Novas Oportunidades: a avaliação externa impossível

Hoje PS e PSD andam a brincar às Novas Oportunidades. É assunto que já me ocupou o teclado: as fraudes sistemáticas, as mentiras de Luis Capoulas, e a razão porque o logro é endémico:

As fraudes só passam porque as equipas deixam. E as equipas deixam porque têm metas para cumprir, pairando sempre sobre a sua cabeça a ameaça de encerramento do CNO. Estamos a falar de pessoal maioritariamente contratado (agora menos a recibo verde, é certo) ou sem componente lectiva na escola onde está colocado, e do ou cumpres ou ficas desempregado.

Passo a explicar a Passos Coelho porque não vale a pena fazer auditorias externas. Primeiro porque já foram feitas, com o objectivo de não servirem para nada, mas feitas. Segundo porque embora todas as equipas tenham ordens para certificar qualquer analfabeto que se preste a um processo de certificação de competências isso não está escrito em lado nenhum: existem metas que não dizem claramente validem, fingem dizer outra coisa, tipo despachem, cumpram, inscrevam. Coisa fantástica, na ANQ as instruções superiores passam sempre para a base da hierarquia via formação: é que numa reunião não se escreve, só se diz, não ficam provas. Quando as coisas chegam às equipas são factos orais consumados.

E por último porque José Manuel Canavarro, autor do programa do PSD para a Educação, no intervalo de outros negócios privados e de uma carreira académica muito turbo, também dá uma perninha à ANQ:

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Para descodificar: o SIGO é o sistema informático que permite à ANQ controlar o cumprimento das metas de cada CNO.

Ora visto este apurado sentido crítico da parte de quem preside à Comissão de Estudos do PSD, façam lá auditorias, façam. Com esta gente não vão servir para nada.

Comments

  1. Marisol Soares says:

    Não me parece justo este comentário nem a forma como são “julgados” os Centros Novas Oportunidades como sendo todos iguais, o que não é verdade! como em tudo existe que tenha um trabalho bom e outros que não são o suficientemente responsáveis para cumprir as orientações que temos neste programa.

    A iniciativa é mesmo muito boa, e penso que todos aqueles que a criticam deveriam tentar fazer o seu próprio portfolio de aprendizagem (PRA) seguindo os referencias do ensino secundário, e talvez assim possam dar valor a todos os que honestamente conseguiram certificar as suas competencias e obter um nível de qualificação justo. Bastaria comparar os conhecimentos de um adulto que acabou de obter um certificado de 12º com os conhecimentos de alguns jovens que através de diversos sistemas de ensino tambem o conseguiu.

    Existem muitos profissionais a realizar um excelente trabalho, e contrariamente ao que diz o vosso artigo a ANQ é bastante exigente nas auditorias que realiza e não concorda com qualquer facilitismo, sendo mais importante e analisado a qualidade e o desempenho que existe no processo do que os números de certificações que são feitas.

    Sinceramente, antes de criticar esta iniciativa seria importante que fosse visto com atenção todo o programa e consultado os Centros Novas Oportunidades, assim como adultos que realizaram o processo (volto a repetir, por alguem não fazer as coisas correctamente, não quer dizer que todos estão errados)


    • Passei 3 anos de trabalho em mais que um CNO. Que algumas pessoas fazem o seu melhor, fazem. Que o princípio de validar competências obtidas ao longo da vida é correcto, é. Que talvez 10% a 20% dos certificados sejam merecidos, não tenho grandes dúvidas.
      E deixe-me rir com a avaliação interna. Pressionar para atingir as metas para mim tem outro nome. E neste aspecto a crítica do PSD é correcta: além de um grande embuste, não passou de propaganda.
      Quem se tramou? os que realmente mereciam ter feito um processo de RVCC, e ficaram com um diploma de que toda a gente se ri.

    • Catarina says:

      Primeiramente gostaria de realçar o facto da avaliação externa ser uma “Fantochada”…. Quero com isto dizer que existem CNO´s que não tiveram a avaliação. A base desta afirmação deve-se ao facto de eu “ter” trabalhado lá e avaliação não teve nunca.
      Outro ponto é o facto de haver CNO´s que pertencem aos Ministérios que estão suspensos… Não cumprem a portaria que regula o funcionamento dos CNO´s. Por muitas queixas feitas á ANQ nada fazem…. e já la vão 6 meses. Os candidatos e a equipa estão à espera de voltar…

  2. nuno says:

    A questão das nOVAS oPORTUNIDADES, enferma, como a generalidade das discussões de assuntos de estado, de uma profunda cegueira epistemológica, em que se confundem planos de análise, misturam opiniões com ideologia. A questão central, como muito bem defende o Professor Nuno Crato é a falta de fundamentação empírica dos programas propostos pela ANQ. Tratando-se de um programa nacional, devia ser minimamente fundamentado em dados factuais e não em factos ideológicos e índices de satisfação. Entristece-me ver que os colegas que trabalham nos CNO’s não saibam separar o trigo do joio. Uma coisa é a competência dos profissionais, outra é a incompetência da ANQ. Por muito bons profissionais que sejam, nunca farão um bom trabalho com os referênciais medíocres propostos por essa agência de publicidade.

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