Banco de Portugal e o interesse nacional

banco de portugalO Banco de Portugal iniciou a semana com a publicação do Boletim de Inverno, com as projecções para a ‘Economia Portuguesa: 2010-2012’. As notícias são naturalmente insatisfatórias. No que respeita ao PIB para 2011, por exemplo, prevê um decréscimo de – 1,3%. Também, na área do emprego, estima a eliminação de postos de trabalho: 49.000 em 2011, 9.800 em 2012; ou seja, mais 58.800 desempregados até ao final de 2012, sem compensação do lado do emprego.

Ao negro cenário esperado, o BdP adianta ainda a recomendação de “reformas no mercado trabalho”, cujo desfecho social facilmente se deduz: acelerar o desemprego e a precariedade das relações de trabalho.

Deixo, por ora, o  teor do boletim citado e a mais do que possível hipótese de, em algumas áreas, as previsões macroeconómicas se revestirem de credibilidade e legitimidade. Ocorre-me apenas questionar se este era o momento mais apropriado para o Banco de Portugal divulgar as projecções em causa.  Não poderia adiar para o fim-de-semana a publicação do Boletim de Inverno? Lanço esta pergunta, tendo em consideração o interesse nacional autêntico; não do governo ou de qualquer partido da oposição. E a questão  ainda mais pertinente se torna, caso se tenha em consideração que os juros do financiamento externo são suportados, como se sabe e de que maneira, pelos cidadãos em geral. [Read more…]

De Carlos Castro a Renato Seabra, um Portugal com a boca no cu

cu_na_mao As caixas de comentários estão cheias deles. O diagnóstico é simples: pessoal com a vida sexual mal resolvida, seja por uma coceira anal que pudor e preconceito impedem de assumir, seja por outra razão menos complexa e mais delambida. O crime passional do momento soltou-lhes a voz e abriu-lhes a alma. Uma bicha deixou de ser um humano: passou a ser a aberração que temem assumir ser, mas mesmo assim são. A prostituição masculina deixou de existir, foi promovida a fazer-se à vida. Quanto mais sórdido melhor. E como lembra o Eduardo Pittamuita gente se espanta que heterossexuais conspícuos e respeitados pais de família levem no cu.”

É assim Portugal. Carlos Castro, um tipo que ganhou a vida a cuscar a dos outros, numa das mais repugnantes funções sociais de algum papel pintado de cor-de-rosa, acaba devassado post mortem na sua própria castração, tendo a morte que merecia. Renato Seabra, o gandarês que os jornais confundem com bairradino numa geografia etílica, pode ser assassino mas homossexual nunca foi, esquecendo-se quem assim o avalia que nesse caso desce para a categoria de prostituto, uma profissão muito pouco respeitada entre nós, convenhamos.

Com isto anda entretido o país que adora meter o nariz no cu dos outros. Um país de castrados em vida, já sabíamos, sempre prontos a mandar palpites sobre a boa e má vida dos outros.

E andam p’los cafés como as pessoas / e vestem-se na moda como elas, / e de tal maneira domésticos / que até vão às mulheres / e até vão aos domésticos.

Porque como tão bem e também escreveu Almada Negreiros:

É que a Natureza é compensadora: / quem não tem dinheiro p’ra ir ao Coliseu / deve ter cá fora razões p’ra se rir.

De borla.

Bem vindo, António

Um blog colectivo é também um espaço multidimensional onde pessoas com diferentes visões se cruzam, umas vezes em concordância, outras nem por isso, resultado desta heterogeneidade um valor superior à soma das partes. O Aventar passa a partir de hoje a contar com a participação do António de Almeida e, com os seus pontos de vista, fica um pouco mais rico. Bem vindo, António.

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. A amizade com Bettino Craxi

continuação daqui

A partir da sua eleição em Genebra, em 1976, os vice-presidentes da Internacional Socialista Bettino Craxi e Mário Soares estabeleceriam uma relação de grande amizade pessoal. Um tipo de relacionamento descontraído, comum a pessoas com gostos e pontos de vista semelhantes. O PSI tinha ajudado bastante a Acção Socialista através de Manuel Tito de Morais, que vivera exilado em Roma, mas, depois do 25 de Abril esse apoio seria relativamente modesto.
Assim, eu seria surpreendido quando Mário Soares informou que a situação mudara e que o seu cunhado e eu nos deveríamos deslocar a Milão no dia 15 de Setembro (1977), a fim de receber uma considerável quantia de dinheiro. Naquele dia, Fernando Barroso e eu teríamos à nossa espera um dos assessores de Craxi para assuntos financeiros, Ferdinando Mach, que nos levaria numa agradável viagem de carro à cidade de Lugano na Suíça, onde nos seria entregue aquele dinheiro. Meio milhão de dólares que deixavam o partido numa situação desafogada.
Nunca me foi dito qual a razão dessa generosa dádiva e nem a mim me competia fazer quaisquer «investigações». [Read more…]

Enquanto o pau vai e vem, já nem as costas folgam

Na missão de escolher prémios Nobel da Economia para sustentar as posições que defendemos, dei por mim a escolher Paul Krugman. Não porque partilhe sempre as mesmas opiniões mas porque tem sentido de humor e, acima de tudo, é daqueles vencedores do dito prémio que dizem coisas que o comum dos mortais entende. Isto é, não é preciso ter sido ministro das Finanças, servidor do Estado no Banco de Portugal ou professor de finanças públicas para entender o homem.

Ontem Krugman lembrou-se novo de Portugal, país pelo qual nutre certo carinho. E o que disse? Que Portugal é a próxima pedra do dómino a cair, que a recuperação passa pela deflacção e que, atendendo ao volume da dívida privada, esta será bem tramada.

Até parecia premonição.

Hoje, por breves momentos pudemos respirar, até que nos voltaram a atirar ao tapete. Diz o ditado que enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. O problema é que o tempo entre cada cacetada está cada vez mais curto.

Horácio Antunes à presidência da FPF

Parece que Horácio Antunes, ex-presidente do município da Lousã e actual deputado do PS, pode vir a ser o sucessor de Gilberto Madaíl na Federação Portuguesa de Futebol. Para já é candidato único, numas eleições que podem nem ocorrer.
Às pessoas que votam nisto, se é que há pessoas a votar nisso, a FPF, recomendo a leitura do livro do meu amigo Casimiro Simões, ilustre lousanense, que em tempos aqui apresentei: “Com as botas do meu pai“. Entretanto o Casimiro já publicou outro mas este é pequenino e chega.

A quem não esteja para ler livros, mesmo pequeninos,  sempre sintetizo: comparando com Gilberto Madaíl é um progresso, numa certa continuidade. E viva o bloco central.

FMI, o orgasmo está a chegar

A pátria preparada para receber o FMI

A direita anda muito feliz com a ameaça de o FMI se instalar no Terreiro do Paço. Consulta todos os dias a meteorologia esperando neblinas e nevoeiros matinais, para uma encenação sebastiânica perfeita.
Compreende-se. A anterior passagem do FMI por estes lados abriu o caminho à Europa e seus fundos estruturalmente desviados para os bolsos das empresas, estendendo o tapete ao cavaquismo que iniciou a privatização do estado nas pontes sobre o Tejo. O FMI funciona para a nossa direita como o pai polícia que vai meter os meninos pobres e ranhosos na ordem com uns bons açoites no rabo.

Mais desemprego, salários mais baixos, mais lucros para uma minoria, mais bancos, mais capitalismo financeiro. Uma felicidade.

Só é pena que o FMI não use preservativo.

Fernando Nobre, um Homem Bom, um Candidato Sofrível

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre teria a voz e a dicção de Alegre, a altura (em centímetros) de Cavaco, a compleição física de Francisco Lopes, o à-vontade de José Manuel Coelho e a experiência polítiqueira de Defensor Moura.

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre não titubearia, não gaguejaria, não falaria para dentro e projetaria a sua voz de modo audível e convincente.

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre seria, no terreno, um bom candidato e ganharia as eleições.

Porque Fernando Nobre é o melhor homem entre todos os candidatos e o único com um currículo verdadeiramente ao serviço dos outros, sendo que os “seus outros”  são os mais desfavorecidos, os mais desprotegidos, os mais atingidos, os menos apoiados. Os outros de Fernando Nobre são as vítimas da política e dos maus políticos, as vítimas da economia e da corrupção, do desvio das riquezas, das guerras fraticidas, das catástrofes naturais, da sede, da fome, da ganância e da falta de ética. [Read more…]

Na Escola, os Pais fazem a diferença

O estudo divulgado pelo Diário de Notícias de ontem (descoberto aqui) surge em contraponto a outro anunciado com muito mais pompa e circunstância e que mereceu algum debate no Aventar. Mais uma vez, nesta análise, terei como base apenas a notícia.

A autora do estudo, Teresa Guimarães, é investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, dado que nos é facultado pela notícia. Em síntese, procedeu à comparação entre dois grupos de 12 famílias carenciadas no Vale do Ave: num grupo, os alunos têm bons resultados, enquanto no outro há insucesso escolar. A investigadora conclui que a diferença, não estando nos rendimentos das famílias, está na atitude dos encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos. Mesmo correndo o risco de abusar da auto-citação e de parecer que estou a brincar ao “eu já tinha dito isso”, a verdade é que já opinei sobre este assunto aqui, com uma base absolutamente empírica e sem pretensão de originalidade, mas com conclusões semelhantes. [Read more…]

Psssst, Washington, Please, We Have a Problem

Pois parece que nada mais nos resta do que, a partir de quarta-feira, e caso a venda de dívida corra mal, chamarmos os senhores do FMI, apesar das afirmações do sr Teixeira dos Santos e da tentativa de enganar dos mercados  na apresentação dos números de 2010 para o défice previsto. Pelo seu lado o Primeiro Ministro de Portugal diz que o FMI não é preciso por .
Nesse pressuposto, o nosso amigo Drucas, que tem estado calado e quedo, já se movimenta, perfilando-se para umas eleições antecipadas.
Também o líder do CDS pede sem cessar novas eleições.
Todos à espera do óbito oficial do ainda nosso Primeiro, que em estertor, lá nos vai dizendo que não precisamos para nada dos senhores de Washington.
O comentador Marcelo lá vai mandando as suas bitaitadas, e a pressão dos mercados e em especial da  França e da Alemanha, faz-se sentir cada vez mais. [Read more…]

Bellevue

Hoje lembrei-me desta música, nem sei muito bem por que razão…

“leve levemente como quem chama por mim” [Read more…]

A Morte do Assessor de Imprensa:

Já está publicada toda a trilogia “A Morte do Assessor de Imprensa” no PiaR:

Da Comunicação de Massas à Comunicação das Massas;

Do Pombo-correio ao Twitter;

A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação.

Era o que me faltava criticar essas bestas, esses animais, essa cambada!

 

Cavaco não comenta adversários ‘por mais loucos que eles sejam’

o conteúdo do processo educativo

Para os candidatos ao Mestrado em Antropologia da Educação do ISCTE. 1ª Edição, 2003. E para Graça Dias

conteúdos de aprendizagem, o regimento humano

A quantidade de opiniões teóricas, o facto de combinar as teorias políticas, religiosas, as conveniências democráticas e as mudanças de governo, não permitem manter apenas uma teoria. Como defini recentemente, educar é introduzir a criança e os púberes dentro da heterogeneidade do saberes, deveres adequados à organização social, a simpatia dessa organização e a paz e alegria de viver em sociedade, apesar das diferenças em saberes, posses e ocupações. O conteúdo do processo educativo tem por objectivo ensinar a igualdade possível entre pessoas diferentes. É esta a preocupação dos membros do Aventar ao longo dos tempos.

Definir processo educativo, parece ser uma palavra, ou ideia, comum. Parece-me no entanto, ser um labirinto de teorias, opiniões e factos. Dediquei o meu tempo na pesquisa desse conteúdo (temática do meu texto publicado na Revista Educação, Sociedade Culturas, Nº1, em 1994). No entanto, ficou por referir uma ideia importante que, por hábito, não associamos ao processo educativo: a análise da catequese, quer em Portugal, quer noutros países que usam a teoria cristã para orientar a sua vida. [Read more…]