O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.

No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.

Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.

Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.

Adiante.

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O governo caiu, mas os alemães têm memória

O governo alemão caiu. Especialistas instantâneos em política interna alemã apressaram-se a garantir que vem aí a extrema-direita, porque Trump ganhou nos EUA e porque Le Pen está na linha da frente para suceder a Macron.

Sucede que na Alemanha, ao contrário de França e sobretudo dos EUA, vigora um sistema político cujo poder reside no Parlamento e no governo que dele resulta. E, ao contrário daquilo que acontece com a direita liberal e conservadora em países como Portugal, Espanha ou França, na Alemanha não há registo de cedências à extrema-direita. [Read more…]

Paulo Portas mentiu

Na sua homilia de Domingo à noite, Paulo Portas mentiu. É mentira que o cordão sanitário que mantém a AfD fora do sistema político alemão se aplique também ao Die Linke. O Die Link tem coligações regionais e locais com SPD e Verdes. E foi Merkel quem vetou a tentativa de acordo que incluía o seu partido e a AfD, na Turingia, permitindo ao Die Linke governar, com o SPD e Verdes como parceiros minoritários. Não foi só a equivalência absurda entre Lula e Bolsonaro. Lula tem as suas falhas mas não é comparável a Bolsonaro e tem tanto de extremista como o Irrevogável. Porém, no caso alemão, Paulo Portas mentiu. E fê-lo deliberadamente, porque Portas pode ter muitos defeitos, mas ser ignorante não é um deles.

Da série “é preciso comprar o Expresso para saber o que se passa no país”

O desfecho das eleições alemãs está em destaque na edição online do Expresso e ocupa o topo da página web. Entre as várias peças, citações e considerações, há um nome que se destaca: Pedro Passos Coelho. O líder da oposição está preocupado com a extrema-direita alemã mas, assegura, o que se passa no domínio da chanceler nada tem a ver com a situação portuguesa. Até porque, pelo menos por enquanto, nada mais por cá há do que um partido fascista sem expressão eleitoral e um outro, outrora moderado, que apoia um candidato que foi acusado de roubar o discurso da extrema-direita. Um candidato xenófobo com sonhos molhados sobre penas de morte e castrações químicas. Pelo que importa dar destaque à preocupação de Passos Coelho com a ascensão da extrema-direita, não vá essa esquerdalhada injusta e ingrata querer ligar o homem a gente dessa. Ainda bem que temos o Expresso para saber o que se passa no país.

Uma nuvem suástica que paira sobre Berlim

Fotografia: Bernd Settnik/DPA@Berliner Morgenpost

Com as urnas fechadas e os votos contados, as conclusões a retirar destas legislativas alemãs parecem-me muito óbvias: a CDU/CSU de Angela Merkel sofre uma queda aparatosa, dos 45,3% de 2013 para 33%, o SPD de Martin Schulz obtém o pior resultado de sempre, ficando-se pelos 20,5%, após os 29,4% de 2013, e o grande vencedor do acto eleitoral é o partido de extrema-direita AfD, que nas eleições de 2013 não conseguiu eleger um único deputado e que agora consegue uma votação de 12,6% e 94 dos 709 assentos disponíveis no Bundestag. [Read more…]

Jamaica ou GroKo?

Afinal, não há GroKo (palavra do ano em 2013). Talvez Jamaica (Jamaika, para os germanófonos).

Primeiros resultados das eleições na Alemanha

Extrema direita com ca. 13% no parlamento (vindos sobretudo do leste (ex-RDA)), partido de Merkel com o pior resultado desde 1949, SPD de rastos, Linke e Verdes na mesma e os (neo-)Liberais regressam ao parlamento.

Isto dá vontade de emigrar.

Venturas alemães ganham terreno na corrida ao Bundestag

com a diferença que, na Alemanha, a extrema-direita não costuma brincar aos social-democratas.