Limpa, Limpa, Camarada Vândalo, Limpa

É indiscutível que o PCP sujou muito menos -e de forma não tão indelével- o país do que PS/PSD/CDS nos últimos anos. Basta olhar o país desestruturado, betonizado e degradado em que vivemos. Mas, paleontologicamente, não evoluiu o suficiente para perceber que há uma sensibilidade nascente (haverá?) em relação à defesa e preservação do património.

E já que não cola outdoors, o PCP lembrou-se de transformar as Escadas Monumentais da Universidade de Coimbra num cartaz gigantesco. Nada que não fizesse há trinta anos, o lugar temporal onde o PC ainda se encontra em alguns aspectos. Mas, agora, choca e suja, mostra pouco respeito pela coisa pública como, aliás, confirmou o cabeça de lista por Coimbra:

“O que é público é de todos”, disse, lembrando o passado. “Quando estas pedras foram postas aqui foram-no em nome de uma coisa feia.

Referindo-se à escadaria como apenas pedras, tal como outros falam do campo e da natureza como sendo só mato, o PC mostra que precisa de reciclagem e de uns laivos de modernidade, 69, hoje, utiliza-se para referir outras coisas. E quanto a, por ser de todos, se poder vandalizar o que é público…

Por isso o PC precisa de baldes, escovas e esfregonas. Limpa, limpa, camarada, vê lá se aprendes e se evoluis um bocadinho. Estamos em 2011.

Comments

  1. jorge fliscorno says:

    Recordo-me de, nos meus tempos de Coimbra, a CDU pintar as escadas, eleição após eleição. De facto, nunca as tinha visto tão pintadas. Mas atendendo ao presente contexto, seria interessante saber quem era esses 100 manifestantes, perdão, estudantes.


  2. Pensei que tivesses vivido cá Pedro. E que te lembrasses que as escadas estão pintadas desde 1975. Terminaste a defender a posição de 100 meninos nazis, que bem mais me emporcalharam a terra ainda este mês, que é mês de queima.

    Pintar o mamarracho não tem importância nenhuma. Boicotar um comício, a primeira vez em Portugal neste século, tem e muita.

  3. A. Pedro says:

    Este post não fala de manifestantes nem de comícios, fala de escadas pintadas e de espaço público.
    Os outdoors inventaram-se também para isso, porque
    “É proibida a afixação de cartazes e a pintura de propaganda eleitoral em edifícios públicos, templos, monumentos, instalações diplomáticas e consulares e nas placas de sinalização de trânsito.”
    É-me indiferente quem pinta, é vandalismo. É-me indiferente quem e quando construiu, está lá, é espaço público. Recuso-me a comparar vandalismo da queima com vandalismo de campanha, é estúpido.
    E esse argumento de ser arquitectura fascista dá para rir. Destrua-se a estação central de Milão, boa parte da Castellana em Madrid, a Haus der Kunst em Munique, o padrão dos descobrimentos e por aí fora


    • Não é um “edifício público, templo, monumento, etc”. É simples chão, até os meninos já descobriram que a ilegalidade é deles.
      Quanto ao post, tem como título o grito de guerra de uma coligação JSD/JS/JC/PNR que ontem estreou em Coimbra a nova maioria que nos vai governar.

  4. A. Pedro says:

    O post tem como título o mesmo que o público deu
    http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/limpa-limpa-camarada-limpa_1495771
    com a palavra vândalo acrescentada

    A calçada portuguesa da Praça da República, por exemplo, também é chão e eu não gostaria de a ver pintada daquela maneira

    Relê o post. Falo em vandalismo, falta de sensibilidade, espaço público e necessidade de evolução. Tudo coisas que mantenho.


    • Esse título, e há piores, diz tudo sobre a forma como se noticiou um dos mais graves atentados à democracia que já vi. Muito giro. Se fosse um comício do PS ou do PSD gostava de ver o que escreviam.

  5. João Gonçalves says:

    Realmente o autor do post falhou imensamente, nota-se uma “PCP-BE-PV-fobia” incutida pelos seus pares…
    Chamem-lhe o que quiserem, mas distinga-se a gravidade entre um atentado bruto à democracia, através do boicote ao comício, e as pinturas do PCP num local público.
    E caro autor, posso garantir-lhe a minha face apartidária.
    Atenciosamente
    João Gonçalves

    • A. Pedro says:

      João Gonçalves,

      Deixe-me dizer-lhe que o comentador, neste caso o meu caro, é que rematou ao lado.
      Ideologicamente até compreendo que me acusem de PS/PSD/CDS-fobia, sempre me assumi de esquerda.
      Mas sou independente e não sigo cartilhas. Além disso sou mais crítico com a esquerda do que com a direita, tal como faço na vida em geral. Sou mais exigente com os amigos do que com os outros. Modos de ser…

      Com a melhor atenção

      A. Pedro

  6. João Gonçalves says:

    Persiste o essencial e importante a reter e diferenciar; boicote anti-democrático a um comício legal versus pintura de uma escada (monumento ou menos monumento)

    • A. Pedro says:

      Desculpe, mas mesmo sem o boicote anti-democrático (expressão que subscrevo) as razões do meu post manter-se-iam. Como disse acima, trata-se de um post sobre escadas pintadas e espaço público. Não é uma coisa versus outra, sobre isso há quem se debruce http://aventar.eu/2011/05/25/a-besta-acordou-escusava-de-ser-em-coimbra/

      O meu post é sobre vandalismo no espaço público. Podem vir-me com teorias de liberdade de expressão, anos de censura, etc., podem pôr tudo num mixer, abanar, confundir e servir, o meu post continua a ser sobre escadas pintadas e espaço público.

  7. João Gonçalves says:

    se este é um post que aborda exclusivamente “escadas pintadas e espaço publico”, então enganei-me e vim ao sítio errado.
    Vandalismo em espaço publico não é um assunto novo e as pinturas em monumentos são pandémicas, daí que, se é sobre apenas isso que fala, me custa compreender a razão porque esta pintura em especial veio à baila.

    • A. Pedro says:

      Por ser recente, por ser “monumental”, por ser feita por um partido político, por ser uma forma errada de substituir os tais outdoors.

  8. Sondador says:

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