
Barroso exige “disciplina” na zona euro e quer vigilância reforçada sobre Portugal
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:
Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa “quase” sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais “mundo” se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa “continental” vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.
Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.
Em vez de estarmos preocupados em não sermos como os gregos, deveríamos estar mais preocupados em ser europeus, ou seja, solidários, evoluídos, civilizados, enfim, democratas, aprender a dançar sem pisar os pés do parceiro.
Desenganem-se aqueles que acreditam que estas reduções de salários e corte de dois vencimentos mensais por ano são limitados no tempo. Não são. Os mentirosos de turno dizem-nos que são mas, obviamente, como é seu timbre mentem conscientemente. Dentro de dois anos o argumento será que a administração e as empresas públicas não suportarão o choque financeiro de pagar mais dois salários anuais. A intenção é desvalorizar permanentemente os custos do trabalho no Estado e Empresas Públicas e por indução no sector privado. Onde aliás os trabalhadores foram já condenados a trabalhar forçadamente e sem salário durante meia hora por dia a partir do próximo ano.
A estratégia é competir com a China. [Read more…]
Laranja é a cor com que decidiram pintar-nos hoje.
Vai chover, vai descer a temperatura, vai ventar. Tudo coisas que desconhecemos e que, como bons educadores, os senhores do Instituto de Metereologia fazem o favor de nos ensinar.
Para hoje, o IM prevê para o continente céu geralmente muito nublado, em especial por nuvens altas, nas regiões Norte e Centro, períodos de chuva ou aguaceiros nas regiões do Sul, vento fraco, sendo fraco a moderado do quadrante sul na região Sul, tornando-se gradualmente forte de sudoeste nas terras altas, com rajadas até 70 km/h a partir da tarde.
Pequena descida da temperatura máxima, em especial nas regiões do interior.
Para a Costa Ocidental prevêem-se ondas de oeste com três a quatro metros, sendo de 2,5 a 3 metros a sul do Cabo Raso.
As temperaturas máximas previstas são de 17º para o Porto, 20º para Lisboa e 22º para Faro.
Aqui no Porto, onde me encontro, o sol brilha, não venta e estão 20º de temperatura. São 11 da manhã. Como estamos pintados de laranja, segundo grau de alerta, penso que o melhor é não sair de casa, não vá o diabo tecê-las. Tenho receio!
Todos os anos, faça frio ou faça calor, as recomendações repetem-se, conforme dei conta aqui e também aqui, para além de o ter feito em outras diferentes alturas, pelo que tenho de concluir que somos um povo estranho, que não consegue aprender o que fazer nas mais diversas circunstâncias.
Será que lá para o Norte desta Europa que nos (des)une, estão todos com alertas vermelhos elevados a uma qualquer potência?
No Expresso deste Sábado aconselho a leitura do artigo da Clara Ferreira Alves e o seu diálogo com um amigo grego.
É assustador. Como assustador é verificar que a Europa está a caminhar para o abismo. A Grécia de joelhos, a Espanha moribunda, a Irlanda desaparecida, a Itália governada por um pateta, a França economicamente virtual e os nórdicos estranhamente a borrifar-se.
Um cenário macabro onde só falta morrermos da cura…
Mais uma vez andam a plantar na comunicação social a tanga de que em Portugal há mais feriados que no resto da Europa, desta vez por via do estudo de uma página de hotéis. Pois, pois, estudos há muitos. Republico aqui uma tabela com os feriados reais (não inclui Domingo de Páscoa, nem o Carnaval, que não é feriado, mais sim um pesadelo de Cavaco Silva) e onde se pode verificar que Portugal está na média europeia. Entretanto descobri que na Alemanha os feriados mudam consoante os estados, havendo exemplos fantásticos que pela lógica desta gente a colocariam na cauda da produtividade mundial.
Mas uma mentira eternamente repetida já deve ser verdade. Preparem-se para levar com o 25 de Abril a 24. O Natal é que não será quando um homem quiser.
(segunda e última parte desta divagação)
É quase um lugar comum afirmar que o cavalgante custo do dinheiro emprestado resulta de uma guerra das moedas. Nesta perspectiva, um conjunto indefinido de pessoas e corporações agiriam de uma forma consertada para fazer dinheiro à conta dos que precisassem de pedir emprestado. Sem duvidar que isso acontece, esta explicação confunde a consequência com a causa, já que este cenário só ocorre porque quem se endivida não tem outra solução que não seja essa.
Mais do que bramar contra os moinhos de vento, interessa perceber como é que aqui se chegou. É neste contexto que entra em jogo aquilo a que chamo de canal de distribuição e que constitui o grupo dos que fazem as pechinchas orientais cá chegarem para serem vendidas a preços ocidentais. [Read more…]
…são estes vampiros sedeados em terras do Tio Sam. E a europa quietinha, a deixá-los sugar, sugar, sugar… Com políticos destes não há política que resista.
Nas próximas eleições vota-se directamente no BES, no BCP ou na CGD.
Esta análise é certeira e explica de uma forma simples o que se está a passar na Europa. Apenas não é referido que a politica de resgates actuais vai forçar a implosão das economias europeias ficando estas, desta forma, à mercê dos detentores de capital para serem compradas a preço de saldo. Isso já está a acontecer na Grécia e basta ler o memorando da Troika para se perceber que vai acontecer o mesmo aqui em Portugal.
A luta continua, e fica comprovado: a Europa não gosta de nós. Quero uma jangada de pedra, a flutuar por aí. Até ao Brasil.
(aqui entre nós: desculpem lá, mas a classe operária feminina, a camponesa nem tanto, na década de 70 arejava as pernas. era uma concessãozita, minimal, e tinha ajudado. isso e um decote)
Actualização: Brainpool, vão prá Eurovisão que vos pariu e para o corno que a amansou.

Onde se entende muita coisa sobre mercados & especuladores & se revela o efeito dominó & como a Europa deixou que lhe fizessem a cama onde se vai deitar & uma vez deitada acordará & será tarde & os seus mandantes meterão as mãos na cabeça que não tiveram & chamarão as carpideiras & ficarão em longos prantos & rasgarão suas vestes caso ainda as tenham e ficarão nus aos olhos dos povos delapidados.
roubado no Vias de Facto
Como certamente se recordarão, a Finlândia foi até há dias o modelo socrático para tudo e mais alguma coisa.
Esqueceram-se estes copiadores de soluções dos outros que em Portugal vivem os portugueses e que na Finlândia vivem os finlandeses. Como agora ficou bem claro, quando quase metade dos finlandeses se está nas tintas por ter sido o modelo de Sócrates.

Conferência apresentada ao Quarto Congresso de Antropologia de Espanha. Alicante. Abril. 1987.
Antes do problema do problema científico, temos o problema político e a crise económica. Não é novidade. Faz parte da gestão que um povo faz dos seus bens e das pessoas indigitadas para os representar. É uma grave perigo estes desencontros entre políticos que podem sumis aos membros da família dentro de um patamar sem fundo. Como vamos defender os Grupos Domésticos? Quem será o grupo vencedor? Um Governo de Gestão? Para saber quem nos salva, é preciso saber como se gere um Grupo de Família ou Grupo Doméstico. Vamos a isso para saber quem será o grupo salvador da nossa Pátria ou os grupos que lutam pelo povo e não pelos seus partidos e poder. Os eleitores são heterogéneos, os grupos políticos também. Vamos analisar o assunto à luz da Etnografia e na base de uma conferência que proferi anos atrás, mas que ainda é valida. A conferência passou a livro, mas entrego a parte mais simples essa que li perante um auditório de centenas de pessoas. Passou a ser um pequeno livro en Castelhano, que vendeu cinco mil exemplares, para a Associação de Antropologia de Espanha.
Pense na heterogeneidade, que, apesar de não serem etnias, são classes sociais elitistas e proletárias. Faça uma transferência e pense que os senhores candidatos são da elite e os votantes, do povo.
Parede, 4-4-11
A surpresa da Europa e seus governos perante os acontecimentos no Norte de África radica no preconceito, no desconhecimento e na ignorância.
Agora tenta-se surfar a onda, como se vê no caso Líbio, numa clara tentativa de sacudir o petróleo do capote.
Tropeçamos na ignorância e no preconceito a cada passo, nos postes dos blogues, nos comentários dos jornais, nas declarações dos programas interativos de rádio e televisão. O mouro, o muçulmano, o norte africano, é para parte da população europeia ainda inimigo histórico, ou novo inimigo, emigrante não integrado, terrorista potencial, manhoso, preguiçoso, atrasado, sub-desenvolvido, sub-espécie, raça inferior, etc.
O mesmo -ou algo semelhante- se passa com políticos e governantes. Exceptuando raríssimos casos (como será o do eurodeputado Miguel Portas) desses países pouco mais conhecem do que hotéis, salões governamentais, excursões de propaganda, escritórios de petrolíferas, investimentos aí feitos pelos seus próprios países, a dança do ventre para turistas e a temperatura da água do mar. [Read more…]

(adão cruz)
E eu a julgar que o problema da Líbia era a decorrência natural do contágio das revoluções da Tunísia e do Egipto. Todos nos consideramos muito espertos até ao momento em que topamos com a nossa ingenuidade. Há momentos em que me sinto burro e vem-me logo à cabeça aquela frase de um velho médico meu amigo com quem trabalhei no início da minha carreira: “mais vale ser mil vezes tolo do que uma só vez burro”. Benza-te deus rapaz, como te deixas comer, diria minha mãe noutros tempos. [Read more…]
Negócio da China!
O comissário europeu para a Indústria e vice-presidente da CE, Antonio Tajani, acaba de alertar para o perigo das aquisições de empresas europeias pela China. Considera tratar-se de ofensiva de estratégia política dos chineses, contra os interesses europeus.
A que interesses se referirá o político, oriundo da Força Itália, de Berlusconi? Obviamente aos do poder do capital financeiro europeu. Nem dele, nem de outro comissário, nem do Presidente da CE e ex-MRPP, Barroso, ouvíramos antes observação semelhante; breve que fosse, se atingidos interesses e direitos sociais legítimos de milhões de europeus. Perante os efeitos da deslocalização para a China de inúmeras actividades industriais de multinacionais europeias, a CE mostrou-se capciosamente indiferente. É o mercado a funcionar, diziam.
Com a Índia como companheira, a China, controlada pela oligarquia do PC chinês, é a pátria preferida pelas multinacionais. Motivo? Os benefícios do “dumping” social de mais amplas proporções e desigualdades do universo. Um única empresa, Foxcoon, ilustra com clareza o que é o trabalho de semi-escravidão naquele país: 12 horas diárias de trabalho, 6 dias por semana e salários mensais entre 90 e 120 euros. Contra estas ignominiosas condições de trabalho, fortemente responsáveis pela crise económica, social e de emprego a que os países da UE estão submetidos, o silêncio da CE tem sido a regra, de facto. Agora, porém, outro galo canta. Está em causa a ‘Volvo’ e, acima de tudo, um conjunto de interesses da Alemanha e França na indústria automóvel. [Read more…]
COMO SE FORA UM CONTO
The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.
As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-year phase-in plan that would become known as “Euro-English”. [Read more…]
O estilo da jornalista é conhecido. As presenças, na SIC Notícias, foram actos de revelação da postura presunçosa. De quem tudo sabe e pouco acerta, acentue-se. Ontem no ‘Expresso’, hoje no ‘Público’, mantém o sofisma da sabedoria sem limites, sejam temáticos ou geográficos.
No artigo intitulado ‘No país das boas notícias’, começa por decretar que o actual modelo de expansão brasileiro, baseado no consumo interno, é insustentável a longo prazo. Teresa de Sousa, ao estilo de Pandora, antecipa a abertura da caixa que derramará os males sobre o Brasil inteiro.
O comportamento é próprio da altivez ‘proto-intelectual’ de certos fazedores de opinião portugueses, em relação aos povos de África, América Latina e Ásia. Pode não ser uma patologia endógena, de âmbito nacional; mas, nos tempos que vivemos, a soberba de alguns analistas de um país arruinado é moeda corrente e anómala dos nossos ‘media’.
No fundo, na posição assumida por Teresa de Sousa e outros comentadores da nossa praça, relativamente ao Brasil de Lula, percebe-se um sentimento de enorme frustração. Custa-lhes, e de que maneira, que a esquerda, através de um ex-metalúrgico, tenha conquistado o poder e dotado a Nação Brasileira de um processo de desenvolvimento económico e social com os resultados que o mundo inteiro reconhece – o percurso não foi um caminho imaculado, longe disso, e no caso de Dilma Rousseff ser eleita é obrigatório aperfeiçoar a obra de Lula em vários domínios e actuar drasticamente sobre o fenómeno da corrupção. Lá, como cá.
De um país pequeno e pobre, enfunada pela indiferença com que desdenha os seus compatriotas com vidas dificultadas, impõe-se a Teresa de Sousa que termine a viagem ao “Fim da História”. Ao menos, tenha a lucidez de entender que entre o Portugal de uma Europa exaurida e um Brasil, com uma economia de abundantes recursos naturais, a diferença é abismal e favorável aos brasileiros. O que lhes falta, e não é pouco, é a continuação do combate à estrutural desigualdade social e de distribuição de rendimentos. Têm os recursos necessários para o alcance desse objectivo. Haja vontade e capacidade para cumprir. Nós, até ver, continuaremos pendurados na Europa e nos caprichos de Merkel, Sarkozy e de outros que tais. Mesmo que Teresa de Sousa e mais uns quantos se entretenham com as prédicas da desgraça brasileira.
Desde ontem a imprensa vem repetindo a notícia do encontro do Governo e do PSD, amanhã à tarde, com vista à negociação do acordo para viabilizar, no parlamento, o OGE para 2011. A delegação governamental é chefiada pelo Ministro do Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos; a comitiva do PSD é dirigida por Eduardo Catroga, um auto-classificado de independente, que exerceu cargo idêntico ao do seu interlocutor principal nos tempos de Cavaco Silva, de quem é considerado politicamente muito próximo.
Qual será, afinal, o desfecho mais ou menos imediato do referido encontro? Em nosso entender, a aprovação, pura e simples, do OGE. E o acordo terá probabilidade de ser atingido já amanhã. Poderá acontecer que as procurações que habilitam os dois principais negociadores exijam, no derradeiro momento, o veredicto supremo dos líderes; mas, a ser assim, não é obstáculo de maior e facilmente será ultrapassado, em breves conversas por telemóvel.
Com cedências mútuas em matéria de receitas e despesas, creio que PS e PSD superarão tentações de tácticas dos interesses político-partidárias. Estão compelidos a obedecer às pressões internacionais, sobretudo da UE e do BCE, que podemos resumir em notícias do Financial Times reproduzidas pelo “i”, as quais focam ainda a probabilidade de Portugal, este ano, atingir um défice superior aos 7,3% do PIB previstos pelo governo.
Tudo isto traduz que Portugal, como outros países, há muito perderam o poder de decisão soberana em matéria de ‘contas públicas’ e de outras áreas. Nas políticas macroeconómicas em voga, é ponto assente que na Europa de hoje, e em particular nas economias mais frágeis da ‘zona euro’, há inteira submissão aos propósitos de Berlim e Paris, aos quais o próprio Trichet levanta reservas e que são denunciados, de forma objectiva e eloquente, por Ana Paula Fitas. [Read more…]
Mantendo intacta a amizade, não partilho o tom e a radicalidade do último poste do Carlos Fonseca, como não partilho o tom de alguns comentários, um pouco como se fosse delírio ou mentira absoluta o que o poste diz. A Europa está cada vez mais xenófoba.(Como sempre?)
Num mundo desiquilibrado os extremos procuram-se. Geograficamente, os pobres dirigem-se para os ricos e os ricos abastecem-se de matérias primas nos pobres. Mas, num mundo desiquilibrado, os ricos não se abastecem de forma justa e ditam a lei quem tem contra quem não tem para imporem os seus negócios, como sempre foi. E abastecem-se ao preço que determinam daquilo mais precisam. É natural, dirão uns, é imoral, dizem outros.
Acontece (as razões aduzidas e ditas justificativas têm sempre perspectivas diferentes e em oposição) que o mapa da riqueza e da pobreza se encontra muito claramente delineado, apesar de zonas intermédias, e em alguns países ganha-se num ano o que noutros se ganha numa vida.
Ninguém é culpado de ter nascido onde nasceu. Ninguém é obrigado à fatalidade da pobreza extrema. Se, no meu meio, eu não puder proporcionar sobrevivência (já para não falar de vida digna) aos meus, tenho o dever de mudar o meio, de mudar de meio, de fazer o possível. E o possível, muitas vezes, é emigrar, tentar onde o meio pareça mais propício, onde existam mais oportunidades, mesmo sem certezas, nem papéis, nem sucesso.
Já os países ricos, por outro lado, têm o direito de se proteger, é compreensível e pode parecer natural, não fossem os desiquilíbrios por eles introduzidos serem perpetuadores deste status-quo.
A Europa talvez não possa acolher todos os milhões que atrai mas, quando precisa, atrai milhões. Tem o dever de os integrar e respeitar, assim como aos seus hábitos e culturas. O contrário, naturalmente, é igualmente verdade.
Acontece, porém, que neste caso a Europa não existe. A Europa não existe, a Alemanha não existe, a França não existe, Portugal não existe. Existem, isso sim, [Read more…]

Imaginemos esta mesma cena numa rua de Teerão, do Cairo, Rabat ou Jacarta. Umas centenas, ou milhares de fulanos rosados, brandindo cartazes com os dizeres “Roma é a solução”, ou “O luteranismo é a verdadeira solução, liberdade religiosa vai para o inferno!”, ou ainda “Lei cristã para os cristãos”, ou “Lei cristã para o Egipto”, “Cristianismo dominará o mundo”, etc.
Imaginem o escutar do toque de sinos em qualquer cidade saudita, imaginem uma procissão cristã numa rua de Teerão, um concerto público com o Aleluia de Haendel, em Argel. Imaginem um “Al-Aventar” em qualquer uma destas cidades, publicando textos apelando à laicidade, atacando o grande mufti de Jerusalém, o supremo aiatolá ou qualquer imã local, pugnando pelo same-sex marriage, pela completa igualdade legal entre homens e mulheres. Imaginem.
Pois limitem-se a imaginar. É melhor ficarmos por aqui. As fotos mais abaixo aparecem escondidas, dada a indecência evidente. Só as verá quem assim o entender. No entanto, imaginem-nas tiradas em Lisboa. Estão preparados?
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Do legado do historiador e académico Tony Judt, falecido em Agosto passado, julgo oportuno, nesta hora, destacar a obra “O Século XX Esquecido”. A determinado passo da introdução, ‘O Mundo Que Perdemos”, Judt escreve:
…foi o governo do tempo de guerra de Winston Churchill que encomendou e aprovou o Relatório de William Beveridge (ele próprio um liberal), que estabeleceu os princípios de fornecimento da providência pública: princípios – e práticas – reafirmados e garantidos por todos os governos conservadores até 1979.
No parágrafo imediato, prossegue:
O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso transpartidário do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros pré-requisitos de uma ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX.
A dissipação do papel social do Estado, histórica e substantivamente definido por Tony Judt, é consabido, tem sido protagonizada pelos governos da Europa Ocidental, nas últimas duas décadas do século XX e primeira do século XXI – protagonismo a que se associa um processo desgovernado de globalização.
O Mundo transformou-se, com a queda natural da União Soviética. Na Europa de hoje, o equilíbrio adequado entre a iniciativa privada e o interesse público define-se ainda sobre uma linha muito ténue e amovível segundo os interesses de poderosos. A ‘economia (desregulada) do mercado’ e o avassalador domínio do ‘sistema financeiro internacional’ geraram a dinâmica da calamidade social denunciada há dias em Oslo pelo director-geral do FMI, Strauss-Khan. [Read more…]
Os países emergentes prosseguem no trajecto do sucesso. A semana iniciou-se com a notícia da China ter destronado o Japão do 2.º lugar na economia mundial, em termos do valor do PIB. Hoje, o feito coube ao Brasil, com um PIB de 1,8 biliões de dólares entre o final do 1.º trimestre de 2009 e idêntico período de 2010. Com este resultado, desalojou da 8.ª posição a economia espanhola, que se quedou pelos 1,5 biliões de dólares, segundo a publicação Expansion; informação secundada, em Portugal, pelo Jornal de Negócios.
Ressalve-se, entretanto, que, tanto no caso da China como no do Brasil, a evolução necessita de ser confirmada no fecho de 2010, embora a maioria dos analistas assegurem que a situação não se alterará; pelo contrário, poderá mesmo reforçar-se.
China e Brasil: as diferenças
Conquanto desfrutem ambos da classificação de ‘países ou economias emergentes’, existem diferenças consideráveis nos modelos de desenvolvimento das duas nações. A China, governada por uma elite comunista-capitalista, e pátria de conveniência das multinacionais, é um país, com 1.347.000.000 de habitantes. Muitos deles submetidos a regimes de trabalho desumanos, como realçámos em Foxcoon: a morte de mais um trabalhador.
No Brasil, presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, ex-operário metalúrgico e lançado para o mundo do trabalho aos 13 anos, o crescimento económico tem características distintas. Ainda há muita pobreza e caminho por desbravar. Lula está consciente disso. Porém, no final do 2.º e último mandato, o presidente brasileiro deixa ao povo brasileiro um legado social e económico, diferente daquele que herdou e do prevalecente na China. O Brasil só tem 193.000.000 de habitantes e admito que seja mais fácil a acção governativa.
Vencidas algumas turbulências do 1.º mandato, o presidente Lula e seus governantes souberam extrair e distribuir o rendimento dos benefícios dos inúmeros recursos naturais do Brasil, seguir políticas monetárias favoráveis à competitividade externa – 13% das exportações brasileiras destinam-se à China – e ao desenvolvimento do mercado interno e da classe média, através de incentivos ao emprego e ao consumo privado. Com estas políticas, em que a intervenção do Estado na economia é efectiva e benéfica, o Brasil espera atingir crescimentos do PIB da ordem dos 7% em 2010 e 11% em 2011.
Apesar deste meu poste, cujo conteúdo mantenho inteiramente, não quero passar por aquilo que não sou: um paladino quixotesco da actividade taurina. No entanto, esta reflexão da Carla Romualdo e a ligação que ela faz entre o meu texto e a recente proibição das touradas na Catalunha, trazem-me de novo à vaca fria ( já que regressar ao touro quente poderia ferir susceptibilidades).
A recente proibição das touradas na Catalunha, disfarçada, como e bem diz a Carla, de “preocupação com os direitos do animal”, mas que “não deve ser mais do que as ganas de pôr fora do território catalão o último grande símbolo do Estado espanhol” faz-me notar uma terrível, e para mim insanável, contradição: alguns dos argumentos que aplicam ao fim das touradas deveriam ser dirigidos à vontade independentista.
Entre outras razões, afirmam os proibicionistas ser anacrónico, nos tempos que correm, a manutenção das faenas. Ora, é precisamente isso que eu acho da independência da Catalunha – totalmente anacrónica nos tempos que correm. Não ponho, sequer, em causa que existem razões históricas para que esse sonho se manifeste e tivesse toda a razão de ser até há três ou quatro décadas. Concordo com a vontade autonómica, a revitalização da língua, a valorização de usos e costumes (de que, curiosamente, a tourada faz parte). Mas a independência da Catalunha, no actual quadro europeu e no futuro desenho federalista da europa, faz tanto sentido como a independência das Berlengas ainda que se lhes acrescentasse a Madeira, Porto Santo e as Selvagens. Ou seja, não faz sentido nenhum.
Tendo a Catalunha autonomia crescente e estando os estados europeus em fase de progressiva diluição de poderes, a criação de um estado independente na Catalunha não passaria de um ridículo espectáculo em que o touro catalão seria morto em plena arena ao fim uma vida brevíssima, que não justificaria, nem de longe, nem de perto, o bilhete que os aficionados pagariam pelo ingresso (não se cria um país para durar vinte ou trinta anos). [Read more…]

o meu antigo professor, orientador e mestre, fizera-me introduzir estudos do Gtupo Doméstico em Portugal
Ser-me-ia impossível continuar a teoria que uso para o meu novo livro, não referir ao meu antigo patrão, amigo, colega e orientador Jack Goody. Sus textos têm iluminado o meu caminho, como os dos meus dicípulos. No dia que mudei de Cambridge para o ISCTE, o Jack estava furioso, típico do seu temperamento…E, no entanto, fiquei. Não é fácil mudar Cambridge pelo ISCTE, hoje IUL. As facilidades para o trabalho que lá existem, como a Biblioteca, os Gabinetes, os debates, os Seminários, aos que ainda tenho acesso por ser membro do Senado dessa Universidade, apenas por ser Doutor de Cambridge com Agregação e especializado em Etnopsicologia da Infância, a primeira visão do mundo científico do Jack, que era graduado em Literatura e Letras por Oxford, mas que, após 4 anos de prisão em Auschwitchz, e de intermináveis leituras sobre as formas de vida em outros sítios, como no seu campo de prisão, mudou para Antropologia Social, temática do seu doutoramento em Cambridge, sob a orientação de Meyer Fortes. Os dois não apenas partilhavam as mesmas ideias, bem como trabalhavam e escreviam juntos, como eu com Jack.
Vou usar material inédito pata referir este excerto. [Read more…]
(Leiam a notícia em baixo e reflictam. Reflictam sobretudo em algumas das enganosas mensagens que ela contém:
“Europa decadente de valores” Que autoridade tem Carlos Azevedo e Bento XVI para falarem em decadência de valores? Que olhem bem para dentro da Igreja e do Vaticano antes de falarem em decadência de valores nos outros.
Falar de “crise espiritual” da economia e da política, pela boca de uma instituição acusada de pedofilia no mundo inteiro e de crimes economico-financeiros de alto calibre, é, no mínimo, desconcertante!
Mensagem de “missão” para “despertar os cristãos adormecidos”. Adormecidos pela anestesia de Fátima, ou acordados pela realidade de uma mentira monumental?.
“Se tivesse havido consciência ética não teríamos chegado ao descalabro económico”. Carlos Azevedo ou é ingénuo ou pretende atirar um punhado de areia aos olhos das pessoas. Onde está a ética do Vaticano? No encobrimento da pedofilia? Na ligação à mafia, à loja maçónica, ao holocausto da Croácia, à ajuda na fuga dos criminosos nazis? Na sinistra actividade de Paul Marcinkus, pedra basilar do Vaticano? No mais que suspeito assassínio de João Paulo I? No banho de sangue dentro da Guarda Suiça, escandalosamente abafado? Além disso, não sabe Carlos Azevedo, porventura, que o Vaticano foi sempre, e é uma das personagens principais do palco económico-financeiro onde decorre a dramática peça do capitalismo selvagem?
“O contexto de crise traz exigências de simplicidade de vida e austeridade”. É preciso o Sr. Carlos Azevedo ter um camião Tir de descaramento para dizer uma coisa destas, quando toda a gente conhece o luxo da igreja e a sua total falta de simplicidade. É preciso muito pouco senso para dizer isto aquando de uma VISITA PAPAL IMPERIAL repleta de luxo, vaidade, ostentação e desprezo pelos famintos e desempregados de Portugal e do mundo).
“Temos de encontrar uma nova forma de viver”. Talvez aquela que Leonardo Boff mostrou ao mundo na sua Teologia da Libertação, que Ratzinger arrumou de vez, não fosse o diabo tecê-las, e que, ao fim e ao cabo, foi a que Cristo ensinou. Essa mesma forma de viver, simples e austera que a igreja católica atraiçoou e desde há séculos renegou, virando-a completamente do avesso).
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OU COINCIDÊNCIA?
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Ontem ao fim da tarde, o SLB ganhou um campeonato de futebol.
Ontem ao fim da tarde, os seis milhões (?) de adeptos e simpatizantes do SLB, saíram para as ruas, do mundo civilizado, e não só, gritando a plenos pulmões a sua categoria, e a sua alegria.
Depois, cansados, foram descansar com um sorriso nos lábios.
Nesse entretanto, o sr. Fernando, o melhor Ministro das Finanças da Europa, [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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