Frente a Frente José Sócrates e Paulo Portas

Paulo Portas sente-se um pequeno reizinho e deve sorrir quando, ao espelho, acerta o risco do penteado. Ainda que o detestem, Passos e Sócrates, andam com ele ao colo.

Portas cresceu como político e sabe bem que, no quadro actual de futuro governo de maioria, o CDS vale mais do que a percentagem que virá a obter nas eleições vindouras. Por isso mesmo, Paulo Portas debateu com (como fez questão de vincar) o candidato José Sócrates. Este dirigiu-se ao sr. deputado.

Paulo Portas, com voz colocada e mantendo o registo, rebateu a cassete PS com imagens elucidativas sobre, por exemplo, a dívida externa portuguesa.

Sócrates, com aquela vozinha de menino de coro que se lhe conhece, já se dirigia ao dr. Paulo Portas entremeando com sr. deputado. Este respondeu-lhe com voz de futuro ministro: – Candidato José Sócrates, o problema não começou há seis semanas, mas sim há seis anos. O candidato José Sócrates vive na estratosfera.

– O sr. regressou agora à realidade, disse Sócrates, e sempre ignorou as necessidades orçamentais, preocupou-se apenas com a sua imagem eleitoralista. Rejeitou sempre as nossas políticas realistas.

– Sr. candidato, respondeu Portas, para dois candidatos debaterem têm que viver na mesma realidade e o sr. não vive na mesma realidade que a maioria dos portugueses. O sr. fez o PEC IV e faria o V, o VI, etc. porque se esqueceu do BPN, esqueceu-se do BPI…

– O Sr. também se esqueceu dos submarinos, dr. Paulo Portas, atalhou Judite de Sousa.

De cada vez que falava sobre o PEC IV, a voz de Sócrates embargava-se e falava aos portugueses como um pai que conta uma história aos filhos antes de dormir. Passou uns papelinhos a Portas como quem diz: – junta lá as letras e lê tu a história, que já não és pequenino.

Portas responde: – eu  não preciso de olhar para os papéis para me lembrar das datas. A seguir professorou e devolveu os papéis a Sócrates, tipo. – Lê tu que eu conheço a história de cor.

E, de facto, conhecia, tal como eu. Sócrates enfiou o CD na faixa 1 e quis tocá-lo todo: ele era continuar no caminho das exportações, ele era continuar nas renováveis, ele era prosseguir as reformas do ensino, blá, blá, blá, pardais ao ninho…

Pelo meio chamaram-se mentirosos um ao outro, sendo que Portas disse que Sócrates mente mal. Errado, está claro.

Depois de tanto patati-patatá, rebéu-béu e fon-fon-fon, nos últimos cinco minutos falou-se um pouco de política, especialmente o líder do CDS. No finalzinho a surpresa da noite: Portas afirma que não governa com este primeiro-ministro. A seguir Sócrates diz esta frase espantosa: o sr. (que queria cinco linhas e agora se opõe a uma) comprou o TGV mas FUI EU QUE O PAGUEI.

Como? Importa-se de repetir? Depois disto, não ouvi o resto. Não voto em nenhum deles.

Comments


  1. E vota em quem, já agora?

  2. Nuno Lapa says:

    o que ele disse não foi a propósito do TGV mas sim dos submarinos: “o senhor comprou-os mas quem os pagou fui eu”. Resposta indecente e do pior que politicamente ouvi nos ultimos anos. Pagou com o dinheiro de quem mesmo? É por esta e por outra que ainda bem que o FMI para cá veio. Ao menos assim durante algumas semanas e pelo menos de três em três meses podemos por aqui ter profissionais capazes de directamente influenciar e beneficiar a política e economia nacional.


  3. Admito ter percebido mal, Nuno Lapa, obrigado.

  4. Paulo says:

    Já cá deviam estar há muito!
    Não porque os ache com capacidade técnica especial, ou porque tenham um conhecimento profundo do que deve ser feito, ou porque sejam virgens de agendas escondidas (porque existe uma agenda germânica muito forte nesta “Troika”) mas porque nós somos verdadeiramente incompetentes.
    Não aceitamos ninguém que nos diga a verdade. Assobiamos para o ar quando isso acontece e acreditamos em milagres e em facilidades.
    É triste.

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