A Lei nunca é cega. Nem com a morte.

Desculpem voltar ao assunto. Há um cadáver confirmado por uma médica do INEM, e pela sua equipa.

A autoridade apresenta-se e toma conta da ocorrência, fala com a equipa médica, retem um documento assinado pela médica do INEM, toma nota dos medicamentos que a defunta anda a tomar. Eu próprio sou chamado a testemunhar, bem como um dos vizinhos que entretanto se juntara ao grupo.

Ligo para uma empresa mortuária para tratarem do funeral, que me diz imediatamente, que é necessário contactar o médico de família. Isto são 2.20 horas, não há médicos de família a esta hora, e o médico que estivera com a defunta a meio da tarde, não responde aos repetidos telefonemas que lhe faço.

Muito solenemente, o funcionário da funerária apressa-se a informar-me que tem um médico pronto a deslocar-se, que não pertence à empresa, e que recebe em dinheiro. 150 Euros!

Por acaso, há dinheiro suficiente entre todos. Chega um senhor de gabardina que pede para ver o cadáver, ver os medicamentos, ouvir a história das doenças de uma mulher de 97 anos e assina um papel, sem o qual, o cadáver não pode ser removido, ou então tem que se chamar o Ministério Público que, obrigatoriamente, determina o depósito na morgue.

Mete os 150,00 euros ao bolso, boa a noite e sai pela porta fora, nem cinco minutos esteve connosco. E eu pergunto, mas a médica do INEM não tinha já determinado a hora da morte? Não tinha assinado um documento a confirmar que, quando chegou, encontrou aquela pessoa já cadáver?

A que título, é que no meio de um drama se arranja um negócio? É que, quem faz as leis no nosso país, deixa sempre uma frexazinha por onde entra a “pata” asquerosa dos interesses das corporações!

Comments


  1. Uma situação asquerosa.

  2. Luis Moreira says:

    Bastaria a médica do INEM chamar um colega do próprio INEM para confirmarem em conjunto a morte. É assim que se legisliza, com o propósito de “sacar” rendimentos não devidos.

  3. Rui Silva says:

    Os senhores estão a incorrer num erro. Uma coisa é a verificação do óbito em que se afirma que uma pessoa está morta e para a qual os médicos do INEM, como qualquer médico, têm competência. Outra coisa totalmente diferente é a certificação do óbito em que se enunciam as causas e circunstâncias da morte e que deve ser feita, de preferência, pelo Médico Assistente que conhece o historial clínico do doente ou, em alternativa, pelo Delegado de Saúde ou, em último caso e na sua falta, por qualquer médico que tenha acesso aos antecedentes do doente.

    • Luís Moreira says:

      Rui Silva, é exactamente o que diz que não tem por onde se pegue. Porque é que esse trabalho não é feito pelos médicos do INEM?


  4. Quer o Rui Silva dizer: na sua falta, quem cobre 150 mocas mesmo que nunca tenha visto o falecido em vida.


  5. Excelente partilha!
    Está tudo organizado para sacar a guita ao Povo…
    Vamos tentar mudar estas e muitas outras coisas em http://www.vamostentarmudar.org!
    Juntem-se a nós!
    Abraço
    Vitor

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