Pornografia (9)

“Barragem em betão, do tipo abóbada de dupla curvatura, com 108 m de altura máxima”

 fonte EDP

O que tem a UNESCO a dizer a isto? O que tem a Secretaria da Cultura de Portugal a dizer a isto? O que tem o Ministério da Justiça a dizer a isto?

Pornografia (8)

Entretanto, a EDP continua a apagar do seu mural as dúvidas e as perguntas incómodas de cidadãos indignados.

Pornografia (7)

Entretanto, a EDP continua a apagar do seu mural as dúvidas e as perguntas incómodas de cidadãos indignados.

 

“Falconando” à hora

Na última e quase escabrosa viagem aos Açores, observámos o sempre reservado Prof. Cavaco Silva cair às “mãos de César na vilória às moscas”, mas nem por isso deixando de posar diante diante do Falcon que lhe serviu de taxi. Vendo as coisas como elas são, a ora dos “sacrifícios e coragem para todos”, pouco ou nada tem a ver com Belém. Como se não existisse uma SATA ou uma TAP que transporte as excelências para aquela (ainda) parcela do território nacional, optam sempre por um brinquedo que custa milhares contos à hora? E para os “saltos” inter-ilhas, claro que não  se dispõem a fazê-lo a bordo de um reles  helicóptero da Força Aérea. Típico de gente chique e mal habituada.

Há uns bons anos, a Rainha Isabel II mandou definitivamente atracar o iate Britannia, numa necessária contenção de gastos e adequação aos “novos tempos difíceis para todos”. Nem sequer também valerá a pena perdermos muito com a “forreta” Rainha Sofia, obcecada viajante em low-cost. Por cá, nada se aprendeu ou esqueceu, pois ainda há uns meses e apesar da outra desastrosa visita a Praga – Falcon, limusinas e depois, um C-130 para a “pessoal menor” -, continua-se na mesma.

Quem quer repúblicas que as pague, até dá vontade de dizer, não? Mas atenção, há cada vez menos gente que está “para esse número”.

Cavaco e o OGE 2012: corte fiscal de subsídios

Hoje, à saída do 4.º Congresso Nacional de Economistas, essa feira de hipocrisia, vaidades e vacuidades do “economês” em que deixei de comparecer, segundo o “i”, Cavaco, a propósito do corte dos subsídios de Natal e de férias, terá afirmado:

…esta medida é uma violação de um princípio básico de equidade fiscal

Sublinha o ‘Público’, e bem, que o Presidente da República declarara idêntico juízo a propósito do corte de vencimentos na função pública de 3,5 a 10% em 2011, aplicado pelo anterior governo – o actual, aliás, mantém a medida no OGE 2012, com a agravante de ser cumulativa com o citado corte de subsídios.

Em primeiro lugar, apraz-me registar que Cavaco Silva, na linha do que escrevi neste ‘post’, considera a natureza fiscal do ‘corte de subsídios’. Assim é de facto. Ao invés da propaganda do governo, proclamada pelo trapaceiro Passos Coelho e o pastoso e hermético Vítor Gaspar, o ‘falso corte de despesa’, nos subsídios de funcionários públicos e pensionistas, mais não é do que a aplicação de um imposto, como todos os outros, decididos de forma unilateral e brutal sobre cerca de 3 milhões de portugueses.

A minha concordância com Cavaco Silva é acidental e restrita. Também estou de acordo, quando o PR diz:

“Os ajustamentos baseados numa trajectória recessiva são insustentáveis”

Trata-se de verdade insofismável. Porém, passando dos efeitos de políticas aos autores, é para mim redutor que Sócrates, que combati e abominei, seja  o único responsável pelo endividamento externo do País. O nefasto ex-PM é responsável pelo aumento de 60 para 120% do PIB, mas restringir a análise a 50% da dívida corresponde, efectivamente, a um raciocínio de enviesamento e parcialidade que me recuso a subscrever.

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Falhámos

Este não propriamente um post sobre segurança e criminalidade, é, isso sim, sobre o valor da vida.

Os crimes contra a integridade física têm aumentado de forma, para mim, inimaginável. É frequente ler/ouvir episódios de pessoas barbaramente agredidas apesar de entregarem os pertences aos assaltantes e de não oferecerem resistência. Começam também a circular histórias de pessoas violentadas por, simplesmente, não terem o que roubar.

Nos últimos dias duas pessoas foram mortas por tentarem ajudar vítimas de assaltos. O último caso envolvia aparentemente o roubo de… um boné e resultou, ao que parece, de uma uma vingança perpetrada mais tarde e a frio.

Quando estes casos começam a banalizar-se, traçam um retrato muito negro da sociedade onde acontecem. Não se trata, aqui, de fome, crise ou desespero. Trata-se de a vida do próximo valer praticamente nada, trata-se de se considerar o outro um mero impecilho próximo de ser, apenas, uma personagem virtual que se pode apagar para que o jogo prossiga e o próximo nível (a aquisição de um boné, por exemplo) seja atingido.

Uma sociedade assim falhou. E, se falhou, falhámos todos. O pior de tudo, neste jogo, é que não se pode desistir, voltar atrás e começar de novo. Somos todos joguetes e jogadores de uma coisa onde a vida e a morte se equivalem. Pouco mais.

Basta de cortinas de fumo!

Enquanto a esquerda fazia a jeremíada do costume, a direita estava a odiar a clara omissão. A verdade é essa e para isso, bastará darmos uma vista de olhos na blogosfera pró-governo. Andava furiosa com o “esquecimento”.

Finalmente, o Ministro das Finanças decidiu-se a fazer alguma coisa quanto ao cardápio servido aos portugueses, vindo dizer agora, aquilo que logo deveria ter incluído no primeiro “pacote de emagrecimento”. Antes assim, mas ainda há muito para cortar, principalmente no que respeita a certos gastos que já não estão assim tão bem escondidos: PPP, “gabinetes de gestão” de empresas públicas, transumância do governo para certas empresas privadas – onde está o plano de legislação quanto a isso? – institutos, “mise au pas” de Belém com a Zarzuela – só em Belém estão 9 milhões €/ano a mais, fora os ex! – fundações privadas com dinheiro público, “consultadorias” – é assim mesmo que eles dizem consultorias -, cartõezinhos de “crédito” para gestores e outros que tais, motoristas e viaturas, telemóveis à conta, “ajudazinhas de custo”, viagens e “estadas” – antes dizíamos estadias, soava melhor -, despezinhas de representação, observatórios disto e daquilo, pensões acumuladas como neve de avalanches, etc. Ficamos à espera, muito há a fazer.