Uma reportagem no país real

A Estamo é a empresa do grupo Sagestamo vocacionada para a compra ao Estado ou a Outros Entes Públicos e a privados de imóveis para revenda, para arrendamento ou para alienar após acções de promoção e valorização imobiliária dos mesmos.

Numa reportagem para TVI Rui Araújo foi à Estamo, uma empresa pública vocacionada para o enriquecimento de investidores numa teia de subornos, cunhas (outra vez o mesmo tio de Sócrates), ameaças, inspectores da Judiciária cheios de coincidências, processos arquivados, o supermundo dos negócios que vendem o que foi património do estado e vai mais uma vez enriquecer vigaristas bem colocados e disponíveis para distribuir parte dos lucros pelos abutres. Os abutres, de tanta estamo.

Se não viu, e se não enjoa,

Actualização: fica aqui a reportagem

Parte 1

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Voto obrigatório: o capitoso sorriso do Sr. Marcelo


Bem avisámos que esta eleição era passível de ser um teste à legitimidade da instituição. Não nos enganámos.

Após a vergonhosa derrota de ontem, os esquemáticos preparam já um pífio Tordesilhas, iniciando as sugestões para a introdução do voto obrigatório. O Sr. Marcelo Rebelo de Sousa, assim de forma mais ou menos desinteressada sugere o dislate e já se espera uma concordância por parte do PSD. No PS levantar-se-ão algumas vozes dissonantes como a praxe estrabelece, mas finalmente e para o bem da democracia, surgirá um projecto consensual que ditará a respectiva aprovação parlamentar.

Antes de ser um dever, o voto é um direito. A absurda obrigatoriedade, implica o reconhecimento da falta de credibilidade que atinge a generalidade dos agentes políticos, hoje mais que nunca, imensamente carentes de legitimidade. O dever decorre da lisura dos processos eleitorais que saem da Lei, onde o sistema electivo pode ou não adequar-se às necessidades da população. De facto parece ser aceite, a enorme discrepância existente entre o eleitor e o eleito, permitindo os caricatos episódios que têm pontilhado de má fama um Parlamento que deveria ser o supremo órgão de soberania. Estorietas de viagens, truques de residência para a obtenção de “ajudas de custo”, subsídios imerecidos, abusivas ajudas de custo e o boyismo militante que sufoca a respeitabilidade dos parlamentares, como ou sem razão são motivo de contrariada chacota por parte do homem da rua, cada vez mais descontente com o rumo da coisa pública. A seu ver, o Parlamento resume-se a um bando de vulgares tagarelas de tasca de bairro e a uns tantos cartões de crédito, bilhetes de avião, comezainas, carros de luxo e hotéis pagos pelo erário público.

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Vamos descobrir do que é capaz Cavaco Silva

Estavam à espera que viesse aqui comentar as presidenciais? Claro que não. Nem estavam à espera, nem eu as vou comentar. O que tinha a dizer, já disse no chat do Aventar na noite eleitoral.

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Vim aqui hoje apenas dizer que a melhor frase de todas as análises das presidenciais foi escrita pelo Pedro Rolo Duarte. É esta:

A reeleição de Cavaco vai trazer-nos a revelação: vamos finalmente saber quem é este homem. E do que é capaz.

O espantoso, no mau sentido, discurso de vitória de Cavaco, cheio de azedume, com laivos de rancor, deve ter servido para levantar o pano. E não vale a pena ir mais longe.

Cavacógrafo substitui detector de mentiras

«A vitória de hoje é também a vitória da verdade sobre a calúnia. A honra venceu a infâmia e a qualidade da democracia ganhou com esta vitória da dignidade»

Cavaco Silva

 

 Cavaco Silva, considerado em alguns círculos o Edison português, já registou a patente de um sistema que irá substituir o polígrafo, vulgo detector de mentiras. Doravante, bastará que 25% dos eleitores portugueses votem em qualquer pessoa seja para que cargo for e ficará, assim, estabelecido que a pessoa em causa não mentiu. Trata-se de uma inovação tecnológica que, apesar do preço elevado e da complexidade que lhe é inerente, é considerada infalível pelo também chamado Professor Pardal de Boliqueime. Entretanto, o ilustre cientista irá aproveitar o segundo mandato presidencial para desenvolver uma nova técnica de inseminação artificial que poderá permitir aos portugueses nascer duas vezes.

O cientista que sabia que Cavaco Silva ia ganhar as eleições de ontem

Cliff Arnal, cientista britânico da  Universidade de Cardiff, desenvolveu uma fórmula matemática onde prova científicamente que Cavaco Silva ganharia as eleições presidenciais de 23 de Janeiro. Eis o resultado.

As presidenciais: todos os vencedores.

Pieter Bruegel, o Velho, Parábola dos Cegos (ou "Portugal")

Moral da história: na República Portuguesa “todos” ganham; ganha Cavaco Silva (mesmo com a pior votação de sempre, votação essa que não interessa minimamente para o que vai fazer nos próximos anos); Alegre ganha (talvez) juízo, e uma reforma dourada que utilizará para escrever éclogas contra o fascismo; Fernando Nobre ganha tenho para pensar na sua falta de carisma e sensatez; o Partido Comunista nunca perdeu e ganha mais confiança para as próximas eleições; José Manuel Coelho ganhou, efectivamente, na Madeira podendo vir a substituir na cadeira de poder do ilhéu o coronel Jardim. Ganharam meia dúzia de velhinhas info-excluídas a lição de atempadamente pedirem aos filhos e aos netos que preparem a ida à urnas, que já não estamos em 1933 e já é a quarta vez que se realizam eleições existindo o Cartão do Cidadão. Ganham os que perderam tempo a ir escrever tolices nos boletins, ou a deixá-los em branco para o Cavaco ganhar na mesma, como se sabia, desde que ele anunciou a candidatura. E, apesar de o senhor Professor Doutor de Boliqueime, o senhor mais honesto de Portugal, filho de um gasolineiro e único sustento de uma família com 4 reformas (a menor delas abaixo dos 800 euros) ter obtido a pior votação de uma eleição presidencial, ganhou mais 5 anos de silencio intercalado com momentos espasmódicos de regabofe. Ganharam os  monárquicos a ilusão de uma abstenção fenomenal que julgam traduzida num súbito desejo de uma Restauração e, pelo mesmo motivo, ganharam aqueles velhos anarcas de boina preta que acham que o “povo” está a preparar uma revolução em silêncio. Ganhou a maçonaria que apoiou Alegre, mas também Nobre sob o jugo despótico de Soares e ganhou Soares que por pouco não tinha uma apoplexia, depois de rir desalmadamente com a votação dada a Alegre (mas, afinal, alguém do Partido Socialista votou nele?). Ganhou José Sócrates que desterrou Alegre da política, continua com um emplastro na chefia de Estado e prossegue à vontade com mais 5 anos de desgoverno. Ganhou a Igreja que, depois da aclamação na varanda, ungiu o reeleito presidente, pedindo-lhe que continue a opinar sobre as causas fracturantes como representante de 25 % do eleitorado católico. Em suma, ganhou a república portuguesa e os seus homens que sempre disseram que o estado é para os republicanos (mesmo que fingidos). Talvez não tenha ganho uma minoria de 9 a 10 milhões de portugueses, mas isso não interessa. Há 100 anos que esta minoria é irrelevante.

A luta é alegria

Aquela coisa pindérica chamada Festival RTP da Canção volta a ter alguma piada por obra e graça dos Homens da Luta, que insistem em concorrer.

É ouvir e votar.

Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta

Três glosas sobre a expressão “segunda volta”

Glosa primeira: Cavaco ao ataque

Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos. [Read more…]

A grande vitória…


53,37% dos portugueses, decidiram-se pela greve ao frete que o esquema vigente insistiu em apresentar como grande oportunidade para a resolução dos problemas do país.

Portugal conta com um Chefe do Estado eleito por perto de um quarto do eleitorado e as reacções ao glorioso evento, foram visíveis no passatempo prodigalizado pelas tv. Uma sala ou um hall a abarrotar com umas vinte pessoas, resumiu o auspicioso acontecimento e o discurso de “vitória”. Os grandes planos foram constantes, evitando-se o vexame de qualquer tipo de comparação com outros programas, entre os quais o Preço Certo manifesta maior poder de fidelização.

Desde o primeiro minuto do anúncio do “vencedor”, teve início uma generalizada manobra de diversão, apontando os porquês da fraca participação no acto. Um dia seco, frio mas solarengo, não era susceptível de servir de argumento e assim, a CNE está com as culpas todas e o cartão único do cidadão, serviu perfeitamente. A televisão oficial teve o desplante de dizer que se verificavam gigantescas de filas, com gente ansiosa por exercer o seu direito. Imagens comprovativas do despautério, nem vê-las! Outros, falam abertamente de trafulhices, fraude, cacicagem, golpada – a conhecida chapelada – e outros truques que há muito desapareceram do nosso dia a dia.

Tudo continuará como dantes e não se prevê qualquer grande actividade do “vencedor”, a não ser o prosseguir da sua cooperação estratégica para não se sabe bem o quê. Fala da “grande diferença” da sua votação, mas vistas as coisas como elas realmente aconteceram, os 25% de eleitores da Cavacolândia – traduzidos em 53% de votos contados -, não são significativos para qualquer intuito de um neo-sidonismo sem pingalim e cavalo. A única semelhança com o pretérito presidente de há noventa anos, será a “sopa dos pobres”. Não funcionou o incutir do medo pelo que aí está para chegar e aqueles que desde há dois anos têm trombeteado a chegada da 4ª República, a presidencial, bem podem mudar de conta bancária. Em comemoração da centenária, o país percebeu quem é esta gente.

Já não estamos “pelos ajustes”. Lá se foi a legitimidade.

Presidenciais: a luta continua!

0630_guangyiPara os meus lados as eleições correram muito mal para Manuel Alegre e muito bem para José Manuel Coelho.

José Manuel Coelho ficou no quase quanto aos 5% que lhe dariam direito a financiamento da campanha, mas na Madeira tem uma base para as eleições regionais que coloca toda a oposição ao PSD-M a olhar com cara de parva. Falta ver quem o vai acompanhar e aí temo o pior. Pode vir a ser a minha indigestão de votante mas para já foi bom: a azia do intelectual de esquerda, o militante com horror a pobre, está-me a compensar não haver 2ª volta.

O caso Alegre, e de muito do milhão de votos ter horror a Sócrates, pode terminar numa coisa estranha, uma espécie de derrota de pirro do Bloco de Esquerda. Saindo cabisbaixo das presidenciais, naquilo que interessa – as legislativas não se sabe quando – pode vir a capitalizar a aproximação ao que sobrava de esquerda no PS, os últimos alegristas, como de resto já sucedeu em Setembro. O problema é que pode vir ou pode não vir a. Nunca se sabe. Para já sabe-se que os eleitores do BE saem do rebanho, o que faz só faz bem à saúde da esquerda.

Francisco Lopes vai passar a aparecer mais vezes na televisão. Se será o sucessor de Jerónimo Sousa é tão irrelevante como, não havendo segunda volta, foi toda a  sua campanha: não fez crescer o PCP, e ainda tem o amargo de boca de ter  visto fugir para José Manuel Coelho os votos que contava pescar para os lados do BE.

Bem, e agora é dia 23, vamos lá ouvir as explicações sobre a casinha da Coelha. E talvez comece o julgamento de Oliveira Costa. Ou como se grita em agitpropês: a luta continua, cavaco para a rua.

Cinzas desta eleição

(adão cruz)

Cinzas desta eleição

 

Deu cabo deste país

Todo podre esburacado

E o povo ainda lhe diz

Sim Senhor muito obrigado.

Mais uma vez deu em nada

Nossa esperança e ilusão

Sempre a mesma cavacada

A escavacar a nação.

Foi tudo por água abaixo

S’alguma coisa inda houvesse

Só o povo fica sem tacho

Tem aquilo que merece.

Este povo é cegueta

Não vê nada para a frente

Não vai lá nem á marreta

Nem é povo nem é gente.

Não é povo nem é nada

Este rebanho dolente

Mesmo morto à paulada

Corre feliz e contente.

Nada mais tem a perder

A gente desta nação

Não vale a pena viver

Quando se perde a razão.

Por uma boa causa:

O blogue chama-se Déjà Lu e o endereço é www.dejalu4ds.blogspot.com
Para além de leiloarem livros usados (muitos deles em estado novo), vão ter dias especiais com livros autografados pelos próprios autores.
Façam uma visita e ajudem a divulgar.

No Limite da Dor

Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram.

Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos.

Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. [Read more…]

Yo, María del Totoral-Ensayo de etnopsicologia de la infáncia-4

casa de adobe, casa de pobre o casa rural

Prácticamente, yo diría que este es el contexto de la vida de María Cecilia, desde pequeña, hasta huir de casa y ganar la vida por sus propios medios, en casa de parientes, como empleada de profesores antiguos que tuvo, como D. Nolfa, un profesor de Corinto, el Sr. Días, etc. No gustaba de vivir en la casa de sus padres, hasta el cambio que ya mencioné, al comprar el padre una casa en Talca que ella trató de ordenar y limpiar. Como dice claramente en su entrevista y en los textos que escribe, no le gustaban las casas de los papás porque ni muebles había. Sus formas de pensar, actuar, recordar, nos hace pensar que la terapeuta que trató de ella y le ayudó a vivir con alegría, es como el caso de Melanie Klein e su análisis de Richard en 1939. [Read more…]

Presidenciais: Conclusão

O Prof. Cavaco Silva, a meio do discurso de vitória, afirmou que o seu próximo mandato será pautado por uma “magistratura actuante”. Ora, o anterior foi, palavras do próprio, uma “magistratura de influência”. Posso estar confundido mas de “influência” para “actuante” vai uma enorme diferença.

A mudança é fruto do que se passou durante a campanha eleitoral e, de igual forma, do resultado final destas eleições. Podemos olhar para os resultados de várias maneiras e conforme os gostos – Cavaco Silva, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Coelho e quase quase Defensor Moura cantaram vitória. Por sua vez, o valor da abstenção foi o maior de sempre (53,7%) e que dizer do valor dos votos em branco (4,26%) ou dos nulos (1,93%)?

O Presidente Cavaco Silva percebeu, muitíssimo bem, aquilo que aconteceu: venceu, é certo, mas ficou aquém do que desejava fruto de duas coisas muito simples mas bem significativas: uma campanha cuja recta final foi torpedeada por notícias nada abonatórias para a sua honra e honestidade e devidamente “cavalgadas” pelos partidários de Sócrates; um claro protesto maioritário contra o sistema e contra aqueles que, directa e indirectamente, suportaram este governo (fosse através de uma magistratura de influência, fosse pela pressão nunca vista da ala “cavaquista” para uma aprovação “sem espinhas” do actual orçamento de estado). Basta juntar a abstenção recorde, com os votos brancos (cinco vezes mais) e os nulos. E nem me atrevo a acrescentar o voto em José Coelho e parte substancial do voto em Fernando Nobre.

No seu conjunto, o povo deixou uma mensagem clara: o Presidente é reeleito mas o aviso fica feito.

Os outros destinatários não sei se perceberam. Já Cavaco Silva percebeu e daí a mudança de “magistratura”. Da mera e ambígua “influência” para a “actuante” é todo um novo caminho, todo um programa…

Breves notas de rodapé:

1. O discurso de derrota de Manuel Alegre merece um forte aplauso. Foi digno.

2. O resultado de José Coelho no Continente é surpreendente. Na Madeira é um forte aviso de duplo destinatário: para Jardim e para a actual oposição socialista na ilha.

3. A votação expressiva de Fernando Nobre merece destaque: é verdade que foi menor que a de Alegre nas anteriores mas o Presidente da AMI nunca teve a exposição pública deste nem qualquer cargo político de relevo.

4. O discurso de Pedro Passos Coelho foi brilhante e uma bofetada de luva branca em muito boa gente…

(Igualmente publicado AQUI)

José Manuel Coelho venceu no Funchal, no Machico e em Santa Cruz


Todos os resultados por distrito no site do Público.

O presidente de vinte e tal por cento dos portugueses

queijo suíçoCom mais de 50% de abstenção, Cavaco conseguiu metade dos votos. O que significa que o presidente de todos os portugueses foi eleito com dois milhões e tal de votos. Cerca de 25% dos eleitores e de 22% dos portugueses. Uma fatia apenas do queijo eleitoral.

Isto numa eleição onde os votos em branco não contaram, já que, caso contrário, Cavaco ficaria aquém dos 50% e haveria segunda volta. Cavaco é pois um Alegre’2006 em dobro, apesar de mais magriço. Já Alegre’2011 passou de um milhão para 800 mil votos, o que representa uma nítida quebra no valor bolsista. Ai, os mercados…

Falta agora saber da apetência do reconduzido presidente para o bombas atómicas e cogumelos nucleares. Por bolo-rei já sabemos que é considerável mas há que mudar a dieta. Um fondue de queijo em molho de parlamento dissolvido far-lhe-á o gosto? Vamos ver o que diz a ASAE, já que estamos perante um prato com validade de alguns anos…