The melting point: Wikileaks, Pentágono e Obama

O portal Wikileaks transformou-se em autêntico quebra-cabeças do Pentágono e dos governos dos EUA e de outros países ocidentais. As revelações de informação secreta levaram o fundador do ‘site’, o australiano Julian Assange, e restantes colaboradores, a dispersar os respectivos servidores por vários países, entre os quais a Suécia. Neste país, o local de abrigo é um “bunker” do tempo da Guerra Fria.

A coragem de Assange e companheiros causou uma espiral de incomodidade nas chefias militares norte-americanas, quando utilizaram o Wikileaks para verter, na Internet, um conjunto de 75 mil documentos secretos relativos à intervenção no Afeganistão.

Todavia, o portal Wikileaks, além de outros conteúdos incómodos, descodificou e difundiu igualmente o vídeo que encima este ‘post’. As imagens, igualmente publicadas em ‘el mundo’, demonstram a forma bárbara como, a partir de um helicóptero, soldados norte-americanos assassinaram o fotógrafo da Reuters, Namir Noor-Eldeen, e mais onze civis inocentes. Além da barbaridade do crime, é possível ouvir a abjecta linguagem usada dos “heróis” que o perpetraram. Aconteceu em Bagdad em 2007 e nem a Reuters logrou ter explicações das razões do ignominioso acto.

Claro que, como tinha sido avisado, Assange vem a ser perseguido pela ousadia. A procuradora-chefe da Suécia, Marianne Ny, decidiu reabrir uma investigação contra Assange, por suspeição de crimes de violação e assédio, com base em queixa de duas cidadãs suecas. Julian Assenge, ao afrontar poderosos sustentáculos do imperialismo norte-americano, está naturalmente consciente que, doravante, nunca terá uma vida fácil e muito menos tranquila.

Iraque e Afeganistão trazem, todavia, outra figura para este ‘melting point’ da política internacional actual. É o presidente Barack Obama que já aqui elogiei, a propósito da reforma em que se empenhou do sistema de saúde, nos EUA.

Com efeito, Obama fez ontem um estranho e inquietante discurso, justamente a propósito da “retirada” das tropas dos EUA do Iraque. A imprensa livre e conectada com a esquerda norte-americana,  The Nation por exemplo, lembra que, até 2011, ainda permanecerão no Iraque 50.000 soldados. O custo em dinheiros públicos do país, sublinha o senador democrata, Russ Feingold, já atingiu 700 biliões de dólares. E tal custo continuará a incrementar ali, no Iraque, e no Afeganistão, onde a intervenção dos EUA tem aumentado de intensidade e de meios utilizados. Porém, uma das maiores surpresas do discurso de Obama assentaria no elogio do antecessor, George Bush, ao afirmar:

Ninguém pode duvidar do suporte do Presidente Bush às nossas tropas ou do seu amor ao nosso país e do seu compromisso com a nossa segurança

Sabemos que, face às ofensivas da direita norte-americana, do ‘Tea-Party’ da cabotina Sarah Palin, da polémica à volta da construção da mesquita em Nova Iorque, Barack Obama se encontra espalmado na luta para assegurar a continuidade do poder. Mas, a agir assim, também o perderá, juntamente com a dignidade e a coragem de mudança que muitos cidadãos dos EUA e do mundo lhe reconheceram.

O poder, esse amaldiçoado instrumento de domínio das sociedades humanas, acaba por corromper. Mesmo sem ser absoluto, corrói absolutamente, até às entranhas do próprio idealismo. E Barack Obama parece estar em processo de degeneração.  

Comments

  1. adao cruz says:

    bandalhos

Trackbacks

  1. […] The melting point: Wikileaks, Pentágono e Obama […]

  2. […] ocupação, ao contrário do que Obama afirmou 3.ª feira passada, ainda continua através da permanência de 50.000 soldados dos EUA até 2011, não obstante ter […]

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