Os professores sem cavaco

Fui almoçar a Belém áquelas casinhas do sec. XVll onde morria o rio, que ouviram os choros das mães dos marinheiros que demandaram as Índias, os gritos dos Távoras naquela barbárie dominical, os tiros do ataque a D.José l ( lá está o “beco salgado” para que nada torne ali a crescer). Seguia-se a passeata num dos largos mais belos do mundo, comover-me com os Jerónimos, empanturrar-me com os pastéis (agora são filas de meter dó), depois o CCB, com tempo os vários museus…

Mas desta vez, acompanhava-me o texto do João Paulo, o receio das manifestações dos professores independentes, uma das quais ali bem perto frente ao palácio cor-de-rosa. E se a manifestação fosse um fiasco ? Lá fui quatro da tarde, polícias alguns para além dos habituais, uns quantos civis, um grupo aqui outro ali, muito pouca animação, a palavra de ordem é que ainda era cedo, seria, desconfio que para outros já seria tarde, a sorte é que a maioria que passava ali não fazia ideia da manifestação.

Meia volta e fui ao passeio, um casal de africanos a casarem-se nos Jerónimos ela toda de branco ele com um ar comprometido, os acompanhantes a apostarem se aquela árvore era “uma olive” o noivo nada dizia já tinha dito demais, bem sei que isto é um bocado “bronco” mas que dizer daquele ar “bem” num casamento que se queria com a alegria genuína africana, com as “cadeiras” a bambolearem num ritmo que só eles é que têm natural ?

Com a segunda decepção do dia avanço para o CCB em passo estugado não vá já não encontrar O Expresso ou o Público e pimba não há jornais nem esses nem os outros, sigo em frente sem desfalecer e vou para o Jardim das Oliveiras sobre o Tejo mas sem jornal, deito-me na relva, o Muralhas de Monção estava fresquinho ao almoço, salvou-me a tarde.

Comments

  1. Belina Moura says:

    Tu pensas demais! 😉

  2. Carlos Loures says:

    Aqui está uma coisa gira e bem escrita! Vês como sabes? Põe mas é de parte essa teoria do sal, da pimenta e das especiarias, deixa de te preocupar tanto com coisas sem importância e começa a escrever. O trabalho liberta, lá dizia o Adolfo.

  3. Luis Moreira says:

    Um elogio teu e outro da Carla ontem, é obra…

  4. Belina Moura says:

    Não te fiz nenhum elogio.Ah, não estavas a falar comigo, né? Ah, pois…