Pagar impostos para ser despedido?

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Dizem que a inteligência é limitada mas que a estupidez pode ser infinita. A esta última acrescento a cretinice.

Esperava grande polémica com esta vontade do governo em criar um fundo para que as empresas possam despedir com menos encargos financeiros relativos às indemnizações. Alguma coisa tem sido escrita mas bem menos do que este espasmo verborreico-legislativo merece.

Vejamos. O dinheiro do Estado não cai do céu. Vem dos contribuintes, como todos bem sabemos e melhor constataremos a partir de Janeiro. Segundo o Público, a ministra do trabalho  disse que “não haverá nenhuma contribuição pública” para o fundo, pelo que, conclui o Público, este terá de ser alimentado exclusivamente com a participação das empresas. Sim, acredito. E as galinhas também vão ter dentes. Então as empresas querem reduzir os custos mas, por outro lado, vão colocar a mesma quantidade de dinheiro nesse fundo. Muda-se para ficar tudo na mesma, é isso?

Estarei cá para dar o braço a torcer mas a ver vamos se este fundo não terá que ser feito com dinheiro dos contribuintes. Até porque, acreditando que as empresas contribuam alguma coisa para o fundo, basta que alguma empresa não cumpra (por falência, por exemplo) para que o fundo fique deficitário.

Seja porque o fundo ficou sem dinheiro, seja porque serão os impostos a alimentar este fundo, vai então o caro contribuinte contribuir com o seu dinheiro para duas coisas  absolutamente fantásticas:

  1. aumentar o desemprego e
  2. aumentar o lucro da empresa que despediu.

Mas isto é normal?! Ainda vivemos num país?

É este o Estado Social de que tanto à boca cheia por aí se fala?

Tínhamos um primeiro-ministro sem escrúpulos na sua abordagem propagandística a que alguns chamam de luta política. Agora ganhámos também um cretino.

Em terceiro lugar, pretende-se aumentar a competitividade do mercado de trabalho, através da adopção de mecanismos de descentralização da contratação colectiva, privilegiando a negociação de base empresarial. Além disso, adopta-se um novo modelo de compensação pela cessação do contrato de trabalho que permita incentivar as novas contratações e a criação de emprego, reduzindo o risco de custos de reestruturação empresarial. Pretende-se, assim, diminuir o impacto da compensação devida para a empresa sem, no entanto, ser posto em causa o conceito e a exigência de justa causa no despedimento individual. [link]

Neste país mais facilmente se faz um despedimento colectivo do que se manda para a rua um incompetente. Mas isso não é preciso resolver. O valor das indemnizações, isso sim, é premente. É preciso colocar um tecto máximo (que já existe: 1 a 2 meses por cada ano de trabalho). Agora pensar naqueles que não conseguem um contrato e que se arrastam com recibos verdes? Credo-santa-maria-abrenúncio.

“Ai que vem aí o papão neo-liberal” mas depois é que vê quem é o lobo vestido de cordeiro. As reformas daqui a poucos anos serão inexistentes, o SNS cai aos bocados, a educação resume-se a números Pisados e agora o despedimento é fonte de receita para as empresas.

Bem, é melhor terminar a escrita por aqui. Volta Santana Lopes, que te foste por bem menos. E ao menos sempre tinhas miúdas giras à tua volta.

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