Coincidências bué de significativas

Imagine um problema jurídico já esclarecido pelo Tribunal Constitucional: têm ou não as listas concorrentes a eleições autárquicas de incluir suplentes? Não.

Imagine que nestas eleições a questão se levanta em diversas comarcas e há uma, que se saiba apenas uma, onde o juiz entende haver razão para decidir contra a jurisprudência superior.

Imagine agora que isso acontece na Figueira da Foz, onde um dos candidatos de outra lista é, por coincidência, juiz de profissão, e ainda por cima a notícias salta para jornais e televisões, violando ligeiramente o segredo de justiça.

Deixe de imaginar: aconteceu, como narra o  Rui Curado Silva, estamos em Portugal, e o primeiro-ministro é o melhor exemplo de democracia que o partido onde optou por fazer carreira tem para nos dar.

Claro que o final é feliz, e o Tribunal Constitucional acaba de confirmar a legalidade da lista do BE. Imaginem agora um  país onde esta gente tudo controla… Já estivemos mais longe. E espero que no dia 27 nos afastemos ainda mais.

O mistério básico do capitalismo

Van-Eyck-Arnolfini

O mistério básico
do capitalismo: como uma coroa, permanecendo imóvel

durante um certo período de tempo, faz nascer dez cêntimos
ao seu lado – por exemplo: Tu pões

como diz o anúncio
20.000 coroas numa conta de alta rentabilidade

num dos nossos grandes bancos. Passados seis anos
podes ir a esse banco e receber

35.532 coroas. Agora a questão é: A quem
tiraram as 15.532 coroas?

Jan Erik Vold

(versão de LP, a partir da tradução para castelhano de Francisco J. Uriz reproduzida em El poema nos recuerda el mundo, prólogo, selecção e tradução de Francisco J. Uriz, Libros del Innombrable, Saragoça, 2000, p. 104).

Além do poema em si, serve a sua publicação no Aventar para uma notificação a quem gosta de poesia: fica condenado a visitar regularmente Do Trapézio Sem Rede – poesia passada para português, sob pena de ser declarado mentiroso.

Os que não gostam de poesia devem fazer o mesmo com fundadas esperanças numa melhoria do seu estado de saúde.

O processador Baptista

Victor Baptista, o único deputado a votar contra o fim do sigilo bancário, vai processar o candidato a deputado do BE por Coimbra:

O líder distrital do PS/Coimbra revelou, hoje, que espera ver José Manuel (BE) constituído arguido devido ao teor de uma entrevista, por ele concedida ao diário As Beiras na qualidade de candidato a deputado ao Parlamento. Contactado pelo “Campeão”, o potencial arguido disse aguardar “com serenidade” o eventual desenrolar do processo. Interpelado pelo nosso Jornal, o entrevistado disse registar que Victor Baptista se sinta acusado num contexto em que, sem referência a nomes, Pureza se insurgiu contra malfeitores.

O mesmo Jornal, ouviu a chamada fonte próxima:

Fonte próxima do líder distrital do PS/Coimbra disse ao “Campeão” tratar-se de afirmações lesivas da “honra e da imagem” de Victor Baptista e da “consideração que lhe é devida”. Tal fonte imputa a José Manuel Pureza o desejo de, em crítica subjectiva, associar o dirigente socialista a negócios alegadamente corruptos em que intervieram representantes de entidades públicas, como se ele fosse membro de um «Bloco central de malfeitores».

Leia um recorte da referida entrevista, mas não se ria que o homem é sério.

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PPV, o partido contra o incentivo claríssimo à masturbação

escrevi isto em março é o  mais lido que por ali tenho. acabei de descobrir que o PPV é agora um partido e concorre

ppv

O movimento Portugal  Pro Vida (PPV) dedica-se a organizar “Veladas pela Vida” à porta de hospitais e clínicas onde se fazem IVG’s, sintoma de que Portugal é finalmente um país civilizado, onde há IVG’s nos locais próprios e pessoal que acende velinhas cá fora. Fiquem-se pelas velas, e estamos bem.

Mas como isto da vida tem muito que se lhe diga, anda agora o PPV numa cruzada contra a educação sexual nas escolas, ou melhor: a educação sexual curricular, que a informal sempre existiu em todo o tipo de estabelecimentos de ensino, a começar nos seminários e colégios de freiras, embora possivelmente alguns dos PPV’s não tenham dado por isso, há sempre malta distraída.

Escreve Thereza Ameal:

“Vale a pena também ver a página em anexo dum folheto usado numa aula para crianças de 10/11 anos, com incentivo claríssimo à masturbação e já agora, sob a capa anti-discriminação, o incentivo à homossexualidade. Com coisas destas é bem natural que se ponham a fazer experiências com o melhor amigo ou amiga. Muitos pais estarão totalmente de acordo com isto, mas aqueles que acham que não se deve incentivar crianças de 10 e 11 anos a experimentar o orgasmo que a masturbação proporciona (“a sensação de excitação e arrepio nos órgãos genitais que pode fazer com que todo o teu corpo fique relaxado”), não merecem também o respeito pela sua consciência no modo como exercem o seu direito de primeiros educadores dos seus filhos? Não seria pelo menos mais democrático?” (o sublinhado é meu).

Parece-me uma questão pertinente, e algo esquecida nos tempos conturbados que atravessamos. Por um lado sabemos que todo o esperma é sagrado, e preservar a sua guarda para efeitos de procriação é uma missão em que se devem empenhar todos os defensores da vida. Se no caso feminino a excisão clitórica parece resolver o problema, nos jovens machos, embora a circuncisão ajude, não chega.

O aparelho anti-masturbação masculina, cuja produção parece ter sido abandonada há mais de 70 anos, bem podia voltar às linhas de montagem, criando de resto empregos, sempre bem vindos em época de crise. Claro que a tecnologia o pode tornar obsoleto, e um sensor anti-masturbatório colocado nas cuecas do infante, com envio imediato de SMS para os pais do prevaricador, seria sem dúvida mais confortável. O choque tecnológico aplicado à pívea, é uma sugestão que deixo à Srª. Theresa.

Não sabendo escrever orações, deixo aqui o meu contributo para a campanha através de um clássico do audiovisual, e algumas sugestões para refrão de combate:

  • Sexo é amor a 2 não é com 4+1
  • Guarda o espermatozóide menino, ou ainda perdes o tino
  • O orgasmo é do diabo, ainda o tens pelo rabo

etc.

]

vai ser um prazer contar-lhes as punhetas.


Durão, amigo, o PS está contigo

Já se estava à espera, já se sabia, não é novidade. Curioso o facto de a única representante do PS que anuncia não ter votado a favor (onde estás, Vital?) ser quem melhor o conhece. Terá os seus defeitos, como toda a gente, mas Ana Gomes é uma mulher coerente e frontal. Talvez por isso seja tão criticada pela direita em geral, e a do seu partido em particular.
cimeiralages

Entre os socialistas portugueses, só Ana Gomes anunciou que não votaria a favor, optando pela abstenção, como a esmagadora maioria da bancada parlamentar.

amigos

O líder do PS afirmou que ainda não telefonou ao presidente da Comissão Europeia, o que pretende fazer logo que tenha oportunidade. “Fiquei muito satisfeito e queria felicitá-lo mais uma vez”, declarou.


Domingos Lopes sai do PCP

Domingos Lopes abandonou 40 anos de militância no PCP. É da natureza de classe dos seus dirigentes, funcionários afastados da realidade e do mundo do trabalho, vendidos à sua condição pequeno-burguesa de pequenos e sumo-sacerdotes  que os partidos estalinistas alimentam a sua fé.

Depois de deixar de ser funcionário, obtendo autonomia financeira e regressando ao mundo real, Domingos Lopes compreendeu finalmente que “o PCP continua a ser o único partido no mundo que mantém o apoio à invasão da Checoslováquia, em 1969, pelas tropas do Pacto de Varsóvia, ao golpe militar da Polónia que levou Jaruzelsky ao poder, à invasão do Afeganistão pelas tropas da URSS”.

Na sua carta de afastamento, hoje revelada pelo Público, constata igualmente que “a direcção do PCP considera, de acordo com o seu último congresso, que países como Coreia do Norte e China se orientam para o socialismo, quando o primeiro não passa de uma ditadura familiar brutal que abusivamente se apoderou do simbolismo do socialismo para o ridicularizar” e a China “emerge como uma ditadura do aparelho do partido e do aparelho militar com vista à implantação do capitalismo com o mínimo de sobressaltos sociais”.

Mais vale tarde do que nunca. Mas temos de convir, em particular no caso da brutal invasão da Checoslováquia, que a realidade tem muitos anos, a capacidade de a ver é que tardou em chegar.

Arte, beijos e propaganda

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Suposta obra de arte, propaganda reaccionária, uma droga, uma coisa, são alguns dos epítetos com que é mimoseada  esta pintura, exposta na capital colombiana por ocasião da IV Temporada de Artes de Bogotá.

Não consegui localizar o nome do autor, mas o trabalho tem a sua graça: intitulado “¿Por qué no te callas?, numa legenda em círilico, transcreve o célebre beijo entre os ditadores Leonid Brezhnev e Erich Honecker, dado em 1979 num acto público na Alemanha então dita democrática, para os democraticamente eleitos presidentes do Equador e da Venezuela. Em fundo identifico outros dirigentes das emergentes correntes da esquerda bolivariana.

Brezhnev-Honecker

Vamos por partes: sem querer aprofundar o assunto, arte e propaganda, ou arte e ideologia, são irmãs gémeas e siamesas. Vivemos com isso há milhares de anos, e ainda bem. Único critério aceitável para tal: a liberdade de expressão.

Enquanto continuarem a representar os seus povos sendo por eles democraticamente eleitos tenho a maior das considerações pelos presidentes ora retratados, muito mais por Rafael Correa que pelo militar Chavez, é claro, um tudo nada populistas de mais para o meu gosto, é certo, e não os coloco no mesmo saco dos criminosos que realmente se oscularam numa das piores ditaduras do séc. XX.

Já nas críticas  ao quadro encontro homofobia e machismo serôdio q. b., e patetice em abundância. Quem escreve isto:

Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».

devia ter feito o trabalho de casa, e lido isto:

La cultura China, como invitada especial al evento inaugural de la IV Temporada de Arte de Bogotá, FORMARTE 2009, gracias a la gestión de la Embajada de la República Popular China, se presentará en todo su esplendor, con milenarias expresiones artísticas de oriente, interpretadas por el “Folk Music Group of Tiajin Song & Dance Theatre, las cuales transportarán a los asistentes a los diversos escenarios chinos.

Exacto Fernando Samuel, a coisa inclui os seus queridos camaradas chineses. Não quer ir dar-lhes um beijo na boca?

Sócrates e a família política

Ficamos sem saber se Sócrates se esqueceu da sua militância na JSD, ou se se sente da  família (política) de Manuela Ferreira Leite.

Eu acho que ele nunca saiu da JSD, limitou-se a perceber que o PS lhe facilitava a carreira de desenhador de mamarrachos. Mas isto sou eu a achar, claro.

O regresso de Jorge de Sena

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Não, não, não subscrevo, não assino

que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas – armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos queiram secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de falácia imensa.
E todos eram povo e em nome del’ falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e á inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do pais no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois quedo lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Africas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o Otelo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocratado oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio o navegante intrépido).
Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa – defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte.
Não é tempo para tratar de poéticas agora.

Jorge de Sena, Fevereiro 1976.

11 de Setembro

1973: choveu em Santiago.

Hoje há sondagens

Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica:

PS: 37% … PSD: 35% … BE: 11% … CDU: 8% … CDS-PP: 6%

Marktest:

PS: 35% … PSD: 32% … BE: 16% … CDU: 7% … CDS-PP: 5%

9 fora

CAPA 330.aiAté tinha vindo de pizza, fresca e à medida, para casa onde me esperava a meia final de uma Casa do Arrabalde, alvarinho arintado branco e no fresco, mas durante 90 + 10 minutos mal olhei, bem virado para ela, para a televisão que até é nova e grande, mais entretido com um velho tetris (perdi o link).

Estavam uns gajos de vermelho e branco a jogar com uns de branco e vermelho, sei que quem marcou foi o Pepe, e que a luta continua.

Não sou muito daltónico, mas só um guarda redes era do Braga. Fiz uma pontuação razoável, nível 7, para quem não tem ido aos treinos.

Também é verdade que já tinha visto esta do 24h, e sossegara. Com a Virgem do Scolari, um gajo experimenta tetris à vontade. Já agora, Pepe, marca mais golos mas no fim fica rouco. Áfono. Andas a falar como se o Futre tivesse jogado no Belo Horizonte. Foi quando acordei.

Sobre benefícios fiscais é sempre bom ouvir um doutor de Coimbra

Luiz Carvalho, Derrota do PS, 2009

Luiz Carvalho, Derrota do PS nas europeias, 2009

O problema com as deduções em IRS é que deixa de fora dos benefícios justamente os mais pobres, ou seja, os que nem sequer têm rendimento suficiente para pagar IRS. É por isso que os subsídios directos são mais eficazes, mais abrangentes e mais equitativos.

Vital Moreira, 10 de Julho de 2008

Para reduzir o défice das contas públicas

2ª medida: eliminar, ou reduzir drasticamente, as deduções fiscais para despesas de educação e de saúde, salvo nos casos em que os correspondentes sistemas públicos não proporcionam os respectivos serviços em condições aceitáveis. Na verdade, não faz sentido que, havendo serviços públicos de educação e de saúde gratuitos, pagos pelo orçamento do Estado, aqueles que preferem serviços privados sejam beneficiados com o desconto dessas despesas para efeitos de dedução fiscal (com limites bastante generosos), o que se traduz numa considerável “despesa fiscal”.

Ainda por cima, trata-se em geral dos titulares de rendimentos acima da média, não poucas vezes caracterizados por uma elevada evasão fiscal (industriais e comerciantes, gestores, profissionais liberais, etc.). Duplo privilégio, portanto.

Vital Moreira, 22 de Abril de 2006

Os benefícios fiscais à poupança no IRS têm três efeitos negativos: tornam o sistema fiscal mais complexo e mais difícil de fiscalizar, têm elevados custos fiscais (redução da receita) e favorecem os titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais deles aproveita, diminuindo a progressividade real do imposto.

Vital Moreira, 10 de Setembro de 2005

Isto é que é uma máquina de propaganda bem oleada

É curioso que no Simplex a estratégia do chefe para o debate fosse conhecida antecipadamente: Ana Vidigal, conseguiu publicar às 21h 50m um boneco sobre benefícios fiscais e classe média. Repito, um boneco, o que não demora exactamente o mesmo tempo a montar que se leva a escrever uma frase.

Ou é mais rápida do que a própria sombra, ou já sabia.  E eu gosto muito do Lucky Luke, mas não confundo banda desenhada com a realidade.

Por falar em realidade, mesmo acima e no mesmo lugar RCP continua a confundi-la com os seus próprios desejos, fantasias e ilusões. Desconfio que ainda vai ser contratado para os Encontros Mágicos. Se o Luís de Matos dá por ele, não escapa.

Mas não deixa de ser engraçado ver como os socratistas cantam vitória apenas e só porque o chefe não foi esmagado. Já se contentam com pouco.

Actualização:

Nos nossos comentários em directo passou uma Rita com uma frase batida, e de resto descontextualizada. Sugeri-lhe que mudasse de canal, porque não parecia estar a ver o mesmo debate. Foi exagerado, entenderam os meus colegas e eu próprio o admiti. A Rita fugiu. Curiosamente aparece uma Rita Castilho noutra caixa de comentários (#97), assumindo-se com “uma Sócratica empedrenida.” Desconfio que nem tinha a televisão ligada.

Muito perto de

cartaz-cds-pp

Dei ontem de caras com este cartaz (o photoshop aplicado a Paulo Portas é de origem, não mexi em nada).

Este muito perto  levou-me a fazer umas continhas. Nas legislativas de 2005 o CDS-PP ficou em 4º lugar, tendo apenas o PS e o PSD eleito deputados, como sucede desde há muitos anos.

Utilizando um simulador eleitoral, os resultados foram os seguintes:

coimbra-2005

Ou seja: o PS ficou muito perto de eleger outro deputado, o BE ficou perto de eleger um deputado, e a partir daí as distâncias aumentam.

Devo dizer que ficaria muito, mas mesmo muito satisfeito se no dia 27 BE, CDS e CDU elegem-se um deputado cada por Coimbra. Primeiro porque sou amigo de 2 desses candidatos e voto num deles, segundo porque o  candidato do CDS sempre é de Coimbra, e não um qualquer paraquedista como é o caso da srª da Saúde que este ano, encabeça a lista do PS,  e mais importante que tudo, desejo que o bloco central encolha o máximo possível na próxima Assembleia da República, arrumando com o estafado argumento do voto útil.

Agora daí ao muito perto de, ainda vai uma boa distância.

Já agora, se esse meu desejo se concretizasse, e supondo um resultado PS 4 deputados, PSD 3, o meu distrito evitava ser representado no parlamento pelo sr. Nuno Encarnação, que o pai Carlos lá conseguiu meter nas listas, e pela sra. Maria Antónia Almeida Santos, idem idem, aspas aspas. Uma vitória da República, portanto.

Parece que isto do tempo vai dar chuva

Além do estado da nação há o estado de espírito na nação. Eduardo Pitta escutou esta preciosidade na Avenida de Roma, a “duas senhoras (eram mesmo senhoras) com 70 e muitos anos”:

Sabe que mais?», dizia a do TLS, «era bom que ganhasse o Bloco. A NATO intervinha logo.» / «E punha tudo na ordem!», disseram as duas à vez.

Isto é música para os meus ouvidos.

Quando as senhoras que são mesmo senhoras invocam a protecção da santa madre NATO podemos contar de seguida com peregrinações a Fátima, esta gentinha a dar de frosques para o Brasil (e daí não sei, que na Latina América também sopram ventos que já foram de Leste), e o resto deixo à imaginação de cada um, que as repetições na história costumam ser manifestamente exageradas.

Venha ela, chuvinha da boa, para regar a terra e refrescar cabeças.

A verdade, afinal já havia outra

politica de verdade

É a citação do dia, vinda do facebook (quando for grande hei-de aprender a fazer linques para lá): o fantasma de Salazar nas costas da sr. Manuela F. Leite.

Curioso é o facto de alguém bem próximo dela conhecer de certeza absoluta o texto, o seu contexto, e pelos vistos ter achado que era o único. Estou a falar de Pacheco Pereira, claro.

Alberto João, taxista madeirense

Manuela Ferreira Leite usou hoje um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado Português, para fazer campanha eleitoral no Funchal. A líder do PSD fez várias deslocações na viatura oficial, ao lado de Alberto João Jardim, numa visita à ilha que foi sempre apresentada com uma acção da campanha eleitoral do PSD.

E ainda diz que a asfixia democrática é só no continente. Eu gosto da expressão asfixia democrática. Não sei porquê recorda-me o falecimento de David Carradine, deve ser por causa da corda no pescoço, e abre caminho para outras expressões: cólica democrática, eructação democrática, fobia democrática, é todo um mundo de figuras de estilo que se abre perante nós, que não andamos no mesmo táxi, nem temos pena.

Actualização:

Este comentário à notícia é fantástico:

Só se esquecem que a maioria dos portugueses não são burros. Percebem bem que a Dra. Manuela Ferreira Leite não procura qualquer proveito a partir daí. Percebem bem, que quase todos os seus governantes, fazem deslocações privadas no seu automóvel de estado. Mais, não é raro ver membros do governo chegarem a “convenções partidárias” nas viaturas oficiais.
A quem aproveita esta tempestade num copo d’água?
Mesquinhez… Pequenez.

Um bom exemplo de eructação democrática, onde ainda se acrescenta que foram só 500 m, com o taxímetro desligado. O que esta gente não conhece é a palavra princípios. Quando olham para ela, a 1 cm, 500 m ou 300 km, ficam com a vista enublada e acham-na de uma pequenez microscópica.

La vie en rose

Ana Matos Pires descobriu que as relações Prisa/PSOE já foram melhores. Ainda alguém se vai lembrar que as relações com Pinto Balsemão também, ou talvez não, sabe-se lá, etc. Para concluir que eles querem é nota, e portantos pá, só fizeram isto do jornal nas sextas para poupar uns trocos.

No universo bipolar do estado espanhol Zapatero tratou de ter dois grupos de comunicação social em seu apoio, o que a malta até agradece mais que não seja por o Publico.es ser de longe o melhor jornal online da península. O pólo do regime que alterna com o PSOE já os tinha, e Zapatero não é parvo, além de até ser comprovadamente um anti-fascista pelo menos da memória, coisa que no partido socratista já só sobra nos núcleos da terceiríssima idade.

Esta engenharia de esforço dos socratistas para enublar o óbvio, e este nem é o pior exemplo, está ao nível da obra  construtiva e curricular do seu belo e esforçado herói. É  preciso alguma pachorra para entender os humanos quando se fixam em paixões.* Que são sempre cegas, de acordo, dão cabo do racional, sabemos desde a adolescência, mas das quais restará um vazio absoluto quando o herói for apeado.

E quem vai apear esse moço que andou aqui por Coimbra no ISEC, já na altura despertando amores que se derretiam subitamente,** nem vai ser só o povo em forma de votos, serão em primeiro lugar os que hoje mais se perdem de amores por ele.

A profissional Ana Matos Pires explicará isto muito melhor do que, que sou de letras, e apenas falo por experiência de vida. E fica-me alguma tristeza quando vejo mulheres inteligentes naquele estado que me recorda Pavese: “os homens apaixonados são incapazes de criar uma estratégia amorosa”, cito de memória, e mal, mas a ideia percebe-se.

C’est la vie. En rose:

___

* isto devia ter um link mas por algum pudor, preguiça e até respeito não tem.

** esta referência é meramente política, respeitando à JSD e à JS. Da vida privada de terceiros só falaria em legítima defesa, e até ver não é o caso.

Afinal também vi o jogo e tenho um treinador de sofá dentro de mim

eusebio

Se esse gajo tivesse jogado os 90 minutos ganhávamos, aposto.

Mas é sempre a mesma merda: os pretos, sobretudo se vindos do sul, são subavaliados, há pressões para não jogarem, e lá têm de fazer pela vida.

Espero que depois deste golo o seleccionador (um homem que conheceu primeiro o firmamento visto do hemisfério sul antes de o trazerem para o norte e tinha obrigação de não andar atrás das bocas do povo), já o meta a jogar de início facilitando o entrosamento* dos colegas na rotina de lhe meterem a bola no corpo, que é agora o seu objectivo único e óbvio. Ainda bem que o Ronaldo versão Madrid anda a aprender esse serviço, e pelo que vejo a desaprender na marcação dos livres, viram por aí o Bruno Alves?

E sou optimista, acredito que para não variar vamos ao mundial depois de muita continha, grandes aís e muitos uís. Selecção que se preze deve ser o espelho do país, utilizando a nossa o verbo desenrascar em abundância de sorte. O gozo do futebol é sofrer e ganhar no fim, eu sei que da parte do ganhar andam arredados os adeptos dos clubes de Lisboa mas vão ver o gozo que dá, no fundo vocês são tão portugueses como nós e também têm esse direito.

Somos apurados, aposto, esse gajo aí, o que marcou o golo, o da foto, o estrangeiro, bem o merece.

___

* não uso, e muito menos escrevo, a palavra entrosamento, sobre a qual tenho a mesma opinião que tenho sobre o Ribeiro Cristovão enquanto assassino compulsivo de relatos de futebol. Foi o corrector automático que meteu lá isso, garanto, e não consegui apagar, lamento.

Atchim, feriado

gripe-mascara

Hoje encontrei um “plano de contingência” para a nova gripe, a aplicar nas escolas, e que corresponde a um modelo nacional, se bem entendi.

A coisa funciona assim: numa aula um miúdo espirra, aparenta ter febre, o professor pergunta-lhe se tem um de vários sintomas (diarreia, dores de garganta, e outra terminologia clínica que não decorei), e confirmado verbalmente um deles chama um funcionário para o levar para a sala de isolamento, já com máscara, limpa os vestígios do espirro com um toalhete, e a aula continua.

Suponho que isto nasceu no Ministério da Saúde, e foi digerido por um burocrata do da Educação, embora também possa ser uma ideia de qualquer outro ET.

No primeiro dia em que tal plano for descoberto em qualquer escola, portuguesa ou do mundo em geral, a malta vai espirrar, em magote, os termómetros não chegarão para as encomendas, no intervalo seguinte os pais saberão, e no máximo em meia hora uma multidão de pais estará em pânico à porta da escola.

Desde que inventaram as jaulas, perdão, aulas de substituição, que os alunos portugueses aguardavam por um brinde assim.

Ou chega um pouco de bom senso a estas almas diletantes, ou desconfio que este ano lectivo vai ter um começo bem original, e que seria mais sensato adiar o seu início, adiando a expansão da pandemia, tanto mais que o efeito prático  em termos de aulas será o mesmo, mas com esta ingenuidade acrescido de uma confusão que se podia evitar.

Recordando o passado no largo do Rato

“Houve uma queixa do Governo que levou ao silêncio de um comentador, uma acção do Governo para reprimir uma livre crítica. Não me lembro de um episódio tão triste e que envergonhe tanto a democracia”.

José Sócrates, referindo-se ao episódio TVI, versão Marcelo R.S.

Mas há muito mais

Disney comprou Hulk

Hulkporto

Era a felicidade de vários clubes. Mas não foi este.

Incredible-hulkFoi o outro.

A Noite Passada

Montagem realizada tendo como tema a música “A noite passada” de Sérgio Godinho, através de trabalhos realizados na disciplina de Educação Visual por alunos da turma do 8.º C, da EBI Santo Onofre – Caldas da Rainha – Ano lectivo 2007/08.

Uma canção excepcional, e um excelente trabalho feito na escola mais odiada pela senhora que tem ministrado a deseducação em Portugal.

Sérgio Conceição, Scolari, a Nike e o azeite

Numa entrevista telefónica ao jornal i, Sérgio Conceição agita o frasco e o azeite começa a vir ao de cima:

Estive nove meses, mas a primeira reunião dos capitães – eu, Couto, Figo e Rui Costa – foi suficiente para o entender. Chamou-nos à parte e disse-nos que estava ali para treinar a selecção e dar o salto para um grande europeu.

Mas estamos a brincar ou quê? Mas que é isto? Um homem na selecção, que deve ser um privilégio, o maior privilégio, e ele só pensava em sair para um grande da Europa.

Mas brincamos ou quê? Falava em seriedade e disciplina. Aliás, afastou carismáticos, como Baía e João Pinto, com base na disciplina.

Isso é tudo muito bonito, mas ele não aplicava a regra. Nos almoços da selecção, a mesa dos jogadores é sempre maior que a dos treinadores, porque há mais jogadores que treinadores. Com o Scolari, não! A nossa tinha 18/20 pessoas.

A dele era maior. Mas estamos a brincar? Mas estamos onde? Ele levava os amigos brasileiros, os amiguinhos da Nike. Sim, porque ele é patrocinado pela Nike e entre um jogador da Nike e um da Adidas, escolhia sempre o da Nike.

Mas depois, lá vinha com a lengalenga da disciplina.

Então mas eu, que nasci em Coimbra, em Portugal, deixo-me ficar? Numa situação destas, deixo de agir? Mas estamos onde, pá? Que é isto? Ele ganhou o quê? Foi a uma final em casa e perdeu-a [Euro-04]. Mas há mais.

Há mais há,  a ler na íntegra.

A Europa virou à direita? Qual Europa?

Os resultados das eleições realizadas em três estados alemães são no mínimo fascinantes. Alem de a CDU ter perdido a governação de 2 estados,

Nos dois casos antecipa-se uma coligação entre o SPD, A Esquerda (Die Linke) e os Verdes: Sarre poderá assim tornar-se na primeira coligação que o partido A Esquerda integra num estado federado ocidental.

A nossa comunicação social como é muito distraída nem repara no dado mais importante: a subida da Esquerda (Die Linke), que nos três resultados fica acima dos 20%, ocupando 0 2º lugar em dois estados.

O resto, com eleições gerais a 27 de Setembro, é mais do mesmo: o bloco central está instituído na Alemanha e pode muito bem ser fonte de inspiração para um futuro bloco central português. O facto de à sua frente estar o SPD ou a CDU é tão irrelevante como a (in)diferença entre PS com e sem D. De notar que nas últimas eleições europeias os partidos portugueses que mantêm relações com o Die Linke (BE e PCP) já somaram 20%.

Acresce na boas notícias que a extrema-direita desceu. Mais cuidadinho a ler os resultados globais das eleições para o parlamento europeu fazia bem a muita gente. Resultados e análise mais detalhada aqui.

Não há empreitadas grátis

lemos

No sábado o Expresso noticiava a propósito do programa de recuperação das escolas que coube ao Grupo Lena a melhor fatia no bolo das adjudicações de empreitadas: 89 285 milhões de euros, seguindo-se a Soares da Costa com menos de metade.

No mesmo sábado o Diário As Beiras inventava um “Dossiê Regresso às Aulas” composto por uma entrevista a Valter Lemos, cinco páginas, pela opinião dos sindicatos significativamente intitulada “Sindicatos ‘de olho’ nas eleições” uma página (a única disponível online), e outra sobre o preço dos livros escolares.

Qual é a relação? Antes de se lançar no jornalismo diário a nível nacional, o grupo Lena adquiriu a empresa Beirastexto, que juntou a  outros jornais regionais que já possuía. Adivinharam: a empresa Beirastexto é a proprietária do Diário As Beiras.

Mais um caso de amor com amor se paga. Da entrevista, além da repetição das mentiras  rotineiras, destaco o final: inquirido pela jornalista sobre o conselho que gostaria de deixar a um sucessor, Valter Lemos responde:

Não sou de muitos conselhos, nem tenho essa arrogância. Ainda tenho muito trabalho para fazer e não pensei nisso. Espero que o resultado das eleições seja favorável ao partido que está no Governo e espero que as questões de política educativa possam ter continuidade no sentido da melhoria de resultados.”

O sublinhado é meu. A preocupação também.

WC, um filme arrasquinha

A segunda curta-metragem de António Ferreira, realizada na Alemanha em 1997.

Quem dá esmola a um rico empresta a Manuela Ferreira Leite

Não podem entrar todos, mas sair já podiam?

Desde que o homem é homem e a mulher é mulher que se nasce num lugar e se morre noutro. Foge-se da miséria e da desgraça. Procuram-se vidas melhores. Muito antes de haver fronteiras, países, Estados, governos, leis. As migrações não são um fenómeno novo, nem velho. Fazem parte da condição humana: a da luta pela sobrevivência. As fronteiras vieram depois. Combater a imigração é como combater a chuva ou o sol. Sempre existiram, sempre existirão. E, talvez seja necessário dize-lo, ainda bem.

Daniel Oliveira escreve tudo o que eu gostaria de escrever sobre migrações. Leiam, sff.