Afinal havia outro (precedente grave)

Uma providência cautelar de um jornalista do Correio da Manhã contra O Independente (2004).
Daqui.

Adeus, Miró

Sim, adeus.

Não nos esqueçamos: “by decision of the Portuguese Republic“.

miró

Joan Miró (1893-1983)
Apparitions (Visions)
30/8/1935 (http://bit.ly/1nMBLB9)

Requerer e não Interpor uma Providência Cautelar

As festas caseiras, cenário de convivência mais ou menos regada, desempenham um papel familiar e social – rotineiro umas vezes, outras mais interessante; em alguns casos de muita utilidade. Do humor à política, o menu festivo pode incluir um naco de tudo, até matéria semântica.

Acho, pois, curioso verificar que até podemos beneficiar de uma boa lição. Sobretudo se, na festa, há gente letrada, com advogados à cabeça. Estão sempre disponíveis para corrigir o uso incorrecto de termos e definições que, para os mais comuns, são os ingredientes do pobre léxico empírico da sociabilidade no quotidiano, incluindo a leitura de jornais, ouvir rádio e ver televisão.

Na esteira do que li, ouvi e vi na comunicação social nos últimos dias, citei que o tal Rui Pedro Soares “tinha interposto uma providência cautelar…”; imediatamente, dois convivas, não por acaso advogados, caíram-me em cima impiedosamente, argumentando que, para a providência cautelar, se deve aplicar o verbo requerer, ao passo que interpor se emprega quando nos referimos a um recurso, e instaurar / pôr usam-se para uma acção judicial.

 Registei, fiquei agradecido e fiz a emenda sugerida. Todavia, agora, sozinho, ao consultar jornais recentes, dou conta de que ‘providência cautelar’ está sempre precedida de tempos do verbo interpor. Até na revista ‘LER’, página 10, edição de Fevereiro, o Pedro Mexia diz a certa altura “…interpuseram uma providência cautelar”. Perplexo, concluo: neste País os erros ocorrem uns atrás dos outros. Ao erro político do jovem junta-se um erro generalizado do uso do português, por parte de jornalistas e intelectuais.

Pelo menos, desta providência cautelar, já retirei algum proveito pessoal. Sócrates é que não. É bem feito.

Todas as escutas do «Sol» (I)

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO

«- Não querendo fazer perguntas inconvenientes, só uma questãozinha: o Henrique [Granadeiro] chegou a ir lá?
– Esse é o problema… Não estou a pedir para o receber. Ele recebeu-o sozinho e isso já está em todos os jornais. Lembras-te da minha conversa com ele. Foi o Henrique que o deu à morte.» (Paulo Penedos e Ruii Pedro Soares)

– «O Henrique já disse à Lusa que não falou com o Governo.» (Paulo Penedos para Rui Pedro Soares)

– «[Liguei-lhe] 5 vezes e exigi que ele falasse com o chefe, que já estava aos berros.» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «Então são vocês que recebem ordens para fazer, mas recebem ordens para desfazer?»
— «Sócrates não se quer ver embrulhado numa guerra… isto tinha um tempo para se fazer, agora…,» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «A senhora vai ficar lá devidamente espaldada. Ninguém lhe toca, ninguém lhe chega. Iam ter de trucidar tudo e todos.» (Joaquim Oliveira para Armando Vaqra sobre o que Júlio Magalhães lhe terá dito sobre Manuela Moura Guedes)

– «Tenham cuidado com as perguntas que andam a fazer!» (Joaquim Oliveira para José Leite Pereira sobre jornalistas novos que andam a investigar o fim do Jornal de Sexta da TVI)

continua aqui

Ver mais notícias sobre o caso aqui, aqui e aqui.

O Polvo

O polvo é um ser dotado da capacidade de camuflagem

…da classe Cephalopoda e da ordem Octopoda, que significa “oito pés”. Possuem oito braços com fortes ventosas dispostos à volta da boca. Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole mas não tem esqueleto interno…

leia-se coluna vertebral.

A capa do «Sol» em exclusivo no Aventar


Enquanto isso, continuamos sem saber se a maior acção de censura que já se viu depois do 25 de Abril vai ter êxito ou não

O "SOL" (a)brilhará!

Trinta anos depois aí está novamente a censura como forma de esconder a verdade e de negar aos cidadãos o direito à informação. Porque o que está em jogo não é o segredo de justiça, como nos querem fazer crer, mas sim escutas que foram consideradas por dois magistrados de Aveiro ” revelar um crime contra o Estado através do controlo de orgãos de comunicação social”!

Os socialistas, que são useiros e vezeiros em atingir adversários políticos com todo o tipo de mentiras, fazendo publicar em certos jornais difamações e suspeições nunca confirmadas, aparecem agora como virgens ofendidas. O que está em causa são conversas entre o Primeiro ministro José Sócrates e o Sr. Dr. Administrador Rui Pedro Mendes que com 36 anos é administrador de uma das maiores empresas do país, cotada na Bolsa de NY, sem que se saiba que currículo abona a seu favor a não ser o facto de ser amigo do Sr. Sócrates!                                                                                                                                                     O “Sol” disse-o na última sexta-feira e isso fez soar o verdadeiro caracter desta gente ! Liberdade sim, mas há que defender este povo mentalmente fraco de notícias que não compreende. O mesmo argumento de Salazar!

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde*

«Primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários, mas a mim isso não me afectou, porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas, mas eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir, chegou a vez dos padres, mas como eu não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde.»

Bertolt Brecht

* Este «post» é dedicado a José António Saraiva, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.