Quando o BE decidiu não “falar” com a troika disse aqui que era um erro. Lembro-me de, nessa altura, haver quem me garantisse estar eu errado e não o BE, e de me atirarem com as razões invocadas pelo Bloco de Esquerda (e ainda mais algumas) em mails e conversas com pessoas conhecidas.
Gostaria de saber o que dizem os mesmos agora. Sou eu que continuo errado?






Pois é, A. Pedro Correia… de “tão à frente” ,às vezes, são um bocado “lentinhos”… depois, queixam-se porque, afinal, “é tarde demais” … Abraço.
O maior erro do BE ou do PCP não foi reunirem-se ou nao com a Troika. O maior erro destes partidos políticos e’ existirem. São partidos que NUNCA serão governo, logo, eles agem de acordo com o descontentamento do povo.
Como eleitor do BE teria vergonha se tivessem feito de conta que tinham negociado onde não havia negociações. De resto é muito fácil perceber que assumir este “erro” não passa de arranjar espaço na areia para enterrar a cabeça, escondendo o grande e verdadeiro disparate: o apoio precipitado a Manuel Alegre. E assim vão continuar, até porque esse foi um erro estratégico, ao pé do qual o episódio troika é irrelevante.
As negociações foram com o governo. Os partidos e outras entidades (sindicatos, etc.) foram ouvidos.
O BE não tinha nada a dizer? Os eleitores do BE, pelos vistos, tinham e foram dizê-lo noutros partidos.
parece que os erros cometidos na estratégia do BE ainda vai fazer correr muita tinta, para além do verniz que tem estalado em redor de muitas vozes descontentes. O recente caso de Rui Tavares ilustra isso como ele descreve no seu blog: http://ruitavares.net/textos/nota/
Não disse que errou, disse que erraram ao não conseguir tornar claras as suas razões para o seu eleitorado, que ainda hoje, embalado pela comunicação social, ainda chama ao que se passou uma “negociação”, termo que a Troika nunca usou…
O PCP também não foi à “negociação” e até subiu nas urnas, obviamente que o problema foi o voto útil no PS ou a migração para PCP, MRPP e PAN e até a emigração em si.
Pedro M,
isso, em politiquês, quer dizer que errou.
A palavra negociação foi usada muitas vezes pelo BE para vincar que não havia nada a negociar. Sim, a troika nunca a usou. O BE e PC, em politiquês, usaram-na para passar uma falácia, ou seja, dizer que não foram porque não iam dizer nada. Trata-se de politiquês, outra vez, porque tinham coisas a dizer e perspectivas a representar. O PC, que destas coisas sabe mais do que o BE, não foi mas fez-se representar. Pela CGTP, por exemplo.
O PS não beneficiou isso tudo do voto útil, como se viu. Terá havido migração porque o BE se mostrou um partido politiqueiro http://aventar.eu/2011/06/05/be-o-grande-derrotado/ e não me espanta que alguns que votaram BE tenham votado PSD ou, até mesmo, CDS. Pode parecer difícil acreditar, mas nem todo o voto BE é ideológico
A.Pedro.
1. Não é “publiquês” é rigor – se Louçã tivesse admitido que calçou uma meia de cada cor também diria “o BE errou e não quero sequer saber em quê!”? Errou em explicar-se e fê-lo espectacularmente, tanto que ainda hoje nem sequer os seus próprios militantes percebem bem a explicação. Ainda bem que pelo menos isso foi admitido, apesar de outros vários erros (como a Moção de C).
2.Não é politiquês- é rigor mais uma vez: uma negociação é uma negociação; uma auscultação é uma auscultação e um cachimbo é sempre um cachimbo.
Nem sequer o PPC e o PP foram pessoalmente à “negociação”, por motivos óbvios, entre os quais o facto de SÓ o governo de gestão estar autorizado a negociar efectivamente e pelo facto de saberem que a auscultação foi desde o início uma farsa para apaziguar as tribos nativas, que poderiam levar a mal a imposição sem uma simulação de consulta (veja na internet a reacção das sindicais após o encontro para ter uma ideia da postura da troika):
3. Não sou membro de nenhum partido, faço parte dos tais itinerantes que gravitam em torno do centro, por acaso recentemente tendendo para a esquerda. Não sei se é um partido politiqueiro, para mim propôs 3 coisas que me convenceram: a fiscalização do trabalho ilegal (chumbado por PS/PSD/CDS); fim de amnistia a off-shores (chumbado por PS e CDS) e auditoria cidadã da dívida pública e negociação de um empréstimo pagável e mutuamente viável para credores e devedores.
Convivo mal com negócios feitos em meu nome e manifestamente desastrosos, com trabalho ilegal por todo o lado e com zonas “livra-todos” enquanto há quem pague impostos feito parvo.
4. Se os eleitores que refere contavam a aceitação de um memorando externo sem sequer saberem os termos do acordo, juros e prazos então definitivamente o BE é o último partido em que deveriam votar, sendo o CDS tão bom para esse fim como qualquer um dos outros dois.
Pedo M,
1- Com politiquês, refiro a cortina de fumo que se lança por trás das palavras. Politiquês é uma linguagem inventada para, precisamente, não se ser rigoroso.
2- Deixemos de usar a palavra negociação porque não cabe aqui.
Não ignoro que foi uma farsa. Mas também não ignoro que política é também teatro, coisa que o BE sabe bem e faz, muitas vezes, bem. E, nisso, o BE tem o tal dever de representação. Não ir também é farsa e encenação e, neste caso, o BE representou o “falo, não falando, e não me comprometo”. O problema é que há representados (leia-se votantes) que prefeririam que o BE representasse o “falo e digo isto e isto em nome destas pessoas”. Assim perdeu legitimidade. É por isso que foi um erro Político.
4- Falar com a troika não é “a aceitação de um memorando externo”. O BE nunca aceitaria. Em momento nenhum disse que o BE devia concordar com a troika. É claro que sairia da reunião e diria -não concordamos.
Sendo o BE um partido político certamente realizará as suas acções de propaganda, no caso desta reunião de auscultação pintada de negociação por quem quis brincar aos estadistas o BE optou por não participar na farsa. Ironicamente saiu-lhe o tiro pela culatra, e de forma bizarra, ao não participar neste teatro foi acusado de ser teatral. Mas não há nada a fazer, o que conta é o mundo tal como é pintado pelos telejornais, onde uma auscultação é uma “negociação” e onde um empréstimo é uma “ajuda”.
Quando comparei com o CDS não estava a falar da reunião com a troika, dizia que quem passou a votar CDS só tem que subscrever na íntegra um documento que foi trazido para cá de qualquer maneira (como o Aventar tão bem assinalou). Acho curioso que o BE seja acusado de irresponsabilidade, quando desde os primeiros debates chamou a atenção para o facto de que o memorando não estava disponível em português, de que nem Sócrates conhecia o conteúdo apesar de o ter assinado (não negociado) em nome de todos e de que é necessária uma auditoria antes de avançar mais com o processo de empréstimo, que teria que ser feito de um modo razoável. Mas enfim, para os telejornais o BE não foi lá “negociar a ajuda” e toda a gente achou mal.. Pudera.
Eu, e aqui no Aventar cada autor responde por si, nunca acusei o BE de irresponsabilidade (até porque, a bem da verdade, nunca teve verdadeiras responsabilidades de onde resultasse tal coisa). Limitei-me a dizer que esta questão foi um erro político.
Um erro político que, do meu ponto de vista, teve consequências nas urnas e entre apoiantes do BE.
Sempre me convenci que eles não foram lá falar por vergonha. Uma coisa é dizer umas enormidades para os ‘consumidores’ do costume, normalmente malta pouco versada a contas, por isso pareceu-me uma boa ideia não terem ido falar com a Troika.
Imagino o Louça, catedrático de economia a discutir com os seus pares e a dizer as mesmas asneiras que repete perante os jornalistas arregimentados. Foi melhor assim, poupou-se a uma grande vergonha!
Que tipo de asneiras disse Louçã em relação a esta questão do memorando, só por curiosidade?