Cavaco a deturpar

As declarações e discursos de Cavaco transformam-se quase sempre em exercício de quem se imagina a falar apenas para pacóvios. Criticamos-lhe a petulância, reconhecendo eficácia na falácia de ser o mais honesto e sábio dos portugueses. A célebre frase “Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas” é  estigma do estilo de político que o define.

Na Madeira, concelho da Ribeira Brava, Cavaco garantiu à comunicação social que não afastaria os membros da sua comissão de honra que dirigem a CGD. Para defender a sua posição, declara agora que, no debate com Alegre a propósito dos dinheiros públicos injectados no BPN (+ de 5 mil milhões de euros) e da nacionalização por ele promulgada, se limitou a fazer uma constatação do insucesso de resultados por comparação com o êxito de operações semelhantes em bancos britânicos. Continuar a ler “Cavaco a deturpar”

Analogias


O Estado resolveu “reforçar” o capital social da Caixa Geral de Depósitos com mais 550 milhões de Euros. Por mera coincidência, o BPN “precisa urgentemente” de uma injecção de 500 milhões. Um mundo de coincidências para o sr. Cavaco Silva comentar neste estilo:
-“Bem… aaaah não foi o que eu disse…, a senhora jornalista deturpou as minhas palavras…, aaaaaaaaaah… BPN actual, não o que está a correr em tribunais…, não tem a ver com pessoas…, aaaaaah uma constatação, a recuperação… não estou a fazer julgamentos…, tenho muitas dúvidas…, como sabe, aaaaaaaaaaaah… (glup!), o contexto… sabe, gló-blóóó, góóó…”

Devem pensar que somos parvos?!

as mortes da doença

a solidão é outra forma de morte

Nunca, mas nunca, pensei que uma doença pudesse ter tantas mortes e todas elas diferentes. De índole diferente. Conhecia apenas uma, a que todos sabem: a do corpo que fica sem alma como definiam os gregos clássicos antes da nossa era. Ou essa morte física em que a alma, como define Agostinho de Hipona no seu texto As Confissões, do ano 398, editado primeiro em pergaminho, para passar a suporte de papel a partir do Século XVI, editada a versão, que guardo comigo, em 1937 por Thomas Nelson & Sons, Ltd, London, Edinburgh, Paris, Melbourne, Toronto e New York; não é a mais antiga, mas sim, após pesquisa na Biblioteca da minha Universidade de Cambridge, a que usa o significado das palavras latinas da época traduzidas para o inglês antigo: Great art Thou, and greatly tobe praised; great is Thy power, and Thy winsdom infinite, morre pelas ofensas causadas à Divindade que a tinha criado. Em XIII pergaminhos, confessa publicamente os seus pecados e manifesta o seu arrependimento, afirmando estar certo de gastar muito da eternidade às portas do paraíso (o Purgatório ainda não tinha sido criado, pois surge no Concilio de Trento, Século XVI, após a separação das

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Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Um discurso histórico de Ramalho Eanes.

continuação daqui

«O primeiro golpe contra o primeiro governo de Soares vem, contudo, de onde Soares menos o espera. Vem de Belém e reveste a forma de um discurso». A três meses do seu primeiro aniversário, já o I Governo estava condenado. Ramalho Eanes, querendo evitar associar-se à impopularidade do governo que empossara, faria um curioso discurso na Assembleia da República demarcando-se por completo de Mário Soares. Este, atordoado mas convencido da sua intocabilidade, responderia de cócoras que «é certo — como notou o Presidente da República no seu discurso na Assembleia — que muitos dos ideais que floriram com a revolução de Abril e muitas promessas então feitas ao Povo, com certa dose de ingenuidade e muita demagogia, não puderam ser realizadas».
Mas quando os enfants-gatés são contrariados geralmente têm birras. A do primeiro-ministro foi a de responder ao Presidente da República com uma ameaça, tentando obter um acordo parlamentar com o PSD e Sá Carneiro. Continuar a ler “Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Um discurso histórico de Ramalho Eanes.”

Crime organizado

O cérebro é uma esquina em que as leituras se encontram por acaso. Estando eu a respigar os jornais, houve duas notícias que foram uma contra a outra e ficaram agarradas, independentemente da minha vontade: “Criminalidade desce mas é mais organizada” e “Tribunal de Contas arrasa prémios injustificados nos SUCH”.

Assim como as leituras podem encontrar-se por acaso, o Código Penal e o senso comum podem viver desencontrados, a ponto de um acto considerado criminoso numa conversa de café não ser legalmente um crime.

As notícias recorrentes acerca do desperdício de dinheiros públicos podem levar as pessoas a pensar que estará aí uma das causas da crise económica que nos impuseram. O passo seguinte poderá ser o de descobrir que os cortes nos salários e nas prestações sociais ou o aumento do IVA ou a imposição de portagens nas SCUT servem para pagar os abusos como os apontados pelo Tribunal de Contas. Não será isso um roubo, um crime? Se sim, a verdade é que a criminalidade não desce, aumenta. E é, efectivamente, muito organizada.

GAVE & PISA

COMO SE FORA UM CONTO

Há por aí algumas coisas que me baralham.

Sendo pai de vários filhos, em diversos sectores etários, vejo-me confrontado com diversas realidades. Uns, os mais velhos, são já formados, estão empregados, ganham mal, mas vão sendo dos que, privilegiados, arranjaram trabalho remunerado nestes dias tão difíceis. Um outro, já no segundo ano da faculdade, é um aluno quase brilhante, pelo menos se comparado com os seus pares. O mais novo, actualmente no sétimo ano de escolaridade é um aluno médio/bom. São pessoas que sabem falar sobre qualquer assunto, dependendo do nível da sua formação e que não dão pontapés na gramática Portuguesa. Para tal, tive ao longo dos anos, uma especial atenção à forma como se expressavam, como escreviam e como elaboravam as suas ideias. A par disso, a minha atenção virou-se muito e também para a compreensão dos números. Continuar a ler “GAVE & PISA”

ACOP propõe o regresso a um regime de preços máximos para os combustíveis

Com o petróleo a atingir o limiar psicológico dos $US 100, impõe-se, em situação emergencial, que o regime de preços livres, estabelecido há anos, cesse transitoriamente, já que o País vive uma crise sem precedentes por razões que se não ignoram…

Para tanto, a ACOP propõe se retorne ao regime de preços máximos, calculado segundo critérios rigorosos e que escapem a uma “pseudo-concorrência”, como a que ora se observa, sendo que no intervalo de preços poderá haver sempre uma salutar concorrência se as empresas do sector petrolífero honrarem o seu respeito pelo mercado e pelos consumidores, o que parece não se haver verificado desde a abertura do mercado à liberalização estatuída. Basta atentar no que sucede com os elevadíssimos preços praticados nas auto-estradas, cuja “concertação” os painéis não escondem… e no mais, onde a similitude preços poderá não ser mera coincidência! Continuar a ler “ACOP propõe o regresso a um regime de preços máximos para os combustíveis”