Vasco Lourenço – Do interior da Revolução (Dedicatória)*

Meu querido Vicente:
Este é um livro com dois autores: a entrevistadora, Manuela Cruzeiro, e o entrevistado, o teu avô Vasco.
Pela minha participação, sinto que posso dedicá-lo a alguém.
E é a ti, querido Vicente, que dedico a narrativa de parte da história da minha vida.
Para não ficares sozinho, permite que te junte duas pessoas que são também as mais que tudo para mim: a tua mãe Gabriela e a tua avó Adélia que me proporcionou o dia mais feliz da minha vida ao dar-me uma filha.
Ao leres este livro, tomarás conhecimento de parte da luta do teu avô por uma sociedade melhor. Muitos factos e momentos específicos são aqui tratados, mas muitos outros episódios ficaram de fora. Temporalmente tem o limite de Abril de 1976, quando se aprovou a Constituição da República Portuguesa, resultante do 25 de Abril de 1974, e a particularidade de, embora publicado em 2009, ter sido feito entre 1992 e 1995.
Uma coisa te quero garantir Vicente: o teu avô procurou ser honesto, falar verdade e não fugir às questões. Foi essa sempre uma das minhas características e não poderia permitir a publicação deste livro se não me revisse nele. Por isso, apesar de ter amenizado algumas 8 afirmações, não fugi à polémica, com o que terei desgostado alguns.
Dos amigos a quem porventura desgostei, espero que me compreendam e desculpem.
Haverá outras verdades. Não duvido, pois nunca tive a presunção de ter o seu exclusivo. Mas, de uma coisa podes estar certo: não inventei nem exagerei, mesmo que às vezes custe a acreditar que as coisas se tenham passado como as conto. Procurei, aliás, evitar ao máximo comentários e adjectivos.
Um aspecto me preocupa: não vejas nesta minha verdade a presunção de que tudo girou à minha volta. Cada um de nós, o teu avô
e os seus companheiros, desempenhou um papel, mais ou menos importante. Só que, tal como sempre compreendi que os outros, ao escreverem a história em que participaram, o façam à volta dessa sua participação pessoal, também eu não poderia deixar de ao contar a minha experiência, falar principalmente de mim. O que não invalida que haja outras experiências, outras vivências, outras estórias.
Aqui, à tua frente, tens pois a minha verdade das coisas, referentes a um período da minha vida, que confio possa contribuir para não deixar deturpar a História. Quanto ao resto, não sei se irei contá-lo, em entrevista ou em autobiografia.
Até lá, um grande beijinho do teu avô que te adora.
Vasco
* PRÉ-PUBLICAÇÃO

Deixar uma resposta