Davos serve-se fria e o Magreb a ferver

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Davos, estância de neve suíça, é outra vez cenário do Fórum Económico Mundial. O acesso de contestatários às proximidades do local é interdito. Um militar de arma alçada é a força dissuasora. Há que proteger banqueiros, empresários e políticos. O ambiente de serena reflexão é imprescindível. Permite a crueldade da continuidade e, de resto, Davos serve-se fria.

Os homens das finanças e dos negócios, em Davos, não dispensam a  participação de políticos. Além de outros, compareceram Merkel, a proprietária do euro, Sarkozy, o presidente mais cabotino da história republicana francesa, e Cameron, um PM britânico gentil e sorridente, ainda que longínquo da capacidade de Blair, no número de sorrisos por segundo. De realçar que Merkel, Sarkozy e Cameron comungam de ideais do neoliberalismo e do nefasto modelo de globalização que arrasa a vida a milhões de seres humanos.  Porém, existe outro fenómeno comum entre eles,  o desemprego; Alemanha, França e Grã-Bretanha orbitam à volta de idêntico número de desempregados:  4.000.000 em cada país. Ainda agora, Sarkozy viu agravar-se a taxa do desemprego. É a Europa no fulgor da desgraça. [Read more…]

Cavaco prefere ser reformado a ser Presidente da República

Se um vencimento corresponde à justa remuneração por um trabalho, será justo alguém prescindir do seu vencimento? Cavaco fá-lo e pretenderá ter um gesto pedagógico e generoso para com um País cuja economia está deprimida. No entanto, não posso deixar de me perguntar: não foi alguém parecido com Cavaco que, há pouco tempo, criticou os cortes dos salários na Função Pública? Pergunto ainda mais: não será o Presidente da República uma espécie de funcionário público, o topo mesmo da Função Pública? Se admitirmos que sim, não estará Cavaco a cometer uma injustiça relativamente a Silva?

Entretanto, a partir do início deste ano, já não será possível acumular pensões com vencimentos de Estado. Cavaco Silva não é, portanto, abrangido por essa obrigação, uma vez que a lei nem sempre pode ter efeitos retroactivos. Mas, e se um homem sério, preocupado em dar um exemplo à classe política, resolvesse, mesmo sem ser obrigado, prescindir das pensões, enquanto receber um vencimento, antecipando o cumprimento de uma norma que contribuiu para aprovar? Era bonito, não era?

Adenda: Graças ao comentário pertinente e informado do leitor Marco Gomes, sou obrigado a corrigir o tiro. Na realidade, a nova lei obrigou Cavaco Silva a escolher: pensões ou vencimento. Optou pela fatia maior: as pensões. Afinal, não foi uma questão de generosidade.

The Portuguese-Siamese Treaty of 1820


Da autoria de Miguel Castelo-Branco, este livro é publicado pelo Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – ISCSP -, sob a chancela do ministério dos Negócios Estrangeiros/Missão comemorações Ásia. Com uma introdução do professor António de Vasconcelos de Saldanha, a obra oferece uma perspectiva revisionista na …”abordagem do lugar pioneiro de Portugal na implantação do modelo de negociação e redacção de tratados com potências do Sudeste-Asiático.”

Lyoncificado, José Sócrates passa a ser Joséonce Supéhr


Vamos Lyoncificar, tal qual Yannick Djaló e Luciana Abreu fizeram com a filha, Lyonce Viiktórya.
Assim, lyoncificando, o Primeiro-Ministro José Sócrates passa a ser Joséonce Supéhr, enquanto que o Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, Pedro Passos Coelho, passa a Pedronce Pakauiteka. Quanto ao nosso Presidente da República, eleito no Domingo, passaria a chamar-se Aníbalonce Carytuloja. Manuelonce Areeopla, Fernandonce Napalmah, Frankiiskonce Lindhuxa, José Manuelonce Cykojutra e Defensoronce Mianotyrka – conhecem estes nomes?
Passando para o futebol, Jorge Nuno Pinto da Costa é Jorge Nunonce Pohtencya, André Villas-Boas Andréonce Vekanuoma, José Eduardo Bettencourt José Eduardonce Brhuutáhl, Luis Filipe Vieira Luiis Fyliiponce Viríhl e Jorge Jesus Jorge once Jokaitore.
No «entertainement», Tony Carreira é Tonyonce Campiione e Ana Malhoa Anonce Mahravílha. Uma maravilha!
Já agora, lyoncificado, o meu nome passa a ser Riikardonce Sutyulaona.
Eu já lyoncifiquei. E tu, queres lyoncificar?

"Nenhum dos Anteriores"

Esta petição está em curso ne net:

“Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,


1 – Os signatários e peticionários vêm solicitar a V. Exa. a apreciação, em plenário da Assembleia da República, da presente petição «Pela inclusão da opção “Nenhum dos anteriores” nos boletins de voto de futuras eleições».

2 – Considerando os elevados níveis de abstenção, bem como os votos de protesto manifestados sob a forma de votos brancos e nulos, que têm vindo a marcar de forma inegável os mais variados actos eleitorais, é nossa convicção que se torna necessário criar uma alternativa que possa mais acertadamente reflectir a opção dos que pretendem manifestar o seu voto de protesto.

3 – Por um aperfeiçoamento contínuo da democracia portuguesa, vimos desta forma propor que se inclua nos boletins de voto de futuras eleições a opção “Nenhum dos anteriores”.

Pedem e esperam o competente deferimento,

Os signatários”

Lembrei-me Agora, Desculpem!

UPS …
-Pssst, desculpe, olhe, fachabôre … não é que seja importante ou que perturbe alguma coisa, mas … lembrei-me agora … aquelas coisas que eu andei a dizer estes anos todos e que fizeram com que aqueles senhores todos fossem condenados ... eram mentira. Drogaram-me, sabe,  e obrigaram-me a dizer coisas que não eram … e só agora me apercebi das coisas que disse … desculpem … eu sei que é chato, mas … os outros senhores são todos inocentes!
Foi mais ou menos assim que o sr Silvino se lembrou, muito de repente, das coisas que lhe aconteceram há já alguns anos. Nesse entretanto, foi ouvido dezenas de vezes pelos agentes que prepararam o processo, foi ouvido em tribunal, leu jornais e ouviu as televisões, e nunca se tinha lembrado de ‘semelhante isto’.
Pelos vistos, as drogas que lhe deram na altura deveriam ter sido muito potentes, para só agora deixarem de fazer efeito. [Read more…]

Verdades privadas, mentiras públicas

A cidadão Barbara Wong tem o legítimo direito de ter um filho num colégio privado sustentado pelo estado, e de estar contra as medidas do governo que a colocam perante a questão de o colocar numa escola pública. Afirmá-lo e defender os colégios privados no seu blogue também não me parece incorrecto, antes pelo contrário.

Já a jornalista Barbara Wong quando escreve no Público de hoje isto

A tutela não vai ceder às pressões  – hoje duas dezenas de escolas serão fechadas pelos pais na região de Coimbra –, e mantém que os colégios que não assinarem as adendas aos contratos não serão financiados.
Até ontem, 57 já tinham firmado. Faltam 36. Todos são financiados para oferecer educação gratuita aos alunos de determinada região, onde não existe oferta pública.

(o sublinhado é meu) sabe que está a mentir. O mapa  da rede escolar pública e privada que publiquei ontem demonstra como isso não é verdade em Coimbra cidade, e na esmagadora maioria dos colégios de Coimbra distrito, acrescento. Estas escolas concorrem com a rede pública a quem roubam descaradamente alunos, numa das piores “parcerias público-privadas” que temos. Na maior parte dos casos nunca fizeram falta: muito simplesmente responsáveis locais pela educação, onde sobressai a viúva de Mota Pinto foram privatizando o ensino, dando chorudos lucros a empresários tipicamente portugueses: à sombra do estado é que estão bem.

É indigno, e digo-o na qualidade de leitor do Público. Na qualidade de professor já nem digo nada, mas artigos como este aqui criticado vão-se entendendo melhor.

O elefante na sala

As pessoas estão fartas dos políticos e das suas cantigas de embalar. Da esquerda à direita vemos todos os dias aparecerem novos casos que provam, sem sombra de dúvida, que a nossa classe política vive cada vez mais apenas para ela mesma. Desligada das necessidades e sentimentos daqueles que supostamente são a sua razão de ser, os eleitores e demais cidadãos pelos quais são responsáveis. Os políticos preferem chafurdar no pântano da pequena política, preferem o golpe mesquinho que lhes dá uma um pequenino ganho material, preferem representar “O Padrinho“.

Estas últimas eleições presidenciais são exemplo disso:


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Este inverno as revoluções andam pelo sul

egypte_manif_inside Sabe bem o Mediterrâneo a pedir mudança. A Europa mediterrânica está a ficar entalada entre o norte que a empurra para o sul da falência, e o seu sul, o norte de África que descobre que para mudar é preciso vir para a rua. Depois da Tunísia vem o Egipto. Há 2000 anos éramos províncias  do mesmo império.

Só meio milhão sem médico de família?!

buraco A ministra Ana Jorge diz que 500 mil portugueses estão sem médico de família.

Cerca de meio milhão de portugueses não tem actualmente médico de família, revelou hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge.
Na Comissão Parlamentar de Saúde, a governante disse que, apesar do aumento do número de médicos de clínica geral e familiar, ainda há muitos utentes sem médico de família atribuído. [Público]

Ó senhora Jorge, será que não olhou por engano para a lista de espera de Massamá?! 500 mil sem médico de família? Não sei, mas parece-me que o desconhecimento dos números chegou às listas de espera. No que me respeita, posso dizer-lhe, sr.a Ministra da Saúde, que pagar os impostos e agora de forma mais intensificada (digamos assim, ok?), não me adianta nada. Fui há dias ao posto de saúde desse cogumelo urbanístico que é Monte Abraão e logo me foi dito que não tinha médico de família. Que havia uma lista de espera. Longa. Que se quisesse uma consulta , haveria distribuições de senhas às 9 e às 14 horas. E que teria que ir cedo porque as senhas esgotam. E não, não me seria possível marcar uma consulta para uma data futura porque isso era reservado para quem tivesse médico de família.

Demita-se, senhora Ana Jorge. Sempre melhorava o SNS, já que, sendo médica, passaria a ter tempo para atender doentes.