Arte, beijos e propaganda

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Suposta obra de arte, propaganda reaccionária, uma droga, uma coisa, são alguns dos epítetos com que é mimoseada  esta pintura, exposta na capital colombiana por ocasião da IV Temporada de Artes de Bogotá.

Não consegui localizar o nome do autor, mas o trabalho tem a sua graça: intitulado “¿Por qué no te callas?, numa legenda em círilico, transcreve o célebre beijo entre os ditadores Leonid Brezhnev e Erich Honecker, dado em 1979 num acto público na Alemanha então dita democrática, para os democraticamente eleitos presidentes do Equador e da Venezuela. Em fundo identifico outros dirigentes das emergentes correntes da esquerda bolivariana.

Brezhnev-Honecker

Vamos por partes: sem querer aprofundar o assunto, arte e propaganda, ou arte e ideologia, são irmãs gémeas e siamesas. Vivemos com isso há milhares de anos, e ainda bem. Único critério aceitável para tal: a liberdade de expressão.

Enquanto continuarem a representar os seus povos sendo por eles democraticamente eleitos tenho a maior das considerações pelos presidentes ora retratados, muito mais por Rafael Correa que pelo militar Chavez, é claro, um tudo nada populistas de mais para o meu gosto, é certo, e não os coloco no mesmo saco dos criminosos que realmente se oscularam numa das piores ditaduras do séc. XX.

Já nas críticas  ao quadro encontro homofobia e machismo serôdio q. b., e patetice em abundância. Quem escreve isto:

Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».

devia ter feito o trabalho de casa, e lido isto:

La cultura China, como invitada especial al evento inaugural de la IV Temporada de Arte de Bogotá, FORMARTE 2009, gracias a la gestión de la Embajada de la República Popular China, se presentará en todo su esplendor, con milenarias expresiones artísticas de oriente, interpretadas por el “Folk Music Group of Tiajin Song & Dance Theatre, las cuales transportarán a los asistentes a los diversos escenarios chinos.

Exacto Fernando Samuel, a coisa inclui os seus queridos camaradas chineses. Não quer ir dar-lhes um beijo na boca?

Comments

  1. Adão Cruz says:

    O reaccionarismo é o anti-corpo segregado contra a capacidade de visão e compreensão do mundo. Um quilo de lã e um quilo de ferro são sempre um quilo, mas são realidades totalmente diferentes. Quem as confunde, nem categoria tem para ser reaccionário.

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