Lítio no Afeganistão

(adao cruz . democracia americana)

A minha empregada diz-me assim: o sr.doutor é o máximo. O sr. dr. é que dava uma boa empregada. O sr. faz tudo, seja de homem ou de mulher (salvo seja, penso eu no meu íntimo!). Mas ela tem razão, e eu não digo isto para armar nem com presunção. Mas tanto avalio e preparo um doente para uma intervenção ao coração, como prego um botão numa camisa ou levanto a bainha da calça, (melhor seria levantar a bainha da saia!). Várias vezes tenho dito que me encontro, por vezes, no computador, com os pincéis na tinta, a ler uma revista de cardiologia e a fazer um estrugido. Sou assim e assim serei enquanto os olhos e a mente mo permitirem. Mas, sendo assim, vejo-me por vezes à rasca para cumprir os meus deveres de aventador, pelo que peço desculpa ao amigo Ricardo e outros que tiveram e têm a gentileza de me querer nas colunas do blogue que em boa hora criaram.

Mas hoje aconteceu.

Sem tempo para escrever, mas com vontade de explodir, deixei a meio o polvo que estava a cozer e lavei os pincéis que estava a utilizar. Sentei-me no computador, e escrevi isto que deixo à vossa apreciação:

Há uns tempos atrás, transcrevi aqui no Aventar uma carta aberta a Barack Obama, extensa, repartida por vários posts. Numa dessas partes eu dizia o seguinte:

O Afeganistão é um alvo preferencial do imperialismo, pela sua posição geo-estratégica e por muitos outros interesses, nomeadamente petróleo. Sempre pensei que o Senhor não fosse tentado a pisar o mesmo terreno dos seus antecessores, sempre pensei que o Senhor desse meia volta e soubesse que o Afeganistão tem uma riquíssima história e que não é pelo povo afegão que os senhores e os vossos “aliados” lacaios lá se encontram. Sempre pensei que o Senhor fosse suficientemente inteligente para reconhecer que o conceito de “talibãs”, a despeito do muito que tem de negativo, é muito nebuloso e está profundamente instrumentalizado. Do que se trata, ao fim e ao cabo, é da resistência de um povo a uma escandalosa invasão, verdadeiro tsunami de predadores, assassinos e falsos moralistas. Sempre pensei que o Senhor reconhecesse a farsa monumental e o montão de fraudes maciças que foi a eleição de karzai, um vendido bem curriculado na CIA. Temo estar a ver claros indícios de que a política militarista desta América a que eu gostaria que o Senhor deixasse de pertencer, vai prosseguir e talvez intensificar-se, em moldes mais requintados, como parece mostrar o tal “Smart Power” (Poder Inteligente), isto é, o uso das forças militares combinado com a diplomacia, operações psicológicas e métodos políticos de penetração na população!

Cantigas Ó Rosa ditas por ti Olinda!

Foi o que aconteceu hoje.

Chegaram-me aos ouvidos novas sobre o Afeganistão.

Para além do petróleo, há dois anos e meio que os EU sabem que o subsolo do Afeganistão contém gigantescas quantidades de ferro, cobalto, cobre, ouro e sobretudo lítio, um metal fundamental na produção de baterias para telemóveis e computadores portáteis, jazidas capazes de ultrapassar as da Bolívia, o maior produtor mundial. Por isso a Casa Branca se fechou em copas e  já manobra tudo de modo a que nenhuma companhia de outras potências económicas, nomeadamente da China, possa explorar tão milagrosos recursos. Neste momento várias multinacionais americanas já estão a trabalhar no terreno, em conúbio com as autoridades-fantoche, na concretização de um latronífero projecto de concessão desta autêntica mina.

Ó Sr. Barack Obama! Tanta gente no mundo a pensar que o Sr. é uma revolução, um virar do avesso, uma esperança para a humanidade!

Agora se percebe porque é que o Sr. Barack Obama tanto se empenhou no combate ao terrorismo no Afeganistão, prioridade das prioridades, a única promessa que tem cumprido escrupulosamente. A todas as outras, positivas e pseudo-positivas se foi baldando.

Mais uma vez se repete às escâncaras a política de saque e assalto à mão armada da “grande democracia norte-americana”.

Eu sou menos que zero, a minha voz não vale nada, a minha escrita vai para o lixo, o meu estrugido queimou-se, o meu tempo perdeu-se, mas o quadro que eu estava a pintar tingiu-se de raiva e talvez possa vir a perdurar como um grito.

Comments

  1. graça dias says:

    O estrugido ficou como o Barack Obama – PRETO.
    Deixe pra la os arabes e pense nas SCUTs e nas tarefas domésticas que é mais importante que isso.

  2. António Soares says:

    Adão,és cá dos meus…não fosses tu o primeiro!!!…Aprende-se aqui,cada coisa!!!

  3. maria monteiro says:

    Onde os EUA se querem meter ninguém os segura… depois vêem sempre com essas falinhas mansas que vão em defesa dos povos..

  4. Frederico says:

    Os EUA só se metem onde há dinheiro em jogo. Liberdade, direitos humanos, democracia, são slogans publicitários da industria de guerra americana.

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