Reposição das subvenções vitalícias: como a casta tenta justificar o privilégio injustificável

Casta

A casta recuperou o seu privilégio aristocrata e o incêndio deflagrou na opinião pública. Cientes da indecência e da imoralidade que a decisão do TC constitui, uma decisão forçada pelo pedido de fiscalização preventiva da medida decorrente de um raro momento de convergência entre o bloco central, alguns deputados sentiram a necessidade de se justificar, o que por si só é ilustrativo do peso na consciência que carregam. De outra forma não sentiriam tal necessidade. [Read more…]

de seguro morreu o velho

o partido socialista cumpriu hoje a sua tradição histórica\catarse enquanto titular do papel de maior partido da oposição. enquanto oposição, os líderes socialistas portugueses têm o estranho hábito de largar o primeiro boneco que têm à mão nos primeiros 3 anos de legislatura, deixá-lo afundar com o partido e intervir a 1 ano das legislativas, lançando aquele que realmente será o próximo primeiro-ministro. bailado protagonizado entre Costa e Seguro nas vésperas do último congresso socialista e a paz podre mantida no mesmo, culminada na histórica votação albanesa que acalmou e aclamou o inseguro (e in-sonso) tozé, conhece agora o seu verdadeiro significado.

Costa precisava de tempo. tempo para vencer a Câmara Municipal de Lisboa. tempo para fortalecer a sua posição num dos maiores cadernos eleitorais do país. Costa sabia a milhas que a re-eleição na CML estava garantida. contudo, Costa queria certificar-se do número exacto de votos que conseguiria alcançar em Lisboa. Costa tratou de negociar com Seguro: “Tozé, sabes perfeitamente que mexendo os meus peões mando-te abaixo num instante. Sei bem que és o líder da máquina e que dominas uma parte significante das concelhias, mas, politicamente, não tens carisma, não sabes ler nas entrelinhas e tão pouco percebes de timings de actuação política. Ficas à condição até às europeias” – assertivo é afirmar que a pressa era afinal de contas muita. assim como a pressão. [Read more…]

A Cavaco, os partidos dizem

No seu discurso,  Cavaco Silva disse que:

No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política  mostrou, à vista de todos, que o País necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS.
É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo

Na prática, parece-me que o Governo actual acaba de ser demitido e a bola é atirada para o lado dos partidos.

O Presidente volta aos resultados das últimas eleições, onde 80% dos votos foram nos partidos que assinaram o memorando e sugere um novo acordo entre o PSD, o CDS e o PS.

O PSD e o CDS abanaram com a cabeça para dizer que sim, mas sem grande convicção. Por outro lado, Alberto Martins, numa declaração que me parece absolutamente correcta, referiu que  o PS só irá para o Governo, através de eleições. O Bloco e o PC mantiveram as declarações dos últimos tempos: este governo já não existe e temos que ir para eleições.

José Hermano Saraiva

Morreu o historiador. Uma oportunidade de o conhecer melhor, não obstante os «baldes de àgua fria» que às vezes apanhamos por sermos novos e não sabermos «da missa metade».

Aqui fica um exemplo de como sabemos muito pouco da nossa História (admito, mas quero aprender, com humildade).

Foi também advogado, professor do ensino liceal e ministro da Educação. É sobre este cargo que fui à procura de informação na História do Ensino em Portugal de Rómulo de Carvalho (António Gedeão), editada pela F.C.G., obra de referência: J. H. Saraiva esteve no poder enquanto ministro da Educação durante ano e meio, sucedendo a Galvão Teles.  Segundo Carvalho, Saraiva viu-se envolvido numa luta incómoda com a Academia de Coimbra:”É uma história quase anedótica mas que merece ser citada, pois teve papel preponderante no processo de renovação do ensino que então se pretendia executar.”

Um episódio triste, uma vez que foram feitas detenções a estudantes (Alberto Martins – ex-Ministro da Justiça entre 2009 e 2011-, o estudante que contestou publicamente o Governo de que José Hermano Saraiva fazia parte), violências foram praticadas, proibições aos estudantes de continuarem a estudar na Universidade, etc.

Por aquilo que me deu conhecer, J.H.S. terá, em Abril de 1969, reorganizado o Instituto de Meios Audiovisuais, de que fazia parte a Telescola. Não me consta nada mais de significativo, a partir da leitura daquela obra.

Apesar do episódio que Rómulo de Carvalho refere, não deixo de admirar o comunicador e o amante da nossa História, que foi José Hermano Saraiva. Isso ainda não vi em mais ninguém…Teremos outro?

Um homem não é só o seu passado!

O estranho caso do Tribunal da Maia:

A “coisa” conta-se em pouco mais de meia dúzia de linhas: o Tribunal da Maia precisa de novas instalações. A Câmara da Maia estava (e está) disposta a resolver parte do problema. Nos idos tempos de Celeste Cardona como ministra da Justiça, o Governo assinou um contrato no qual a Câmara cedia um determinado terreno e a Governo construia o respectivo tribunal. O Governo cai. Novo Governo e novo ministro. Olham para o acordo celebrado e fazem-se de mortos. De repente, em pleno Agosto, lançam um concurso para arrendar um novo espaço para o tribunal da Maia. Os potenciais candidatos tinham 15 dias (em Agosto…) para apresentar propostas. Condição: ser central e preencher um conjunto de requisitos complicados. Ora, não tendo o centro da Maia nada parecido, ninguém ligou muito. Ninguém? Não. Um Fundo Imobiliário (onde será que já ouvi isto?) candidata um edifício existente na zona industrial da Maia, longe do centro e licenciado pela autarquia para escritórios. Vence o concurso.

Os Magistrados, os Advogados, os Funcionários Judiciais, todos os agentes judiciais da Maia e todas as forças políticas do concelho opõem-se à transferência do tribunal da Maia do centro da cidade para a zona industrial. Motivos: o espaço em causa não tinha estacionamento, nem transportes públicos e, em conclusão, não lembrava a ninguém semelhante. O Dr. João Correia, Secretário de Estado da Justiça, desloca-se à Maia para ver com os seus próprios olhos a situação. Concorda com as justas reivindicações dos diferentes agentes e, em conjunto com a Câmara, consegue uma solução de compromisso: a Câmara apresenta quatro soluções de terrenos no centro da cidade para a construção de um tribunal novo e o governo compromete-se a construir o edifício em cinco anos. Durante esse período a câmara cede um conjunto de espaços adaptados junto ao velho tribunal. Todos estavam de acordo. Entretanto, o Dr. João Correia demite-se. Volta à carga a questão do tal edifício do tal fundo na zona industrial. Um espaço longe do centro e a 300 metros do concelho de Vila do Conde. [Read more…]