O CO2 sempre é o mau da fita?

Já sabem: “(…) Por isso o nosso cérebro filtra tudo o que é complicado, impenetrável e incalculável. O que resta é um aspecto parcial – aquilo que já conhecemos.  Porém, como este aspecto parcial se encontra entrelaçado

com o todo que não queremos ver, cometemos muitos erros – o fracasso é logicamente programado… todos os pequenos, cómodos e tão humanos erros de pensamento pelos quais, no melhor dos casos, só paga um e, no pior, todo o globo (..)”.

No presente caso, o dinamarquês Björn Lomborg têm razão, pois evita cair no paralogismo da maioria que “querendo o bom, cria o caos” of. Dörner – “The Logic Of Failure: Recognizing And Avoiding Error In Complex Situations”).

Quanto ao especialista português Filipe Duarte Santos, pode ser que ele tenha razão que a culpa é do CO2, para mim uma hipótese dúbia. Todavia, quando à hipótese defendida por ele – “é essencial a reflexão sobre a possibilidade de prosperidade sem continuar com o crescimento económico, crescimento esse que tem uma elevada responsabilidade no aumento das emissões de CO2” –, isto segundo as leis sistémicas da evolução não faz sentido. É um daqueles paralogismos pelos quais no pior dos casos paga todo o globo.

Com efeito, se a humanidade tentasse mitigar o seu natural desenvolvimento económico que não pode ser separado do social, cultural, político e ecológico, com o fim de baixar as emissões de CO2, isso constituiria uma manipulação da natureza, uma tentativa de inteferir na sua natural auto-organização (homeostase). Seria, pois, um perfeito disparate e contranatura. A lei da natureza não prevê suprimir factores considerados indesejáveis mas sim suprir factores cuja falta impedem o desenvolvimento, com o fim de restabelecer o equilibrio do TODO.

De facto, se Filipe Duarte Santos tivesse escrito “reflexão sobre a possibilidade de uma continuação da prósperidade trocando o crescimento económico linear-abstracto* por um crescimento sistémico-holístico”, então era de aplaudir e dizer welcome to the crew.

Para dizer a verdade, a única solução/saída consiste na adoptando-se de uma abordagem evolutiva do comportamento humano. Isto significa uma abordagem sistémica-holística que considera o TODO – factores materiais e imateriais! Sob este comportamento diverso – que actualmente nos está a ser imposto pela natureza (crise) de forma cada vez mais dolorosa – é restabelecido o equilibrio de sistemas, cujos efeitos benignos – e sobretudo psicológicos determinantes – são muito mais céleres do que se pensa.

E no fim verificar-se-á que este comportamento diverso centrado nas necessidades mais urgentes do próximo (ou do respectivo grupo-alvo em caso de empresas) permite perfeitamente coadunar os interesses económicos e ecológicos. E surpreendidos verificaremos: “it was the change of strategy, stupid, and not the´choque tecnológico’ or CO2 emissions! Oxalá que tudo isto se verifique antes de descargas sociais prévias que actualmente nos começam a bater à porta.

Rolf Dahmer – convidado

* É isso que ainda hoje se aprende nas faculdades de economia e gestão!

Comments

  1. Vitor Silva says:

    a frase dele não terá simplesmente a ver com a necessidade de alguma simplificação do discurso de forma a conseguir passar alguma mensagem que seja?
    eu argumentaria que verdadeiramente importante é do decoupling de crescimento económico e crescimento de emissões de gases de efeito estufa…

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