E se a Alemanha sair do Euro ?

E voltar para o seu Marco alemão, forte, consistente e não ter que andar a segurar países que não fazem o trabalho de casa?

As sondagens dão acima de 70% dos Alemães a quererem sair do euro a que há a somar-lhe os USA que nunca viram, nem vêm, com bons olhos uma moeda forte a disputar-lhe a primazia de moeda mundial e a valer mais que o seu dólar.

Os avultados montantes de moeda que estão a ser injectados na economia podem originar daqui a uns anos uma hiperinflação que acaba com o resto das economias e das finanças dos países mais endividados. Nessa altura a Alemanha paga novamente a factura?

Há, evidentemente, problemas imensos que se colocarão no caso de acontecer o regresso às moedas nacionais, o maior dos quais, será a desvalorização dos activos que estão cotados em euros. E a própria Alemanha deixa de ter um mercado de 400 milhões de pessoas para a sua super balança comercial, embora, nada que não consiga equilibrar a exportar para países emergentes e com economias a crescer.

Infelizmente, se em termos de economia todos estão avisados, em termos políticos, que foram as verdadeiras razões que levaram os pais da UE a ver longe, as incertezas e a violência que sempre caracterizaram o centro da Europa, podem estar de volta.

O aprofundamento da coesão política da Europa exige, que os actuais 1% do PIB, como contribuição para o Orçamento da Europa, suba para perto dos 7% ! Não vejo a Alemanha a largar mão de uma tão grande fatia do seu Orçamento e do seu poder !

Isto de porreiro não tem nada, pá!

Os números não enganam

Diz Henrique Raposo que

“os números não enganam. Os portugueses trabalham 38.8 horas por semana, quando a média europeia é de 40. Os portugueses colocaram Portugal a crescer apenas 1,45% (entre 2004 e 2007), enquanto que a média europeia de crescimento foi de 2,63%. Mas, apesar disto, os portugueses receberam um aumento real de salários de 3,9%, enquanto que o aumento real na Europa foi só de 2,1%. Há aqui muita coisa que não está certa nas contas portuguesas.”

Pois não enganam:

Average monthly labour costs, in € (2005) €1,617 (2006) €2,981

São mais baratos, os portugueses. E quase não fazem greves:

Number of working days lost through industrial action per 1,000 employees (annual average 2004–2007) 13.5 days* 37.47 days (estimate)

Os números não enganam, agora cada um selecciona da mesma estatística os que acha mais relevantes para justificar a sua conclusão. Ele acha que trabalhamos pouco. Eu acho que somos dóceis e baratos. E sendo mais baratos ainda bem que trabalhamos menos, e devíamos ter mais aumentos para ganharmos como os outros. Se calhar até produzíamos como eles se recebêssemos o mesmo que eles, é até por isso que emigramos: para trabalhar mais 1,2 horas por semana mas receber mais 1364€ no fim do mês.

Isto para não falar de omitir os números que lhe estragam a conclusão:

Collectively agreed weekly working hours (2007) ~ 38.2 hours** 38.6 hours

Ou que me levariam a concluir que o resto da Europa trabalha mais e recebe mais porque tem mais horas extraordinárias, mas não gosto de manipular números, até porque sei que eles não enganam.

Enganado foi o Luís M. Jorge, um homem de boa fé que embora para tratar de assuntomais vasto respeitou as estatísticas ratadas pelo Raposo.

Sud-Express, ir de Portugal para a "Europa"

A RDP anuncia que o Sud-Express faz hoje 100 anos. No entanto, outras fontes afirmam que o comboio começou a operar em 1884, ou seja há 126 anos.

Entre os dezoito e os vinte e tal anos conheci bem o Sud-Express: várias viagens para Paris, duas para Bordéus, uma ou duas para San Sebastian, bastantes para Salamanca, muitíssimas para Vilar Formoso. Estávamos no final dos anos setenta e no início dos oitenta. Para jovens como eu era, o Sud-Express tinha uma aura de aventura e liberdade, significava abandonar um Portugalzinho cinzento e em fim de festa, atravessar uma Espanha que fervilhava e se iniciava nas lides democráticas,  entrar na Europa, à qual os países Ibéricos “não pertenciam”.

Viajei nos dois sentidos, umas vezes de cá para lá, outras de lá para cá, raramente fiz viagens de ida-e-volta. Para mim, nesse tempo, o “verdadeiro” Sud-Express era o que ia de Lisboa até Hendaia, não apenas porque nos levava para fora mas, particularmente, porque nele viajavam muitos emigrantes portugueses que, ou partiam pela primeira vez, ou regressavam depois de umas vacances e um séjour em Portugal. As bagagens incluíam obrigatoriamente bacalhaus e presuntos, garrafões de vinho, chouriços, sardinhas de escabeche, broas de milho, gaitas de beiços, baralhos de cartas, uma ou outra concertina minhota, um cavaquinho gasto e mal afinado. As carruagens dividiam-se em compartimentos, oito pessoas por cubículo, mais tralhas, malas e trouxas, cada um, de relance, tentava escolher a companhia que lhe agradasse para dois dias de viagem e ala, au revoir, que me vou embora. [Read more…]

A "Teoria do Bom Aluno" e a "Lei de Gresham"

Não é preciso fazer um grande esforço de memória para recordar a teoria defendida por Cavaco Silva, então Primeiro-ministro, de que Portugal deveria ser um bom aluno na Europa, aprendendo com quem sabe e seguir os ensinamentos que ela, civilizada, organizada, superior, tinha para nos dar. E deu-nos: milhões a rodos, com muitos a irem parar às contas da Ferrari.

Bem mais tarde, o seu artigo publicado no Expresso acerca da “Lei de Gresham” -”A má moeda expulsa a boa moeda de circulação” -, serviu de mote à metáfora política, para no fim concluir que é tempo dos bons políticos expulsarem os maus.

Num artigo em que Cavaco Silva fez aquilo que é tão só normal e corriqueiro no nosso país: pôr em cheque a honestidade ou a competência de todo um conjunto de pessoas, sem qualquer determinação de responsabilidade, mas sem deixar de criar suspeitos, à boa moda lusitana.

Ora, vale a pena lembrar os políticos que com Cavaco Silva ascenderam ao estrelato e que deram provas do tipo de moeda que são. Dois casos inequívocos são Durão Barroso e Santana Lopes, políticos de inegável ascensão na era cavaquista, sendo que um fugiu a um compromisso para com o povo português rumou a melhor pouso, e o outro limitou-se a ser aquilo que sempre foi e, provavelmente, será.

Isto para não falar em Dias Loureiro, José Oliveira e Costa ou Arlindo Cunha, que o caso BPN veio trazer à liça do apuramento do que é boa ou má moeda.

Hoje, com o país mergulhado numa séria crise económica, financeira e social, devendo cada vez mais dinheiro ao exterior, o Governo preocupa-se com o casamento gay e o Presidente da República com os mais de 500 mil desempregados que já temos.

Somos um país com valores humanos de referência no âmbito da engenharia, da arquitectura, da pintura, da literatura, da ciência, do atletismo, da medicina, das artes plásticas, etc.
Só mesmo na política, e no que esta se infiltra, é que temos maus alunos e má moeda
. E não há nada melhor do que serem os próprios políticos a lembrarem-nos disso.

A pobreza alastrou nos últimos 3 anos

Quatro em cada dez portugueses, acham que a pobreza cresceu "muito" nos últimos três anos.

 

Para responder a esta questão o governo deve apostar na criação de postos de trabalho, porque o desemprego é a principal razão para as pessoas caírem na miséria, opinião corroborada pela generalidade da população europeia.

 

Depois vêm as baixas pensões, os baixos salários e as baixas prestações sociais.

 

Estas opiniões são partilhadas pela maioria da população europeia, embora em Portugal o número dos que dizem que o salário não chega ao fim do mês, seja maior. Este é o país onde os patrões não querem e não podem aumentar os salários em vinte e cinco euros, como diz aí em baixo, o Ricardo.

 

Em Portugal temos 1.8 milhões de pobres e em toda a Europa temos 80 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Um fenómeno novo é haver cada vez mais pessoas que trabalham e que não conseguem sair da pobreza.

 

O Comissário Europeu para a pobreza diz que 2010 vai ser o ano em que será possível centrar as preocupações na pobreza.

 

Um por cento da população acha que o dinheiro chega facilmente para as necessidades, enquanto 40 mil idosos passam fome, indicando o preço dos alimentos como o principal factor.

 

Alguem ouviu falar nestes assuntos, nas recentes eleições? E o PS, que inicia novo mandato de governo, após onze anos no poder nos últimos catorze, não tem nada a dizer ?