Francisco Leite Madeira – Mais eleições: O circo vem aí!

O circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas

Tendo ainda presente o resultado das eleições europeias de há pouco mais de um mês em que, como escrevi, “o eleitorado deixou claro estar farto da ineptocracia socialista, de muitas promessas e de estórias da treta, ansioso por dias melhores”, aí estão à vista as legislativas, primeiro, logo seguidas das autárquicas. Dir-se-ia, termos mais um mês com o “circo” que vai chegando em ritmo de marchinha brasileira

Ai, o circo vem aí!
Quem chora tem que rir
Com tanta palhaçada!
Tem hindu que come fogo,
Faquir que come prego,
Mulher que engole espada.
Tá na hora!
Olha, bota o palhaço p’ra fora!

Que bom seria poder encarar-se com essa ligeireza a situação em que o País mergulhou, agravada que está, sem dúvida, pela crise assaz complexa que o mundo atravessa. O País anseia por uma vida melhor e, desiludido das promessas não cumpridas pela governação socialista, aguarda uma revisão de políticas que sejam adequadas à realidade, assentes na verdade e na sua exequibilidade.

Sem ir muito longe, esquecendo diversos aspectos relacionados com a promessa de consolidar as finanças públicas, incluindo o não aumento da carga fiscal já de si enorme e a contenção da despesa pública do Estado, que falhou, cabe salientar dois aspectos onde a evidência do não cumprimento das promessas eleitorais de 2005 foi dramática sem lugar, para qualquer dúvida:
1. Foi prometido reduzir a taxa de desemprego em Portugal ao longo da legislatura 2005-2009, mercê da criação de 150 mil novos postos de trabalho; ora, foi ao invés, como é do domínio público e a taxa de desemprego subiu para cima dos 9% e existem em Portugal presentemente mais de meio milhão de desempregados, tendo ultrapassado 150.000, os que nos últimos tempos engrossaram as estatísticas do desemprego.
2. Foi prometido aos Portugueses “voltar a aproximar, de forma decidida e sustentada, do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia”, devendo entender-se que isso significaria uma convergência como a que se verificou em resultado das políticas dos Governos da República de 1985 a 1995; ora, sucede que em 2005, Portugal no ranking dos 27 países da UE, ocupava a 18ª posição, com o PIB per capita equivalente a 76% da média europeia e em 2008 embora mantendo a mesma média, baixou para a 19ª posição, o que significa ter divergido e não convergido.

Para além das limitações de espaço, seria fastidioso fazer uma escalpelização do rol de promessas socialistas de 2005, a nível nacional, de que ninguém já tem qualquer dúvida. Importa no entanto, simplesmente, evocar os reflexos negativos que também as políticas do governo de Sócrates, tiveram para a Região, nomeadamente, os resultantes da famigerada Lei das Finanças Regionais que foram, inclusivamente, objecto de um estudo de docentes da Universidade Católica Portuguesa, já reportados pela media.

Posto tudo isto, é importante ter presente que as eleições de 27 deste mês, são para a Assembleia Legislativa e que, não obstante algumas tentativas de determinados políticos e politiqueiros, quiçá menos bem intencionados, “confundindo”, procurem associar à governação da RAM, o que só acontecerá daqui a dois anos por ocasião das eleições regionais. Na mesma linha, convém não esquecer tampouco que a “sujeição” à disciplina partidária – isto aplica-se a todos os partidos – normalmente condiciona o sentido do voto dos deputados eleitos pela RAM para São Bento, por muito “boas e bem intencionadas pessoas” que possam ser. Daí a importância da reflexão desapaixonada por parte de todo e qualquer eleitor, a ponderação antes de decidir em que partido votar – é Portugal que está em jogo.

Em 11 de Outubro há mais eleições, as autárquicas, que abordarei em próximo artigo – o circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas.

Publicado também no Diário de Notícias da Madeira

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.