Para modernizar a imprensa regional

O jornal mensal e regional  O Sul,de Setubal,   que me convidou para o dirigir, é um projecto que ja vinha sendo discutido entre nós, ou seja, na cooperativa Prima Folia, a que não pertenço, mas  que é a detentora do titulo   .  Contudo, passar à pratica esse projecto   não é fácil,particularmente, em tempos de crise  geral, e da imprensa em particular.
Nos EUA grandes jornais estão a fechar ,ou a reduzir as suas edições, ou a transformar-se em jornais on line,  e, mesmo assim ,nem sempre com sucesso. Até o NYT…
Pois  é nessa  nessa linha  que desejo  desenvolver  algumas considerações .Naturalmente, vou referir-me ao comércio electrónico, o e-comerce, o “business  to business”  a mundialização, e também ao glocal , que nos interessa neste caso,por sermos  imprensa regional    .
Estou portanto, a  sugerir que aproveitemos as novas tecnologias  que dispomos hoje -que estão  para além do capitalismo de mercado,tal como este tambem já substituiu o mercantilismo-para os nossos projectos  locais .
O  mercado ,caracteriza se pelo encontro de um vendedor e de um comprador, que trocam bens e, ou  serviços  .
O novo modelo a que me refiro ,constituir-se-ia   sobretudo,  em rede, não tem comprador nem vendedores – que somos nós, neste caso,  O Sul  , ou os outros jornais  – e  utilizadores, os nossos clientes  de que somos o servidor.
O nosso público poderá  ter acesso à nossa propriedade,  por diversos meios: adesão, assinatura, aluguer ,licença de utilização .Vão pagar pelo fluxo de experiências -os conteúdos- a que lhe damos acesso, durante um  determinado espaço de tempo.
Nós  temos de saber  ganhar com as novas tecnologias ,que nos permitem baixar os custos nas transacções .Em vez de termos mercados , passamos a ter redes.
Há anos um escritor  Stephen King  vendeu o seu manuscrito à empresa Simon and Shuster,por vários milhões de dólares, e com uma só versão electrónica  pode ser lido por milhões de pessoas.
Ou seja, no antigo mercado, aquele com que ainda trabalhamos, e onde  vendemos produtos, ou compramos activos,em papel, agora,  vamos passar a  disponibilizar conteúdos:  produção cultural, local, ou seja, vendemos  capital intelectual .
Temos portanto, de trabalhar numa rede,conjugar o papel com o virtual , termos consceicnia que somos  uma indústria de lazer,  e uma indústria de cultura, e  temos de evoluir,  para  vender às pessoas conteúdos que são historias  que  preenchem as nossas vidas e as delas  , viagens que sonhámos, os parques de lazer e de diversão ,  desporto ,a cozinha  local, e a culinária, as grandes causas, que são a Cidadania, e a Memória, entre outras, que devemos preservar
A  grande batalha a que assistimos é a batalha entre o comércio, os desperdícios ,e a cultura .O comércio não é origem da cultura  ,mas o seu beneficiário
Por isso ,temos de defender a diversidade cultural, e a bio diversidade, pois uma está para a outra, em pé de igualdade.
Nos nossos casos temos de ajudar a revigorar a cultura ,na sua escala local , a diversidade das tradições culturais, que são a experiência, à escala do mundo,  e o património local  .
Neste contexto,  é de sugerir aos  nossos jornais  que façam portais ,blogues, com direito a comentários,-pois criam  uma rede de interesses alternativos,opiniao,fora do circuto do  poder-   que  tenham  videos no Youtube,  que é hoje  uma televisão à medida de cada um –videos sobre   questões  referentes ao território onde trabalham ,Portugal tem já 14.700 entradas no Youtube  – e  façam parcerias  com redes locais e sociais.Por exemplo, já  o jornal do Seixal está no facebook, mas por ora pouco dinamizado.Entremos em  contactos com os portais, e redes de cidadania dos  municipios,   e com organizações que denunciem, com seriedade,  a corrupção em Portugal ,designadamente, a  corrupção  no poder local , que, como já se sabe, lavra impundentemente  ,graças aos aparelhos partidários, instalados , e aos interesses fácticos que mandam  tanto, como  os que estão no poder .É importante falar às pessoas na questão da Regionalização,  e explicar os prós, e contras, do novo governo das autarquias, que passa por  uma nova lei eleitoral ,para os cidadaos poderem opinar sobre o assunto.
Temos de transformar os cidadãos do Sul do Tejo,onde o jornal é distribuído ,  em cidadãos pró activos , em geral, só sao retro activos, incentivando- lhes para isso  o espírito crítico e interventivo
Enfim, e para terminar , dar voz  ,no verdadeiro sentido da palavra, às minorias que vivem nesta área,e que não a  têm em Portugal ,refiro-me às minorias étnicas, às religiosas ,aos deficientes, às vitimas de exclusões ,às Mulheres,aos emigrantes, e até aos glbt ´s . Essas minorias existem largamente nas nossas ruas ,nas nossas terras , mas fazemos de conta que não os vemos .Estão ,tanto a Norte como a Sul, estão  em toda a parte, e futuro tem de contar com elas, e elas connosco.
Daqui se infere que  os nossos jornais têm de defender os Direitos Humanos , tanto  individuais ,como os colectivos, e devem ser uma plataforma de convergências de várias sensibilidades para impulsionar a Cidadania, e uma Cultura de Diversidade que tanta falta faz neste país, e é  hoje, um entrave  grande, ao seu desenvolvimento,local,  social, cultural e económico .
Ou seja , vamos enriquecer o Sul do Tejo,  no inicio do  século XXI, com inovação, imaginação e criatividade para servir os que estão, há muito,  à espera disso : os nossos utentes leitores,os cidadaõs.
António Serzedelo-director de O Sul   www.jornalosul.com

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Parabéns e que corra bem, António!


  2. Na verdade ja está “no ar” há 3 numeros.E´feito na base do voluntariato,o que nem sempre é bom . Mas agradeço os teus bons votos,e convido te a enviar algo, se quiseres.Vai ao site e vê o que la está.O que estou é a lançar uma discussão.É tudo muito experimental. E temos de saber conciliar o papel com o virtual,pois muitos leitores sao info-excluidos. Abrimos com um artigo do Prof.Moises Espirito Santo,sociólogo das religões. Este mês de Maio vamos ter uma entrevista com o Fernando Dacosta

  3. Carmo Torres says:

    Caro António Serzedelo,

    Primeiro que tudo, os meus parabéns pela sua iniciativa. Mas gostaria apenas de uma pequena correcção: não é o jornal do Seixal que está no facebok, mas sim o semanário «Comércio do Seixal e Sesimbra».
    Neste momento contamos com 147 fãs, e vários outros amigos, e tentamos informá-los de cada alteração que é feita no nosso blogue, bem como das iniciativas que promovemos.
    Perdoe-me a correcção, mas existindo quatro jornais no concelho, (um deles com essa denominação e sendo outro o Boletim Municial) por vezes compreendemos a confusão, que repomos sempre que possível.
    Sempre à sua disposição,
    Carmo Torres

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