Sacro egoísmo que urge

Uma notícia acerca da impossibilidade de colocação no mercado de milho produzido em Portugal, demonstra facilmente a completa desorganização que impera na nossa economia. No preciso momento em que os produtores nacionais entregam o resultado do seu labor e investimento, atraca um enorme navio carregado de milho importado do leste europeu. Os circuitos de distribuição encontram-se não se sabe bem em que mãos e assim se desperdiça uma oportunidade de poupança de divisas, prejudicando-se a solvência de mais uns tantos agricultores. O costume. Uns breves momentos de reflexão, fazem-nos facilmente concluir acerca da inevitabilidade do seguinte panorama num futuro bem próximo:

1. Todas as reservas nacionais devem ser cautelosamente exploradas, pois é um dado incontornável a próxima escassez de matérias primas. Desta forma, o gás a ser explorado, não poderá de forma alguma caber nos parâmetros estabelecidos para aquilo que até hoje tem sido o “normal” comércio mundial. A cifra de 9% que reverte a favor de Portugal, é assim completamente irrealista, abusiva e já roça a depredação. Até prova científica em contrário, o gás é um bem finito e o mesmo se aplica ao lítio e às jazidas de ouro, ferro e volfrâmio que agora estão na mira dos grandes interesses corporativos internacionais. Paralelamente, aqui está uma oportunidade para uma nova indústria nacional transformadora, pois Portugal não pode limitar-se ao papel de fornecedor de matérias-primas. Simplesmente deveremos aplicar o princípio do sacro egoísmo nacional e precavermos um futuro pleno de incógnitas.

2.Teremos mesmo de nos adaptar a um novo estilo de vida e isto compreende um cuidadoso estudo daquilo que ainda poderá ser feito para a preservação das nossas reservas agrícolas, um ponto essencial do pensamento do Arq. Ribeiro Telles, homem que devido às suas ideias acerca da organização política do Estado, tem sido completamente votado ao ostracismo. De facto, os números dizem que o país apenas possui bens para alimentar a sua população durante alguns dias. Temos os campos abandonados e o sector primário é relegado como “coisa medieval” – esta é a política oficial da “escola do regime” -, sendo os solos aráveis ocupados por mega-superfícies e pela construção suburbana. Não existe qualquer incentivo à produção de culturas dimensionadas à nossa escala e que apesar das diferenças evidenciadas pela situação geográfica, são bem visíveis em países como a Holanda, por exemplo. Se as “campanhas do trigo” da II República consistiram num flagrante erro de reminiscências soviéticas, a total renúncia ao primário consiste num desastre de óbvias consequências. Uma simples perturbação na Europa ou apenas em Espanha – por histórica desgraça, é o nosso principal ou quase exclusivo fornecedor -, colocará Portugal num estado de necessidade difícil de conceber, estabelecendo o império da fome e o consequente caos.

3. No futuro, as cidades deverão voltar a conhecer a população fervilhante da vida de outros tempos e há que conceber rápidos planos para o desaparecimento de zonas degradadas por construções recentes, votadas ao quase abandono e vítimas de uma forte depreciação do seu real valor. O mesmo se aplica a projectos que aguardam as necessárias licenças camarárias, um negócio de suspeitos contornos. A verdade deve ser dita e esta envolve o termo demolição extensiva. Desta forma, também será possível uma melhor gestão de recursos energéticos e da cada vez mais escassa água, um ponto fundamental e totalmente esquecido pelo financismo imperante.

A actual e futura falta de crédito, poderá representar uma oportunidade para a colocação de um ponto final na destruição do ambiente envolvente dos grandes centros urbanos nacionais, simultaneamente mitigando o endividamento externo – a dívida pública era 10% do PIB em 1974 e tínhamos uma guerra em três províncias ultramarinas! – e resolvendo alguns dos nossos problemas de segurança. Com o sistema bancário em quase colapso devido a bem conhecidas causas – entre as quais pontificam os péssimos investimentos na área do betão -, o declínio populacional aponta também para a urgência de canalizar todos os esforços de investimento na reabilitação urbana dos núcleos históricos – num sentido mais lato, coincidentes com as áreas construídas até ao início da década de 70 -, precisamente quando Portugal depende grandemente de energia importada e em grande medida destinada ao transporte de pessoas e bens. Em estreita ligação com esta imperativa reabilitação, o país é também um destino turístico privilegiado, existindo um enorme potencial para bons e rendosos negócios que simultaneamente poderão impedir a desvairada especulação até agora vivida e que se reflecte no caótico estado das nossas periferias.

A questão a colocar é apenas esta: será este regime capaz de reconhecer os “erros que de longe vêem”?

(continua)

Comments


  1. Se este regime é capaz?
    A resposta é-nos dada, desde há duas décadas, todos os dias nos noticiários.

  2. José Galhoz says:

    “Sacro egoísmo nacional” é a regra em todos os países da UE e do resto da Europa, só que as nossas fronteiras nunca foram permeáveis a tal conceito (teríamos de passar à América do Sul para encontrar um paralelo mais ou menos próximo, geográfica e culturalmente). Uma análise aprofundada desta característica, aparentemente atávica, exigiria muitos posts com muito variadas contribuições…
    Quanto ao Engº Ribeiro Telles, inclino-me mais para que tenha sido marginalizado pela coragem e coerência com que defendeu, nomeadamente, a preservação e aproveitamento dos solos do que pelas suas ideias monárquicas.


  3. Pois é Nuno Castelo-Branco – G.Ribeiro Telles foi em 1975 Secretário de EStado do Ambiente e mais Tarde – na AD – ministro do ambiente – a legislação que existe sobre ambiente existe depois do DL 613/76, de linguagem pela primeira vez humanista, definia a estrutura e estruturação das àreas Protegidas (Parques e Reservas Naturais) – até aí só havia o P.Nacional do Gerês de responsabilidade de engºsilvicultor) e mais tarde os DL da RAN (Reserva Agrícola Nacional) e de REN (Reserva Ecológica Nacional) – tudo antes da Confª da Terra em NY ECO-92
    Estava garantida se fosse cumprida a legislação a salvaguarda da terra com vocaçºao agrícola bem como a de conservação dos ecosssitemas e formas de intervenção – e contravenções (lamentavelmente muito brandas e mesmo assim era mais barato pagar contravenção do que o valor que se obtinha prevaricando – com e sem construção de estradas e de habitação (quem se recorda dos campos de golf da Várzea Fresca e do envolvimento de um secr estado do ambiente e de ministro do turismo ??) – Lei em Portugal é o pior instrumento já que define, com exactitude, as melhores paisagens e solos e ocupação vegetal, exxactamente para URBANIZAR – Ribeiro Telles, o 1º assistente do prof Caldeira Cabral (que desenhou o Estadio Nacional agora uma miséria) é um homem BOM – inteligente e de cultura invulgar – com a telier aberto a todos os que com ele queizeram fazer “oficina” depois do curso de Arqtª-Paisagista (AP) – foi funcionário da CML juntamente com ProfC.Cabral incompatibilizando-se por causa do seu projecto da avª da Liberdade quando da construção do metropolitano – passou exclusivamente ao trabalho liberal mas tendo, antes, sido professor em Évora, onde se abria o 2º curso de AP – que depois deixou – mas não pára de trabalhar – teve um atelier da CML para desenhar o PLANO VERDE de LISBOA – a quem ninguém liga (ligação de todos os EV desde Marquês a Monsanto) – não vou escrever toda a sua biografia – mas tem razão quem escreve – não foi por ser monárquico que foi “atacado” – foi por ser inteligente e culto demais e por amar Portugal e as Paisagens saber ORDENAMENTO biofísico das Paisagens que só os AP sabem e para tal foram preparados na Univ Técnica de Lisboa – e saber que “sem independência alimentar não há independência nacional” (esta frase é minha) – foi combatido porque espanha produz agroquímicos (lixo alimentar) que alimenta o país, em detrimento do que os 37% de terra agricultável portuguesa, podiam produzir (78% das necessidades nacionais) – já nem sei que idade tem mas nunca o vi nem desistir nem deixar de abrir a porta (ainda hoje) a quem vai “beber a essa fonte de saber e de dignidade” que ele sempre representou
    Felizmente deixou discípulos que são hoje professores que denomino a 2ª geração, pois que a 1ª morrerá com ele (vivo ainda Facco Viana Barreto que com R,Telles desenhou o Jardim da Gulbenkian e o da Torre de Belém)
    Eu abri a 2ª geração de paisagistas (no feminino) já que até aí era uma profissão apenas detida pelo masculino – ainda hoje ele e o seu trabalho é INSPIRAÇÂO de muitos AP – eu como outros, fizemos “oficina” no seu atelier – quando desde 1966-68 mudei de profissão e fui para a CML foi-me dado para REFAZER todos os projectos de G.R.Telles, mas os espaços já não estavam lá (betão e betuminoso sim) – refiz ainda muito mas, igualmente, NADA foi feito-também fui responsável pelos Viveiros da CML da zona oeste de Lisboa (Benfica a Belém) para que a CML tivesse a vegetação para construção e reabilitação dos espaços públicos e verdes da Cidade – os meus pojectos (refazer dos dele e originais) foram, igualmente, deitados ao lixo excepto UM debaixo de um Pilar da Ponte na rua 1º de Maio (alcântara) que era tão bonito que a Polícia Municipal resolveu fazer o seu “estacionamento automóvel” que lá está cheia de lixos e de carros da polícia e privados
    Pois é Nuno Castelo-Branco, que não conheço (embora conheça 4 pessoas Castelo Branco) – se TODOS os projectos de Ribeiro Telles tivessem sido construídos (como foi a Gulbenkian mas o dono da obra é privado e inteligente – não é a CML que é assustadora de decisões e agora “ataca” este bairro pois é o que sobra para destruir) LISBOA que já é uma das mais belas capitais do Mundo (e o mais prolongado pôr-do-sol e que cai no mar e mereceu o filme de Alain Tanner-Lisboa Cidade Branca e de quem não recordo o nome mas disse que Lisboa não tem a mais bela luz do mundo mas é a LUZ – e tem razão basta ver a latitude e longitude), seria esplendorosa em todos os Jardins e Colinas e Miradouros (alguns tapados com mamarrachos como o de Santa Catarina) e teria os espaços públicos para os VELHOS e para as crianças e para TODOS os que gostam e precisam da NATUREZA VIVA DENTRO DA CIDADE (frase de Ribeiro Telles de artigo que escreveu não sei onde)
    A cidade é para os automóveis – os túneis da João XXI + Avª república + Marquês provocaram a debandada dos habitantes para o meu bairro (ainda humano e sem semáforos) com todo o tipo de equipamento para bébés até aos velhos (e até os cães que passeiam à trela com os donos) + comércio tradicional e serviços incluindo de Saúde e Ensino) – todos invadiram este bairro belo e velho e saudável e monumental e debruçado sobre o Tejo – que está agora em perigo com a desmultiplicação de Condomínios fechados onde havia REN urbana e mochos e corujas e pardais e melros – a tal natureza viva dentro da cidade – (mas já não há vida sequer – só betão e cércias que de 3 passaram para 5 e 9 pisos) – mas Telles escreveu também um artigo que perdi – A cidade que nasceu para Morrer – e como se não bastasse MONSANTO o pulmão pelo menos daqui e da cidade já está aviltada com a Cidade Universitária e o perigo iminente de mais uma autoestrda urbana de Monsanto a avª 24 julho, destruindo a RUA e o sossêgo e os palacetes da Carris – só se sabe destruir “liberalmente” em nome do desenvolvimento que eu gostaria de saber quem sabe o que é pois que tudo empobrece, até o meu belo e último bairro VIVO e holístico da cidade (não falo em Alfama nem Lapa nem Estrela nem Campo de Ourique que ainda resistem mas não tem o que este tem porque tem TUDO (tinha) – pois é – fazem falta Ribeiros Telles que se extinguem porque os que dele derivam já não têm a “chama”, como dizia um colega de èvora, que tinha o Prof CC e GR.Telles – e ficam muitos “transgénicos” e eu não aprecio – vamos ver – o que vejo entristece-me – ver morrer a minha cidade não dá alegria – os pássaros já cá não estão a povoar o céu em bandos fantásticos – desaparecerem também e a CML zeloza corta as árvoes de arruamento – saudáveis mas CORTAR é palavra de ordem – e há 3 anos que não são regadas cmo era habiua ainda há 3 anos, no verã – e bvão secandoe morrend devaga (como estão a morrer os sobreiros como vi e julho 2001 + o gado que havia por todo o campo alentejano – não se vê mais – só mais e mais confinado a certos lugares que RESISTEM enquanto hover “velhos”

  4. Nuno Castelo-Branco says:

    Maria Celeste, o seu testemunho é impressionante, embora já conhecesse muitos dos casos que aponta. O pior é que a situação é ainda mais grave, não se limitando a Lisboa que por si, representa uma catástrofe. Não deixarei de fazer um post com este seu comentário.

    • maria celeste d'oliveira ramos says:

      Nuno Castelo-Branco, peço que EMENDE a minha ortografia e sintaxe pois que, demasiado nervosa de ler o que leio pelos noticiários e “debates” (acabo de ouvir o da TV2 – Sociedade Civi – como mais uma celebração do DIA MUNDIAL dos MARES e das muitas manifestações pelo pais e as em Liboa na EXPO 98 – onde fui voluntária) aqui derivadas de programa da Gulbenkian, Escrevi, assim, de rajada e nem emendei – e não é bonito escrever tão mal esta tão bela senão a mais bela e musical língua do mundo – também fiz e escrevi – há poucos anos – para publicação de livro sobre Prof Caldeira Cabral pela nossa associação profissional – pediram-me 5 páginas mas só consegui escrever 70 páginas
      Nasci no tempo dos “heróis” (e tempo de ditadura e sem qualquer educação política) sendo, assim, estes “heróis” a minha forma de dizer que precisávamos de ter referência de homens singulares, mas que não encontrei excepto depois de vir para lisboa no fim dos anos 50 (as tertúlias fantásticas nesta cidade aberta) mas muito me faltava pelo que, só depois de viver 1974, descobri coisas que nem vêm nos livros, e se encontrei exemplos de grandeza e humildade – só os grandes são humildes – para crescer intelectual e espiritualmente, e tendo trabalhado com o prof CC muitos anos, também passei pelo atelier GRTelles (que nem ensinava, mas dava os instrumentos para se pensar e desenhar e nos remeter para nós mesmos – e são estas senhores que nos ajudam a olhar mais para cima e para a frente, encontrando eu em GRTelles, um dos grandes homens do meu país (não sendo o único mas é do meu contacto), em que a sua cultura é luminosa, e é exemplo de vida que o fazem situar entre “os nossos grandes”, homens que são seiva elaborada que alquimiza a nossa seiva bruta, e vou acabar, para não esctever mais 70 páginas, com uma frase dele que retenho – A Vida é uma Missão de Serviço
      E sendo pessoa que até nas vezes em que foi convidado pela TV para responder ao que lhe perguntaram, e para tal foi convidado, não se põs em bicos de pés nem chamou nenhum jornal para ser entrevistado.
      Porque serão tão belos os jardins que desenhou ?? porque ele “desenhou com o SAGRADO da vida” e da terra, que deus aos homens para usufruir, se calhar sem mesmo disso ter consciência – mas não faz mal – porque todos somos o que formos sendo, andando
      Mas sendo pessoa que não se zanga e muito menos o mostra, quando antes da construção da Ponte Vasco da Gama (que até eu sempre achei que ali já-mé) fizemos de barco viagem desde Vila Franca de Xira à Outra Banda, até com alguém que foi presidente da República (e eu ía em nome da minha associação profissional), lá atravessámos o nosso Mediterrâneo privado – como eu denomino o mais belo estuário pelo menos da Europa e é REDE NATURA maltratado – viagem feita com a finalidade de nos apercebermos do local que a ponte atravessaria e que impacto visual (também através dos projectos que foram exibidos), ficou tão indignado com as respostas que ía tendo às suas perguntas aos engº projectistas, que BERROU, e eu nunca o tinha visto aos berros com ninguém – berrou com os que estavam a “profanar o Templo” como se faz quotidianamente de norte a sul e mesmo no interior, violando esta terra milenar, como se fez com o ALGARVE, pois que foi rejeitado o Plano de Ordenamento daquele EDEN que era o litoral entre o Mar e o Barrocal (e Serra)e deu aqule INFERNO e maldade urbanistica num dos locais privilegiados do mundo (e já viajei o suficiente para pelo menos comparar e sentir) como se faz agora ao Vale do TUA ou mesmo, com o PUA proposto pela REFER, no Vale de Alcântara, copmo se fez com as IPs que rasgaram a direito o país até ao limite da alienação incluindo a destruição do então sistema viário EN, de que parte foi ocupado com leitos de IPs, em vez de ter sido construído um sistama de estradas de velocidade separado das EN, e sendo que, assim, milhares de km de EN não servem para ninguém, nem para utilização de rurais e máquinas agrícolas – ai ai – que mais se vai construir em nome do desenvolvimento que só ddestróis ecossistemas e territórios, vida global e vidas humanas com miserávie expropriações para quem apenas tinha pequena courela com um poço e uma carroça e mula e casinha rural e quantos se suicidaram porque 80 contos não lhe davam a vida que tinham, mas era para o bem público e colectivo – pois é sempre e vê-se pelo grau de desertificação a que se assiste, os aluimentos constantes dos mais pequenos taludes (sem terem sido desenhadas com o perfill de Siffert, plantados com chorão (originário do Cabo), exótica preferida dos engºs civis sem perceberem que a erosão se faz por baixo da planta (Carpobrotus eduliis), logo na 1ª chuvada, e fogo e água alternam no país desde há 20 anos onde o fogo já nem é de verão pois já começa brutalmente em Fevereiro porque tudo está cada vez mais sêco até a área da árvore nacional – o sobreiro, em que a cortiça já esfarela de secura (mas já não acusam os homens das Festas e Romarias que sempre houve sem problema) mas ninguém fala do abaixamento dos freáticos com a EUCALIPTIZAÇÂO (termo de GRTelles) começada em 1986 com os 1ºs subsídios da CEE para a agricultura que foi ignorada e desprezada pelo que dos 78% que se produzia não resta mais do que 20% (e se calhar das estufas do Oeste de que tenho muitas dúvidas que não seja réplica do lixo alimentar de Almeria) – pois é – o que nos foi ensinado e transmitido por CCabral e Ribeiro Telles está ignorado e hoje havendo ainda profissões que tratam da vida dos homens, a de Telles trata da vida da terra e, homem que vive no meio da beleza não entra em depressão mas a FOME ameaça o pela mão ministerial dos que deviam olhar a terra como quem olha o sagrado, que durante milénios os habitantes fizeram fértil (jardim à beira mar plantado que chateava Unamuno), mas está desertificada, e quantas plantas arbóreas com cada vez mais doenças – como o recente nemátodo nemátodo do pinheiro (e quase não os há sobretudo o bravo cheio e a morrer com a processionárias – basta olhar as copas e veros ninhos envoltos em teia) ou o escaravelho das Palmeiras que sobretudo no SUL estão a morrer com o escaravelho – a VIDA, digo eu, é para celebrar em cada DIA, a minha, e a da terra
      Cada macaco no seu galho – não nos servem ministros da agricultura e ambiente que da PAC fazem “cadeau” a outros países e ainda se desculpam como se todos fôssemos ignorantes – as hortas da cintura verde de lisboa alimentavam lisboa aqui ao pé da porta – anel de Palácios e Quintas da Nobreza Rural – hoje Quintas da Fonte e do Mocho que desclassificam a paisagem e os habitantes atirados para a periferia alienada e alienante
      A esta destruição das fontes alimentares do tempo em que o betão nem betuminoso tinham prioridade (ceinture vert de Paris + Moscovo + Lisboa) deram lugar a arranha-céus para habitar quem só pode habitar “junto à terra” – habitantes a que se chamam “marginais” (o que é isso ??) e por isso nasce agora um movimento de AMOR à terra e constroem-se Hortas até no Jardim do Museu do traje, e sendo que a CML de não sei onde no Alentejo pôs à disposição de quem quizesse – espaço para Hortas Comunitárias e foi uma corrida ao aluguer de talhões, desde a gente mais pobre e simples até a uniersitários, finalmente LADO e LADO retirando da terra o alimento (hortículas) pois já rejeitam os Continente e Pãos-de-Açucar de transgénicos e agroquímicos – para quê destruir o óbvio e HAVER já tanta FOME num país milenarmente agrícola – que o digam os gregos que nos trouxeram a oliveira e roseira, os romanos que nos trouxeram a vinha, os árabes que nos trouxeram a NORA e nos ensinaram a regar até nos locais mais desértcos pois no deserto têm origem – que cultura milenar aqui acumulada e concentrada, deitada ao lixo de que só pode resultar fome e miséria mental e não só
      A ignorância é uma INFELICIDADE me ensinou minha mãe mas algo aprendi e quando não sei calo-me ou pergunto a quem penso que sabe – Pois, creio assim, que será necessário reabilitar os heróis, talvez outros – que as universidades não sejam SUPERMERCADOS do ENSINO e não oassar a olhar para CIMA como quem não vê nem é nada consigo – mas aprender a olhar para o chão – a terra-mcor
      Triste o país que maltrata os seus maiores na ganância de ter não só o que não lhe pertence nem conquistou, mas que fez privação e espalhou ignorância – precisamos de evoluir pra a sociedade do SER – e não vêm da UE os melhores exemplos e espero que continue a ser verdae que “há males que vêm por BEM e que a cidade não seja mais poluidora e destruidora do Campo onde tudo nasceu e sendo até que a Aldeia (molde altigo da cidade moderna), que é também a semente primeira (e arquetípica) do aglomerado urbano e de todas as manifestações culturais que neste país vão desaparecendo mas muito ainda está (apesar do saque das pedras das aldeias de granito despovoadas, pedras cortadas e aparelhadas da habitação abandonada das aldeias onde já não mora ninguém e sacada para construção das vivendas dos mais ricos de Madrid, não esteja, por razões de TROIKAS e baldrocas, a eliminar a estrutura raíz do nosso povoamento milenar e, já agora, lembro aquele lindo livro Arquitectura Popular Portuguesa coordenada por Keil do Amaral (1 volume gigantesco) – que teve tanta procura que a então ainda Sindicato dos Arquitectos (de que era presidente o actual Provedor da Arquitectura) quis publicar 2ª edição, mas sem dinheiro suficiente, meu irmão que também amava a terra, conseguiu do seu serviço, do ministério da agricultura Que entretanto alguém quer extinguir) conseguiu 600 contos para financiar, desta vez em 2 volumes, mas ao oferecer-me exemplar da 1ª edição escreveu – irmã nunca te esqueças – o HOMEM é o maior predador do Planeta
      Tinha razão meu irmão e que Deus o guarde e eu fico agora por aqui

  5. Nuno Castelo-Branco says:

    Cara Maria Celeste, li atentamente o seu comentário e como compreenderá, percebo perfeitamente o que quer dizer. GRT é realmente um homem de outro tempo e é deveras uma lástima que tenhamos perdido a oportunidade de com ele termos um futuro melhor, como convém. Creio mesmo que inevitável será a adopção -mais ou menos forçada – dos seus princípios e ideias, pois os dias do consumismo de massas estão contados (acho eu).