Raul Solnado perdeu a última guerra

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Era uma vez um país tão triste que ficávamos a olhar para um gira-discos de onde saía a voz do homem que nos contava a estória da sua vida e da sua mãe que tinha ido a Évora, as suas andanças por uma guerra onde se trocava armamento com o inimigo, era uma vez um país onde Raul Solnado foi um extraordinário actor de tudo, e sobretudo um humorista como só voltámos a ter outro chamado Herman José.

Hoje o nosso país tem razões para voltar a estar triste: morreu o Raul, e com ele a memória do tempo em que o humor se fabricava na rádio e no teatro de revista, furando entre os dedos da censura, um humor de areia para quebrar engrenagens.

Obrigado pelo que nos deste. Quem não conhece a obra que fica, pode ouvir aqui um bocadinho:

http://endrominus.wordpress.com/files/2009/08/endrominus063.mp3

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Em primeira mão: o programa eleitoral do PSD

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Em rigoroso exclusivo para o Aventar fonte próxima da direcção do PSD revelou-nos o programa que Manuela Ferreira Leite apresentará ao país “na altura própria e conveniente“.

Após uma leitura atenta, embora rápida, podemos encaminhar os nossos leitores para o programa eleitoral do PSD. A  nossa fonte confidenciou-nos que ainda estão em aberto “alguns pormenores sem grande importância”, mas o documento base, que promete fazer avançar um país à beira do abismo já está disponível.

Questionada a nossa garganta funda sobre os tais detalhes foi-nos garantido tratar-se “de coisa pouca: a decoração dos gabinetes terá de ser alterada, já que os nossos adjuntos, assessores e avençados divergem totalmente dos que lá estão no que toca à estética, e não se trata apenas de trocar os tons de rosa por uma palete de laranjas“, o que se compreende tanto mais que existe uma clivagem geracional entre Ferreira Leite e Sócrates, com detalhes que saltam à vista.  Ao que parece em caso de vitória do PSD todas as peças de design contemporâneo irão parar aos armazéns do estado, sendo substituídas por um estilo retro, garantindo-nos ainda a fonte citada que “não se deve fazer uma leitura sexualizada desta opção”, pedido ao qual seremos sensíveis.

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Arcebispíada

Tenho esta “declamação” musicada como uma das mais directas e eficazes obras de José Afonso:

Pregais o Cristo de Braga

Fazeis a guerra na rua

Sempre virados p’ro céu

Sempre virados p’ra Virgem

Pregais o Cristo de Braga

Fazeis a guerra na rua

Sempre virados p’ro céu

Sempre virados p’ra Virgem

A Santa Cruzada manda

Matar o chibo vermelho

Contra a foice e o martelo

Contra a alfabetização

Curai de ganhar agora

Os vossos novos clientes

Alem do pide e do bufo

Amigos do usurário

Além do latifundiário

Amigo do Capelão

“Abre Núncio Vade Retro

Querem vender a Nação

A medicina é ateia

Não cuida da salvação”

Que o diga o facultativo

Que o diga o cirurgião

Que o digam as criancinhas

“rezas sim, parteiras não”

Se Pinochet concordasse

Já em Fátima haveria

Mais de trinta mil vermelhos

A arder de noite e de dia

Caridade a quanto obrigas

Só trinta mil voluntários

“Cristo reina, Cristo vinga”

Nos vossos santos ovários

E também nos lampadários

E também nos trintanários

“Abrenúncio Vade Retro

Querem vender a Nação”

Ó Carnaval da capela

Ó liturgia do altar

Já lá vem Camilo Torres

Com o seu fuzil a sangrar

Igreja dos privilégios

Mataste Cristo a galope

Também Franco, o assassino

Mandou benzer o garrote

Ronaldo: jackpot

Agora que ronaldo virou unidade monetária, um spamcartoon mesmo a propósito.

Já não há milionários

ronaldos

há ronaldários

Os Índios da Meia Praia

A determinada altura tentou-se uma espécie de “reabilitação” do Zeca, que não seria apenas um cantor de intervenção, que as suas canções de amor, por exemplo, seriam recicláveis, uma ladainha que esquecia o facto de estarmos em presença de um poeta maior, e sobretudo de alguém capaz de transformar qualquer estória numa grande canção.

Mesmo a mais “datada” das suas cantigas vale por si, em qualquer dia da semana, em qualquer ano de um século, em qualquer década de um milénio.

Os Índios da Meia Praia, escrita para o filme de Cunha Teles, onde se narra como o povo fez de um quase deserto um sítio para viver, antes de dela fazerem o actual supermercado para turista curtir, é o melhor exemplo disso.

Nela pegaram as Vozes da Rádio e também Dulce Pontes, popularizando uma cantiga que verdade se diga quando foi lançada nem teve um sucesso assinalável.

Claro que se trata de uma cantiga de amor. De amor à humanidade e à justiça. E “quem diz o contrário é tolo“.

Segue a letra completa, parcialmente cantada na versão original em disco, e duas dessas versões.

Aldeia da Meia-Praia

Ali mesmo ao pé de Lagos

Vou fazer-te uma cantiga

Da melhor que sei e faço

De Monte-Gordo vieram

Alguns por seu próprio pé

Um chegou de bicicleta

Outro foi de marcha a ré

Houve até quem estendesse

A mão a mãe caridade

Para comprar um bilhete

De paragem para a cidade

Oh mar que tanto forcejas

Pescador de peixe ingrato

Trabalhaste noite e dia

Para ganhares um pataco

Quando os teus olhos tropeçam

No voo duma gaivota

Em vez de peixe vê peças

De ouro caindo na lota

Quem aqui vier morar

Não traga mesa nem cama

Com sete palmos de terra

Se constrói uma cabana

Uma cabana de colmo

E viva a comunidade

Quando a gente está unida

Tudo se faz de vontade Tudo se faz de vontade

Mas não chega a nossa voz

Só do mar tem o proveito

Quem se aproveita de nós

Tu trabalhas todo o ano

Na lota deixam-te mudo

Chupam-te até ao tutano

Chupam-te o couro cab’ludo

Quem dera que a gente tenha

De Agostinho a valentia

Para alimentar a sanha

De esganar a burguesia

Diz o amigo no aperto

Pouco ganho, muita léria

Hei-de fazer uma casa

Feita de pau e de pedra

Adeus disse a Monte-Gordo

(Nada o prende ao mal passado)

Mas nada o prende ao presente

Se só ele é o enganado

Foram “ficando ficando”

Quando um dia um cidadão

Não sei nem como nem quando

Veio à baila a habitação

Mas quem tem calos no rabo

– E isto não é segredo –

É sempre desconfiado

Põe-se atrás do arvoredo

Oito mil horas contadas

Laboraram a preceito

Até que veio o primeiro

Documento autenticado

Veio um cheque pelo correio

E alguns pedreiros amigos

Disse o pescador consigo

Só quem trabalha é honrado

Quem aqui vier morar

Não traga mesa nem cama

Com sete palmos de terra

Se constrói uma cabana

Eram mulheres e crianças

Cada um c’o seu tijolo

“Isto aqui era uma orquestra”

Quem diz o contrário é tolo

E toda a gente interessada

Colaborou a preceito

– Vamos trabalhar a eito

Dizia a rapaziada

Não basta pregar um prego

Para ter um bairro novo

Só “unidos venceremos”

Reza um ditado do Povo

E se a má lingua não cessa

Eu daqui vivo não saia

Pois nada apaga a nobreza

Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre a tua figura

Tubarão de mil aparas

Deixar tudo à dependura

Quando na presa reparas

Das eleições acabadas

Do resultado previsto

Saiu o que tendes visto

Muitas obras embargadas

Quem vê na praia o turista

Para jogar na roleta

Vestir a casaca preta

Do malfrão capitalista

Mas não por vontade própria

Porque a luta continua

Pois é dele a sua história

E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança

Fazem tudo andar pra trás

Dizem que o mundo só anda

Tendo à frente um capataz

E toca de papelada

No vaivém dos ministérios

Mas hão-de fugir aos berros

Inda a banda vai na estrada

Eram mulheres e crianças

Cada um c’o seu tijolo

“Isto aqui era uma orquestra”

Quem diz o contrário é tolo

O Mar é Nosso!

Conhecia o Tiago Cravidão, não sabia desta sua competência a filmar. Boa Tiago.



Sucessivas leis têm vindo a privatizar o espaço público. Tenta-se proibir a pesca nos parques naturais, depois nas zonas costeiras, agora também em rios. Estas e outras leis são formas de privatização da propriedade, formas de expulsar as populações aí residentes, tirando-lhes os meios de subsistência para vender aquilo que era de todos – primeiro é um parque natural, uma reserva, depois passa para a gestão privada.

Projectos turísticos e de agricultura intensiva estão previstos em toda a costa de Portugal, uns vendidos para resorts à filha do José Eduardo dos Santos ou ao Sousa Sintra, outros para marinas privadas. Já vedaram as Pedras d’el Rei para campos de golfe; deram entrada projectos para fazer o mesmo em Odeceixe, na foz do Alcoa na Nazaré, na Polvoeira… Do Minho a Sagres, como mostra o cartaz divulgado pelos movimentos.

Um movimento de pescadores e outros cidadãos de todo o País está a lutar contra estas leis. A eles juntaram-se milhares de pessoas em todo o País que defendem o mar livre, são contra praias privadas e querem ter na costa um meio de lazer público.

(…)

Fomos à Costa Vicentina e à Nazaré ouvir dezenas de testemunhos locais e fizemos um filme que mostra quem aí vive, como vive e todos os negócios escuros por trás de uma proibição de ir à pesca.

Realização Tiago Cravidão, produção Rubra

Prémio Melhor Grande Reportagem na primeira edição do Grande Angular – Festival de Jornalismo Televisivo.

BlogConf

A suposta BlogConf onde a esta hora Sócrates discute com gente de alguns blogues (o Fliscorno explica a manha da coisa aqui), está muito gira. Bués. blogConf

Acho que o Sócrates é a tira quase rosa. Ou será a amarela?

Zeca: uma entrevista em 1984

“(…) de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão, do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido.”

Excerto de entrevista a José Afonso 1984

A Confederação

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A Confederação, banda sonora de um filme que não vi, é uma das minhas obras favoritas  do José Mário Branco.  É um disco de Novembro, de ressaca, do povo que vi a lutar, e agora não vejo nada e não estou a precisar de óculos.

Claro que é um LP riscado o que tinha em casa, além de não ter agulha no prato vai para anos. Acabou agora de sair do sono, e de entrar na pasta dos mp3’s. Não percam.

A quem faz este serviço público, recuperar vinil que nunca foi digitalizado, os meus agradecimentos. Em particular no que toca aos LP’s que destruí ao longo da vida dá cá um alívio auto-desculpabilizador…

Eles querem pagar impostos sobre o que consomem

Na Califórnia consumidores de marijuana pedem para que lhes seja cobrado o IVA da legalização. Cobrem-me, dizem eles. Num estado falido, mais uma batalha na guerra das drogas.

Agora que se coloca a discussão em termos financeiros, e  não esquecendo que os gastos dos estados nesta guerra perdida estão do outro lado da balança pesando para o mesmo lado, parece que muito conservador levanta a cabeça, e começa a farejar: impostos? onde? onde?

Salivam sempre quando cheira a dinheiro.

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Fartos

No Irão morreram mais de 20 pessoas em protesto contra os resultados eleitorais e exigindo mais democracia. As liberdades fundamentais foram suspensas. Nas Honduras, militares golpistas extraditaram o presidente democraticamente eleito. Os protestos já geraram duas vítimas mortais. As liberdades fundamentais foram suspensas. Na China, 140 pessoas morreram em protestos contra a suposta hegemonia de uma etnia. 1400 pessoas foram presas e as liberdades fundamentais foram suspensas.

Estamos fartos disto! Estamos fartos de repressões e ditadurices. Estamos fartos de desrespeitos claros aos mais básicos direitos fundamentais. Estamos fartos de ver a liberdade ser suspensa. Estamos fartos de ver a democracia ser adiada em tantos países. Estamos fartos da paz ser constantemente hipotecada. Não pode ser! Estamos fartos e, dentro das possibilidades de cada um, vamos fazer barulho por isso! Temos dito!

fartos.net, uma iniciativa da ATTAC Portugal

Zelaya já está nas Honduras

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O Presidente eleito das Honduras já atravessou a fronteira do seu país.

Ver em directo na teleSur

O Milagre segundo S. Rogério

Antes de ter assistido ao milagre do sol:

Sejamos claros, abomino a política do PS para a Justiça e acho que José Sócrates é o principal responsável pelo descalabro (…). Entraram a matar, e de forma demagógica, com a questão das férias judiciais. O processo executivo continua uma lástima e as sentenças continuam a servir para emoldurar e colar na parede. A “nova lei do divórcio” é uma história da carochinha – um belo escape para encontros de contas conjugais com o único fito de fugir aos credores (…). O novo Código dos Contratos Públicos é um labirinto normativo, com rasgos de iliteracia, sem ponta por onde se lhe pegue. O sucessivo adiamento da entrada em vigor de novas leis (o regulamento das custas judiciais é um bom exemplo) é uma vergonha em qualquer Estado que se quer de Direito (…). Trabalho com três Códigos de Processo Civil ao mesmo tempo. Estive há dias numa conferência onde a oradora principal começou a prelecção com a frase: “até ontem à noite isto era assim, não cuidei de confirmar pela manhã”. Chega para ilustrar a diarreia legislativa. Em suma, tenho razões de sobra para abominar, sequer pensar, em votar PS nas legislativas que se aproximam – sendo a alternativa a que é, resta-me ir à praia nesse dia. Ou então votar PS, que do mal o menos (eu e o centrão, que não somos poucos).

Rogério da Costa Pereira, 11 de Abril de 2009

milagre-do-sol

Depois do milagre:

Em suma, este Governo mexeu mais na justiça, que ninguém elogiava, em quatro anos do que os anteriores Governos desde o fim da ditadura. Mexeu muito e onde era preciso mexer muito. Aqui e ali bem, acolá mal. Há que continuar a dar-lhe tempo para emendar o que fez mal.

Rogério da Costa Pereira versão SIMplex

Ainda em Fátima, agora a 15 de Outubro de 1917

Milagre do Sol, Fátima. 13/10/1917

Milagre do Sol, Fátima. 13/10/1917

As visões continuam. Agora em versão colectiva e alargada a assessores, avençados, etc. É o SIMplex.

“(…) E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho do proprio Sócrates, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artificio, que ele baixou quasi a ponto de queimar a terra com os seus raios… Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de côr…

Avelino de Almeida
“O Século”,15 Out. 1917
, colado a partir da fontenova

Nel Monteiro: falar em merda hoje já não é um palavrão

a merda é realmente uma porcaria onde milhões de pessoas vivem.

Já gostava do Edgar Pêra. Agora por sua conta e risco começo a gostar do Nel Monteiro. Sim, desse mesmo. Estou completamente sóbrio. Juro.

Chegou-me isto por via do António Luís Catarino, um velho amigo que já leva décadas a encontrar grandes merdas. Boa Luís.

Apollo 11, a alunagem

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Foi a primeira vez que me deixaram ver a radiotelevisão portuguesa até tão tarde houston era mais rádio que televisão

(ouvejam aqui a recriação em directo)

e bem portuguesa com os comentários e locução em estúdio roger viouvi o gajo com o escafandro branco a descer houston eagle o segundo Aldrin roger se calhar nem foi nessa noite que se viu e a frase houston eagle lua mal deram uns passos após a alunagem foram logo meter a bandeira e neste caso Armstrong a humanidade não tem razões de queixa. A lua não sei mas sempre foram uns dias com uma emoção do caraças.

Vi-vos a chegar lá da Nazaré, que tem um céu cheio de carapaus a secar, e depois fui dizer ao meu avô que não estava lá ninguém na lua a apanhar silvas por ter trabalhado a um domingo. Ele riu-se. De certeza que já desconfiava.

Adenda: e quem duvidar que faça a sua google alunagem…

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e darling

tenho ainda mais destas e ainda nem abri a ultima embalagem que o estafeta da cia  perdeu cá em casa. darling em silício como é que é? escreve-se com c ou com s?

bom dia para vocês também.

AuktYon (АукцЫон)

Leonid Fjodorov tem sido a alma deste excelente grupo russo, ou melhor, e já que o seu primeiro álbum é de 1986: sovieto-russo.

Em muitas das suas músicas fazem-me lembrar um músico português… Adivinhem qual (eu se fosse o dito, acho que lhes metia um processo por plágio, sim, estou a reinar).

O Golpe de Estado nas Honduras

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O Carlos Barbosa de Oliveira ausentou-se três  semanas e queixa-se disto: Contrastando com a preocupação de uma possível fraude eleitoral no Irão, o golpe das Honduras que derrubou um presidente democraticamente eleito não mereceu uma única linha da maioria dos blogs que costumo ler“.

Eu também me queixo. Neste momento nas Honduras as antigas organizações de apoio aos presos políticos e desaparecidos tiveram de recomeçar a sua actividade. O pai do jovem assassinado no Domingo foi detido quando saía das instalações  de uma dessas organizações, onde tinha prestado o seu depoimento.

Para muito boa gente “República das Bananas” quer dizer Madeira mas sucede que a expressão nasceu nas Honduras, e está a ser recuperada de uma forma pós-modernaça: esperar que o mundo deixe andar, se silencie, e recriar discretamente um pinochetazo à antiga.

O silêncio é cúmplice, como o são os que confundem Venezuela com Honduras, gente a precisar de um mapa, e de vistas mais largas também.

A 13 de Maio na Cova da Iria

nossa-senhora-e-os-pastorinhos

a visão

Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país (…).

Miguel Vale de Almeida

Balsemão e Frei Tomaz

As maiores empresas de media portuguesas assinam hoje em Lisboa uma declaração histórica exigindo novas leis de protecção da propriedade intelectual na Internet para assegurar a liberdade do jornalismo.

A Declaração de Hamburgo foi lançada em Junho pelo Conselho Europeu de Editores, cujo chairman é Francisco Pinto Balsemão, e pela Associação Mundial de Jornais. É o patrão da Impresa que promove o encontro de hoje, onde estarão também os representantes de duas dezenas de empresas, como PÚBLICO, Media Capital (TVI, rádios e revistas), rádio e televisão públicas, Controlinveste (DN, JN, 24Horas, O Jogo, TSF), Cofina (Correio da Manhã, Record), Impala, Rádio Renascença, Sojormedia (i) e agência Lusa.

do Público

Esta deve ser a net-guerra mais idiota que conheço. Consiste em querer impedir agregadores de notícias como o Google News de fazerem o seu serviço, ou como agora parece, cobrar-lhes por isso. É completamente idiota porque na Rede a moeda principal não é o euro ou o dólar: é o tráfego. E os agregadores de notícias geram tráfego para as páginas que linkam, além de nos permitirem ler as gordas de vários media em pouco tempo, e com actualização permanente. Estou a linkar uma notícia do Público e não de outro jornal qualquer que dissesse o mesmo pela simples razão de o Público retribuir o tráfego que lhe dou com um link. Toma lá a moedinha, dá cá a moedinha. É isto.

Imaginando a ideia aplicada na rua, cada vez que alguém olha para os escaparates de jornais num quiosque devia pagar, sei lá, um cêntimo. Só não percebo porque não pagam uma taxa extra os proprietários dos cafés que disponibilizam jornais aos seus clientes, até porque já pagam por terem a televisão ligada.

Quem não quer perceber que o digital mudou o  mundo, e que o papel de celulose tem os dias contados, quem não se sabe adaptar e começa a ver os seus lucros encolhendo, dispara em todas as direcções, disparatadamente, até levar com um tiro nos pézinhos, isto se não acertar na própria cabeça.

Esta guerra é muito bem explicada pelo Karlus, que assumindo ser parte interessada (é dele o agregador Destakes), desmonta a argumentação, admitindo que de uma argumentação se trata.

E volta a relembrar que Balsemão, o pai da declaração histórica(!!!) é um “um utilizador diário do próprio Google News” – pena que o recorte que utiliza não esteja lá muito legível e não o possa copiar para aqui, mas ninguém é perfeito.

Boa Balsemão: bem me avisava a minha avó que bem prega frei Tomaz, ouve o que ele diz mas não olhes para o que faz…

A oposição infiltrou-se nos ministérios, essa é que é essa

Na que dizem ser a primeira escola a concluir o processo de avaliação dos seus professores (deve ter sido a primeira a chegar à meta), quem não entregou os “objectivos individuais” não vai ser avaliado. Havendo escolas onde ninguém entregou tal aberração, e onde o processo decorre normalmente, passamos a partir de hoje a ter dois tipos de escolas: as lambedoras e as normais. E dois novos tipos de professor: o que teve a sorte de estar numa escola normal, e o que teve o azar de estar numa escola lambedora, lambida, ou delambida, não sei bem que palavra escolher.

Não é  novidade, porque a ascenção a professor titular já tinha sido por sorteio.

Como a armadilha estava montada, também não é novidade nenhuma que no Ministério da Educação se conspira para derrotar mais uma vez o PS, dando entretanto trabalho a juristas e tribunais que, coitados, bem andavam necessitados.

Com ministros destes nenhum governo precisa de oposição. Como sou da oposição fica aqui o meu protesto contra esta concorrência desleal. Acho que me vou queixar à Autoridade respectiva.

Humor insular

melga

Alberto Jardim quer uma constituição que proíba o comunismo.

Depois de uma noite em que a defesa anti-aérea cá de casa falhou redondamente, eu queria um decreto que abolisse as melgas. Um despacho também serve, suspeito que a eficácia seria parecida.

The Dodos, Time To Die, e já nasceu

dodos time to die cover

O próximo disco dos Dodos, Time To Die ia sair em Setembro, mas a net já o pariu. Não é que seja fácil de encontrar, mas quem procura sempre se destorrenta.

Ainda só ouvi uma vez  e vou evitar ouvir tão depressa,  a capa é para Outono, quando sair vai vender mais, e  para já duvido que voltem a tocar no meu bairro, como no Inverno passado:

hugthedj, The Dodos “Men” + “Fools” live@ Salão Brasil – Coimbra 05-12-08

a coisa correu tão bem que fiz mais de  2gb de fotos e consegui aproveitar estas:

The Dodos in Salão Brazil, Coimbra, 2008 12 05, João J Cardoso

Mais uma pérola ministerial

Segundo o Jornal Digital:

Os resultados da prova nacional do 9.º ano do ensino básico, divulgados esta manhã, mostram que houve uma melhoria à disciplina de Matemática e uma descida na Língua Portuguesa. Na opinião de Maria de Lurdes Rodrigues «Isso deve-nos encher de orgulho. É muito positivo e muito bom para o país».

A dúvida agora reside em saber se o “muito positivo e muito bom para o país” é a melhoria, a descida, ou ambas as coisas. Vindo da engenharia social nunca se sabe.

Já uma associação de professores de português se queixa da “quase duplicação das negativas face ao ano passado”. Vê-se mesmo que não sabem o que é muito bom e muito positivo para o país. Ou se calhar vivem noutro. Ou talvez vivamos todos. Nunca se sabe.

Adenda: acabo de descobrir que alguém ouviu a mesma senhora, na Antena 1, dizer mesmo mais:

“”O resultado foi muito positivamente bom.”

Assim fica tudo esclarecido. A descida das notas a Língua Portuguesa foi sem dúvida muito positivamente boa nivelando o país, por baixo, mas o que importa é o princípio da igualdade.

Força pessoal que agora teve negativa: quando forem grandes ainda chegam a ministros.

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a uma ideia fabulosa. Também recomendável a quem tenha telhados de vidro.

link para o vídeo original, encontrado no  9-9

Poesia hondurenha de anteontem

A semana passada dei uma boas googladelas para perceber o que se passa nas Honduras. Fiquei esclarecido e do lado dos que escrevem:

“Que fique claro de umas vez por todas: não somos nem políticos, nem revolucionários, nem nenhuma outra merda: apenas defendemos a dignidade, que neste momento está do lado de Mel Zelaya.”

Porque é de dignidade que se trata, a dignidade dos que gritam:

El pueblo: Su libertad para decir qué putas quiere

Dessas voltas guardei os feeds de algumas páginas de poetas, escritores e fotógrafos hondurenhos, o que me tem oferecido a experiência, fantástica, de os acompanhar durante um período tão complicado  para a vida do seu país.  Um período de sensações fortes, para usar uma expressão fraca, de onde naturalmente brotam palavras e imagens fantásticas.

Ao poeta Fabricio Estrada roubei esta foto e tentei verter para português o poema que aqui vos deixo.

Photo de Fabricio Estrada

Profundidade* das Termópilas

Há uma chuva que se enremoinha lentamente
ameaça e cai por fim
com a força de milhares, intensamente inevitável
todo o peso da transparência
num assobio
que vai ensurdecendo o vento
numa profundidade
que chega
às raízes das sumaúmas**
no percorrer de um rio tumultuoso.

.

Há uma chuva que trespassa a terra
e alimenta
o romper das árvores novas,
de bosques subterrâneos emergindo
de ossos que retomam
a figura primeira de homens e mulheres andando.
.

Há uma chuva
que esborrata os uniformes
encurrala, agita e lava o corpo,
amansa,
ordena,
cobre o céu
para que lutemos
debaixo da sua sombra.

.

Fabricio Estrada, poeta hondurenho,versão minha a partir do poema original publicado na sua Bitacora del Parvulo

*Em castelhano: Hondura
**“A sumaúma (Ceiba pentandra, da família Bombacacea) foi para os índios da América Central a árvore-da-vida.”

Novas Oportunidades: aprender compensa, a fraude também

Os processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) constam, na prática, na produção pelo candidato de um Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA), onde irá reunir trabalhos sobre algumas dezenas de temas (isto para obter um diploma do ensino secundário).

Esses trabalhos são “orientados” por uma equipa técnico pedagógica, mas feitos em casa.

Só numa página de anúncios classificados a pesquisa por RVCC devolve-nos 137 resultados, desde o “Posso ajudar-te a realizar os teus trabalhos manda mail.” ao “RVCC e EFA com qualidade e a baixo preço! Contacte-me!

Há de tudo, ou estavam à espera de quê com tanto candidato a professor no desemprego, incluindo bastantes que acabaram o contrato no CNO onde aprenderam o ofício?

Não sei se isto é exactamente ilegal. O anúncio acima remete-nos para a página de uma psicóloga devidamente identificada, mas na maior parte dos casos os trabalhos são enviados por mail, a troco de uma transferência bancária. E sei que as autoridades competentes sabem, limitando-se a responsabilizar as equipas dos Centros Novas Oportunidades pela autenticidade dos trabalhos apresentados.

Dessas equipas já sei outras coisas, das metas que estão obrigadas a cumprir,ao tempo que têm para o fazer. Mas essa conversa fica para uma próxima. Deixo-vos  com esta pérola ministerial:

Respondendo às críticas de facilitismo do Novas Oportunidades, a ministra assinalou que “o testemunho” dos beneficiários, dos técnicos e dos avaliadores externos “rejeita essa hipótese”.

Sugestão para laranjinhas espremidas no caso CTT

luis vilar

O processo do edifício dos Correios lá deu mais um passinho. Desta vez, e até por maioria de arguidos ou candidatos a tal, calha ao PSD a má fama, queixam-se alguns que à beira de eleições e tapando outras aventuras que doem mais para o lado do PS.

A verdade é que em Coimbra capital da corrupção estas coisas tocam quase sempre aos dois, PS e PSD.

Assim é injusto. Deixo um conselho aos aflitos: olhem melhor para Luís Vilar. Neste processo parece ser um homem perdido no meio de estranhos. Não é bem assim, Vilar não se perde. E até foi eleito para coordenar as eleições deste ano no distrito, embora quem o pronunciou (noutro processo) não tenha achado existir por causa disso risco de voltar a prevaricar:

O elenco da Comissão Técnica Eleitoral Distrital (CTED) de Coimbra do Partido Socialista, proposto por Luís Vilar à Comissão Política da Federação (CPF), obteve menos votos favoráveis do que a soma da adição dos boletins em branco e nulos e dos votos contra, disseram ao “Campeão” fontes partidárias. (…)
A indigitação de um arguido que aguarda julgamento – pronunciado pela presumível autoria de um crime de corrupção passiva, de três crimes conexos à corrupção e de um crime de financiamento partidário ilícito – tinha implicado a menos expressiva das quatro votações efectuadas na primeira reunião da nova CPF (39 sufrágios a favor, 16 contra, 13 brancos e um nulo).

Podem seguir mais pistas a partir do que escrevi quando o presidente da distrital de Coimbra do PS foi o único deputado a votar contra a lei do sigilo bancário.

E não têm nada que agradecer: mesmo que um dia vos amanheça aos quadradinhos, o sol quando nasce é para todos.