Escabroso!

Todos temos na memória, as vergonhosas imagens de Mussolini pendurado pelos pés na Pizza Loreto, naquela já distante Primavera de 1945.  Também recordamos a escandalosa farsa do “julgamento” e execução sumário dos Ceausescus, numa paródia de justiça que apenas confirmou o que se suspeitava: os camaradas do Conducator do PCR, desejavam dele se desembaraçarem,  calando uma voz mais que comprometedora. Se sabemos qual a natureza do ainda vigente regime italiano de 1946, as diferenças relativas ao que Illiescu deixou na Roménia, não serão assim tão relevantes. Máfia é o termo exacto.

Pois aconteceu o mesmo na Líbia e as reportagens que nos chegam, são aquelas que se esperavam. Realmente, Kadhafi tudo fez para este ignominioso fim, enlouquecido pela crença na sua estrela que julgava eterna. A verdade é que os responsáveis do novo regime, logicamente  deveriam ter  impedido um epílogo destes, mostrando que os tempos são outros e que a intenção em restaurar a Constituição da independência, não é apenas um exercício de retórica. Era disso mesmo que a comunidade internacional estava (?) à espera. Pois Jalil e os seus falharam redondamente e o espectáculo que as televisões nos oferecem,  é  de facto escabroso, para não dizermos mais.  Nada de bom sairá de eventos semelhantes.

Quanto à posição portuguesa, Paulo Portas devia medir as palavras. Ninguém está a salvo num futuro pleno de incógnitas.

Viver não custa – uma homenagem ao Arquitecto Celso Costa

Para Celso Costa, Arquitecto, marido da minha amiga Maria Luiza Cortesão, que soube viver, e ensinar a viver, um militante da liberdade com os Cortesão, falecido ontem.

Sem saber como nem quando, nascemos. Nascemos sem saber o como e o porquê. De certeza, somos resultado de uma violenta paixão dos nossos adultos. Essa paixão que não permite pensar, apenas agir. Essa paixão tem um resultado, a maior parte do tempo, de dar vida. E o caminho ao Gólgota começa. [Read more…]

Esqueçam o “Não pagamos” ou o “Não posso pagar”

Uma bela receita que o Governo arranjou para 2012 foram as coimas a aplicar em caso de incumprimento face ao Estado, seja em obrigações fiscais seja em contas de hospital, etc.

Quem vai passar a abrir os processos de contra-ordenação por incumprimentos serão os Serviços de Finanças. Onde vão ter gente e meios para abrir tais processos em tudo quanto é incumprimento pecuniário face ao Estado é um mistério, mas deve fazer parte do novo paradigma – vocábulo tão em voga e que confere um reforço de validade intelectual a qualquer argumento… – “fazer mais com menos”.

Por isso, se estão com  ideias de não pagar em protesto ou se não puderem pagar, o Governo já pensou nisso no Orçamento do Estado para 2012: vai sair mais caro.

O embuste miraculoso

Eram tempos em que andava ainda pela igreja, preocupado com a salvação da alma que era preciso manter mais pura que virgem adolescente e, por isso, me acagaçava todo perante um deus punitivo que castigava sem dó e sem piedade qualquer cedência pecaminosa aos inimigos da alma nomeadamente a carne, cujas tentações era preciso conter com ladainhas, jejuns e padre-nossos a toda a hora. Tinha então por companheiro de dúvidas cristãmente metafísicas, o Lenine, já um tanto espigadote, transformado no herói da miudagem menos dada a crendices que o padreco e a cambada de catequistas marianas mais ou menos fogosas, nos enfiavam com uma catrefada de pecados como merecedores de punição eterna nas labaredas infernais. O Lenine desempenhava de vez em quando as funções de sacristão acidental, ora abanando o turíbulo na sacristia, ora levantando os paramentos do abade nos rituais da missa ou do terço ao Santíssimo Sacramento. E quando o padre repenicava mais prolongadamente um sonoro e cantado Amen, o Lenine acrescentava de forma mais ou menos audível: doins. Amen…doins. [Read more…]

Já cá canta

O novo álbum de Tom Waits, Bad to Me (obrigado S.). Primeira constatação: deste gajo vale a pena esperar 7 anos por um disco de estúdio. Se fosse menos tempo, ganhávamos todos. Tão munta bom como sempre. À primeira audição Hell Broke Luce parece ser ainda melhor do que as outras. Dia 24 chega às lojas.

You’re the head on the spear
You’re the nail on the cross
You’re the fly in my beer
You’re the key that got lost
You’re the letter from Jesus on the bathroom wall
You’re mother superior in only a bra
You’re the same kind of bad as me

Khadafi capturado em Sirke

Se entendo mal as ditaduras, menos percebo o irracional apego ao poder dos ditadores nas fases terminais de regime.

Khadafi, o ditador megalómano e assassino que “flirtou” com o ocidente e acampou com a sua guarda feminina nas maiores capitais da europa, assistiu à primavera árabe e à queda dos seus “colegas” do Egipto, Tunísia, etc.

Khadafi viu como o amigo Sarkozi, o das palmadinhas nas costas, foi o primeiro a puxar-lhe o tapete, cavalgando as mudanças na rua árabe.

Alucinado, convicto de ser um semi-deus adorado por um povo que, afinal, o odiava, Khadafi pensou esmagar esta revolta como fizera com tantas: a ferro, fogo, sangue e longos discursos dirigidos às massas pelo “a(r)mado” líder. Enganou-se e viu o seu regime destruído, o país em escombros, o seu livro verde espezinhado, milhares de mortos – incluindo parte do seu próprio clã, assim como vários dos seus filhos.

Se houver vontade de democracia, sujeitar-se-á a um humilhante (para quem, como ele, aparenta delírios de personalidade) julgamento que o reduzirá a uma caricatura da caricatura que Khadafi já era. Demasiados mortos depois.

ADENDA: As notícias, à hora a que escrevo, são ainda incertas e pouco claras. Algumas dão-no como ferido e detido, mas notícias posteriores, ainda não confirmadas, afirmam que Khadafi foi morto.

O habitante 7 mil milhões nasce este mês

O habitante 7 mil milhões chegará lá para o final deste mês. Se atendermos a que apenas em 1800 (há cerca de duzentos anos) foi atingido o número de mil milhões de habitantes no planeta, estamos perante um crescimento assombroso e não sustentável.

Não imagino como se resolverá este problema, já que as hipóteses mais óbvias, como a diminuição da assistência médica ou das políticas de salubridade estão absolutamente fora de questão. Soluções administrativas à chinesa são incompatíveis com sociedades democráticas. Genocídios “purificadores” são inaceitáveis. Algumas teorias afirmam que apenas uma maior redistribuição da riqueza planetária, acompanhada de esclarecimento e informação, poderá diminuir esta tendência, uma vez que países mais ricos têm, regra geral, menores taxas de natalidade.

Basta, no entanto, olhar para a actual situação europeia (ou dos EUA) para perceber que essa redistribuição dificilmente se fará em tempos próximos.

Certezas, só uma: o bebé sete mil milhões vai nascer num planeta a rebentar pelas costuras, num momento em que milhões de pessoas ascendem à condição de consumidores em larga escala nos países ditos emergentes. Uma mistura perigosa, para não dizer explosiva.

Crescimento da população mundial
População Ano Tempo para o próximo bilhão (em anos)
1 bilhão 1802 126
2 bilhões 1928 33
3 bilhões 1961 13
4 bilhões 1974 13
5 bilhões 1987 12
6 bilhões 1999 11
7 bilhões* 2011 15
8 bilhões* 2026 24
9 bilhões* 2050 20
10 bilhões* 2070 26
11 bilhões* 2096 não calculado

Que tal usar headphones para ouvir música, não seja besta!

Campanha do Metro de Lisboa

Será este Orçamento uma machadada final nos Ferraris em Portugal?

Para mim, será um regresso às carroças. É que foi tal o esforço do governo em cortar na despesa que,  em boa lógica, não irá ser possível deparar com novos ferraris e outros “príncipes” de quatro rodas, das nossas estradas. A não ser que o orçamento se tenha camuflado de falácias manhosas de forma a tudo ficar como dantes, quartel general em Abrantes.

Como há um novo governo a esforçar-se por ter pose de Estado, somos levados na onda da sua pretensa virgindade política, e pensar que o rumo vai mesmo ser outro, e para melhor.

Mas a malta anda escaldada. E embora nos esforcemos por tentar ver em Passos Coelho, e seu governo, gente bem intencionada, não os vimos cursar deontologia, e a dúvida ficará sempre no ar.

Mas isso seria o menos, caso os srs do governo não fossem daqui a nada, como é muito provável que vão, comprar o último modelo BM, e mudar do T3, onde moram há anos, para “o T5”, sito, algures, num condomínio fechado, desenhado por Siza Vieira.

Cunha Ribeiro

A verdade sobre o orçamento geral do estado e a “ajuda” internacional

Sobre o Futebol Clube do Porto

Tenho a dizer, por muito que isso vá custar à minha Académica, apenas isto:

Pedro Emanuel

Sim Pinto da Costa, também te enganas.