Contra o Acordo Ortográfico: uma espécie de conclusão

Muitas outras questões mereceriam, ainda, uma análise demorada, como a passagem dos nomes dos meses de próprios a comuns, sem qualquer argumentação, ou a supressão disparatada de acentos em determinados ditongos, mas não é possível nem necessário esgotar aqui todos os problemas levantados pelo AO90. Para além disso, quem quiser, verdadeiramente, informar-se sobre muitas outras questões que não abordei, facilmente encontrará nas páginas indicadas no primeiro texto desta série material suficiente.

As questões legais relacionadas com o AO90 são importantes, como ficou demonstrado. De qualquer modo, mesmo que a situação legal estivesse assegurada, o Acordo continuaria a ser negativo.

Assim, ao longo de seis textos, procurei demonstrar que

1. O AO90 não é um texto consistente;

2. O AO90 não produz uniformização ortográfica;

3. O AO90 não produz uniformização da escrita;

4. O AO90 erra ao propor a supressão das chamadas consoantes mudas;

5. O AO90 aumenta as homografias;

6. O AO90 tem implicações negativas no ensino da Língua.

Se estes enunciados forem considerados verdadeiros, há razões suficientes para suspender o AO90 e aceitar, com tranquilidade, a ideia de que não é possível criar uma uniformização ortográfica. Depois de conseguirmos aceitar este facto – que não é um argumento, é um facto – podemos dedicar-nos, os falantes da língua portuguesa espalhados pelo mundo, a encontrar outros pontos de contacto frutuosos e a maravilharmo-nos com as diferenças.

Espera-se, então, que todos os que se revêem nas análises efectuadas tomem uma posição firme de combate a um instrumento desnecessário e prejudicial. Podem começar por assinar a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.

Texto 8 de 8. Contra o Acordo Ortográfico

Comments


  1. Verdade ! Não compete ao estado ou a academia normatizar a ligua. A ligua é algo vivo. Não sera decreto que fara o mesmo portugues escrito no Brasil ser entendido em portugal e etc.
    Penso em por exemplo ter que dizer aos meus filhos( quando eu tiver filhos) que ao ler Caio Fernando, Clarice Lispector e Jorge Amado eles estaram desaprendendo o portugues culto porque o portugues culto é o portugues oficial de normatizado por lei.

    Pior! imagino se meu filho (quando eu tiver filho) acreditar nesse papo de que portugues escrito é tudo igual. Ele escreve um bilhete para uma gatinha do colégio dizendo ” A senhorita é uma rapariga muito gira!” e leva um tapa e uma suspensão.

    Aqui no Rio de Janeiro rapariga é puta e gira é pomba gira. he he
    Nem queira pedir um prego em uma lachonete carioca, camaradas portugas.


  2. Muito bons seus textos António Fernando Nabais. O que me consola aqui em terra Brasilis é que para além de desnecessário e prejudicial trata-se de um instrumento inócuo.
    A propósito quando anunciaram essa chatice de acordo ortográfico a alguns anos em rede nacional escreveram ” português”.rsrss


  3. E porque não fazer como fazem os programadores? http://www.rjcp.pt/diario/2011/03/fork-la-a-lingua-portuguesa/

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.