Bellevue

Hoje lembrei-me desta música, nem sei muito bem por que razão…

“leve levemente como quem chama por mim”
Fundido na bruma no nevoeiro sem fim

Uma ideia brilhante cintila no escuro
Um odor a tensão do medo puro

Salto o muro, cuidado com o cão
Vejo onde ponho o pé, iço-me a mão

Encosto ao vidro um anel de brilhantes
É de fancaria a fingir diamantes

Salto a janela com muita atenção
Ponho-me à escuta, bate-me o coração

Sabem que me escondo na Bellevue
Ninguém comparece ao meu rendez-vous

Porta atrás porta pelo corredor
O foco de luz no ultimo estertor

No espelho um esgar, um sorriso cruel
Atrás da ultima porta a cama de dossel

Salto para cima experimento o colchão
Onde era sangue é só solidão

Os meus amigos enterrados no jardim
E agora mais ninguém confia em mim

Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego

Bellevue, do LP «Psicopátria» (1986) dos GNR.
Letra: Rui Reininho. Música: Tóli e Jorge Romão.

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