Putin & Cotrim

23 de Fevereiro de 2014: Rússia invade e anexa a Crimeia.

28 de Fevereiro de 2014: Turismo de Portugal, liderado por João Cotrim de Figueiredo, anuncia operação ambiciosa de reforço da promoção de Portugal no mercado russo.

E vocês, também têm saudades dos tempos em que Putin podia invadir e anexar território de estados soberanos sem que isso tivesse impacto nas proveitosas relações comerciais entre o Ocidente e as ditaduras do bem?

Eu não. Mas há muito quem tenha. A Federação Russa, em particular a sua máfia oligarquica, era muito rentável para a aristocracia europeia e americana.

Mente!

Data:

28.02.2014

«O Turismo de Portugal está a implementar um plano de crescimento do fluxo de turistas do mercado russo, estando neste momento a trabalhar em articulação com o operador turístico líder na Rússia, o Natalie Tours. (…) Até 4 de março, as 250 principais agências de viagens da Natalie Tours estão no Algarve a participar no 1.º congresso geral organizado no nosso País, onde vão conhecer as potencialidades turísticas da região, mas também de Lisboa. (…) Para o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, este evento, ”para além de constituir em si mesmo uma ação relevante e de interesse para o Turismo, dada a sua dimensão e força de venda dos participantes, irá originar um forte impacto positivo nos fluxos turísticos da Rússia para Portugal.” Recentemente, o Governo reforçou e alocou mais meios aos serviços de emissão de vistos de turismo e dos vistos gold, que dão termo de residência em Portugal, de forma a atrair mais turistas, sobretudo de mercados como a Rússia. Este reforço consiste numa partilha de meios técnicos e humanos do Turismo de Portugal, sendo os encargos financeiros suportados pelo Instituto. (…) A Rússia é um mercado emergente estratégico para o turismo nacional, dado o seu elevado poder de compra (…)»

Não fui eu que o disse, foi o próprio Turismo de Portugal há oito anos. A realidade, ao que parece, não se apaga.

Nisto das associações aos vistos gold, afinal, quem mente?

Fotografia: Bruno Simão/Negócios

Turismo: ainda não é desta…

O Turismo em Portugal representa 14,6% do PIB (dados de 2018) e 9% do emprego (dados de 2018) e 13,3% do total das nossas exportações (dados de 2018), sublinhei a 20 de Março de 2020 aqui no Aventar. Já nessa altura, referi os mais de 26 mil milhões de euros para a economia portuguesa em 2017 e sabendo nós que 2019 foi o melhor número de sempre (e bem superior aos 26 mil milhões) e que, segundo o governo, eram mais de 400 mil os trabalhadores afectos directamente a esta área, aos quais temos de somar os da restauração e similares muito dependentes do turismo para não falar de outras áreas de negócio conexas.

A pandemia veio alterar esta realidade. Uma alteração que os especialistas consideram temporária. Contudo, a invasão da Ucrânia e o clima de incerteza que hoje vivemos leva a crer que essa “temporalidade” é capaz de ser um pouco mais lata que o previsto. Mesmo assim, desde Janeiro que se nota um incremento do turismo nas nossas cidades e em especial em Lisboa, Porto, Madeira, Açores ou Algarve.  Ou seja, o Turismo foi e ainda é uma espécie de petróleo para a nossa economia. Obviamente, todos sabemos que é um sector que necessita de avançar com algumas reformas que o tornem mais sustentável a médio/longo prazo. Que é fundamental repensar que futuro queremos para as nossas cidades evitando que o turismo se torne um problema em vez de ser uma oportunidade. É preciso pensar que turismo queremos e esta é a altura certa. O pós pandemia é uma oportunidade única para se fazer as reformas necessárias no Turismo. Para se definir o quereremos e como o queremos, para criar as regras necessárias e fundamentais para compatibilizar o turismo com a vida quotidiana das nossas cidades. Para um turismo mais sustentável.

Ora, o actual governo, com uma maioria absoluta está em condições para fazer que ainda não foi feito, com tempo, com rasgo e com génio. Por isso, se fiquei admirado por ver que não avançou para a criação de um ministério para o turismo ainda mais fiquei quando, hoje, vejo que nem a secretaria de estado do Turismo foi mantida. Podem sempre dizer que não é preciso, o que importa é que seja feito o trabalho e que até existe o Turismo de Portugal. Porém, a política também é feita de sinais. E o sinal que foi dado é o de pouca importância com o sector. Pode ser que eu esteja enganado. Pode ser. A ver vamos, como diz o outro…

Coxos

Fotografia: Dinheiro Vivo

Em 2013, se bem me lembro, já era reconhecido e unânime que Vladimir Putin era um déspota, um nacionalista, um autocrata que ameaçava o Estado de Direito e que não se revia em Democracias.

Pois era.

Em 2013: “Portugal vai receber 30 mil turistas russos”. Ai vai? E quem são estes “turistas russos”? Adolfo Mesquita Nunes, hoje em dia um heróico defensor do liberalismo clássico (está bem, está bem), na altura Secretário de Estado do Turismo, explica: «(…) o responsável disse que foram precisas reuniões com a homóloga russa, com o objectivo de obter “um acordo aéreo entre Portugal e Rússia que facilite os voos entre os dois países”». Mas esperem. O “responsável” não ficou por aqui e disse ainda que: «“Do ponto de vista institucional, tivemos a presença de vários investidores interessados nos vistos ‘gold’ para efeitos de turismo residencial (…)».

Em 2013, o presidente do conselho directivo da Turismo de Portugal era… João Cotrim Figueiredo, hoje presidente da Iniciativa Liberal.

Portanto, em suma, Adolfo Mesquita Nunes, hoje um “feroz” “opositor” de Putin e do seu regime, como se pode ver nas peças teatrais que encena na CNN, em 2013, em representação do governo português, foi até à Rússia onde, com o apoio da Turismo de Portugal, negociou vistos gold com oligarcas russos.

Cada vez me confundem mais, estes heróis, novos adeptos do politicamente correcto sem correcção que os salve. Se não fosse um dissidente do partido do mocassim, aconselhava-o a enfiar-se num submarino.

Hoje é vê-los indignados com estes déspotas, quando há menos de uma década lhes apertavam as mãos, de Putin a Maduro, de Xi a Castro, do PS para a Direita. Cambada de coxos.

Ide…

Prémios de Turismo: Paga Zé….

Primeiro foi o Elidérico Viegas que denunciou o esquema e entretanto foi corrido (disso já se falou no Aventar)

Já se sabe que a brincadeira com o nosso dinheiro custou mais de 80 mil euros em Braga. E como foi no Porto (e em Lisboa sem esquecer a Madeira e o Algarve)? Só para a malta saber e perceber. Sobretudo, perceber como se criam mitos de génios da gestão, como se justificam salários milionários de certos gestores públicos e como os responsáveis do Turismo de Portugal nos vendem a banha da cobra.

Turismo de Portugal?????

Luis-Araujo Turismo Portugal.jpg

Estou admirado? Não. Espantado? Não. Surpreendido? Também não. Mas, pelos vistos, muitos estão. O que me espanta é ver alguns admirados.

Ora vamos lá contar uma história. Aliás, os blogues também servem para contar histórias. Era uma vez um país chamado Portugal. Os seus governantes decidiram criar uma coisa chamada “Turismo de Portugal” para fazer aquilo que competia a uma Secretaria de Estado do Turismo. Os governantes desse mesmo país, não satisfeitos, decidiram criar uma espécie de “delegações” desse tal de Turismo de Portugal (TP): o Turismo do Porto e Norte de Portugal, o Turismo do Centro, o Turismo de Lisboa e Vale do Tejo (este não se entende muito bem pois já tinha o Turismo de Portugal por sua conta), o Turismo do Alentejo e o Turismo do Algarve. Sem esquecer o da Madeira e o dos Açores tutelados pelos respectivos governos regionais. Só não criaram o Turismo das Selvagens (olha o Aventar a dar ideias).

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Há mais Marias na Terra…

“Se a informação partiu do Turismo de Portugal, é lamentável que surja com a indicação de uma só associação de consumidores, como se fosse a única, a do regime, a União Nacional que ao poder convém, na composição da tal comissão arbitral.
A ACOP existe, contra o desejo de alguns, para desespero de outros.
Lamenta-se, por um lado, que o snr. presidente do Turismo na rádio fale na Deco, como se fora a única associação de consumidores, ele que já esteve ligado como director-executivo à tal empresa multinacional, quando deveria mostrar imparcialidade, independência, equidistância, nos termos, aliás, do que exige a sua carta funcional.
É feio que se seja parcial. Mais feio ainda quando esta gente exerce funções de responsabilidade no seio da administração pública. Com o favorecimento das empresas do regime, como no caso.
A ACOP existe, é associação de âmbito nacional e exerce, com os meios de que dispõe, as suas actividades de forma modelar. Outros pudessem dizer o mesmo.
Sabe-se que isso não agrada à situação, mas [Read more…]

Faltam 424 dias para o Fim do Mundo:

Hoje na revista Fugas (Público) Pedro Garcias escreve um comentário que merece o devido destaque (é pena não o encontrar no site do Público):” Montréal en Lumiére e a cegueira de quem decide apoios em Portugal”. Resumidamente: a 11º edição do Festival Montréal en Lumiére – um dos mais importantes eventos internacionais de gastronomia e cultura – teve Portugal como país convidado. Um evento com mais de 750 mil visitantes e uma montra mediática fantástica. O Turismo de Portugal não apoiou e não fosse o empresário Carlos Ferreira, dono de um dos mais conceituados restaurantes de Montréal, e os nossos empresários dos Vinhos, a coisa teria sido uma vergonha monumental. Incompetência pura, uma vez mais, do Turismo de Portugal!

Entretanto, Pacheco Pereira lembrou a necessidade de se saber quem financia as campanhas dos candidatos e Manuel Godinho jura que nunca pagou a ninguém para obter favores. Pode não parecer à primeira vista mas as duas notícias relacionam-se. Pelo caminho, é leitura obrigatória esta posta de José Manuel Fernandes no Blasfémias, sobre o PGR.

Finalmente, o fim do mundo não seria o mesmo sem este vídeo de estudantes nus a apresentar notícias terminando a coisa a pedalar rumo a casa e daí a importância de pedir à mãe para o namorado dormir em casa. Eu que tenho uma filha já preparo o pedido de licença e porte de arma…

Prioridades…

Se o Turismo de Portugal não pode apoiar Álvaro Parente, então não se tinha comprometido.

Se se tinha comprometido, então teria de ir até ao fim com a palavra dada. Já sei que me vão dizer que Portugal está em crise e o Turismo de Portugal não pode entrar em loucuras. Pois não, mas nos aviões em Lisboa, já pode. A Fórmula 1 são 8 a 9 meses de exposição mediática. Os Aviões são 8 a 9 dias. É uma questão de prioridades e de boa gestão.

Se calhar, eu sei lá, preferem apoiar o Eros em Gondomar, os aviões em Lisboa e as viagens do….cala-te boca!