Provocação Hondurenha

Admitamos que um dia destes próximos, o Sócrates perante a evidência de ter que negociar com gajos que ,na sua opinião, não sabem nada de nada, só atrapalham, arranja “uma notícia” num dos nossos jornais e lança a ideia que o país assim não aguenta é preciso um referendo para ver se o povo, o bom povo, aceita ou não que ele, Sócrates, possa renovar a maioria absoluta sem ir a eleições.

Admitamos tambem que uma ideia semelhante possa ser alimentada por Cavaco, ele é tão melhor que os outros que basta um referendo para o ” melhor” ficar na Presidência até vender a bomba de gasolina em Boliqueime.

Esta proposta é inconstituicional e os partidos na Assembleia da República não aprovaram por 2/3 dos deputados. Mesmo assim, os homens providênciais seguem em frente e dirigem-se ao “bom povo” que, desesperado com o desemprego, sai à rua a gritar e a agitar bandeiras.

As Forças Armadas como garante último da Constituição não são obrigadas a intervir para garantir o cumprimento rigoroso da Constituição?

O Tribunal Constituicional não tem o dever de vetar o referendo?

Transponham lá isto para as Honduras e expliquem-me bem explicadinho que eu ando baralhado!

PS. João, desculpa lá, eu aprecio muito os teus postes e esses e-mails desesperados vindos da clandestinidade das Honduras, mas a verdade é que não percebo mesmo!

Comments


  1. Acho que tens razão. No entanto, não conheço suficientemente bem a realidade hondurenha para poder avaliar da justeza da intervenção das Forças Armadas. Não sei até que ponto o Manuel Zelaya é apoiado pelos hondurenhos em geral, nomeadamente pelos trabalhadores. Lembro-me que nas vésperas do golpe do Pinochet, donas de casa chilenas vieram para as ruas bater em tachos e reclamar a rreposição da democracia. Eram senhoras da burguesia e o Pinochet lá repôs os «direitos democráticos»… Isto para dizer que a realidade latino-americana é diferente da nossa.

  2. maria monteiro says:

    Mas porque é que se tenta silenciar o que se lá passa? Quem beneficia com esse silêncio? Será que é povo hondurenho? Será que é Zelaya?

  3. Luis Moreira says:

    Claro, bem sei que quando estamos a falar de generais de metralhadora tudo de mau é possível, mas em teoria não sei de quem é a culpa. Se o Presidente aceitasse a constituição os militares teriam margem para se mexer?

  4. Luis Moreira says:

    Maria, eu sei que o presidente, aumentou o salário mínimo contra a opinião das elites empresariais, que limitou a exploração das matérias primas por parte dos USA.Tudo bem. Mas isso não lhe dá o direito de se perpetuar no poder.


  5. Na América Latina, os militares não precisam de margem, nem de legitimidade constitucional para se mexer. Vê a lista de pronunciamentos só desde o século XX. Quantos foram apoiados pelas cosntituições?

  6. maria monteiro says:

    A entrada clandestina de Zelaya nas Honduras, o dizer que voltava para reconstruir a democracia, e por outro lado reacções de recolher obrigatório, encerramento de aeroportos, confrontos com populares… deixa-me aquela “sensação” que a verdade está do lado de Zelaya e do povo hondurenho.Será que Zelaya regressou para se deixar simplesmente matar no seu país, no meio do seu povo?


  7. Luis, não tens nada que pedir desculpa, a malta também anda aqui para se esclarecer uns aos outros, e o que escrevemos chamou-me a atenção para a necessidade de um fazer, até porque a desinformação continua na nossa imprensa, e isto de denunciar a repressão é muito bonito mas as pessoas naturalmente querem também informação. É só ter tempo, o que não deve acontecer hoje. Deixo entretanto ligação para o primeiro comentário que redigi sobre o assunto:http://viumhomem.wordpress.com/2009/06/30/de-salvador-as-honduras-ja-fumega-outra-vez/

  8. Adão Cruz says:

    Desculpem meus amigos. Sei tanto como vocês, se descermos ao pormenor. No entanto, tudo isto tresanda ao tradicional golpe fascista mais que redundante na America Latina, terra de senhores e de escravos. Sempre que haja situações, por mais democráticas que possam ser (Allende, Zelaya, Chavez, Morales, Ortega) em que se defendem democraticamente os escravos contra a prepotência dos senhores, tem de haver golpe (sempre que possível), a arma da burguesia dominadora, exploradora, desumana e terrificamente cruel e assassina. É incrível, como seres pensantes que todos somos no Aventar, acreditemos na “democracia” de um golpe sujo e torpe como esta pinochetada, feito por gajos figadais inimigos de tudo o que é verdadeiramente democrático, carregados de ódio de classe, facínoras de alto cadastro, no intuito de preservar a pureza da “sua” Constituição. Quantas vezes foi a nossa Constituição grosseiramente violada ao virar da esquina, sempre no sentido de diminuir o seu potencial democrático, sem que nenhum reaccionário se lamentasse, antes pelo contrário, regozijando-se! O que se passou nas Honduras, segundo li, foi uma espécie da fábula do lobo e do cordeiro. O que era preciso era um pretexto. Neste caso um reterendo, inválido para as Honduras e Venezuela mas válido para a Colômbia. Ainda que seja estranho em adultos bem formados, por vezes deixamo-nos enganar como crianças. Ou será que, no fundo, cada um de nós tem a “sua” democracia circunstancial?Parece que a consulta popular seria feita no mesmo dia em que se deu o golpe de Estado e estava a cargo do Instituto Nacional de Estatística (INE). Não tinha caráter vinculativo, era opcional e colocava aos cidadãos hondurenhos a seguinte questão: “Concorda com a instalação de uma quarta urna nas eleições gerais para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte?”[1] O Director do INE, Sergio Sánchez, assegurou que o Instituto estava facultado para fazer a consulta e que ela cai dentro das suas atribuições[28], embora tenha sido intimado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) a explicar a tese da “quarta urna”. Apenas o TSE podia realizar este tipo de consulta.[29][30] O resultado positivo desta consulta daria origem a um projecto de lei a ser apresentado ao Congresso Nacional para a convocação da quarta urna.Tudo se desenrolaria sem qualquer atropelo à ordem democrática. Pessoalmente não acredito que pudesse ser de outra forma.Acham que havia razões, fosse qual fosse o país, para prender o supremo magistrado da nação, democraticamente eleito, por um tal crime?O GOLPE DEU-SE, CAROS AMIGOS, POR MEDO DA DEMOCRACIA E NÃO PORQUE A DEMOCRACIA ESTIVESSE EM PERIGO. Ou seremos tolos e ingénuos?

  9. Luis Moreira says:

    Meus caros, bem sei o que representam “os golpes” na américa Latina. mas tambem sei que há lá países que já têm dezenas de anos de Democracia e não há margem para golpes.Exactamente porque as regras da Democracia são cumpridas! O Chavez vai ser apeado qundo o Merconsul estiver a funcionar, só estão à espera que o Lula saia da presidência para tomar conta e desenvolver o merconsul. Por enquanto vão rezando que os americanos andem entretidos com os títeres árabes e não tenham tempo para o Chavez.depois se não for assim, vamos todos derramar muitas lágrimas.