O SOCIALISMO CIENTÍFICO. CODA FINAL


Este blogue Aventar é a democracia aberta, como da Grécia Antiga. Em poucos dias, os debates vistos e revistos dentro das linhas publicadas e os comentário recebidos fizeram-me lembrar que, sem uma tribuna aberta, não era capaz de aceitar ser governado por quem não tenha a ética, o estatuto moral de saber defender aos seres humanos, a natureza, advertir que as indústrias dão cabo da nossa vida, tal como a falta de salário.
Qual a alternativa, se sem indústria não há trabalho? E se, sem trabalho, o ordenado desaparece? Porquê pagar pelas medicinas necessárias para continuar uma vida serena e sadia? Será que a concorrência é a base de toda a relação social, do tratamento da natureza hominídea, vegetal e animal? Será que Babeuf se enganara em 1775 ao redigir o seu manifesto sobra a igualdade? O Marechal em 1775 e os seus textos sobre a igualdade? Ou Karl e Jenny Marx, com ideias de Engels, no seu Manifesto Comunista, traído vezes sem fim pelas utopias?
Os socialismos utópicos acabaram com Sait-Simon ao começo do Século XIX, esses sonhos de sermos todos iguais dentro de uma sociedade de classes? Será que Ludwig Gall, professor de Karl Heinrich desviara a sua atenção para sonhos imateriais? A Baronesa von Westphalen, ou Jenni Marx, foi capaz de escrever as palavras mais preciosas em prol dos assalariados. Esses assalariados, homens de fé, que trabalhavam e acreditavam na sua salvação, como Max Weber estudara na sua obra de 1905: A ética protestante e o espírito do capitalismo, um socialista científico mal conhecido por não ter, dizem por ai, não ter lido O Capital. Grande engano, provado como está no seu livro póstumo de 1923: Economia e Sociedade. Ou vários de nós, que juntos temos trabalhado pela educação essa falta de ópio do povo para ser igual aos seus patrões, como com Maurice Godelier, Pierre Bourdieu, Stephen Stoer em Portugal, Mouzinho da Silveira que deu conta do morgadio em Portugal, ou Alfonso Rodriguez Castelão na Galiza, a formar sindicatos rurais e declarar o país socialista.
Porquê socialismo? É simples: quem orienta a vida social é a economia, uma materialidade que trabalha com mais valia que acaba por matar a capacidade de criação de quem fabrica o objecto, esse operariado definido pelo socialista português David Ricardo ao definir o valor do trabalho pelas horas investidas na confecção de um bem, no seu texto de 1817: The principles of political economy and taxation, Everyman´s Library, Londres – versão portuguesa Gulbenkian, Lisboa, 1983, base dos texto de 1862 e 1863, Marx: Theories of surplus value, versão inglesa que uso da Clarendon Press, Oxford. Bem que vai ao mercado e que devia render parte do lucro ao operário fabricante, como fizeram Saint-Simon e George Owen e os seus sindicatos de operários na Grã-bretanha do Século XIX. Socialismo que nasce de casual reunião do operariado do mundo em Londres, por graciosa permissão das Suas Majestades Rainha Vitória e o Imperados Luís Napoleão Bonaparte. Esse 1861 que dá vantagem a Marx de formar a União dos Trabalhadores e organizar a denominada Primeira Internacional. Socialismo que procura a igual repartição das riquezas, a abolição da propriedade privada, que não tem saída. Não tem via livre, esse sonho dourado de uma sociedade igual por causa da burguesia dominar a Banca, a Bolsa, as manufacturas, serem eleitos como membros de Assembleias ou parlamentos que emitem leis para fixar ordenados, salários, horas de trabalho. Parlamentos burgueses que têm prebendas especiais e poder para as mandar cumprirem. O trabalho do socialismo passou a ser entender a economia para se salvar da alienação, não apenas da perca de bens, como das ideias criadas pelo trabalhador e inscritas no registo de inventos e direitos de autor, pelo patrão.
O socialismo, até onde eu lembre, existiu uma vez e por curtos anos de vida, como referi ao falar de Salvador Allende. Socialismo de nome, mas não de acção, ao ser retirada da constituição essa frase de ser o pais um caminho de transição para uma república socialista.
A burguesia ganha as guerras todas de propriedade e de lucro, de eleições e Presidências. Classe que no Século XVIII fez uma revolução em 1798, e se instalara em ela em ela até o dia de hoje. Razão tem Marx quando apela a unidade dos proletários do mundo, que são milhares. No mundo não existe apenas a União Europeia: A Índia, a África, o Continente da Revolução em liberdade ou América Latina, Indonésia e Austrália e as suas inúmeras etnias. Todas elas com o auxílio do velho continente e dos EUA.
O quê se elege este 27? Parece-me a mim que apenas o Estatuto Moral de governar.
Alternativas? O povo dirá, com esse cuidado e essa delicadeza para evitar a imagem acima sempre presente na minha cabeça.

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