O Futuro da CCDRN:

Confesso o pecado: hoje tirei semelhante folga que só comprei o jornal quando fui jantar. Por isso não sabia que o vídeo colocado mais abaixo tinha sido tema no Jornal de Notícias e, para surpresa minha, a CCDRN (Comissão Coordenadora e de Desenvolvimento Regional do Norte) tinha sido tema de capa.

Segundo uma fonte do Jornal de Notícias, o Eng. Carlos Duarte é o próximo presidente da CCDRN. Uma excelente notícia. Porém, ao ler a peça de fio a pavio (duas vezes) dei por mim a pensar que cheira a queimadela. Da grossa. Os anos que levo a “virar frangos” a tal me obrigam. Mesmo olhando para o cabeçalho e verificando que a peça foi feita por um dos melhores jornalistas nacionais.

O Eng. Carlos Duarte aparece como o preferido dos autarcas do Norte. Só meia verdade. Ora vamos lá ver: o Eng. Carlos Duarte é o preferido da esmagadora maioria dos autarcas do PS e do PSD do Norte? É a mais pura verdade. Como o é, de igual forma, o facto de ser o preferido da esmagadora maioria dos múltiplos técnicos da área, dos diferentes dirigentes das inúmeras instituições públicas e privadas da Região Norte.

Porquê? [Read more…]

Era uma vez um rei com uma grande barriguinha

«Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.»


Viva a República!

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A República

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 É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, [Read more…]

F.C.Porto Campeão, seja qual for a modalidade

Não importa de que modalidade falemos, quando falamos do FCPorto, falamos de troféus conquistados.

Desta vez falo de Basquetebol, como antes falei de Hóquei, Bilhar ou Andebol, e noutras alturas do muito mais mediático Futebol.

Em Vagos, o CAB Madeira veio defrontar o FCPorto para apurar o vencedor da Supertaça de Basquetebol.

Com naturalidade os portistas venceram por 76-62, sendo este o primeiro trféu da presente época.

Quatro canções da República

Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.

Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.

Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891

A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.

Elogio de Merkel

Angela Merkel elogiou hoje Portugal.

É o chamado Elogio de Mer…kel.

Os netos dos que não foram à Índia:

Não serei a melhor pessoa para avaliar estas coisas. Tirando o Porto Canal, por razões óbvias (profissionais, sentimentais e de proximidade informativa) vejo pouca televisão. Tirando a informação, só cabo (e mesmo assim, pouco).

Nas redes sociais, em especial no facebook, vou-me apercebendo que os programas/concursos de novos talentos musicais existentes em Portugal são idênticos aos que existem noutras paragens. A produção é a mesma, o estilo dos apresentadores não é muito diferente e a qualidade geral não difere muito de cá para lá. Apenas num ponto as coisas são muito diferentes, assustadoramente diferentes e que nos devem obrigar a pensar. [Read more…]

Viva a república, abaixo a república!

Nunca, em Portugal, se falou tanto em república. Pelo menos desde Outubro de 1910. Fala-se no regime, porque o regime paga. É justo. A propaganda ideológica refinou-se ao longo do século XIX, definiu a ascensão dos grandes e mortíferos regimes do século XX e é usada no século XXI para distrair dos problemas económicos e sociais. Enquanto se alimenta o mito do regime igualitário e fraterno, mina-se a liberdade amordaçada entre acrisia e conformismo. Salazar e António Ferro sabiam-no bem e, nesse aspecto, as comemorações do Centenário da República são herdeiras directas dos grandes festejos de 1940 sobre a Nação e o novo regime.

Muito antes de Cromwell e da Revolução Francesa, muito antes do marxismo modelar a ideia de república como o melhor de todos os regimes, já república constituía a designação para a coisa pública. Não a coisa do povo, – essa entidade abstracta onde todos se incluem e onde ninguém deseja incluir-se-, mas a gestão do lugar público. Nas praças e nos caminhos, onde sempre se decidiram os desígnios comunais, fazia-se política. Com a Revolução e o Liberalismo a política passou a fazer-se em casas parlamentares e as eleições que dantes se realizavam inter pares, hoje fazem-se intra grupos. A política deixou de ser para todos. Estava porém aberto o caminho para que a ideia de república se transformasse no ideal que é hoje: o de um suposto absoluto nivelamento e igualdade entre cidadãos (mas só entre os que fazem política).

O republicanismo português, que se aproveitou da ignorância e do analfabetismo grassante em 1910, construiu-se sobre a noção de que qualquer pessoa podia tornar-se chefe de estado, contrariando a ideia de que aquele lugar pertencia a uma família de privilegiados. Nunca conseguiu explicar, contudo, que apenas mudavam os privilegiados e não os privilégios. [Read more…]

Se leu nos jornais é porque não aconteceu

Nós também temos pasquins mas não tão bons (no sentido em que não são suficientemente pasquins) como os de outras partes do mundo. Assim de repente, acho o The Sun e o Bild quase imbatíveis, mas é capaz de haver pior, perdão, melhor no seu género (por outro lado, também temos jornais, mas não tão bons como nos países que têm bons pasquins).

O Daily Mail é, a par com atrás referidos, sério candidato a maior pasquim do mundo. Vai daí, noticia o que lhe apetece mesmo se não tiver acontecido. Os pasquins sabem bem, aliás, que o que não aconteceu de dada forma vende bem melhor do que o que realmente aconteceu.

Os pasquins, os tablóides e os jornais que para lá caminham, gostam de sangue e sensações fortes mas não se deslocam, por exemplo, aos teatros de guerra ou às manifestações de trabalhadores. Preferem sangue nas carpetes e nos cristais das casas dos famosos, nas salas de tribunal quando lá entra uma socialite, nas histórias dos desportistas de topo que escorregam numa casca de banana.

Os bons pasquins, além de noticiarem o que não acontece, escrevem a reportagem completa antes do não acontecido poder ter acontecido. Confuso? Tavez não, basta ler aqui.

O discurso do 5 de Outubro

As minhas desculpas. Afinal o discurso que antevi:

 

 

foi muuuuuuuiiiiito diferente:

 

Nem um único bla-bla-bla. Como é que me pude enganar tanto?

O Dom, um problema da historiografia portuguesa que tem o dom de me enervar

Consulte-se a Wikipédia em português, escolhendo o nosso primeiro rei: a entrada Afonso I de Portugal começa assim: “D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques”.

Façamos o mesmo exercício na  Wikipédia em francês, por exemplo procurando o Rei-Sol: o resultado será Louis XIV de France, referido no texto por “Louis XIV dit le Roi-Soleil ou Louis le Grand”. Continuemos pela Wikipédia de língua castelhana: Alfonso VII de León el Emperador, ou mesmo pela de língua inglesa: Elizabeth II é designada por Elizabeth II (Elizabeth Alexandra Mary, born 21 April 1926).

Utilizei a Wikipédia mas podia abrir qualquer livro de História numa destas línguas e o resultado seria o mesmo: só em Portugal uma ciência mantêm o tratamento reverencial de Dom aos seus monarcas. Pior do que isso, e embora haja alguma polémica entre os supostos herdeiros da aristocracia, tal tratamento estende-se muitas vezes à nobreza e ao defunto clero.

Segundo o dicionário mais à mão, DomTítulo honorífico que em Portugal se dava aos membros da família real e da antiga nobreza e a certas categorias religiosas. A Wikipédia insiste no “é um pronome de tratamento concedido a (…)” incorrendo num erro de conjugação verbal – isto é passado, onde está é deveria estar foi -, a República extinguiu, como lhe competia, os títulos nobiliárquicos, sendo de resto um perfeito abuso que alguém ainda seja tratado por conde do raio que o parta ou visconde da mãezinha que o deu à luz, assumindo uma distinção claramente inconstitucional. As formas de tratamento em Portugal são muito genuflectoras, e sendo verdade que aos velhos títulos sucedeu o prefixo Dr. colocado antes de qualquer licenciado, dizem muito sobre a natureza das relações sociais. Quanto a isso, paciência. Agora em escrita que se pretende científica é um erro crasso que urge corrigir (e não me venham com a tradição, que ela já não é o que era).

O fim da monarchia e a Republica Portuguêsa

Esta manhã, quando revejo provas das palavras que ahi deixo, chega a minha casa a notícia de ter sido proclamada a Republica Portuguêsa.

Há mais de um anno que este livro vive nos meus papeis, esperando a sua vez de ser publicado. Durante um anno esse desabar e esboroar contínuo da monarchia e da vida politica amorteceu e segui, como se os donos da casa, numa indolência de preguiça á beira do regato, se ficassem na somnolenta modorra de quem não dá um passo para salvar uma vida, no automático aborrecimento da propria vida. Durante um anno a politica portuguesa foi uma fuga constante do «salve-se quem poder». O partido republicano construiu serenamente o seu edifício ; e ninguem apareceu a reagir, opondo uma vontade a essa vontade, alimentando uma energia, erguendo um clarão de esperança. « Salve-se quem puder » ; « salve-se quem puder ». E nem quem podia se salvava.

Como um condemnado que se vê já a braços com a pena suprema e conhece que nada vale defender-se, os homens da monarchia abriam os alçapões e safavam-se por elles como diabos de mágica. [Read more…]

Casa dos degredos

Vivemos num país onde é impossível planear, o país eternamente conjuntural, o país em que se fala de “reformas estruturais” não porque se devam fazer e não porque o sejam na verdade, mas porque estamos em crise e a crise é uma “janela de oportunidade”. Somos, afinal, um país em que só se pensa quando está em crise, que é altura em que não é possível pensar, é a altura em que se devia ter pensado.

Depois de dinheiros públicos que uns poucos desperdiçaram e que muitos outros pagarão, aparecem logo ideias para cortar “as gorduras” e repete-se até à exaustão a expressão esvaziada de que “é preciso fazer mais com menos”, sem se dizer que não é só menos, é muito menos, sabendo-se, portanto, que não será possível fazer-se mais. É neste momento que se reafirma a ideia de que a gestão pública é má porque é pública e não porque é simplesmente má ou porque tenha estado e esteja sujeita à corrupção legalizada. De repente, descobre-se que é preciso fundir municípios, fundir escolas, fundir a torto e a direito, num país que está cada vez mais fundido e mal pago, uma nação que é, no fundo, um degredo.

Entretanto, faz-se tudo para que não se debata, porque “não há outra solução” ou porque “este é o único caminho”. Aqui, não se debate. Não se debate porque não estamos em crise, como dizia Sócrates. Não se debate porque estamos em crise, diz Passos Coelho. Portugal continua a ser a pátria em que o cidadão tem o privilégio do voto e o dever do conformismo, uma espécie de testemunha de casamentos que deverá calar-se para sempre, limitando-se a confiar. Este país é, enfim, uma casa dos segredos cujos habitantes devem aceitar manter-se na ignorância, obedecendo cegamente a uma voz.

Num discurso perto de si…

 

… daqui a pouco, por uma certa pessoa.

Vandalismo, sem Banksy

Das discussões tidas aqui no Aventar sobre o tema, fica claro que o vandalismo pode ser arte, mas é sempre vandalismo.

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