Um título assassino

Só Salazar cortou como o Governo quer cortar

A dimensão da redução na despesa prometida pelo ministro das Finanças só é comparável ao ano de 1950

O Governo comprometeu-se a cortar 10% da despesa primária do Estado em 2012. É o maior corte de sempre nessa rubrica, pelo menos desde que o Banco de Portugal disponibiliza dados. Só António Oliveira Salazar se aproxima dessa redução, com um corte de 5,81% da despesa primária, em 1950.
A despesa primária consiste na despesa total, depois de subtraídos os encargos com juros. Entre 1947 e 1995, só em 1950 é que se registou uma queda. Ainda assim, a redução de 5,81% fica muito aquém daquilo que o ministro das Finanças prometeu fazer para o ano.

no DN

Da esquerda à direita, todos condenam a redução do défice feita pelo aumento de impostos. Subentende-se que a alternativa seja o corte na despesa.

Qual é portanto a utilidade deste título, para além de estabelecer uma ponte entre este governo e a ditadura?

O amigo oliveira continua em grande forma. Isso e a guerra que ainda agora começou por causa da futura privatização da RTP, em que a escandaleira nas secretas é um episódio e a missiva de Balsemão aos seus empregados para se moverem contra a privatização do canal público é outro.

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