Legislativas: a opinião de uma profissional do sexo

Voltámos a contactar Maria e conseguimos obter, novamente, depoimentos desta profissional do sexo acerca dos momentos de intimidade que viveu com os dirigentes dos partidos com assento parlamentar. Já soubemos, entretanto, que Garcia Pereira irá interpor uma providência cautelar para que Maria seja obrigada, também, a recebê-lo.

 

Sobre Sócrates

“O Sócras também quis cá vir a meio de uma arruada. Olha, foi uma complicação, filho. Em primeiro, entraram uns quarenta seguranças e comecei logo a dizer que o máximo que faço é para casais. Depois, entrou um rapazinho chamado Luís e mais uns moços com uns holofotes. No fim, lá vinha o homem, muito charmoso, sim senhor, mas com umas olheiras e rouquinho, rouquinho, a queixar-se de tudo. Disse-lhe que se era para ficarem os outros a olhar, também tinham de pagar que isto os olhos também comem. Bom, lá conseguimos despir qualquer coisa e ainda pensei que fosse rapidinho, que sou uma mulher ocupada. Queres saber? Pegava em mim, virava-me do avesso, punha-se de lado, por cima, por baixo e estava sempre a perguntar “Ó Luís, como é que fico melhor?” Olha, comecei a protestar, entrou o gordinho das Finanças e, depois de me pagar, com os descontos, o congelamento e o IVA, ainda fui eu que lhe paguei.”

Sobre Passos Coelho

 

“Ai o Pedro Passos Coelho, que homem tão lindo e com umas mãos tão grandes, credo! Se não fosse uma rapariga poupada, ainda tinha pensado numa borla, mas isto está mal, querido! Só tinha medo que o último nome ainda quisesse dizer alguma coisa sobre o tempo que o homem demora. Cumprimentou-me, muito educado e até me disse que era preciso repensar as questões da prostituição e que com ele ia ser muito diferente. Depois, já eu estava só de ligas, pôs-se a cantar e adormeci. Acordei assarapantada, que entrou um senhor de cabelos brancos aos gritos, a dizer que não se podia estar ali a perder tempo e era pintelhos para trás e pintelhos para a frente e pu-los fora, que eu faço depilação total, olha o malcriado do velho!”

Sobre Paulo Portas

 

“O Paulinho já eu conhecia, porque antes de vir para aqui andei a trabalhar como feirante com o meu paizinho e o homem, de quatro em quatro anos, lá estava a comprar-me jeans. Era por ele que eu sabia que ia haver eleições, era como um relógio o raio do homem! Reconheceu-me logo, deu-me duas beijocas, assim a sorrir muito com uns dentes muito branquinhos, a agarrar-me pelos ombros com muita força. Depois pôs-se a dizer-me que ele é que estava bem preparado e que ia mostrar-me que era muito importante e disse qualquer coisa sobre a lavoura, que deve ter a ver com o penteado que ele usa. Como sei que é assim um homem todo moderno, pensei que podíamos experimentar uma posição que aprendi em França, que o homem vai para dentro de água e deixa o periscópio de fora. “Chama-se o submarino.” disse-lhe eu. O homem desata-me num berreiro a dizer que não me admitia faltas de respeito e saiu a resmungar, só de boné e meias.”

Sobre Jerónimo de Sousa

 

“O senhor Jerónimo repetiu tudo o que outro das presidenciais já tinha dito, mas é assim mais simpático, até me fez uma festinha na cara, pegou-me na mão e esteve a mostrar-me as fotografias dos netos, enquanto me ia dizendo “Ó pequena, tu não te podes deixar explorar assim.” E disse-me que a CDU havia de me nacionalizar, porque eu não podia estar assim ao serviço do grande capital. Começou a cheirar-me mal foi quando começou a falar da troika, que eu sou uma mulher da vida, mas não conheço tudo. Depois, pôs-se para lá a dizer que eram três senhores muito maus e eu disse-lhe logo que apanhar porrada não, para isso tinha continuado com o Chico do Intendente. Ele aí abraçou-me com muita força e disse que o país precisava de mais mulheres como eu, que eu era assim uma espécie de Catarina Eufémia, acho eu. Foi-se embora tão entusiasmado que até pagou sem usar.”

Sobre Francisco Louçã

 

“O Louçã, confesso, meteu-me um bocado de medo, que o homem abre assim muito os olhos e começou logo a falar em rrrenegociação, que ele diz sempre quatro ou cinco érres. Eu pu-lo logo ao nível: “Renegociação? Ainda nem negociámos e já queres renegociar, filho?” Depois, pôs-se a usar palavras difíceis e eu comecei a achar que me estava a querer endrominar, com aquele ar assim de sacrista. Eu ainda comecei a despir-me, mas ele era papéis para um lado, computadores para o outro, até montou um quadro com uns desenhos e começou a falar dos gregos, e depois nem percebia se estava zangado, porque ia fazendo assim um risinho. Quando eu lhe perguntei se aquilo eram sondagens, o homem ficou branco como a cal e disse num fiozinho de voz que não comentava e saiu sem renegociar nem nada.”

Comments


  1. Resumo: tal como ao país o único que a f#%$u foi o Sócrates!

  2. Carlos Fonseca says:

    Isto de ser profissional de sexo tem também ossos do ofício e cada político cada osso. Todavia, não esqueçamos que se trata de uma arte e, tal como o Manolete morreu na arena, essas artistas deveriam ‘dar o pio’ no local em que a exercem. Só assim se seria mais reconhecido o elevado risco da profissão.
    Excelente texto, como de cosutme.

  3. jorge fliscorno says:

    Muito bom. Leva o prémio do melhor post de campanha 🙂

    • António Fernando Nabais says:

      Olha que esta campanha, entre indianos do PS e “pintelhos” do Catroga facilita muito o nosso trabalho 🙂

  4. A. Pedro says:

    eheheheheheh!

  5. A. Pedro says:

    O que eu gostava mesmo de saber, Fernando, é como é que tu tens acesso a tanta informação privilegiada.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó meu amigo, eu sou um repórter de investigação, está aqui muito trabalhinho, muita hora:-)

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