, Star Spangled Banner

Woodstock Movie PosterSensibilidade, e génio, é isto: Jimi Hendrix inventa a música de intervenção sem letra, só guitarra eléctrica. Ora aqui está um momento que vale o filme, o ter havido Woodstock, vale tudo.

Acho que vi o filme umas duas vezes, e tive uma k7 com o álbum, não sei se foi do aroma, mas saí dali com vontade de provar a tal erva. Gostei.

Sendo Woodstock, mais pelo filme que por qualquer outra coisa (festivais assim, à época, houve muitos), o pai da indústria dos festivais de música, não deixa de ser irónico que em Portugal, pelo menos desde o II Vilar de Mouros, sirvam de campo de treino para os binómios cinotécnicos das nossas polícias. É tão imbecil como toda a guerra da droga. Como diria o Joe McDonald, cheio de poesia e sensibilidade: dêem-me um F…

Bipublicado

A ministra republicana

residencia-ministra-da-educacaoSegundo José Neto a ainda ministra da Educação remodelou o último andar deste prédio, onde habita ou vai habitar, utilizando nas janelas uma rubra cor, em contraste com o verde dos restantes andares. José Neto acha que é uma “atitude suburbana-pimba”, o Paulo Guinote, por via de quem cheguei à foto, fala em pimbice.

Permitam-me outra leitura. Deparando-se com um prédio onde domina o amarelo (um bocado gema de ovo) pincelado de verde, o casal pode ter visto aí uma oportunidade de homenagear a bandeira da República, ficando assim o mau gosto compensado pelo fervor patriótico.

Agora espero que não vão para lá espalhar azul e branco.

Palavras Cruzadas

jornal-campanha-ps

Sob a direcção de Ascenso Simões, o  secretário de Estado da Administração Interna que em tempos exigiu “que fosse retirada uma edição completa do “Jornal de Notícias de Vila Real”, ao qual terá concedido uma entrevista de três páginas, pouco tempo depois de a edição estar à venda nas bancas, preciosa indicação do Sexo e da Cidade, e segundo as mesmas meninas com a participação redactora do Dodot, vulgo Victor Hugo Salgado, saiu o jornal de campanha do PS, ou de Sócrates, o jornal que aos milhões vai circular entre nós sob o cabeçalho de Avançar Portugal.

Até tem passatempos, uma nobre atitude num país onde os desempregados precisam de passar tempo, antes de avançarem por Portugal, ou de fazerem pior do que isso.

Sucede que o primeiro problema tem um errozito nas soluções, o que em consideração pelo antigo presidente, e músico, da minha AAC, não posso deixar de assinalar: Novas Oportunidades pode ser muita coisa, mas um “sistema de formação profissional com certificação académica e profissional” não é de certeza absoluta, a menos que só contem com os cursos de Educação e Formação de Adultos, e similares, que não alcançaram 700 000 portugueses nem aqui nem na Lua.  Será talvez um programa, nunca um sistema.

Quanto ao uso da palavra profissional duas vezes numa definição tão curta parece-me bastante amador, e tê-lo-ia corrigido se me aparecesse num trabalho de RVCC como os que acompanhei durante 2 anos. Mas, verdade se diga, eu certificava o 12ºano, e estamos a tratar de coisas mais básicas.

Máfias, mapinetes, e liberdade

O MAPINET – Movimento Cívico contra a Pirataria na Internet, não passa de uma fachada marketeira para as máfias da indústria de entretenimento se apresentarem sem os seus nomes, que nos soariam logo aos milhões que esta indústria tem metido aos bolsos à conta dos consumidores e artistas.

Deu-lhes agora para pedir o impensável: que a PT bloqueie o acesso a blogues que correm  na plataforma Blogger, pertencente ao Google, sob o pretexto de que teriam ligações para downloads piratas.

Fizeram queixinha à Inspecção-Geral das Actividades Culturais, a qual solicita e atenciosa notificou a maior (e pior) operadora portuguesa.

Embora os contornos exactos dessa notificação não estejam muito claros, a confirmarem-se tal seria só o maior atentado à liberdade de expressão em Portugal desde 1974.

Um assunto a seguir no excelente Remistures, até porque costuma ser no calor e ausências do Verão que estas coisas acontecem.

Entretanto deixo aqui a lista dos sites ameaçados…

Sites que a PT fica obrigada a remover dos seus servidores:
blogdownload.blogs.sapo.pt
downloadscompletos.blogs.sapo.pt
splegendas.no.sapo.pt/CCPMOD
cinema-em-casa.blogs.sapo.pt

Sites a que a PT fica obrigada a cortar o acesso (através do portal Sapo):
mcluckyy.blogspot.com
http://www.tvgente.com
http://www.tugapirata.org
http://www.tuga-filmes.com
http://www.tugadownloads.com
http://www.superpiratas.com
http://www.sapotuga.com
http://www.piratatuga.net
http://www.pedrofsn.net
videotecafilmes.blogspot.com
tuga-musicas.blogspot.com
soupirata.net
sacar24h.blogspot.com
pt-downs.blogspot.com
portugalseries.net
pdclinks.net/fórum
jambtuga.blogspot.com
downloadfilmesgratis.blogspot.com
downloads-heaven.blogspot.com
downsportugal.blogspot.com
cinematuga.com
totilmania.the-up.com
fanaticosdownload.blogspot.com


Pão e Leite

pao leite formigas

“Depois, se lhes fosse permitido, iria por aí fora. Mais cedo ou mais tarde entrariam pelos supermercados a fixar o preço do pão e do leite”, escreveu Tomás Vasques, cuspindo sobre o programa do Bloco de Esquerda,  e que leio citado por Eduardo Pitta.

E antevê:  “Hoje, sabemos onde estes caminhos desembocaram: na miséria, no desemprego e na privação das liberdades.”

Não sei se é da juventude, ou da ignorância, ou provavelmente da sua natureza, mas TV esquece que existiu durante muitos governos desta República, presididos por Mário Soares  e não só, uma coisa chamada cabaz de compras onde se fixavam preços máximos para o pão, para o leite , e para outros bens essenciais.

E tenho de lhe dar razão, embora nunca tivesse encontrado aí a explicação para o tempo  e país em que vivo: esses caminhos desembocaram na miséria, no desemprego e na privação das liberdades, que é precisamente onde estamos.

A República agradece

A publicidade que os monárquicos portugueses se têm esforçado por fazer ao centenário do 5 de Outubro, e que  começou pela forma como lembraram o regicídio de 1908, não compensa a displicência da República em celebrar o seu centenário, mas ajuda.

Obrigado senhores dons, fala o cidadão e plebeu que aqui se assina.

a notícia da intervenção da PSP aquando de uma suposta troca de bandeiras me irrita: em primeiro lugar porque devia ter sido a Guarda Nacional Republicana, uma vez que estamos no território do simbólico agravado por ser a GNR herdeira da Polícia Municipal de Lisboa, e de provincianos aconteceres se tratar.

Em segundo, e muito mais importante, porque não devia ter acontecido, tal como não se deve chatear o pessoal da JCP que anda em Agosto a fazer murais de Abril. Só às almas simplexistas (isto  devia ter um link mais directo mas  perdi-me  entre os assessores, os avençados, os candidatos a, ou seja: entre a nobreza actual e seus aspirantes) que anseiam pelo absolutismo republicano faria lembrar tão vil parvoeira.

Quanto ao resto, e no que é politicamente relevante em Agosto, suponho que  terrorismo, verde-eufemismo e blá blá, de como foram agora quase acusados pelo arrastão, no chamado e mui justo toma lá o troco, seria terem gamado uma destas imagens da nossa Mariana, herdeira do 14 de Julho:

…………………..

Mariana, símbolo da República, versão portuguesa

…………………..

Era mais complicado, claro, embora a maioria das câmaras ainda tenha uma exposta.

Já agora –  trocavam por um busto de quem? Posso sugerir a Carlota Joaquina?

carlota joaquina

Seja lá como for  tou com já não sei quem, mas é mais ou menos assim: antes monárquicos com piada que o PS feito GNR muito sério e sonhando-se com sentido de estado. E biba a repuvlica, como cá na aldeia gritámos em 1910 (sim, há documentos, não, o Vasco Pulido não os leu).

Fátima: resultados da peregrinação dos emigrantes já são vísiveis

_13agosto

“Isto não é o fim da crise, mas sim o princípio do fim da crise. Há ainda desafios a enfrentar, mas os dados evidenciam o sinal de inflexão, uma viragem na economia”, disse José Sócrates, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros.

A notícia é do Público, ainda não é do Osservatore Romano. Mas garantiram-me que o processo de beatificação de Sócrates está para breve.

Honduras: situação agrava-se

Do poeta hondurenho Fabricio Estrada, acabo de receber esta informação:

Fuertes enfrentamientos en los alrededores del Congreso Nacional en TGU. Se reporta el casi linchamiento del Vice-Presidente del Congreso y ataque generalizado de la policía. Esto en el marco de indignación por el intento de implementar el servicio militar obligatorio y las jornadas de protestas del día.

1:43 pm

Recibo una llamada de un amigo. Él está viendo canal 36 que transmite desde el Congreso Nacional. Mientras me va diciendo lo que ocurre pienso en los Alpes suizos, en los fiordos noruegos y en la neblina de Cartago, Costa Rica ¿y ese alejamiento de dónde proviene? -me preguntarán. Yo me interrogo sobre lo que el amigo me cuenta: EL CONGRESO NACIONAL ESTÁ EN ESTOS MOMENTOS SUBIENDO A DICTÁMEN LA POSIBILIDAD DE IMPLANTAR DE NUEVO EL SERVICIO MILITAR OBLIGATORIO, ES DECIR, EL RECLUTAMIENTO FORZOSO.

Si tomamos en cuenta que la Resistencia se nutre con un elevado número de jóvenes en edad militar (universitarios, estudiantes de media) lo que aquí se está fraguando es una cacería peor a la ocurrida en los ochentas.

Los disturbios de ayer han debido accionarles el resorte más vil. Los infiltrados que aparecieron dando rienda suelta al incendio de comidas rápidas lograron entonces su objetivo. Sin embargo, de concretarse esta amenaza, lo que veo por delante es una abierta guerra civil ya que ni uno solo de estos jóvenes amenazados querrá hacer un entrenançmiento contra su voluntad y, al contrario de lo que los militares buscan, estarían obligándolos a tomar las armas populares.

Sigo viendo los fiordos y las neblinas. Veo a los reclutas noruegos y suizos, a los ticos irredentamente antimilitares…

Em Portugal conhecemos bem este serviço militar obrigatório. Foi a arma usada contra os estudantes, principalmente em Coimbra, vai para 40 anos, chamava-se mobilização compulsiva. Os métodos desta gente são universais e intemporais. Não mudam.

SLB papado, ou melhor, hackado

SLB-HACkado

O link é este (aproveitem que estas coisas não duram a tarde toda). A “notícia” é esmagadora. A demissão de Pinto da Costa é já a seguir.

O povo das Honduras aos golpistas: têm-nos medo porque não temos medo

Têm-nos medo porque não temos medo

Nas Honduras não aconteceu nada, só um golpe de estado sem importância

Decotes

Nós-temos-mais-para-oferecer

Vera Lengsfeld é uma conservadora alemã, do partido de Angela Merkel, que tenta a sua eleição para o Bundestag num círculo eleitoral dominado pela esquerda. Vai daí inventou este cartaz, onde aos generosos decotes, seu e da sua líder, sobrepõe a frase “Nós temos mais para oferecer”.

Isto é que é falar verdade, acho eu, mas não, de maneira nenhuma, não vou sugerir, nem pensem nisso, ia agora propor, bolas, a sr. Ferreira Leite não precisa destas coisas para dar nas vistas, aliás quer dar nas vistas não dando nas vistas, pois, eu não disse nada disso, caraças, nem sequer insinuei. Já disse que nem tal coisa me passou pela cabeça.

Bolas, não digo mais nada.

Dead Can Dance: The carnival is over

Dead Can Dance: The carnival is over, realização de Ondrej Rudavsky.


Além de ser um excelente vídeo de uma canção que muito prezo, tem uma história youtubesca bastante interessante: depois de ali ter sido colocado a primeira vez, foi vítima de uma queixa da Warner Music Group, distribuidora da 4AD, a editora dos DCD, e retirado. Quem tinha feito o upload não se conformou: achava, e bem, que a divulgação do vídeo servia para dar a conhecer os artistas, e como tal escreveu a Brendan Perr, músico dos DCD, que autorizou a sua republicação.

A música é de quem a faz, não é de quem a distribui. E a Warner que vá distribuir para o raio que a parta.


A esquerda anti-democrática aos sábados, domingos e feriados, descansam o resto da semana

O episódio do periódico Sábado, que resolveu tirar de um denominado blog de esquerda as pessoas de esquerda que lá andavam, não me parece ter nada de inovador. Nem será tão grave como isso. Bem vistas as coisas é de esquerda quem quer, e de direita quem o invoca.  Sócrates descobriu-se agora de esquerda, o que além de algumas gargalhadas faz parte do seu legítimo direito à liberdade de expressão.

Já quanto ao ser-se democrata a conversa é outra.

Normalmente para encontrar um representante da “esquerda autoritária” procura-se um daqueles rapazes sempre ávidos em defender o capitalismo chinês ou o feudalismo norte-coreano.  Pelos lados do tal sábado encontraram Tomás Vasques, paladino nacional da causa pinochelitizadora nas Honduras:

Hoje chegou a notícia de um «golpe de Estado» nas Honduras, acontecimento «pouco apropriado» nos dias que correm, apesar das tradições latino-americanas. Os militares foram ao palácio presidencial e levaram o presidente, Manuel Zelaya, eleito em 2005, pelo Partido Liberal, depositando-o, literalmente, na vizinha Costa Rica. Mas estas «histórias» nunca são lineares. Manuel Zelaya termina o seu mandato este ano e a Constituição hondurenha não lhe permite a reeleição. Mas ele não estava de acordo com a Constituição. Estorvava-lhe o projecto de poder pessoal. E tentou, contra o partido pelo qual foi eleito, contra o Congresso, eleito democraticamente, e contra o Tribunal Constitucional, um «golpe de Estado» à Chávez, com o qual começou a ter estreitas relações desde 2007, e que o inspirou a realizar um referendo que o perpetuasse no poder. Em boa verdade, os militares hondurenhos, hoje, ao contrário do que escrevem os jornais, foram protagonistas de um «contra-golpe» e não de um «golpe de Estado». A via chavista para a ditadura nem sempre funciona.

O facto de tudo isto ser completamente mentira, e desmascarado como tal por toda a comunidade internacional (pelo menos em palavras, que em actos não é bem assim), não tem importância nenhuma. Se Chavez está dum lado, o Vasques está do outro. Está deste lado:

Pedro Magdiel Muñoz Salvador, hondurenho torturado e assassinado pelos golpistas.

Pedro Magdiel Muñoz Salvador, hondurenho torturado e assassinado pelos golpistas.

E fica a matar, no tal blog de esquerda.

Cegos de Santa Maria

cegos-s-maria

Expresso 8 Agosto 2009

Milagre senhores, é milagre.

Quanto aos cegos do Santa Maria não se sabe como estão.

Amigos dos Correios

Edíficio que foi dos CTT - Coimbra

Deixo um conselho, gratuito, destas vez aos caros socratistas empenhados em pegar no processo CTT para tramarem o PSD: não se metam nisso. É um facto que a tendência é para o PSD sair queimado mas o PS é no mínimo chamuscado. Ou não seja o arguido Luís Vilar parte da actual Comissão Técnica Eleitoral Distrital de Coimbra do Partido Socialista.

Como se lê no JN sobre a TCN em cada operação, tinham o cuidado de estabelecer movimentos concertados junto da oposição (PS), proporcionando a todos, directa ou indirectamente envolvidos, remunerações…!”.

Além disto e como podem observar, a cor do edifício pode ser enganadora mas ao passar nas televisões é capaz de mexer no subconsciente do eleitorado.

Mais independentes nas listas do PS

Maria Rosário Carneiro

O Ricardo Alves localizou duas personagens que voltam a deputadas pelo partido de Sócrates: “duas senhoras que votam sistematicamente à direita, senão mesmo à extrema-direita, continuam por lá. A Rosário Carneiro é a número seis pelo Porto, e a Teresa Venda a terceira por Braga.”

Para os mais distraídos “o currículo destas duas damas, que começaram a ser eleitas pelo PS em 1995 (Guterres, lembram-se?), inclui votarem favoravelmente a homenagem parlamentar a um bombista de extrema direita, votarem contra a despenalização da IVG, tentarem punir quem «incentivasse o aborto através da publicidade», votarem contra a procriação medicamente assistida, moverem-se contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra o divórcio, enfim, contra tudo o que signifique a liberdade das pessoas decidirem sobre a sua própria vida.”

Não deixa de ser curioso que, após o afastamento de quem dentro do Grupo Parlamentar do PS votou por vezes à esquerda contra as ordens do Chefe, estas representantes da democracia-cristã no seu pior prossigam sorrateiramente a sua carreira parlamentar.  Sempre podem dar uma ajuda, servindo de ponte se o PS precisar dos votos do PP.  Já Miguel Vale de Almeida encontrará certamente  nestas suas novas colegas companhia para  trocar umas ideias sobre igualdade de género. Até porque o seu voto pode muito bem chegar para impedir uma lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.