A falácia do casamento gay

Para haver casamento há um princípio e um fim. Tem que ser entre sexos diferentes. Entre um homem e uma mulher. Não entram aqui considerações de ordem religiosa, de cor, de preferências sexuais. Pelo contrário, a Lei trata os homens e as mulheres como tal não levando em conta as suas preferências sexuais. Isto é, todos os gays e lésbicas podem casar desde que seja entre sexos diferentes.A auto-exclusão a esta norma é feita por eles próprios. Na verdade na diferenciação masculino/feminino não têm qualquer relevância os gostos e preferências subjectivas. Os homens e as mulheres com preferências sexuais por pessoas do mesmo sexo não são impedidos de casar por causa da sua orientação sexual. São impedidos por serem pessoas do mesmo sexo. A analogia das lutas dos escravos ou das mulheres pela igualdade e a reivindicação do “acesso” ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo, não tem razão de ser. Essas lutas foram travadas em nome da igualdade de direitos de todos os homens e de todas as mulheres enquanto tais. Ora, no caso, isto só deixaria de ser assim se, unicamente, pelas suas preferências sexuais os homosexuais fossem considerados um grupo à parte, dentro do conjunto de seres humanos, homens e mulheres. Há a tentativa de nos convencerem que a adulteração do casamento civil é um preço que todos temos de pagar em nome do valor superior da eliminação de discriminações. Claro que a encenação montada tem tudo a ver com o período eleitoral que se avizinha. “o que realmente promovem, no entanto, não é a igualdade de direitos, mas sim a construção de um direito exclusivo para um grupo humano que se auto-discrimina, pretendendo um tratamento diferente dos restantes homens e mulheres que se baseia em características não essenciais.” (Rita Lobo Xavier, Professora da Faculdade de Direito da UCP). Vale a pena trazer para cima da mesa argumentos que são cuidadosamente discriminados na discussão pública. “O efeito útil da não aceitação do casamento homossexual não é negar a protecção do direito às pessoas do mesmo sexo que vivem em economia comum, já prevista, mas antes delimitar o âmbito de aplicação do casamento (Paulo Pulido Adragão,Público 15 Abril).

Comments


  1. Continuo sem perceber porque duas pessoas que se amam e querem viver em união enquanto casal, com todos os direitos e deveres dos casais heterossexuais, não se podem casar apenas porque são do mesmo género sexual. A lei não permite? Pois não. Então mude-se a lei. Já agora, caro Luís, a frase da dra. Rita Lobo Xavier foi inspirada onde, no “Mein Kempf”?Então e a liberdade e essas coisas que andamos a pregar desde o 25 de Abril de 74? Não se aplica a grupos humanos que se auto-discriminam? Os homossexuais discriminam-se ou será a sociedade preconceituosa que os obriga a ficar no armário?

  2. Luis Moreira says:

    Não, José ! Eu apresento argumentos não dou aqui a minha opinião.Até costumo dizer que se casarem é bem feito porque é capaz de ser o primeiro passo para o divórcio.Mas o que se diz aqui é que não há discriminação nenhuma.Os homosexuais podem ter outro tipo de contrato e viver juntos com todos os direitos das outras pessoas.O casamento é um contrato entre duas pessoas de sexo diferentes.Um homosexual se quiser casar com uma mulher pode fazê-lo.Não há discriminação nenhuma.

  3. Helena Velho says:

    Luís, comentar supostas falácias através da falácia de outros, é extremamente falacioso!Os argumentos são pobres: na retórica e na essência. E nem vou falar de dignidade humana!p.s: acredita, sinceramente, no que diz serem argumentos apresentados?que não há discriminação? hummmm….

  4. Luis Moreira says:

    Helena, não diga que estes argumentos são pobres(sabe que nos US só 2 Estados aceitaram o casamento gay?).Na verdade o que se diz é que o casamento é um contrato entre um homem e uma mulher.Se forem gays podem casar desde que sejam de sexos diferentes.É só isso, de resto já podem ter um contrato de vida em comum com todas as prerrogativas do casamento.Um negro não pode querer casar-se por ser negro.Só pode casar-se por ser um homem que quer casar com uma mulher.A única coisa fundamental que se exige é que os contraentes sejam de sexos diferentes.Não há nenhuma discriminação, seja sexual, rácica ou outra.Passaria a existir se o casamento deixasse de ter essa afirmação distintiva.E não percebo onde está a dignidade humana.Os gays já podem ter relações estáveis com todos os direitos! A dignidade está no facto de se ser um “ser” humano, não de ser ou não gay!

  5. miguel dias says:

    Basicamente o que está em causa é a palavra casamento, certo Luís? Tanta coisa por causa de uma palavra.

  6. Luis Moreira says:

    Miguel, não é assim tão simples.Há gente e instituições que consideram o casamento o tijolo principal da sociedade em que vivemos e não o querem ver adulterado por uma pretensa discriminação.


  7. Se o casamento é só um contrato, um papel, porque é que os heterossexuais são incentivados a casar, seja do ponto de vista legal seja moral? E porque é que sendo apenas um contrato os homossexuais não o podem também subscrever. Compreendo, Luís, que sejam argumento e não a sua opinião (também não digo que é no comentário anterior). Mas são argumentos fraquinhos que escondem a palavra preconceito.

  8. Luis Moreira says:

    Não é preconceito nenhum,José. Há uma instituição chamada casamento que exige que seja entre um homem e uma mulher.Se um gay quiser casar pode fazê-lo em igualdade de circunstâncias com um hetero, desde que seja com um ser de sexo diferente.Aqui o que é fundamental é que sejam de sexos diferentes.Os homos já têm acesso a outros conceitos de vida em comum que lhes assegura toda a dignidade.

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