O RATINHO QUE A MONTANHA PARIU

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O PRESIDENTE DISSE NADA E POUCO MAIS
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No fundo, no fundo, o sr Presidente só disse que não existe nenhuma declaração sua a falar da existência de escutas. Pouco mais, ou senão vejamos.
O Sr Presidente disse achar normal, e não ser crime, haver alguém que desconfie de outro alguém. Isto é demasiadamente grave, uma vez que vem da Presidência da República.
O sr Presidente não disse se havia ou não, desconfianças de escutas. O sr Presidente não disse se desconfia do nosso Primeiro. E se não disse, deixou implícito que pode haver. E se há, como pode o sr Presidente indigitar para Primeiro ministro uma pessoas sobre a qual ele não tem confiança.
O sr Presidente acabou por acusar o partido socialista de o querer encostar ao partido social democrata, e de quererem acusá-lo de interferir na campanha eleitoral. Ainda acusa altas figuras do partido socialista de terem ultrapassado os limites da decência. Lá teve de explicar que foi obrigado a demitir o amigo Lima por causa de tudo isto. Esta parte é grave, acho.
Tudo foram manipulações, também disse. Há fragilidades na segurança, acabou por dizer também.
E, digo eu, a sua declaração, hoje, se não influiu nas eleições legislativas (ou talvez tenha influído com a demissão do sr Lima), influi nas autárquicas.
Foi um ratinho muito pequenino o que esta montanha pariu. Lá no fundo, tudo uma cabala. Lá ainda mais no fundo, está tudo tonto.
No entanto, as relações entre a Presidência e o sr Sócrates, dificilmente se recomporão.
Não gostei do discurso.

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Comments

  1. Nuno Castelo Branco says:

    Coisas destas, sempre existiram nos tempos do Soares e do Sampaio. Por vezes, bem piores. Sofriam é da limagem feita pelos assessores de serviço. Os formais e aqueles outros que nos lugares cativos do regime – imprensa incluída -, zelavam pela criação da protectora atmosfera em torno do sr. residente de Belém. Agora,, tudo se torna visível.Quem quer repúblicas, paga-as.


  2. Vale-nos que, pelo menos, o PR sabe ‘interpretar’, faz ‘leituras pessoais’ e, desta vez, magnânime, até as partilhou com a populaça.

  3. Kafka says:

    ABRUPTOCOMO NESTAS COISAS HÁ SEMPRE MUITO RUÍDO, O QUE EU ESTOU A DIZER À COMUNICAÇÃO SOCIAL É RIGOROSAMENTE ISTO:1) O que de fundamental o PR disse na sua mensagem é que dirigentes do PS tentaram por duas vezes colar o Presidente ao PSD, uma com uma notícia sobre a participação de assessores de Belém na elaboração do programa do PSD, outra com a publicação do email (cujo conteúdo considerou falso, o conteúdo não o email) no Diário de Notícias. Salientou que o objectivo dos dois casos foi idêntico na sua intenção hostil, associar o Presidente ao PSD. Há pois, agora, necessidade de o PS responder a estas graves acusações do PR;2) Que vários factos ocorridos nos últimos tempos, e nomeou com clareza a divulgação do email do Público, lhe suscitaram preocupações com a segurança das suas comunicações. Feita uma verificação revelaram-se “vulnerabilidades”. Na verdade, como eu próprio sempre disse, nunca o PR falou em “escutas”, mas sim em “questões de segurança”;3) Por último e bem, o PSD vem numa declaração do seu secretário-geral lamentar que o PR não tivesse prestado este esclarecimento antes das eleições, porque isso poderia ser esclarecedor para os eleitores que viram a campanha eleitoral perturbada pelas “revelações” do Diário de Notícias. Isto representa substancialmente o que eu próprio disse quando se soube do afastamento do assessor de imprensa.

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