Chamam-lhes migrantes

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Na noite passada. Náufragos na costa da Líbia
Daqui

Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém “mostra quem manda”. Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. [Read more…]

Confissões de uma cobaia

A descoberta confirmou-se no dia em que cumpri 15 anos. Os exames médicos, cada vez mais minuciosos, arrastavam-se há meses e, embora nenhuma explicação me fosse dada, não era difícil de prever que em breve chegariam à conclusão que perseguiam.

Nas semanas anteriores, a presença das silenciosas criaturas de bata branca tinha-se tornado habitual. Circulavam pela casa sem qualquer espécie de controlo, a ponto de se ter tornado perfeitamente banal que eu despertasse a meio da noite com uma dessas criaturas à cabeceira da minha cama, a aplicar-me eléctrodos na testa de forma a estudar-me os padrões de sono.

E assim, no dia em que cumpri 15 anos, os meus pais sentaram-se comigo na sala de jantar para anunciar-me que eu estava nas mãos de uma equipa de especialistas no estudo da resposta sensitiva à estimulação neuronal, e que havia sido escolhido, de entre um grupo alargado de adolescentes, como objecto central de estudo. Contaram-me com evidente orgulho que me aguardava uma existência notável. Seria uma celebridade e as gerações vindouras teriam a agradecer-me o contributo inestimável para os avanços científicos que transformariam a humanidade. [Read more…]