Carlos Queiroz, o mete-nojo

Carlos Queiroz, o menino Carlinhos, o coitadinho da bola portuguesa, que conseguiu um ponto em seis possíveis para o apuramento para o Euro 2012, que pôs a seleção a jogar ao nível mais confrangedor dos últimos anos, que tinha os jogadores todos contra ele, etc. e tal, veio hoje dizer que com Ele a equipa já estaria apurada. Depois, paternalisticamente, enviou um recado a Paulo Bento, que conseguiu 15 pontos em dezoito possíveis, que ganhou ao actual campeão do mundo (com quem Queiroz perdeu vergonhosamente) com futebol de alto nível, que recuperou um grupo descrente e destroçado (apesar da evidente fraqueza dos dois últimos jogos), enviou um recado a Paulo Bento, dizia eu, paternalisticamente, dizia eu, dizendo “acabo de te puxar o tapete, acabo de afirmar que sou muito melhor que tu, comigo já não estaríamos no sufôco em que nos deixaste, mas deves ter cuidado com com a bicharada, deves afastar-te dos dinossauros e, assim, ainda podes estar no europeu porque tens matéria prima para isso”.

Sobre o menino Carlinhos já não tenho nada a dizer, não vale a pena. Já a Paulo Bento diria: segue os conselhos do bicho, afasta-te do dinossauro mas, se ele se aproximar de ti, não digas nada, não lhe respondas sequer. De cada vez que abre a boca, o mete-nojo mata-se a si próprio.

O mal

Nascemos bons e é o meio que nos transforma? Ou somos naturalmente maus? Uma melodia bela e forte é também capaz, só por si, de nos transportar para o universo onde o maniqueísmo do preto e branco acaba por se transformar num enorme cinzento. É o que vejo na obra prima  musical de Ennio Morricone, a qual acrescenta um indelével substrato à igualmente suprema obra de Sergio Leone no filme “Era uma vez no Oeste”.

Redução de reformas: corte de despesa, taxa ou imposto?

O percurso é uma fatalidade. Antes de analisar e criticar qualquer medida do governo, sobretudo em termos de políticas de formulação e execução orçamentais, temos de cumprir o itinerário do famigerado memorando de entendimento da ‘troika’, a que o País se vinculou junto do FMI, CE e BCE, pelas mãos do trio do ‘arco do poder’, PS, PSD e CDS.

No capítulo da Política Orçamental de 2012, e mais precisamente no ponto 1.11, o nefasto documento, de 17 de Maio passado, estabelece o seguinte:

1.11. Reduzir as pensões acima de 1.500 euros, de acordo com as taxas progressivas aplicadas às remunerações do sector público a partir de Janeiro de 2011, com o objectivo de obter poupanças de, pelo menos, 445 milhões de euros.

Utilizada a média de redução de 5% genericamente citada na imprensa, um pensionista da Função Pública ou da Segurança Social, que aufira actualmente a mensalidade bruta de 2.000,00 euros – 28.000,00 euros anuais – em 2012 receberá um valor ilíquido de pensões de 26.600,00 euros / ano; ou seja, será penalizado em 100,00 euros / mês. Ainda que não estejamos a focar o grupo de pensionistas mais desfavorecidos, a quebra de rendimento, no nível considerado, será equivalente à conta de farmácia, de consultas e exames médicos que muitos dos atingidos suportam regularmente, em função de doenças crónicas, próprias do grupo etário em que se integram.

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Quando os criminosos são polícias a coisa passa ao lado

Mário Brites foi acusado por dois polícias de algo que nunca se verificou. Como consequência passou cinco meses na prisão, perdeu o emprego e ficou com a vida destruída. Hoje dorme num carro e come graças à solidariedade de amigos. Por sorte, no meio de tanto azar, a Polícia Judiciária desconfiou da veracidade da acusação e desconfiou que algo não batia certo. Na origem de tudo estava, aparentemente, uma vingançazinha merdosa por questões de condomínio.

Os jornais, exceptuando honrosamente o Correio da Manhã, passaram ao largo desta história como se ela não tivesse acontecido, ao contrário do que fizeram no erro judiciário que motivou uma noite de prisão para Isaltino Morais. Trata-se dos mesmos jornais que, acertadamente, se mostram lestos quando denunciam as insuficiências do sistema judicial português. O problema, aqui, é que nunca passam de generalizações que o senso comum conhece e repete de cor, a menos que envolvam figuras públicas.

Casos particulares como o de Mário Brites são brevemente tratados como se o particular, o anónimo e a pessoa comum não fizessem parte e não fossem vítimas desta coisa arruinada que é a justiça portuguesa, na qual proliferam más práticas individuais que, somadas, perfazem o todo.

Denunciar a injustiça é, em qualquer sociedade, tarefa prioritária de cidadãos livres que assim se assumam.  Quando os media de um país olham para a prisão insustentada de um concidadão durante cinco meses e não lhe dedicam uma única linha, mais vale mudarem-se para a Correia do Norte. São tão bons jornalistas como os jornais que lá há.

Alô Paulo Bento

Éderzito António Macedo Lopes, 4 golos marcados na Liga. Jogador português. Como em janeiro ou para a próxima temporada já não deve estar na Académica, se nessa altura ainda fores seleccionador nacional, não te esqueças de o convocar. Agora claro que não faz falta, não precisamos de um ponta-de-lança para nada, o Postiga serve perfeitamente para andar aos papéis na grande área adversária.

Cristiano Ronaldo, o mau exemplo do costume

No final do jogo em que a selecção portuguesa foi justamente derrotada, falhando o apuramento directo para o Europeu, Cristiano Ronaldo, o capitão de equipa, não fez nenhuma declaração. É um dos casos em que o jogador é, de longe, melhor que o desportista, entendendo-se, aqui, desportista como um cultor do desportivismo, como um homem que se mostra digno na vitória e na derrota.

Desta vez, Cristiano Ronaldo não fez figuras tão tristes como nas ocasiões em que dirigiu gestos obscenos ao público ou em que cuspiu em frente às câmaras, quando Portugal foi eliminado pela Espanha, no Mundial de 2010. Seja como for, o uso de uma braçadeira de capitão e o facto de ser um ídolo de tantos jovens deveria trazer responsabilidades acrescidas a Cristiano Ronaldo e, no final do jogo de ontem, impunha-se que tivesse dado voz à tristeza e à esperança, como o fizeram Paulo Bento e Nuno Gomes. Infelizmente, o extraordinário jogador continua a não saber perder, mantendo uma imagem de menino mimado e de portuguesinho típico, com tudo o que isso contém de falta de civismo.

É certo que qualquer pessoa que goste de jogar seja o que for não pode gostar de perder, mas o caminho que deve ser percorrido pela humanidade é o de se afastar dos instintos primários. Saber perder é, portanto, mais humano do que não gostar de perder, é a diferença entre a razão e o coração.

Eusébio chorou quando Portugal não chegou à final do Campeonato do Mundo de 1966, mas esteve sempre mais preocupado com o jogo do que consigo e soube, tantas vezes, cumprimentar o adversário, o que aconteceu, por exemplo, com os guarda-redes que defrontou. Ainda hoje, é aplaudido em todo o mundo. Cristiano Ronaldo é assobiado, mas, vítima de um excesso de auto-estima, pensa que isso acontece por ser rico, bonito e um grande jogador. As qualidades inegáveis do jogador português mereciam um homem da mesma estatura, mas, até hoje, não foi possível.

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.