Ainda bem que as nossas escolas não são como as inglesas

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Em Inglaterra, a escola primária de Saint Laurence, em Bradford, foi alvo de um escândalo pelo estilo adoptado na disciplina de Educação Sexual. O jornal The Sun adianta que era ensinado aos alunos o significado dos palavrões mais usados na língua inglesa. Pais e a opinião pública ficaram, com naturalidade, indignados com o professor da disciplina. A direcção da escola defendeu-se e salientou que era uma forma de “desmistificar os palavrões”. Bullshit, é o que era.

Um dos pais disse que era uma desgraça, porque as crianças vão à escola para serem educadas, não para se especializarem em palavrões. Compreendo, claro. A escola serve para educar as coisas boas, porque para as más estão lá os pais. De outra forma não seriam úteis os estabelecimentos de ensino, senão para ajudar os petizes a aprender e apreender aquilo que interessa para o resto da vida. Os palavrões, está bom de ver, não interessam e provavelmente nunca os seus ouvidos inocentes terão contacto com semelhante coisa.

Argumenta, de forma correcta, um dos pais indignados: “Muitas crianças nem faziam ideia do significado daquelas palavras”. Como é óbvio. Não acredito que nenhum dos pais em questão tenha alguma vez proferido uma caralhada à frente dos miúdos. Nem mesmo quando estão a conduzir ou a discutir com o vizinho. Era o que faltava.

Sabiamente, a direcção de ensino da região deu conta que a aula não deveria ter sido focada nos palavrões e que a responsabilidade pelo teor dos cursos de educação sexual é do Governo. Faz sentido. Por cá também é assim.

Por cá ainda não há educação sexual nas escolas? E as fantásticas 12 horas anuais? Ainda não entraram em vigor… compreendo, é uma maçada ter de colocar mais um ror de horas no horários dos alunos.

Ainda bem que o caso se passou em Inglaterra, terra onde estão habituados a obscenidades. Em Portugal não seria assim, com toda a certeza. Imagine-se que esta contestação acontecia numa qualquer escola do país. Já imaginaram? Façam um esforço. Ali ao fundo, vejam, um pai aproxima-se da escola. Está nitidamente furioso. Vê-se pela forma como arrasta o filho. Miguel (nome fictício, claro, se fosse televisão aparecia com a cara pixelizada e a voz de um robot), 11 anos, tinha chegado há pouco a casa e respondido “o significado de caralho”, quando o pai lhe perguntou o que tinha aprendido na escola. Atónito, o progenitor quis esclarecer o caso, antes de pregar um par de estaladas nas bochechas da criança (Se fosse em Inglaterra diríamos “antes de lhe foder a tromba”). Miguel explicou.

Sem mais, pai e filho saem porta fora. O mesmo acontece com mais pais e mais filhos. Todos juntos, pelo mesmo ideal, uma turba imensa segue para a escola, ao encontro do mestre. Estão indignados. Qual quê, furiosos é mesmo o termo. Enfim, quilhados. Estão a acompanhar? Óptimo. Nesta altura já estamos dentro da sala de aulas. O professor está encurralado, por detrás da secretária. Encolhido, quase não consegue respirar quanto mais responder ao que lhe dizem. “Ó seu filho-da-puta, isto é coisa que se ensine às crianças, caralho?”, diz um. Outro toma a dianteira: “É para estas merdas que lhe andamos a pagar, paneleiro de merda?”. “Tás a precisar é de levar dois socos no focinho, que te fodo, pá!”.

O professor permanece no seu canto. Tenta dizer alguma coisa mas não consegue, uma mão atinge-lhe o rosto. “Que é que vais a dizer, cabrão? Não tens nada de útil para ensinar vai para a puta que te pariu, pá, desaparece”. Os impropérios repetem-se. Uma cadeira é atirada contra o novo quadro interactivo e um Magalhães cai ao chão, sendo pontapeado por um dos senhores presentes. A cena repete-se por mais uns instantes. Por fim, um dos pais atira, ainda irado: “Estás com sorte de termos trazido a canalhada, senão levavas nas ventas”.

Aos poucos, abandonam a sala. É chegado o momento anti-climax. Quando, de repente, sem ninguém esperar, um dos alunos, ao sair pela porta, mostra a língua ao professor. Só este viu o gesto revelador.

Ainda bem que o caso se passou em Inglaterra, onde não há respeito nenhum. Se fosse cá, seria tratado com a devida elevação.

Comments


  1. Delicioso!

  2. maria monteiro says:

    5 estrelas!

  3. Luis Moreira says:

    E depois os putos têm alguma razão.Nas aulas de educação sexual falta sempre o principal que é o material…

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