Bipolaridades ditatoriais

ditador

A condição de ditador/opressor é, regra geral, uma questão ambígua. Principalmente quando observada com os óculos moralistas do Ocidente. Os mesmos EUA que treinaram e armaram a Al-Qaeda também os perseguiram até ao dia em que apanharam, mataram e atiraram ao mar Osama Bin Laden – or so they say – não fosse a sua sepultura tornar-se local de culto. Como se isso mudasse alguma coisa. Ainda no campo do financiamento norte-americano a grupos fundamentalistas islâmicos, é importante sublinhar que muitos dos actuais soldados jihadistas do Estado Islâmico são precisamente aqueles que receberam armas e outros recursos de Washington para combater Al-Assad mas que, em determinado momento, decidiram mudar de guerra. Estavam fartos daquela, precisavam de novos desafios. Empreendedorismos.

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Aroma de Hitler

Cada vez estou mais convencida de que o mundo está a transformar-se na caricatura de si mesmo, ridícula e superficial até ao limite do suportável.

Numa época em que se vão fazendo evidentes as semelhanças entre o momento actual e a história recente, e em que por isso tão vital é conhecê-la, quanto mais não fosse como antídoto para a repetição do que ela teve de pior, reparem na promoção que um canal televisivo temático decidiu fazer de uma série de programas dedicados à II Guerra Mundial.

O perfumista Lourenço Lucena foi convidado a criar um aroma para cada um dos protagonistas da série: Winston Churchill, Adolf Hitler, Franklin D. Roosevelt, Hideki Tojo, Benito Mussolini e Josef Estaline. Conhecer os “aromas da história”, é a original metáfora, e enormíssimo desafio, porque os aromas desta história não são aqueles que costumam caber num frasquinho de essências: o sangue derramado, e “só o sangue cheira a sangue”, dizia Anna Akhmátova, o gás das câmaras de Auschwitz-Birkenau, a carne queimada em Hiroshima. Não era simpático, deve ter pensado o perfumista, e por isso inspirou-se nas características dos protagonistas, homens fortes, de aroma intenso. [Read more…]

I Know Just What’s Missing On Your Mantlepiece… A Dictator!

I Know Just What’s Missing On Your Mantlepiece… A Dictator!.

Matar o próprio povo: uma das maneiras de ser amigo do Ocidente

José Maria Aznar ficará para a História como um daqueles rapazolas que se reuniu nos Açores com figuras tão ilustres como George W. Bush e Tony Blair. Os três juntaram-se na presença babada de Durão Barroso, contratado para desempenhar o papel de mordomo sorridente e solícito. Nesse dia auspicioso, descobriram que Saddam Hussein era portador de armas de destruição maciça que nunca foram encontradas até hoje.

A queda de Saddam terá sido, seja como for, um momento positivo para a humanidade, pois o único ditador bom é o ditador deposto. Nada disso impede a discussão sobre os métodos usados e as circunstâncias escolhidas para derrubar ditadores ou a constatação de que a definição do conceito de ditador parece estar, tantas vezes, dependente de interesses.

O mesmo Aznar que participou na selecção de Saddam como inimigo preferencial, ao mesmo tempo que esquecia outros ditadores úteis, surge, agora, a criticar o Ocidente por continuar a fazer o mesmo. Até se poderia tratar de uma inflexão no pensamento do antigo primeiro-ministro espanhol, disposto, finalmente, a exercer a política com nobreza, mas, ao defender que Kadafi não devia ser atacado por ser amigo do Ocidente, revela a habitual baixeza de quem só se lembra dos direitos humanos no Natal. Quem tortura, mata ou explora o próprio povo pode ser amigo do Ocidente?

Podem dizer o que bem entenderem…


… mas o fulano vai acabar assim, ou ainda pior. Não perde pela demora.

educação cívica

…para o meu próximo neto, filho de Felix e Camila Isley (nascida Iturra), irmão de May Malen I. Isley

a educação cívica devia ensinar as felonias dos governantes, baseados na lei que eles criam para o seu lucro

Defendo, como sabem, uma educação pública, sem colégios privados, gratuita e com textos fornecidos pelo Estado, para formar bons cidadãos, cientistas, gente de bem, saibam ou não as mais recentes descobertas no campo da investigação. O mais importante, além de saberem, é que sejam bons cidadãos, pacíficos, solidários e recíprocos. Pensava continuar por essas avenidas, mas uma entrevista feita por Ricardo Costa às Editoras sobre se os livros de estudo deviam ser grátis, levantou um coro de protestos entre as editoras. Donde, vamos falar do bom cidadão e não do comerciante que vende manuais diferentes todos os anos, porque o comércio governamental muda os programas para vender os seus novos livros e ganhar direitos de autor.

Vamos, pois, ao que é formar um bom cidadão. Por falar para as crianças e seus progenitores, vou-me endereçar na segunda pessoa, não por falta de respeito, mas sim, para ganhar a sua confiança.

Bem sabes que incutir simpatia e disciplina, é uma das tarefas mais difíceis entre os seres humanos, seja entre adultos, seja entre crianças. Nos lares existem dois conceitos que parecem contraditórios: gritos e colaboração. Todavia, são conceitos derivados do mesmo sentimento: a necessidade de amarmos e de sermos amados, ao procurarmos justiça para nós e assumirmos (por vezes) a nossa injustiça no tratamento com os outros. É o que em casa te querem ensinar, especialmente ao teres que confrontar seres humanos que nada têm a ver com a nossa relação familiar, mas sim com esse vai e vem que o povo usa para criticar, obedecer à ordem social e à disciplina no tratamento simpático entre vizinhos. É o que se quer ensinar no 2º e 3º ciclo das escolas e se denomina de análise de Gestão Política nas Faculdades da Ciência do Direito. [Read more…]