Escola Pública e Escola Privada? Sim. Claro! PPP na Educação? Não

O título diz tudo e mostra, de forma clara, que não há qualquer PRÉ-conceito nesta discussão. E, o único estudo realizado sobre esta questão prova que o problema é a vontade de alguns ganharem dinheiro à custa de todos nós. Vejamos esta citação no único estudo realizado sobre o assunto:

– Sobre o Colégio de Lamas (Santa Maria da Feira): “a interferência deste estabelecimento (na rede pública) é mais evidente.” (página 65).

Ou seja, o Colégio de Lamas está a retirar alunos que têm lugar nas Escolas Públicas. Ninguém está a impedir alguém de escolher a Escola dos seus filhos. Escolhe, paga.

Se em Gondomar, a Escola Secundária tiver lugar para os alunos do secundário, porque é que temos de pagar o seu acesso ao Paulo VI?

E, em Gaia, se escolas como a António Sérgio ou a Inês de Castro têm condições para receber mais alunos, porque é que estes são financiados para andar no Colégio de Gaia?

Dirão que a oferta formativa desses colégios é diversa da disponível nas Escolas Públicas e que isso justificará a opção dos alunos. Estou de acordo com esse argumento. Mas, pergunto: a Escola Secundária dos Carvalhos tem as mesmas possibilidades para escolher os seus cursos como faz o Colégio dos Carvalhos? Não. Não tem. Pelo menos, não tem tido: os Colégios sabem primeiro os cursos que vão ter e podem, por isso “preencher” as necessidades formativas da população.

E, como já uma vez aqui escrevi: comparem, por favor, o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais, das Escolas Públicas e de alguns “falsos Privados”.

Mas, reitero uma outra ideia: o ME está apenas a verificar se a Lei está a ser cumprida. Todas as turmas que começaram um ciclo vão poder continuar até ao fim desse ciclo. Não há autorização para abrir novas turmas. Isto é cumprir a lei e todos o sabem.

Além disso, cada um dos colégios tem uma área de influência. Deve cumprir-se a lei – os alunos financiados devem ser dessa área de influência.

Quanto aos Privados, nada a referir. Continuem a fazer o trabalho que têm feito.

Nota adicionar: Intervenção do Deputado Porfírio Silva no Parlamento (Vídeo)

PPP na Educação? Não obrigado!

A história é simples de contar: Nuno Crato, o destruidor, tinha um objectivo claro – tornar a Escola Pública uma escola menor, para o povo e, ao mesmo tempo, permitir ao privado absorver parte dos alunos (e dos fundos) que, em boa verdade seriam da Escola Pública.

E, antes de sair, deixou o terreno armadilhado: assinou um contrato com os privados para três anos, permitindo assim que o dinheiro público continue a correr para os bolsos de alguém.

Não pretendo colocar em causa a existência do Ensino Privado, seja ele confessional ou não. Quem quiser (e poder) colocar o filho no privado, força. Nada contra. Tudo a favor.

Agora, fazer de conta que é privado às custas dos meus impostos é que não. Colégio de Gaia, Colégio dos Carvalhos e Colégio Paulo VI são exemplo, na área do Grande Porto, de colégios que tiram alunos às Escolas Públicas e que são fortemente financiados por dinheiro  público. Sim, isso mesmo: o estado tem duas despesas –  a das Escolas Públicas que podiam ter esses alunos e a desses colégios.

E a situação é tão absurda que esses colégios (falsos privados) têm autorização para abrir alguns cursos que as públicas, da mesma área, não têm. Quem autoriza? O Ministério da Educação.

O cenário está bem montado e remete para as SCUT’s: se passo de carro pago. Se  não passo, pago pelos impostos. Muito simples.

Ora, nos últimos dias, o ME publicou um pequeno detalhe num Despacho Normativo: [Read more…]

Ensinar e Educar

Escola Pública - educar ou ensinar?

Escola Pública

As palavras têm valor: ensinar e educar podem ser vocábulos de sentidos semelhantes, mas para a reflexão em causa, vamos argumentar no sentido da diferença. A mãe de todas as enciclopédias diz que a Educação engloba ensinar e aprender.

Poderia também ir por aí: ensinar é o que o “mestre”, “o ensinador” (desculpem o mau jeito da palavra que, confirmo, não faz parte do novo acordo), o “professor”, o que ensina faz – no sentido mais restrito, o que transmite. Num sentido mais amplo, o que faz a mediação entre o objeto de aprendizagem e o que aprende.

Aprender, normalmente coloca-se no lado do que recebe, na nossa sociedade, o aluno.

Mas, e esta é a questão: ensinar e educar não são só isto.

Educar é muito mais que escola e muito mais que ensinar! Pensem, por exemplo, no que foi ensinado nas faculdades de economia por esse mundo fora e para o que lá foi aprendido – vejam como é difente a teoria dessa gente e a prática que nos (des)governa. Como é diferente ensinar e educar. Ensinar é passar conteúdos, sejam eles práticos ou teóricos. Sejam eles andar de bicicleta ou o teorema de Pitágoras. Educar é isso, mas é também respeitar os mais velhos, não buzinar no trânsito, ouvir quando os outros falam ou não entrar de chapéu dentro da sala de aula.

Dizia em tempos um ex-ministo que o difícil é sentá-los. Ora nem mais! Hoje, como nunca – penso nas turmas C.E.F. – é impossível dar aulas em algumas turmas. IMPOSSÌVEL – assim mesmo, com as letras todas!

E é aqui que entra o ponto final desta reflexão: para o sr. comentador Nuno Crato chega ensinar, quando, de facto, o que o país precisa é que a escola eduque.

Há maternidade precoce, investe-se na Escola. Há acidentes, lá vem a prevenção rodoviária para a escola. Há droga, a Escola que resolva. Há falta disto ou daquilo e é logo culpa da Escola.

Esta instituição – a ESCOLA – é uma criação recente da humanidade e as Elites perceberam que poderia ser um instrumento de promoção social, logo, trataram de a adaptar ao que precisam, que é claro, de menos promoção social e mais reprodução das desigualdades porque essa situação garante a manutenção do poder. E quem tem o poder só precisa de assalariados cumpridores, tipo peça de uma simples máquina.

Todos os meninos ricos da linha, seja de Cascais ou da Boavista, além do colégio têm artes, piano, ginástica, esgrima, equitação. A Educação, no seu sentido mais amplo, é para as elites algo abrangente que toca o conhecimento puro e duro, mas toca também as artes, o desporto, etc…

O que fica para os pobres? Uma escola sem artes, sem desporto onde parece que só há lugar para a Matemática e o Português? E esta é, nos dias que correm, a discussão que todos temos de fazer – que escola pública queremos?

O que temos em cima da mesa é uma coisa muito simples: a Escola Pública deve ensinar ou educar?

Blogger Convidado: Anadia e os Colégios de S. João Bosco e de Nossa Senhora da Assunção

mapa-escolas-anadia

Agradeço desde já ao Aventar a simpatia de publicarem este texto. Pretendo expor a situação que se passa no concelho de Anadia, relativamente à polémica dos Contratos de Associação.

Em Anadia, os pais dos alunos de dois colégios, o Colégio São João Bosco (mais conhecidos aqui pela alcunha “os padres” ou “os Salesianos”) e o Colégio de Nossa Senhora da Assunção (conhecido pela alcunha “as freiras”) aderiram ao Movimento SOS Educação ( e, nas “freiras”, chegaram a encerrar a respectiva escola.

Ambos os colégio se situam a menos de 1,5 quilómetros da EB 2,3 de Anadia (conhecido por “o ciclo”) e da Escola Secundária Camilo Castelo Branco (o “liceu”), como é possível ver na imagem. [Read more…]

Pedofilia, Guilhermina, Constâncio

As três palavras deste título, não têm nada a ver umas com as outras. Constituem, apenas, os marcadores de três notícias que mais uma vez me deram a volta ao estômago, aquando do meu cafezinho da manhã e da habitual leitura do jornal.

 1ª – Mais um violento murro no estômago. Pedofilia. Desta feita na Alemanha. Mais uma goleada da igreja católica neste campeonato. O chefe da ordem dos jesuítas, Stefan Dartmann, veio confirmar os abusos sexuais de crianças no Liceu Canisius em Berlim, notícia corroborada por Klaus Mertes, reitor deste mesmo liceu. Mas Stefan Dartmann diz que o mesmo se passa em colégios como os de Goettingen, Hildesheim, e também colégios da Espanha e do Chile. Mas existem outros colégios denunciados, como o de Sankt Ansgar em Hamburgo e o de Blasien no sul da Alemanha. E o que mais se imaginará. De facto, assim na frente do campeonato, a igreja católica está a um passo de ser a instituição mais pedófila do mundo.

 2ª – Mais uma vez um acentuado refluxo gastro-esofágico, carregado de azia e náusea. Nem o café me acalma. Guilhermina, professora de Ética, suspeita de pertencer a uma rede de corrupção de alto gabarito, na área da sucata, com grave lesão das finanças do Estado. Pelo que vejo, eu penso que deve haver pessoas com especial propensão para se identificarem profundamente com a sucata.

 3ª – Além da azia, uma comichão de carácter alérgico, à volta da garganta e não só, quando vejo o Sr. Constâncio, a quem eu e os outros portugueses pagamos 17000 euros mensais, fora as gorjas, não fazer outra coisa senão surpreender-se. Sempre surpreendido. Com as falcatruas do Banco X, do Banco Y, do Banco Z, com as contas, com o défice, com o futuro! A vítima das emboscadas. Sempre com aquele ar de menino de coro, saído do cabide, deram-lhe o título de governador, mas alguém já o viu governar o que quer que fosse?

 E por hoje basta! Não leio nem ouço mais nada. Vou tomar um antiácido.

Externato de Braga: Olha se fosse na escola pública!

Ao que parece, um aluno de 16 anos do Externato Carvalho Araújo, em Braga, disparou sobre um colega à entrada do estabelecimento de ensino. Diz a PJ que o disparo foi acidental.
Olha se fosse na escola pública! A violência no ensino público, as escolas que não formam, a falta de segurança, a culpa é dos professores, no ensino privado não há destas coisas e por aí fora.
Como estamos a falar de ensino privado, ah e tal, foi acidental. Alunos a fumarem e a drogarem-se dentro dos colégios? É acidental. Alunos a fazerem sexo e a ficarem grávidos dentro dos colégios? É acidental. É sempre acidental.
Ah, e os «rankings», claro, também são sempre acidentais.

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui