A Xoxota

Não confirmo mas acredito que o cartaz apenso esteja escrito em “português do brasil”, uma língua diferente do “português de portugal” que os alguns burocratas querem fazer crer que é a mesma língua. Se fosse a mesma língua, eu não precisaria de ajuda na tradução. Desde já agradeço.

 

Governo garante apoio da TVI e de Balsemão

 O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, disse hoje, em Vila Nova de Poiares, que o plano de reestruturação da RTP vai emagrecer “claramente” a empresa, que gasta mais de um milhão de euros por dia. in Público

Estava-se mesmo a ver: privatizar para os amigos, nunca privatizar contra os amigos. Agora, enfim, pelo lado dos candidatos à compra da RTP, a coisa é capaz de fiar mais fino. Vamos, por exemplo, ver as próximas manchetes do Correio da Manha. A vida é mesmo assim: nenhum governo se livra de ter o seu Independente.

Português Língua Não Materna – mais um disparate do Ministério da Educação

O que está a passar na minha escola deverá ser igual ao que acontece em muitas outras. Durante os últimos dois anos, nos 10º e 11º anos, uma aluna estrangeira frequentou a disciplina de Português Língua Não Materna, tendo direito a três blocos de noventa minutos que ficavam a cargo de um professor. Quando a aluna julgava, legitimamente, poder contar com mais um ano nas mesmas condições, eis que “esclarecimentos” vindos da DGIDC atiram com a referida aluna para uma turma de Português de 12º, criando uma de duas situações: ou a aluna fica sujeita ao programa de Português de 12º, para o qual não está preparada, sendo que, ainda por cima, irá realizar o exame de Português Língua Não Materna, ou o professor da turma será obrigado a leccionar duas disciplinas ao mesmo tempo, o que não faz sentido, ainda para mais, em ano de exame nacional. Segundo as referidas instruções, só seria possível formar uma turma de Português Língua Não Materna, caso houvesse, na escola, um conjunto de dez alunos estrangeiros, independentemente de estarem ou não no mesmo nível, o que também teria a sua graça, em termos pedagógicos.

Os responsáveis por ter criado esta situação quiseram apenas poupar dinheiro, com a habitual insensibilidade dos burocratas de gabinete e baseados naquilo que, de acordo com a terminologia do Ministério da Educação, se designa por “As escolas que se desunhem!”. Neste caso, haverá um professor que irá dar apoio à aluna, resolvendo, à custa do seu tempo particular, uma situação que nunca deveria ter sido criada, se vivêssemos num país civilizado. Para os burocratas, ter um professor ocupado apenas com uma aluna estrangeira durante três blocos de noventa minutos semanais constitui um gesto demasiado humanista. Era o que faltava permitir que uma sociedade receba as crianças estrangeiras como gostaria de ver os seus filhos recebidos em terras alheias.

(leitor devidamente identificado)

Outras contas da Madeira

Ouvi ontem na TSF o autor do livro Suite 605, João Pedro Martins, explicar muito bem explicadinho que o paraíso fiscal madeirense entra no PIB jardinista embora lá não deixe impostos, como é bom de ver. Desta forma a situação económica da Madeira é inflacionada, explicando-se assim porque é oficialmente a 2ª região mais rica de Portugal. Consequência: uma região com 30% da população a viver abaixo do limiar de pobreza ficou excluída dos fundos europeus, perdendo milhões todos os anos.

Tem toda a lógica: não paga a Europa, pagamos nós. Siga o bailinho.

Não é vítima de violência doméstica quem quer

Um homem, ou algo parecido, foi condenado pelo crime de violência doméstica e recorreu para o Tribunal da Relação de Évora.

O Tribunal da Relação de Évora não negou que o arguido tenha agredido diversas vezes a mulher, desde 2004. Não pôs em causa que no dia “06 de Junho de 2008, o arguido, agricultor, agrediu a mulher com uma cadeira, dando-lhe uma pancada no peito e provocando-lhe uma contusão da parede torácica, um hematoma na região frontal e na mama e escoriações nos lábios e cotovelo.” O mesmo tribunal, no entanto, considerou que a sentença da primeira instância é vaga e, a propósito das agressões não “esclarece o número de ocasiões em que as agressões ocorreram, a quantidade de murros e pontapés em causa ou qualquer elemento relativo à forma e intensidade como foram desferidos, ao local do corpo da ofendida atingido e suas consequências, em termos de lesões corporais.” Finalmente, a propósito da agressão do dia 6 de Junho de 2008, o Tribunal da Relação de Évora considerou que “uma contusão da parede torácica, um hematoma na região frontal e na mama e escoriações nos lábios e cotovelo” não configuram uma agressão “suficientemente intensa”.

Não me espantaria que os juízes, para terem chegado a uma conclusão destas, tenham experimentado ser agredidos com um sofá de três lugares, uma cristaleira antiga e uma cama IKEA. Face a isso, o que vale, efectivamente, uma cadeira? Para além disso, esteve mal a vítima ao não trazer consigo um caderno onde fosse anotando, em pormenor, as agressões do marido, desde 2004. Será importante, aliás, que as mulheres portuguesas aprendam a lição e tenham sempre material de escrita à mão, o que lhes poderá ser útil enquanto o marido lhes dá pontapés na cara ou outros afagos menos intensos.

Enfim, é bonito registar como há uma saudável concorrência entre os tribunais.