A decência


O general Ramalho Eanes, foi ontem instado por alguns repórteres, a pronunciar-se a respeito de “investimentos” em instituições financeiras. O assunto candente era o “caso BPN-BPP” e embora seja membro de honra da comissão – mandatário? – de apoio ao Sr. Cavaco Silva, não hesitou em responder como devia:

“Eu não sou um homem que tenha um grande aforro, mas tenho sido contactado ao longo da minha vida pelos bancos e quando eu digo ‘bom, eu não tenho dinheiro para aforrar” eles dizem “não, não, mas nós gostaríamos muito que você fosse nosso cliente, porque isso dá uma certa imagem ao banco (…) nunca fui contactado pelo BPN, mas tenho sido contactado por alguns bancos para ser cliente, e tenho dito sistematicamente que não”.

A única conclusão a tirar, consiste na certeza que essas instituições têm, acerca de quem vai, ou não, aceitar as generosidades prodigalizadas.

Melhor faria o Senhor General em não participar neste tipo de “comissões de honra”, remetendo-se para aquilo que ao Expresso declarou, quando do septuagésimo aniversário do rei de Espanha.

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. O acordo com o CDS

continuação daqui

O primeiro-ministro Mário Soares nem acreditava que o general Ramalho Eanes tivesse «coragem» para lhe retirar o tapete, nem que houvesse alternativa ao seu Governo. Acreditava, sim, que Eanes lhe devia a ele o facto de ser Presidente da República e que o PSD e o PCP lhe deviam, embora por razões contrárias, a sua existência legal. Assim se explica o inacreditável «memorando» que enviaria aos partidos a 15 de Novembro, esclarecendo que «o PS não aceita entrar em nenhum Governo de coligação.
Por duas razões, fundamentalmente: — porque tal posição representa um compromisso tomado perante o eleitorado e… porque considera que um Governo de coligação, ainda que pudesse ajudar a vencer certas dificuldades no plano parlamentar, não teria operacionalidade e viria ainda agravar as tensões sociais e regionais já existentes». Alegava ainda que uma coligação não poderia resultar de uma decisão das cúpulas «devendo antes resultar de algo sentido e vivido pelas bases dos partidos interessados». Este «memorando aos partidos» continha uma proposta de plataforma que no fundo não passava da repetição da posição de arrogância em que o I Governo se colocara.
Era a repetição da tese do «PS sozinho», com a ameaça da moção de confiança pelo meio. [Read more…]

Guerra da Guiné (pequenas memórias)

O furriel Machado em primeiro plano

O furriel Machado pertencia à minha companhia de origem, a 1547. Esta companhia permaneceu algum tempo de intervenção, mais ou menos o tempo que eu estive em Canquelifá. Uma companhia de intervenção era uma espécie de bombeiro, acorrendo aos mais variados locais onde havia conflito. Findo este período de intervenção, a companhia fixou-se em Bigene, no norte, no sector de Farim. Algum tempo antes, uma Dornier fora buscar-me a Canquelifá para me depositar em Bigene, onde se encontrava a última companhia de farda branca, que estava prestes a acabar a comissão, e que seria substituída pela 1547. [Read more…]

Leilão de Quarta

Cassandra

Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.

Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.

Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).

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O estado do Estado

DN  Sex. 7 de Jan. 2011DN Sáb. 8 de Jan. 2011 DN Dom. 9 de Jan. 2011

O Diário de Notícias, frequentemente referido em tom zombeteiro por "Diário do Governo", está a publicar uma sequência de artigos sobre o Estado português. A leitura destes textos resulta num misto de masoquismo e de fingida incredulidade, esta derivada da pergunta sobre porque raio se passou a última campanha eleitoral legislativa a discutir o casamento gay e as obras públicas em vez disto.

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Hoje no Diário de Notícias:

Entrevista Pedro Passos Coelho

“O eventual recurso ao FMI não pode deixar de ter consequências políticas”

Esta é a última entrevista de fundo que Pedro Passos Coelho concede até ao fim da campanha presidencial em curso. A partir de agora, só fará intervenções pontuais, e uma delas está marcada para Vila Real, ao lado de Cavaco Silva, num comício.

Ricardo Rodrigues afastado da comissão de Camarate

Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, está impedido de presidir à IX comissão de inquérito ao caso Camarate, para a qual havia sido indigitado recentemente. Tal deve-se ao facto de a SUCIA (Sociedade Unificada de Carteiristas Ilegais e Assaltantes) ter conseguido uma ordem de restrição que impede que o referido deputado possa estar a menos de cinquenta metros de qualquer aparelho de gravação áudio, o que impossibilitará o socialista de entrar em São Bento e, eventualmente, na sua própria casa.  

Ricardo Rodrigues celebrizou-se, a 30 de Abril, por ter tomado “posse de dois equipamentos de gravação digital”, propriedade da Revista “Sábado”. A fim de explicar a iniciativa da SUCIA, o secretário-geral da associação declarou ao Aventar: “Isto é tudo uma questão de imagem: se começam a confundir-nos com deputados, é uma corporação inteira de criminosos sérios a ficar malvista.”

Porto – Marítimo: Nem Guarin sabe como marcou aquele golo…


Ao fim de 3 anos, o rapaz colombiano começa a mostrar alguma coisa. Já não era sem tempo…

Carlos Castro teve a morte que merecia


Ouvi no supermercado um homem dizer que Carlos Castro teve a morte que merecia, sendo que, na conversa com o amigo, nunca o tratou pelo nome mas antes pela «bicha louca».
Embora por razões diferentes, sou obrigado a concordar com aquela frase. Carlos Castro foi uma pessoa diferente das outras, não foi uma pessoa dita «normal», por isso não podia ter tido uma morte «normal», na cama de um hospital ou na passadeira de uma rua.
Num país mesquinho, cheio de preconceitos e invejas, Carlos Castro viveu como quis e como lhe apeteceu. Aproveitou bem a vida e, até ao fim, fez-se rodear do prazer. A ironia de ter sido precisamente esse prazer a conduzi-lo à morte não passa disso mesmo, de uma ironia.
A morte num quarto de hotel de luxo da cidade amada, Nova Iorque, às mãos do seu último amor – uma relação de «faca na liga» que foi notícia em Portugal, em Espanha, nos Estados Unidos, no Brasil. Um mito. Quantos não dariam a vida para ter uma morte assim?