educação cívica

…para o meu próximo neto, filho de Felix e Camila Isley (nascida Iturra), irmão de May Malen I. Isley

a educação cívica devia ensinar as felonias dos governantes, baseados na lei que eles criam para o seu lucro

Defendo, como sabem, uma educação pública, sem colégios privados, gratuita e com textos fornecidos pelo Estado, para formar bons cidadãos, cientistas, gente de bem, saibam ou não as mais recentes descobertas no campo da investigação. O mais importante, além de saberem, é que sejam bons cidadãos, pacíficos, solidários e recíprocos. Pensava continuar por essas avenidas, mas uma entrevista feita por Ricardo Costa às Editoras sobre se os livros de estudo deviam ser grátis, levantou um coro de protestos entre as editoras. Donde, vamos falar do bom cidadão e não do comerciante que vende manuais diferentes todos os anos, porque o comércio governamental muda os programas para vender os seus novos livros e ganhar direitos de autor.

Vamos, pois, ao que é formar um bom cidadão. Por falar para as crianças e seus progenitores, vou-me endereçar na segunda pessoa, não por falta de respeito, mas sim, para ganhar a sua confiança.

Bem sabes que incutir simpatia e disciplina, é uma das tarefas mais difíceis entre os seres humanos, seja entre adultos, seja entre crianças. Nos lares existem dois conceitos que parecem contraditórios: gritos e colaboração. Todavia, são conceitos derivados do mesmo sentimento: a necessidade de amarmos e de sermos amados, ao procurarmos justiça para nós e assumirmos (por vezes) a nossa injustiça no tratamento com os outros. É o que em casa te querem ensinar, especialmente ao teres que confrontar seres humanos que nada têm a ver com a nossa relação familiar, mas sim com esse vai e vem que o povo usa para criticar, obedecer à ordem social e à disciplina no tratamento simpático entre vizinhos. É o que se quer ensinar no 2º e 3º ciclo das escolas e se denomina de análise de Gestão Política nas Faculdades da Ciência do Direito.

Na época denominada do Absolutismo, durante séculos da nossa era, pensou-se que o poder era do Rei e as propriedades reprodutivas do seu domínio, a serem usadas apenas pelos seus delegados, como já referi noutro texto deste sítio de debate nesse mês de Setembro que a todos nos faz estremecer: morte organizada do Presidente Allende do Chile, em 1973, esse Presidente Social-democrata Menchevique, o que quer dizer, a lutar pela Igualdade manifestada em votos e não em assembleias Bolcheviques, pregada pelo Manifesto dos Plebeus de Gracchus Babeuf, escrito no revolucionário Paris de 1788, quer pelas guerras começadas como retaliação dos ataques aos centros políticos e económicos dos EUA, a 11 de Setembro de 2001. Guerra que começa entre o Oriente e o Ocidente e não parece querer parar, incluindo a Faixa de Gaza dos dias mais recentes.

Charles Secondat de Montesquieu ( barão de Montesquieu (castelo de La Brède, próximo a Bordéus, 18 de Janeiro de 1689Paris, 10 de Fevereiro de 1755), foi um político, filósofo e escritor francês. Ficou famoso pela sua Teoria da Separação dos Poderes, actualmente consagrada em muitas das modernas constituições internacionais.

Em 1758, no seu texto De lesprit des lois, fez-nos pensar que o poder não reside apenas numa pessoa, mas sim no seu conjunto, separadas em corpos constituintes da conduta pública e eleitas pelo povo, para o povo e a pertencer ao povo. Espírito das leis que foi mal entendido pelas gerações vindouras, que apenas distinguem as palavras Poder Executivo, Legislativo e Judicial. Mal entendido, porque a palavra poder é temida. O conceito arrepia a acção, a hierarquia. Arrepia, sem a base do Manifesto dos Plebeus, anteriormente citado. Foi preciso organizar o que se denomina uma Constituição Política, para definir e separar as habilidades, mandos e as hierarquias das pessoas sentadas na cadeira do dito poder e autoridade.

Aconteceu em Espanha desde 1975, aconteceu em Portugal a partir de 1974, aconteceu no Chile desde 1991. Descalços, a pisar a terra do clã Picunche da Etnia Mapuche do Chile e de Argentina, perto do sítio do meu trabalho de campo, os jornaleiros Pinochet da vila Chanco, fabricavam queijos e criavam gado para subsistir. As outras alternativas eram pouco simpáticas: Seminário, ou Forças Armadas, via Serviço Militar. A mãe autoritária, escolhe as Forças Armadas para um deles, cultiva relações para além da sua classe social, choraminga, seduz e faz do escolhido um ditador. Que aprende a trair, a calçar sapatos e a vestir farda e gravata, uma apenas, da farda do colégio onde estuda por caridade da aristocracia do País, que assim ele aprende a odiar, nunca aprendendo conteúdos. Mas sim, aritmética e ele e a sua assimilada Picunche mulher Hiriart, são apoiados pelos investidores dentro do poder nos anos 70 do Século XX e desapoiados pelos mesmos prémios Nobel da Paz, no dia em que se sabe do desfalque de milhares de dólares contra os governantes do mundo: o Governo dos EUA. Vão parar à cadeia, essa Trindade, Pai, Mãe e Filho Picunche, os seus bens (dinheiro) são congelados e são mantidos em prisão, tendo a alternativa de voltarem a Chanco para fabricar queijos. Técnica esquecida ou desconhecida desta trilogia e dos seus parentes.

Jamais esquecerei. Morávamos na Grã-Bretanha e fomos em trabalho de campo investigar o que acontecia no país de Allende. O Pinocho matou-o. Depois de milhares de mortos ao longo de anos, como nos anos 50 do Século XX em Portugal e em Espanha, a 18 de Setembro, 7 dias depois do assassinato do Senhor Presidente socialista menchevique, fizeram-me desaparecer para mal da nossa filha, essa que costumava ver a telenovela Missão Impossível. Meses depois, no dia em que volta a ver-me, diz com uma tristeza, que até ao dia de hoje me perdura: já podes tirar a máscara, tu não és o meu pai, ele foi morto pelos militares, tu és outra pessoa vestida com as roupas do meu pai…

O exílio, esse castigo que devia acontecer com a Santíssima Trindade de Chanco, compensaria, talvez, o milhão que andámos pelo mundo perdidos e sós, os milhares de desaparecidos, factos de absolutismo (teoricamente) acabado em 1791. A Trindade treme. Nós, ficamos contentes do medo que tem… e que, estou certo, deve durar ainda muito mais que estes 33 anos de perseguições que levamos, das famílias desfeitas, que falam línguas diferentes entre os seus membros, e são desprezadas pelos seus consanguíneos… Jamais esquecerei. Esta deve ser a base para ensinar Educação Cívica a toda a população, sem andar a correr atrás dos salvadores do mundo, como acontece entre nós desde Fátima às eleições, ao cair da sua cadeira o mais sanguinário ditador seguidor do austríaco criminoso que, ao entender os seu crimes… escolheu o caminho mais curto e rápido: matou-se.

Estes factos, narrados ao correr da pena, combinando bons com maus, sábios com assassínios, deviam ser as bases de toda a educação cívica nas escolas públicas e privadas. É isso que pretendo para a minha descendência saber e entender. O mundo não é recíproco, as relações sociais são um engano para quem não consegue correr mais rápido. As citações da Constituição Política do País são apenas uma gargalhada dos poderosos sobre o povo fiel.

Educação Cívica é ensinar os enganos usados pelos (e para os) que se sentam na lei e mandam sem pensar, usando palavras vãs, base para uma matéria que nos obriga a sermos… bons cidadãos, saibamos ou não.

A santidade da lei, que começa em Fátima, é a arma mais poderosa utilizada pelos que mandam para dizerem mentiras sobre os artigos citados por mim no ensaio de ontem:

Artigo 74º:

Ensino

1. Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar.

2. Na realização da política de ensino incumbe ao Estado:

a) Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito;

b) Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;

c) Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;

d) Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;

e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;

f) Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;

g) Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;

h) Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;

i) Assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa;

j) Assegurar aos filhos dos imigrantes apoio adequado para efectivação do direito ao ensino.

Artigo 75.º

Ensino público, particular e cooperativo

1. O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população.

2. O Estado reconhece e fiscaliza o ensino particular e cooperativo, nos termos da lei.

Serão estas as bases para uma educação cívica? Serão as bases para o Direito Constitucional? Ou serão apenas as mascaradas para governar conforme a ideologia financeira dos detentores do poder? Esses que fazem turnos para governar?

No meu ver, as palavras por mim escritas antes, deveriam ser a base para o ensino da Educação Cívica: Babeuf, Montesqieu e um apanhado das felonias dos ditadores.

Vamos pensar e escrever mais, noutra ocasião….

Comments

  1. pedro roxo martins says:

    caro professor Raul Iturra

    já não sei se Salazar foi um ditador tão mau como querem pintar os marxistas. as realidades e leituras da prática politica de hoje fazem-me pensar duas vezes.
    gostaria de pedir o favor de me indicar uma listagem dos seus livros publicados e em fase de publicação, como seu ex.aluno gostaria de ter toda a sua actual e futura obra.
    força professor e respeitosos cumprimentos.

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