O BE errou

Quando o BE decidiu não “falar” com a troika disse aqui que era um erro. Lembro-me de, nessa altura, haver quem me garantisse estar eu errado e não o BE, e de me atirarem com as razões invocadas pelo Bloco de Esquerda (e ainda mais algumas) em mails e conversas com pessoas conhecidas.

Gostaria de saber o que dizem os mesmos agora. Sou eu que continuo errado?

Comments

  1. Ana Paula Fitas says:

    Pois é, A. Pedro Correia… de “tão à frente” ,às vezes, são um bocado “lentinhos”… depois, queixam-se porque, afinal, “é tarde demais” … Abraço.

  2. Fernando says:

    O maior erro do BE ou do PCP não foi reunirem-se ou nao com a Troika. O maior erro destes partidos políticos e’ existirem. São partidos que NUNCA serão governo, logo, eles agem de acordo com o descontentamento do povo.


  3. Como eleitor do BE teria vergonha se tivessem feito de conta que tinham negociado onde não havia negociações. De resto é muito fácil perceber que assumir este “erro” não passa de arranjar espaço na areia para enterrar a cabeça, escondendo o grande e verdadeiro disparate: o apoio precipitado a Manuel Alegre. E assim vão continuar, até porque esse foi um erro estratégico, ao pé do qual o episódio troika é irrelevante.


  4. As negociações foram com o governo. Os partidos e outras entidades (sindicatos, etc.) foram ouvidos.
    O BE não tinha nada a dizer? Os eleitores do BE, pelos vistos, tinham e foram dizê-lo noutros partidos.


  5. parece que os erros cometidos na estratégia do BE ainda vai fazer correr muita tinta, para além do verniz que tem estalado em redor de muitas vozes descontentes. O recente caso de Rui Tavares ilustra isso como ele descreve no seu blog: http://ruitavares.net/textos/nota/

  6. Pedro M says:

    Não disse que errou, disse que erraram ao não conseguir tornar claras as suas razões para o seu eleitorado, que ainda hoje, embalado pela comunicação social, ainda chama ao que se passou uma “negociação”, termo que a Troika nunca usou…

    O PCP também não foi à “negociação” e até subiu nas urnas, obviamente que o problema foi o voto útil no PS ou a migração para PCP, MRPP e PAN e até a emigração em si.


    • Pedro M,
      isso, em politiquês, quer dizer que errou.
      A palavra negociação foi usada muitas vezes pelo BE para vincar que não havia nada a negociar. Sim, a troika nunca a usou. O BE e PC, em politiquês, usaram-na para passar uma falácia, ou seja, dizer que não foram porque não iam dizer nada. Trata-se de politiquês, outra vez, porque tinham coisas a dizer e perspectivas a representar. O PC, que destas coisas sabe mais do que o BE, não foi mas fez-se representar. Pela CGTP, por exemplo.
      O PS não beneficiou isso tudo do voto útil, como se viu. Terá havido migração porque o BE se mostrou um partido politiqueiro http://aventar.eu/2011/06/05/be-o-grande-derrotado/ e não me espanta que alguns que votaram BE tenham votado PSD ou, até mesmo, CDS. Pode parecer difícil acreditar, mas nem todo o voto BE é ideológico

      • Pedro M says:

        A.Pedro.

        1. Não é “publiquês” é rigor – se Louçã tivesse admitido que calçou uma meia de cada cor também diria “o BE errou e não quero sequer saber em quê!”? Errou em explicar-se e fê-lo espectacularmente, tanto que ainda hoje nem sequer os seus próprios militantes percebem bem a explicação. Ainda bem que pelo menos isso foi admitido, apesar de outros vários erros (como a Moção de C).

        2.Não é politiquês- é rigor mais uma vez: uma negociação é uma negociação; uma auscultação é uma auscultação e um cachimbo é sempre um cachimbo.
        Nem sequer o PPC e o PP foram pessoalmente à “negociação”, por motivos óbvios, entre os quais o facto de SÓ o governo de gestão estar autorizado a negociar efectivamente e pelo facto de saberem que a auscultação foi desde o início uma farsa para apaziguar as tribos nativas, que poderiam levar a mal a imposição sem uma simulação de consulta (veja na internet a reacção das sindicais após o encontro para ter uma ideia da postura da troika):

        3. Não sou membro de nenhum partido, faço parte dos tais itinerantes que gravitam em torno do centro, por acaso recentemente tendendo para a esquerda. Não sei se é um partido politiqueiro, para mim propôs 3 coisas que me convenceram: a fiscalização do trabalho ilegal (chumbado por PS/PSD/CDS); fim de amnistia a off-shores (chumbado por PS e CDS) e auditoria cidadã da dívida pública e negociação de um empréstimo pagável e mutuamente viável para credores e devedores.
        Convivo mal com negócios feitos em meu nome e manifestamente desastrosos, com trabalho ilegal por todo o lado e com zonas “livra-todos” enquanto há quem pague impostos feito parvo.

        4. Se os eleitores que refere contavam a aceitação de um memorando externo sem sequer saberem os termos do acordo, juros e prazos então definitivamente o BE é o último partido em que deveriam votar, sendo o CDS tão bom para esse fim como qualquer um dos outros dois.


  7. Pedo M,
    1- Com politiquês, refiro a cortina de fumo que se lança por trás das palavras. Politiquês é uma linguagem inventada para, precisamente, não se ser rigoroso.
    2- Deixemos de usar a palavra negociação porque não cabe aqui.
    Não ignoro que foi uma farsa. Mas também não ignoro que política é também teatro, coisa que o BE sabe bem e faz, muitas vezes, bem. E, nisso, o BE tem o tal dever de representação. Não ir também é farsa e encenação e, neste caso, o BE representou o “falo, não falando, e não me comprometo”. O problema é que há representados (leia-se votantes) que prefeririam que o BE representasse o “falo e digo isto e isto em nome destas pessoas”. Assim perdeu legitimidade. É por isso que foi um erro Político.
    4- Falar com a troika não é “a aceitação de um memorando externo”. O BE nunca aceitaria. Em momento nenhum disse que o BE devia concordar com a troika. É claro que sairia da reunião e diria -não concordamos.

    • Pedro M says:

      Sendo o BE um partido político certamente realizará as suas acções de propaganda, no caso desta reunião de auscultação pintada de negociação por quem quis brincar aos estadistas o BE optou por não participar na farsa. Ironicamente saiu-lhe o tiro pela culatra, e de forma bizarra, ao não participar neste teatro foi acusado de ser teatral. Mas não há nada a fazer, o que conta é o mundo tal como é pintado pelos telejornais, onde uma auscultação é uma “negociação” e onde um empréstimo é uma “ajuda”.
      Quando comparei com o CDS não estava a falar da reunião com a troika, dizia que quem passou a votar CDS só tem que subscrever na íntegra um documento que foi trazido para cá de qualquer maneira (como o Aventar tão bem assinalou). Acho curioso que o BE seja acusado de irresponsabilidade, quando desde os primeiros debates chamou a atenção para o facto de que o memorando não estava disponível em português, de que nem Sócrates conhecia o conteúdo apesar de o ter assinado (não negociado) em nome de todos e de que é necessária uma auditoria antes de avançar mais com o processo de empréstimo, que teria que ser feito de um modo razoável. Mas enfim, para os telejornais o BE não foi lá “negociar a ajuda” e toda a gente achou mal.. Pudera.


      • Eu, e aqui no Aventar cada autor responde por si, nunca acusei o BE de irresponsabilidade (até porque, a bem da verdade, nunca teve verdadeiras responsabilidades de onde resultasse tal coisa). Limitei-me a dizer que esta questão foi um erro político.
        Um erro político que, do meu ponto de vista, teve consequências nas urnas e entre apoiantes do BE.


  8. Sempre me convenci que eles não foram lá falar por vergonha. Uma coisa é dizer umas enormidades para os ‘consumidores’ do costume, normalmente malta pouco versada a contas, por isso pareceu-me uma boa ideia não terem ido falar com a Troika.
    Imagino o Louça, catedrático de economia a discutir com os seus pares e a dizer as mesmas asneiras que repete perante os jornalistas arregimentados. Foi melhor assim, poupou-se a uma grande vergonha!

    • Pedro M says:

      Que tipo de asneiras disse Louçã em relação a esta questão do memorando, só por curiosidade?

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