
Assunção Cristas tinha dúvidas entre ele e Haddad. Preferia não votar. Paulo Portas não via nele nada de reprovável. Maria Luís Albuquerque foi apresentar um livro dedicado ao fascista brasileiro, com Passos Coelho na audiência. O livro era de Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente da sociedade partidária unipessoal de André Ventura, que há dias classificou os jornalistas portugueses de “tumor maligno da democracia”. É isto que a direita dita moderada tem andado a fazer de há uns anos a esta parte: branquear fascistas, apoiar a sua ascensão (como se viu também nos Açores) e defender-se com falsas equivalências, como se a agenda de ódio da extrema-direita fosse comparável às lutas da comunidade LGBT, à fantasia do marxismo cultural ou à não-ameaça da ideologia de género. E esta gente não está só no CH. Alguns estão no PSD, um ou outro no IL e no CDS têm até uma corrente de neosalazaristas que praticamente não se distingue da nova extrema-direita parida por Bannon.
Mas vá, se calhar sou eu que estou a ser mauzinho. E daí se um presidente da República de uma democracia (ou do que resta dela), que é também um fundamentalista cristão, logo negacionista absoluto de todo o conhecimento científico, assina um decreto presidencial para atribuir a si próprio uma medalha de mérito científico, após dois anos a negar a covid-19 e a ver os seus concidadãos morrer, enquanto combatia activamente todas as medidas de controlo da pandemia? Se achas que não tem mal nenhum, vota Chega e, da próxima vez que tiveres um problema de saúde grave, não vás ao hospital. Reza muito e pode ser que vás mais cedo ter com o teu criador, com uma medalha de mérito de cepo na lapela.
À volta da possibilidade dos provincianos virem a ter acesso à cultura, a opinião publicada dos últimos dias tem vindo a mostrar a profunda ignorância de boa parte da nossa elite. Temos, também por isso, muito orgulho no Aventar e na forma como este espaço se tornou uma montra das realidades, tão diversas, do nosso país.






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